capítulo 17 - ARCO I

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A imagem era da câmera de segurança que mantinha o beco de vigília. O local estava vazio, assim como a maioria dos becos de Jaywick nessa época fria, mantendo apenas alguns grandes containers de lixo solitários.

Alguns segundos depois, uma figura apareceu na tela.

Era Elay.

O pai de Leslie foi o primeiro a reagir.

— Seu filho da puta!

Ele se virou, se desviando dos policiais que conseguiram apenas puxar suas roupas antes que ele conseguisse se aproximar da dupla. Nash puxou Elay firmemente para trás dele, olhando para o homem mais alto que ele com olhos tão afiados quanto uma faca.

— Receio que você também queira ter sua língua arrancada? - essas palavras escaparam naturalmente, antes mesmo que Nash tivesse terminando de falar, o punho pesado do homem veio em direção ao seu rosto.

Nash conseguiu distinguir com exatidão os sentimentos nos olhos perturbados do homem: Raiva, ele estava com muita raiva. E para o homem, ele estava defendendo a pessoa que tentou fazer mal a sua filha. Esse era um sentimento natural, se Elay tivesse feito mesmo algo e ele não fosse ele mesmo, teria dado ao homem as duas faces com resignação.

No entanto, o homem estava tolamente enganado. Ele tinha mais desprezo por essas pessoas, simplesmente acreditando no que os convém. Parecia uma frase injusta para falar com esse homem, depois de tudo o que ele viveu? Ele achou que não, o homem era apenas mais um hipócrita, jogando sua raiva no primeiro suspeito infeliz que apareceu, sequer observando as falhas no julgamento e a pessoa que estava acusando. Nash soltou uma risada fria, segurando sem esforço o pulso do homem.

Ele deveria fingir ser fraco, mas como ele poderia? Ele era Nash, um nome que se espalhava pelo círculo dos mercenários como andorinhas nas pradarias. Ele nunca havia fracassado em uma missão. Rápido, limpo e implacável. A maioria de suas vítimas morriam de maneira tão rápida que sequer viam seu assassino, geralmente, apenas um corte limpo em seus pescoços e um tiro certeiro em seus corações os levariam direto para o outro plano.

No entanto, aqui estava essa cena patética.

Antes que o homem mudasse seu olhar para surpresa, Nash deu-lhe um soco contra o estômago com um pequeno sorriso nos lábios, como se zombasse de sua ingenuidade. Toda a cena aconteceu em menos de alguns segundos, os policiais correram rapidamente, segurando o homem que cairia com um baque em direção ao piso duro de madeira.

O homem ficou lá, sendo segurado meio caído pelos policiais, animosidade crescente como se quisesse corta-lo em pedaços perpassava seus olhos.

— Eu vou te matar! - ele gritou.

— Continue sendo o idiota que você é, sua filha nunca poderia estar mais grata.

O comerciante até tentou dizer algo e se levantar anteriormente, mas o policial apenas o segurou. O policial não se preocupou muito com a cena que acontecia atrás deles, se dois policiais não fossem suficientes para segurar um único civil, eles deveriam apenas entregar seus distintivos e saírem de seus cargos.

E talvez, mesmo que não conseguissem, o moleque bastardo havia aparecido nas filmagens. Por um instante, ele até segurou o comerciante ao seu lado, olhando de Soslaio se o homem conseguiria tirar um pouco de sangue da criança, como forma de acalmar sua raiva.

Afinal, o moleque parecia acostumado às surras que levava, além de provavelmente ser culpado. O que era mais um pouco de sangue?

Depois de ver o homem jogado no chão, ele estalou a língua, como se estivesse apenas vendo um inseto estúpido correndo em círculos.

— Segure-o, Vocês acham que Nedran paga vocês para serem tão inúteis!?

Os policiais falaram nervosos, segurando o homem com ainda mais força que antes.

— Desculpe, senhor. Ele nos pegou desprevenidos. isso não vai se repetir.

Desprevenidos. Nash quase riu alto.

Essas pessoas realmente são varigeiras ambulantes...

— As filmagens não terminaram, você deveria deixar de ser tão precipitado. Além disso - ele olhou para o policial alto — Também irei prestar queixa contra esse homem por tentativa de agressão e injúria. Ser chamado de estuprador não é um apelido legal.

— Pelo que sei, você não fez nada - O policial comentou de volta.

O policial provavelmente estava esperando que sua expressão mostrasse algo como "eu não fiz, mas ele fez".

Mas Nash apenas continuou.

— Elay é inocente, ponto. Se a polícia quiser aceitar uma acusação tão injusta, serei obrigado a entrar em contato com o capitão Nedran e ter com ele uma conversa agradável.

O homem finalmente mostrou alguma expressão.

— Você sabe blefar, mas se eu fosse você, teria cuidado com suas palavras, garoto. Você vai descobrir que enganar autoridades policiais pode ser bastante problemático para você.

— Realmente? parece tão fácil engana-los, inclusive, vocês estão sendo estupidamente enganados agora mesmo, como cachorros de rua correndo atrás do próprio rabo.

— O que? - o homem alto se aproximou.

Nash penas lambeu os lábios e acenou a cabeça para os monitores, quando todos voltaram seus olhares para a tela, ficaram surpresos.

Nash, na câmera, lutava tremulamente para abrir a tampa de um container com seu corpo pequeno, todos sabiam seu objetivo: procurar restos para comer. Segundos depois, seu rosto virou abruptamente, ele não demorou um instante para pular do topo do container em uma postura manca e se esconder atrás dele, usando alguns sacos de lixo para cobri-lo.

Um segundo depois, uma pessoa apareceu.

Era Edwin, e em seus braços estava Leslie, dormindo com olhos fechados.

Edwin parecia desconfiado, olhando de um lado para o outro no beco, até finalmente ter certeza que não viria ninguém. Ele se apressou e colocou a menina no topo da lata de lixo, puxando seu casaco de maneira violenta.

Quando um choro finalmente soou, Elay notou que algo estava errado.

Ele finalmente rangeu os dentes e saiu de seu esconderijo, vendo a cena de Edwin removendo o casaco e puxando a blusa da menina do outro lado.

Ele não era tolo, ele sabia quem era Leslie. Essa menina gostava de correr de um lado para o outro em um pequeno comércio na avenida principal. Seu pai estava sempre por perto, e qualquer um estranho que se aproximasse era recebido com a visão do homem dizendo para Leslie voltar para dentro ou o homem puxando-a para sua própria proteção.

No entanto, por que Leslie estava em um beco, com Edwin, tendo suas roupas removidas enquanto o homem olhava de um lado para o outro? Isso estava errado... O pai nunca deixaria tal coisa acontecer, e ela tinha uma babá, e com certeza, essa babá não era Edwin.

Quando pensou na última possibilidade, a pupila do menino dilatou.

Quando Edwin notou, sentiu sua cintura ser empurrada. Ele estava alerta aos sons, fazendo com que o resto do seu corpo tivesse pouco alerta. Ele cambaleou alguns passos para o lado, voltando seu olhar para o trêmulo Elay, que ainda tentou pegar Leslie no colo e fugir.

No entanto, ele era Elay, afinal. O que um menino tão pequeno poderia fazer contra um homem musculoso de 1,80?

Quando ele deu dois passos em direção a Elay, o choro da menina aumentou, rapidamente alcançando os limites além do beco.

— Porra... - ele murmurou — Isso é culpa sua, quem manda você ser tão intrometido?

Elay segurou a menina com força, no entanto, ele não deu dois passos antes de tropeçar. Por trás, Edwin não fez o mínimo esforço para segura-lo pelos cabelos, Leslie deslizando lentamente por seus braços até cair sentada no chão.

Edwin o puxou com força, Elay sentiu uma dor lacinante em seu couro cabeludo antes de ser jogado no chão com violência. Um chute pesado caiu em seu estômago, como se quisesse estourar todos os seus órgãos por dentro, fazendo seus olhos revirarem pela dor.

— Não... - ele murmurou.

— Não? O que você estava fazendo? quando eu cheguei, o que vi foi você tentando molestar aquela criança inocente. Acha que ficará livre? Você vai pagar, moleque - o homem se agaixou na frente dele, dizendo lentamente antes de puxar seu cabelo novamente e dar-lhe um soco no rosto, o barulho de carne batendo foi coberto pelo choro de Leslie.

No chão, Elay se arrastou com os cotovelos, se virando arduamente enquanto vomitava um líquido esbranquiçado pela dor causada pelos socos de Edwin em seu estômago.

Sua visão estava embaçada e todo seu corpo doía como o inferno, mas olhando para trás, Leslie ainda estava lá, chorando sozinha.

Ele parou, sentindo uma mão firme puxar seus pés para trás. Ele não se moveu mais, deixando-se ser espancado até que finalmente algumas pessoas se reuniram no local.

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