Sou levada para o quarto, onde visto uma camisola de seda fina, suave
e transparente em todo o meu corpo. Sinto-me pronta para o abate.
Como poderei transar com uma pessoa que acabou de foder outra
mulher?
Não contei a ninguém o que vi, nem mesmo à minha mãe, quando
retornei à mesa para junto dela. Não passei muito tempo mais com ela, pois
Greta foi me buscar e me trouxe para o “nosso” quarto. Foi o que ela me
respondeu quando questionei que lugar era este: “O quarto dos noivos,
senhora.” O lugar onde acontecerá o ato. Seremos uma só carne nessa cama,
e depois disso nada mais poderá ser desfeito. Para todo o sempre seremos
marido e mulher.
Eu me sento sobre a cama e os meus pés não tocam no chão. O colchão
macio afunda com o peso do meu quadril. Minha respiração pesada faz com
que meu peito suba e desça lentamente e pesadamente.
A qualquer momento Deméter entrará por aquela porta exigindo seus
direitos de marido, e eu serei obrigada a ceder, porque é assim que as coisas
funcionam no mundo da máfia siciliana: é o homem quem manda na esposa.
No lar, tudo está em volta do poderoso chefe. Inclusive, se ele quiser, pode
comer uma puta antes de vir me tocar, como se tudo fosse normal.
O que ele espera de mim? Que eu seja submissa, feche os olhos para as
suas traições e lhe dê herdeiros, igual como era na época medieval, quando
as mulheres fingiam que não sabiam das traições e dos filhos bastardos.
Condenei Ricardo e condeno Deméter. Os dois não valem nada e
jamais serão dignos de mim e do meu amor puro e verdadeiro.
Estalo os dedos. As imagens daquela mulher exibindo seus seios
durinhos e rosados me fazem ver o olhar de desejo dele por ela. Não vi sua reação naquele momento, mas é quase certo que os dois transaram. Eu
poderia matá-lo se tivesse a chance de concretizar o meu plano.
Ainda tenho outras preocupações além dessa. Meu tio e minha avó
expressaram o desejo que têm de levar a minha mãe com eles para algum
jogo de vingança sórdido e sujo. E o avô do meu marido não passa de um
homem desagradável, que apesar de forçar contentamento com o nosso
casamento, lá no fundo, reprova-me como esposa do seu neto. Eu sinto isso.
Não que sua opinião importe para mim, mas tenho certeza de que ele fez
todo o possível para impedir esse casamento. E falhou, porque o cretino do
seu neto quis ir até o fim com essa ideia absurda de se casar com a sua
prometida.
A aliança é pesada. A todo momento, eu a remexo em meu dedo. Se
pudesse, iria jogá-la bem longe, mas isso não me faria ser uma mulher livre.
Abandono os meus pensamentos quando o meu olhar vai de encontro
aos olhos de falcão que invadem o ambiente. Ele ainda está trajando o seu
terno azul-marinho. É a primeira coisa que noto depois do seu olhar em
chamas a me devorar. O homem está como um alucinado.
Fico em pé assim que noto sua presença e a porta se fechando. Ele a
tranca e guarda a chave no bolso. Minha atenção está completamente nele.
Nossos olhares são totalmente um do outro e eu também tenho toda a sua
atenção. Seu olhar voluptuoso está fixo em mim. Eu sou o peixe que ele
acabou de pescar.
Acompanho-o se livrando do blazer e revelando que usa um colete
protetor por cima da camisa branca. Não pude senti-lo porque não o abracei
em nenhum momento. A arma está sobre o colete, presa nele. Na verdade,
são duas, uma de cada lado. Estão carregadas. Vejo-o depositá-las sobre uma cômoda de madeira, e o som delas na sua superfície é de um impacto que faz o meu coração acelerar.
Sua presença majestosa me deixa muito nervosa, principalmente se eu
considerar o que virá em seguida: o ato conjugal.
Deméter agora abre os botões do colete e, em seguida, livra-se dele,
ficando apenas com a camisa branca. O colarinho está desabotoado e as
abotoaduras possuem o brasão da família: cavalos, coroa, castelos, ouro,
terras e poder.
— Parece assustada, pombinha. — O infeliz se diverte com o pavor
estampado em minha face.
Ergo o queixo.
Ele caminha em minha direção, abrindo os botões de sua camisa
lentamente, para a poucos centímetros de mim e observa detalhadamente a
minha camisola branca curta, que deixa em evidência minhas coxas grossas,
que roçam uma na outra, revelando também minhas estrias. Não me sinto
nada confiante vestida assim, mesmo tendo vestido o robe branco por cima,
que também é sexy, de renda e branco, uma cor que não me valoriza. As
roupas devem cobrir aquilo que quero esconder.
Porém, ao fitar seus olhos, vejo o fogo da paixão neles me queimar
interiormente. E, somente por um instante, eu quero ser queimada por esse
fogo e ser tocada com volúpia, como aconteceu naquele dia em seu carro, no
Brasil, quando pensei que transaria com ele naquela rodovia.
Quanta disposição para alguém que acabou de comer outra.
— Algo a incomoda, piccola?
O quanto ele é grande e forte não pode ser descrito. Esse homem é um
paredão de músculos com quase dois metros de altura. 1,93 m. É tão grande,
que poderia me engolir facilmente e me quebrar por inteiro no seu abraço.
Forte e musculoso.
Ele é meu marido. Arfo, cansada.
— Termine de uma vez por todas com o meu suplício. Acabe de uma
vez por todas com este martírio que o casamento trouxe para mim. — Folgo
o nó do meu robe e o deixo cair sobre os meus pés, ficando exposta somente
com a camisola transparente de renda, branca.
A seda macia é o que me mantém aquecida naquelas regiões. E a
camisola, sendo curta e minúscula, exibe meus seios fartos. Os seios dos
quais eles zombavam ao falar de mim no escritório. A mulher se referiu a
mim como vaca gorda. Certamente, os dois riram bastante.
— Suplício? Martírio? É isso que seu marido é para você, principessa?
— É sim — estufo o peito para falar.
Uma lágrima escorre pela minha face e eu mantenho resistência para
não chorar. O choro está preso em minha garganta. Dói não querer mostrar
fragilidade.
— Não quero que chore em nossa primeira noite como casados.
Estamos vivendo nossas núpcias, baby.
— Núpcias? Todos lá fora o estão esperando, querido — zombo. —
Pode começar. Tire a minha virgindade e mostre a todos que você é homem
— ridicularizo-o. — Se der sorte, eu posso sangrar e o lençol branco poderá
ser mostrado a todo mundo.
Conheço as tradições. Minha mãe já me falou sobre isso antes.
— Vejo que está a par de todas as tradições.
— Estou sim. Pode começar, querido. Me tome em seus braços sem
nenhuma delicadeza. Não mostrarei resistência. Não serei tão apetitosa como
as putas com quem está acostumado a dormir, mas não o morderei. Deseja
que eu me deite e abra as pernas? Farei isso — mesmo abalada, consigo
zombar da situação. Foi assustador para mim proferir essas palavras, mas
estou disposta a fazer o que falei.
— Quem lhe disse que a tomarei à força, querida? É minha esposa, a
senhora da minha casa. Não sou nenhum animal, Beatrice. — Houve uma
mágoa quando ele pronunciou o meu nome. — O que pensa que eu vim
fazer neste momento? Violentar você?
— O que eu penso não importa, sou apenas uma mulher, não é mesmo?
É você quem decide tudo, e eu não posso lutar contra alguém poderoso. —
Seu olhar negro me fuzila. — Não é isso que espera de mim? Submissão?
— Está enganada. Não é isso que espero de você.
Eu deveria estar surpresa, mas não demonstro isso. Ao menos a
vontade de chorar passou.
— Então, o que espera? Que eu seja igual as vagabundas que se deitam
com você?
— Não admito que se compare com essas vadias. Você é minha esposa,
não uma puta.
— Não devo me comparar? Você fala delas como se elas não
significassem nada para você, porém é com elas que realiza seus desejos
mais íntimos.
— Isso ficou no passado. Eu tenho minha bela esposa de agora em
diante para realizar todos os meus desejos. — A profundidade com a qual
seus olhos me devoram me deixa sem ar.
— Engraçado, querido. Você nem deveria estar com disposição para
transar com sua esposa. — Minha arrogância o faz rir.
— Posso saber por que eu não deveria estar ardendo de tesão pela
minha linda esposa, principalmente depois de tê-la visto praticamente sem
roupa, usando essa lingerie sexy que está fazendo com que meu pau quase
rasgue minha calça? — O erotismo em sua voz não me faz ficar com menos
raiva.
Posso não o amar, só que não aceitarei traições. Não irei fechar meus
olhos.
— Imaginei que depois que comesse a vadia loira no seu escritório,
estaria sem nenhum apetite sexual, querido — enfatizo o “querido” com
ódio.
O pior de tudo é Deméter não se mostrar surpreso com minha
revelação, mas sei que ele não esperava que eu fosse descobrir isso justo no
dia do nosso casamento.
— O mais sujo disso não é você ter uma amante, e sim comê-la no dia
do nosso casamento. Estou com muito nojo de você, Deméter. Com tanto
nojo, que seria capaz de atirar em você — falo com tanto asco, que sinto
náuseas.
— Eu não traí você, Beatrice — retruca no mesmo instante.
— Eu não acredito em você. E quer saber? Não perca o seu tempo me
explicando. Não me interessam as suas justificativas, seu ogro.
— Escute-me com atenção — repreende-me. — O que foi fazer em
meu escritório?
— Cínico! Você me chamou lá e agora se faz de desentendido? Se
queria me apresentar sua amante poderia esperar para depois que comesse
ela.
Deméter está pensando e tentando compreender tudo.
— Eu não traí você, repito. Eu não seria capaz de trair minha linda
esposa no dia do nosso casamento. Seria muita sujeira até para alguém como
eu, que já está enfestado dela. Acredite em mim. Não nego que aquela
mulher foi minha amante...
— Ótimo. Então, admita o que fez com ela. — Cruzo os braços,
exasperada. — Que trouxe sua amante para o nosso casamento, sem respeitar minha presença. — Sinto asco e náuseas.
— Transei muitas vezes com ela, não nego — admite. — A mulher em
questão pertence à família de um importante convidado. Nosso caso era
conhecido por todos, mas também é do conhecimento de todos que eu
coloquei um fim nessa relação assim que retornei do Brasil com minha
futura esposa. Pode perguntar a quem quiser, essa é a verdade. Também é
verdade que eu não a trouxe, ela veio de penetra com o tio. Por isso mandei
chamá-la em meu escritório, para expulsá-la. Chegou aos meus ouvidos que
ela faria um escândalo.
— Um escândalo? Por isso a chamou em seu escritório? Talvez seja por
isso que ela tenha lhe mostrado os seios e me chamado de vaca gorda. Se
meu corpo te incomoda tanto, por que não se casou com uma modelo?
— Chega! Não admito que diga coisas tão estúpidas. Em momento
algum me mostrei insatisfeito com o seu corpo, pelo contrário, basta olhar
para mim e notará o volume em minhas calças. Meu pau pulsa como um
doido sem controle por você. Foi assim desde a primeira vez que a vi. Uma
enfermeira tão sexy, que eu poderia comê-la naquela sala. Mesmo com meu
braço ferido, seria um prazer. — A insanidade em seu olhar é tanta. —
Nunca a chamei de nenhum nome pejorativo. Para mim, você é uma bela
deusa e seria um prazer imensurável tê-la em meus braços. Por isso quis
tanto me casar com você. Se é para ter somente uma mulher em minha cama,
que seja uma deusa que faz o meu pau ficar duro somente quando ela me
encara com esse olhar meigo e inocente. — Posso ver a agitação de humor
dominá-lo. É como se ele estivesse perdendo o controle. — Pode ser que
você seja insegura por causa de algumas circunstâncias da sua vida que eu
desconheço, no entanto não admito que, a todo momento, duvide de mim e
dos meus sinceros desejos, principessa. Não posso dizer que a amo como um
louco. Homens como eu não sabem o que é amar e recusam esse tipo de sentimento. Mas posso garantir que a desejo com toda a minha alma,
intensamente e loucamente. Posso dizer que, como seu marido, sempre irei
te proteger. E não pretendo, de maneira alguma, me deitar com outra mulher
que não seja a minha esposa, mesmo que ela duvide de mim, como é o caso.
Diante dessa afirmação, eu não sei o que dizer, o que responder.
— Lamento que tenha presenciado apenas uma parte da minha
conversa com aquela mulher. Posso lhe mostrar as imagens daquele
momento. O vídeo da câmera provará que digo a verdade. Estou disposto a ir
até o inferno por você, se necessário, mas não duvide de mim nunca. Somos
um só, unidos em um sagrado matrimônio. Não preciso de outra mulher que
não seja a minha esposa.
Continuo sem uma resposta para retrucar. Ele comeu minha voz e
conseguiu fazer o meu coração errar as batidas.
— Vim até o quarto pressionado por essa maldita tradição de transar
com minha esposa e mostrar a todos sua pureza, se ela sangrar. Estou aqui
para tomá-la como minha. É o que todos esperam de mim neste momento.
— O meu maior temor está prestes a acontecer. Deméter passa a mão na
têmpora, exaltado. — Mas não farei nada contra a vontade dela. A todo
instante, repito isso para mim. Desde o nosso noivado, bebê, não consigo
dormir sem pensar no momento em que terei Beatrice somente para mim.
Mas não a forçarei. Não farei a vontade do meu Conselho e do meu avô. Não
tomarei sua pureza contra a sua vontade. Eu poderia obrigá-la, afinal de
contas, sou um monstro, um ogro para a minha esposa. — Penso nele mais
como um ogro que não sabe se expressar do que como um monstro cruel. —
Não quero que o nosso relacionamento seja movido a base do medo e das
desconfianças. Eu não sou esse tipo de homem. Jamais ousaria roubar a
pureza da minha esposa como um animal faminto. Sou cruel e sou terrível,
mas não serei assim com a minha mulher. — Sua mão direita escorrega carinhosamente pela minha face. — Vim até o quarto porque é minha
obrigação consumar o casamento, mas não se preocupe, não farei nada com
você. Não a tomarei em meus braços e nem sequer irei beijá-la se não me
pedir ardorosamente para que eu a foda. Respeitarei o seu tempo e lhe darei
espaço, querida.
Deméter realmente está se mostrando ser alguém que eu jamais
esperaria que ele fosse. Pensei que ele entraria como um touro bruto neste
quarto e me tomaria em seus braços como um animal faminto rasgando a sua
presa. Mas ele não fez isso, e agora falou que respeitará o meu tempo. Quem
é esse homem diante de mim? Um irmão gêmeo com a personalidade oposta
à do verdadeiro Deméter Massino?
— Te provarei que não sou um monstro e que não necessito de outras
mulheres. Mesmo que não seja minha nessa noite ou nas noites seguintes, eu
continuarei te esperando pacientemente até o dia em que desejar ser minha
por inteiro, de corpo e alma.
Não sei mesmo o que falar. Ele não me pressiona a nada.
— Esse será o nosso segredo: o casamento não consumado.
Guardaremos isso somente para nós. Não pode comentar nem mesmo com a
sua mãe, porque todos precisam acreditar que você foi minha mulher, para o
seu próprio bem-estar, princesa.
Deméter se livra dos sapatos ao se sentar no colchão. Também
aproveita para desfazer a cama, deixando apenas um lençol fino sobre ela.
Analiso suas atitudes. Por fim, ele se senta do seu lado da cama.
— Passaremos algumas horas juntos neste quarto. Poderíamos aproveitar para nos conhecermos melhor como casal. O que pensa sobre isso?
Definitivamente, ele é o mesmo homem, mas com uma atitude totalmente diferente daquelas com as quais eu estava acostumada. O ogro sem coração também sabe respeitar uma mulher, e está me mostrando isso, no entanto agora não odeio menos o chefe da máfia. O Don Massino ainda é meu inimigo, mesmo que tenha demonstrado ser um amigo.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Cida Mendes
Eu tô ficando com asno dessa mulher, que chata tô tomando ranso dela
2025-01-08
1
Clea Moraes
Autora querida o que você tem contra fotos com essa já são duas histórias que leio e você não posta nem uma foto dos protagonistas aí eu sou obrigada a imaginar. 🤔😗😉😛🥰
2024-06-12
2
Margareth Santana
aff essa sabe ser muito ridícula e chataaaaa, bom era o escroto do Ricardo que somente a desvalorizava
2024-02-29
6