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Quando Elay chegou no Bordel, era manhã. As portas do pavilhão estavam trancadas, então ele voltou rapidamente pelo beco, puxando com o último resquício de força uma lixeira pesada, antes de se arrastar pelo buraco na cerca de madeira e chegar do outro lado.
Quando ele entrou no quarto de Allana, ela estava dormindo. Ele se aproximou devagar, fazendo o mínimo de barulho possível. Seu peito apertou. Antes, Allana conseguia discernir até mesmo a frequência de sua respiração, descobrindo se ele estava zangado ou mentindo, muito menos seus passos, que apesar dos esforços, ainda se arrastavam pela dor em seu corpo.
No entanto, ela continuou dormindo pacificamente, seus olhos bem fechados. Pensando em uma coisa, o garoto correu rapidamente, verificando a respiração de sua mãe com os dedos. Notando que Allana ainda estava bem, ele se debruçou na barriga anormalmente magra da mulher, abraçando-a sem usar muita força, com medo de que o mínimo toque pudesse quebra-la.
As mãos de Elay se fecharam em punho, suas unhas lentamente cravando na carne antes de expelirem um fio de sangue. Graças aos medicamentos, suas feridas provavelmente não infeccionariam, mas a dor era tamanha que até dar um único passo o faria ranger os dentes, deixando-o tonto a ponto de fazer seu corpo inteiro gelar.
A cidade estava fria, mas Allana usava um cobertor quente. Eles não tinham aquecedor, muito menos uma lareira, então se viravam como dava. Dessa forma, ele saiu enquanto mancava, enchendo um balde de água e se arrastando para trazê-lo até a beira da cama de Allana, o que durou quase vinte minutos inteiros.
Quando terminou, seus braços estavam dormentes e tremendo. Seus pés latejavam e até mesmo levantar um dedo era doloroso. Mas ele apenas franziu os lábios, pegando uma toalha e umedecendo, antes de remover as roupas de Allana e limpar cuidadosamente seu corpo.
Todo o processo foi rápido e metódico. Depois, repetindo todo o esforço novamente, ele vestiu Allana com roupas quentes, cobrindo-a com os lençóis e guardando novamente o balde, tomando ele mesmo o próprio banho e vestido roupas velhas, porém mais limpas do que as que ele usava.
Sentado em um banco de madeira como uma pequena bola, enquanto sentia seus lábios tremerem pelo frio, Elay lembrou de uma cena antes de desmaiar.
Era um garoto, encostando há alguns metros de distância dele. Ele apenas sentiu frio, havia duas pessoas xingando-o e gritando com ele, enquanto o usavam como seu depósito de ódio. Ele só sentia um zumbido no ouvido, toda a cena estava lenta e desfocada. Mas quando ele olhou mais adiante, estava aquele garoto familiar que ele havia encontrado no beco. Ele ainda estava composto, limpo como uma pétala branca que ele havia visto em uma floricultura há alguns dias, antes de ser enxotado pela vendedora.
O garoto tinha sorrido para ele. Elay era jovem, mas já conseguia distinguir muitas expressões, principalmente as que mais se dirigiam a ele, sejam de raiva, nojo, pena e até mesmo devassidão.
No entanto, ele não conseguia entender ao certo a expressão daquele menino.
Aquele sorriso era um sorriso que o deixou tonto e desconfortável, como uma víbora que se enrolava lentamente em sua presa, sufocando-a antes de engoli-la lentamente
Saindo da conveniência, Nash andou por um tempo. Depois de quase sair da fronteira do subúrbio, um carro parou ao lado dele. A janela do carro lentamente desceu, a pessoa no assento do motorista era o mesmo homem de terno que o observava próximo a conveniência.
— Sr. Charles espera encontrá-lo em seu escritório.
Nash continuou andando, ignorando-o.
— Ele está preocupado por não ter dormido em casa noite passada. Sr. Charles teme pela sua segurança.
— Nash, não torne as coisas difíceis para mim. - terminou o homem, apatia sutil em suas palavras.
Nash zombou.
— Pietan, eu não sabia que meu pai também o usava como cachorro de caça. Como um puxa saco que você é, eu me pergunto o quão bem você lambeu o saco dele para que ficassem tão próximos como unha e carne. Me diga, você disse a ele o que eu comi essa manhã? Também quer saber quantos ml de café tinha na minha xícara?
— Estou apenas cumprindo ordens, Sr. White. - Apesar das palavras de Nash, Pietan se manteve composto, sua voz pacífica e sua expressão indiferente.
Confirmando que suas palavras não o afetavam, Nash deixou de fingir desprezo. Não que ele não desprezasse Pietan, se ele pudesse, faria que esse homem arrancasse as próprias entranhas e as comesse lentamente, no entanto, ele já era um homem velho. Depois de vários mundos, além do grande ressentimento que o movia, algumas coisas desnecessárias foram deixadas de lado.
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Atualizado até capítulo 65
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