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Ao sair do carro e se deparar com o prédio familiar, uma estranha sensação de náusea o preencheu, como um sentimento profundamente enraizado que flutuou desesperadamente por todos os poros de seu corpo antes de desaparecer.
Vendo Pietan parar ao lado da porta, ele apenas deu ao homem um olhar de soslaio antes de entrar.
Charles estava sentado, com sua mesa cheia de papelada milimetricamente organizada.
— Você está aqui.
— Se não estivesse, você estaria falando com as paredes? - Nash respondeu secamente.
Charles baixou levemente a cabeça antes de se levantar. Ele ficou um pouco surpreso, seu filho sempre se afastava quando ele tentava se aproximar, dando a ele um olhar de ódio, como se quisesse come-lo vivo da cabeça aos pés. No entanto, ele ainda se afastou, dando espaço para que Nash se sentasse em um pequeno sofá no canto da sala. Ele mesmo pegou um cachimbo, fumando perto da janela coberta de um vapor nebuloso do dia frio.
— Você não vem aqui há muito tempo - havia um pouco de nostalgia em seus olhos cansados — Você não tem dormido em casa, anda pela cidade sem rumo, fazendo coisas que não são do seu feitio. Nash, há algo que você queira me contar? - As palavras do homem eram baixas, dando a atmosfera fria e silenciosa um toque de calor paternal, desde que sua preocupação era visível.
Em nenhum momento Nash havia voltado seus olhos para o rosto de Charles. Havia um quadro na parede, era uma pintura que tomava metade dela, a moldura tão delicada e detalhada como se tivesse passado rigorosamente pelas mãos de um artesão experiente. No centro, havia um rapaz de costas, em um grande campo de tulipas azuis. O crepúsculo caia sobre ele, enquanto ele tentava inútilmente alcançar o último resquício de luz que ainda brilhava no céu, inevitavelmente engolido pela escuridão sem limites.
— Eu encontrei um cachorro - ele respondeu sem emoção.
Charles franziu a testa, colocando o cachimbo de lado e retornando a sua cadeira. Ele levantou as sobrancelhas.
— Que tipo de cachorro?
Ele não era tolo. Qualquer passo dado por Nash estava sob sua supervisão, muito menos cachorros, Nash não gostava de animal algum. Mas segundo suas informações, ele estava estranhamente interessado em uma criança defeituosa que corria pelas ruas. Talvez ele tenha adivinhado.
— Um filhote de cachorro sarnento. Quando eu colocar nele uma coleira firme, ele ficará limpo e obediente. - era como se murmurasse para si mesmo.
Vendo que seu filho finalmente estava interessado em alguma coisa, Charles deslizou levemente o dedo sob a mesa, pensativo.
— Contanto que você queira, não é algo difícil. - sua voz continha a mesma calma pacífica.
Nash ponderou. Charles prometia como se não estivesse falando sobre pegar uma criança aleatória e simplesmente entregá-la para o próprio filho, como um brinquedo qualquer. Ele desviou os olhos para os dedos do homem, as pontas batiam ritmicamente contra a madeira maciça, como se também estivessem batendo em seu coração. Mas ao contrário da carne macia, o dedilhar era como lâminas afiadas, causando feridas dolorosamente agonizantes em seu peito.
— Preciso ir. - ele se levantou, indo até a porta e puxando a maçaneta.
— Nash. - Ele ouviu a voz do homem soar.
— O que?
— Desde o momento que você entrou nessa sala, você não olhou para mim uma única vez. Eu sou seu pai, o que devo fazer para você me perdoar? perder sua mãe foi um grande golpe para mim também, você poderia apenas... Não ser duro com nós dois. - Charles tirou os óculos, esfregando lentamente o centro das sobrancelhas.
— O que? - Nash murmurou.
Charles olhou para ele com uma expressão cansada.
— Eu estou magoando você? - ele disse sem se virar, como se tal coisa fosse uma piada ridícula. Ele olhou levemente confuso para a maçaneta que segurava antes de começar a rir.
Sua gargalhada ecoou por cada canto da sala. Nash riu tanto que seus ombros tremeram, finalmente parando em uma risada debochada, enquanto balançava o rosto em gesto de negação e olhava para o teto, limpando o canto dos olhos enquanto suspirava.
— A casa da minha mãe, no final da Broadway. Estou me mudando para lá, quanto ao dinheiro que ela deixou, transfira para minha conta até o final do dia.
— Nash - a voz de Charles era fria.
— Além disso, faça o que quiser. Me siga com suas toupeiras, como um rato se esgueirando em um boeiro assim como você sempre faz. No entanto, não me faça ter que olhar para sua maldita cara desnecessariamente mais uma vez.
Ele saiu, fechando a porta com um baque. Tão perto da porta, ele sabia que o isolamento acústico não era tão bom. Ele notou Pietan encarar as lágrimas nos cantos de seus olhos antes de desviar o olhar.
— Você não deveria ser tão severo com seu pai, isso só acabará prejudicando ambos os lados.
Nash passou por ele, parando bem perto de Pietan antes de se virar lentamente, colocando seus dois braços contra a parede, deixando Pietan o encarando no centro.
— Vai se foder - ele murmurou lentamente.
Os olhos de Pietan escureceram.
Por dentro, Nash gostaria simplesmente de tirar uma faca do bolso e enfiá-la contra o estômago do homem, parando apenas quando tivesse arrancado o último suspiro do outro. No entanto, ele ficou na ponta dos pés até alcançar os ouvidos do homem, que tinha mais de 1,80, e sussurrar em seu ouvido.
— Se você me seguir novamente, eu quebrarei cada um de seus ossos, antes de fazê-lo comer e beber sua própria carne e sangue.
Soltando os braços, ele olhou vagamente para as orelhas vermelhas de Pietan, dando a ele um olhar mórbido e um sorriso largo antes de partir.
— Pervertido de merda... - ele murmurou internamente.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
🌟OüTıß🌟
manomanomanomanomanodoCIELO?!?!?!?!?!
Bro,xingamento,tapa e submissão,MAS ISSO EU NUNCA VI !!
JESUS CRISTO REPREENDA🙌
bro,ele não tem NENHUMA EXPRESSÃO mas pra ISSO HE GETS HORNY?!?!?!?
2024-06-15
0
⛅💫Hanaby_Hiroshi💫⛅
What's that, old man?
2024-01-17
5
⛅💫Hanaby_Hiroshi💫⛅
wow, how kind he is to others ( ╹▽╹ )
2024-01-17
5