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No dia seguinte, Nash vagou por sua casa decorada, satisfeito. O quarto de Elay estava pronto, cheio de cores neutras, como se não fosse receber uma criança, e sim um professor universitário indiferente.
Quando foi ao banheiro, ele vasculhou por um instante na gaveta antes de achar o que procurava. Quando levou o rosto, se deparou com seu próprio reflexo no espelho.
Sua aparência era a de uma criança que ainda não havia crescido completamente. Cabelos dourados escuros, olhos negros e uma pele pálida. Quando ele ficava sério, fazia com que as pessoas inconscientemente quisessem se distanciar, desde de que ele evocava essa exata sensação: frio e distante, como se seu olhar indiferente fosse uma lâmina afiada, cortando instantaneamente o desejo de se aproximar do observador.
Ele sorriu, o garoto no reflexo sorrindo junto com ele. Quando ele sorria, o contraste era gritante. Como se ele fosse apenas mais um menino gentil, de família comum e alegre.
Sorrir era a fachada perfeita, só dependia de quem ele estava aplicando a fachada.
Indiferente, ele pegou os cigarros e se jogou no sofá. Ele não era realmente menor de idade, então não se importou, tragando um cigarro inteiro antes de adormecer, sozinho na casa de uma pessoa só.
Desde de seu último encontro, Elay ainda não o havia contatado, e ele também não havia ido procurá-lo. Quanto a seus investimentos, o saldo da sua conta bancária já havia ultrapassado 500.000 k e aumentando, então ele estava realmente de bom humor.
No entanto, seu humor logo foi espalhado por uma ligação inconveniente. Ele atendeu, pensando que era Elay. No entanto, era uma das garotas do bordel, sua voz urgente soou, enquanto ela explicava rapidamente a situação.
— Segure as pontas para mim, estou indo até vocês agora. - ao desligar, ele não demorou muito a pegar seu casaco e as chaves do carro, partindo rapidamente.
Provavelmente, suas ações haviam mudado a linha cronológica de acontecimentos. Um evento que só deveria acontecer alguns dias mais tarde, aconteceu antes do previsto.
Aquele cachorro sarnento é realmente um ímã de problemas.
Ao chegar no local, uma pequena multidão estava reunida em frente ao bordel. Muitas pessoas murmuravam umas com as outras, mantendo olhares de raiva e desdém. Nash estava muito bem ciente da situação, principalmente vendo o estado de Elay a distância.
Em apenas um dia, o garoto que comia bolinhos de carne com ele, que era provocado pela mínima frase, estava meio ajoelhado no chão, sendo firmemente segurado pelo braço de um homem grande e musculoso, que falava tão alto como se quisesse rasgar os tímpanos das pessoas.
Por algum motivo, ele pensou que se sentiria mais satisfeito quando esse momento chegasse. No entanto, havia um estranho sentimento borbulhando em seu coração, como uma chaleira fervendo em fogo baixo, uma centelha de raiva sem sentido que lentamente se espalhou por seu corpo.
— Han, não pense que vai conseguir me mover tão facilmente depois de levar uma surrinha, moleque - ele murmurou para si mesmo, inconsciente da velocidade de seus passos.
Elay havia levado uma boa surra. Seu olho esquerdo mal abria, roxo e inchado como uma bola de bilhar. Suas roupas esfarrapas pendiam em seu corpo, no tempo frio, seu pescoço e ombros estavam completamente expostos, recebendo toda a violência silenciosa do clima negativo. O braço segurado pelo homem tremia levemente, enquanto o tecido da calça em seus joelhos já haviam sido rasgados, mostrando a pele ferida e sangrenta do outro lado.
— Que bagunça... - ele pensou.
Ele havia deixado o cachorro dele em perfeito estado no dia anterior, quando o momento chegasse, ele não deixaria que o tocassem. Então quem estava por trás disso?
Ele subiu levemente o olhar para o dono do braço que segurava Elay e não se surpreendeu, era Edwin.
— Realmente, se Sr. Edwin não tivesse aparecido do nada e o pegasse, quem sabia o que teria acontecido?
— Que terror, uma garota tão pequena. Que bom que seu pai agiu rapidamente, salvando-a dessa fera nojenta.
— Eu vejo esse garoto por aí, ele parece um órfão. Mas na verdade, ele é realmente filho de uma prostituta. Quem sabe o que ele aprendeu? Mas no final, ele é responsável por suas próprias ações, todos sabemos os resultados das crueldades.
— Ele também não é um prostituto? Que vergonha, esse moleque mal cresceu e já abre as pernas por aí. Que Deus me perdoe, mas o inferno é o único lugar que irá acolhê-lo....
Nash ouviu os murmúrios da multidão, no entanto, Elay parecia surdo. Ele apenas olhou para o chão, sem assentir nem negar as acusações. Quando ele se aproximou, logo rompeu as vozes dentro da multidão.
— O que está acontecendo aqui?
— Sr. Nash! - uma voz feminina soou, era Isabel, uma das prostitutas do bordel. — Estão acusando Elay injustamente! é simplesmente ridículo, eles estão apenas fingindo serem cegos e surdos!? olhem para esse menino, muito menos tocar em Leslie, ele nem conseguiria levanta-la, muito menos correr com ela tão longe como estão dizendo!
A multidão não parecia dar muita credibilidade a Isabel. Jaywick é uma cidade pequena e tradicional, enquanto Isabel era uma cortesã. Comparado às palavras de Edwin, um transportador bastante conhecido pela cidade por suas ações corajosas, ela parecia estar apenas defendendo um companheiro de trabalho.
Nenhum deles julgou errado o pensamento de supor que Elay estivesse vendendo seu copo, mesmo que o menino fosse uma criança.
A multidão continuou a debater, algumas vozes cada vez mais altas.
— O que você ainda está fazendo aqui! Defendendo uma atitude tão covarde mesmo sendo uma mulher, você não se envergonha!?
— Uma puta miserável, o que esperar de uma pessoa assim? Se houvesse apenas ela como testemunha, a pequena Leslie não seria simplesmente injustiçada?
A maioria dessas frases vinham de senhoras de meia idade, frequentes nos cultos de domingo.
Os olhos de Isabel se encheram de lágrimas, mas ela ainda não saiu de perto de Elay. O menino levantou levemente os olhos, puxando a barra da saia da jovem, balançando levemente a cabeça. Ele apenas deu um olhar de soslaio para Nash, como se fosse apenas mais um integrante da multidão que observava a cena à distância.
A questão era a seguinte, segundo uma terceira pessoa, Elay teria sequestrado Leslie, a filha de três anos de um comerciante e fugido com a criança, provavelmente com a intenção de prejudicá-la, desde que as roupas bem ajustadas da criança, para protege-la do frio, estavam desarrumadas. No entanto, Edwin notou a cena e o perseguiu, chegando bem a tempo de impedi-lo de cometer o mal e buscar por ajuda.
Claro, todo esse relato era uma meia verdade misturada com as palavras de Edwin, já que todos haviam chegado apenas quando o homem segurava Elay pelo braço. Os ferimentos de Elay também haviam sido provocados pelo homem, despejando sua raiva pela injustiça no garoto aos olhos de todos.
— Você tem alguma prova? - Nash se aproximou ainda mais, olhando para a mão que segurava o braço de Elay.
Que coisa... Que desconforto era esse? Obviamente, ele era o único que podia ferir o cachorro sarnento, mas essa pessoa era realmente ousada, fazendo isso bem embaixo de seu nariz.
— E... mais uma coisa, solte-o.
— Esse moleque é como um rato escorregadio, se eu o soltar, ele fugirá e ninguém nunca mais verá sua cara imunda. - Edwin gritou.
— Dê para mim, eu o seguro. Ele é um pequeno estuprador, certo? Eu com certeza não deixaria um lixo como ele vagar por aí - a voz de Nash era calma, mas ele não parecia estar se referindo a Elay, seus olhos olhando diretamente para o rosto de Edwin.
A multidão se calou.
Isabel estava chocada. Seu corpo tremeu levemente enquanto suas lágrimas caiam. Ela havia ligado para Nash com esperança de conseguir consertar um pouco a situação, no entanto, parecia que ela apenas havia piorado tudo.
— Bastardo... - o homem murmurou — Segure-o, se você deixá-lo fugir, você será o responsável pelas ações desse moleque.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
🌟OüTıß🌟
rapaz,matava fácin' fácin'...
2024-06-15
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🌟OüTıß🌟
ele pensando q ia se sentir satisfeito:A
a raiva passando pela vêia dele:chegay pra chegar💅
2024-06-15
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