Inferno!
Maledizione! (Maldição!)
Merda!
Após um dia cansativo e cheio como o de ontem, com a inauguração
da minha marca de carros importados no Brasil, um pilar para toda a
América do Sul, veio me acontecer uma merda como esta. Eu estava em um
treinamento, em uma casa de tiros, com meu homem de confiança, Rossi,
usando balas de borracha, que não podem perfurar a pele, apenas causar
machucados leves com os quais estou acostumado. Gosto de sentir a dor do
momento em que a bala de borracha entra em contato com a pele, mas dessa
vez foi diferente, pois queima mais que o normal.
Logo ouço Rossi gritar:
— É bala de verdade! Sangue, senhor! — refere-se à ferida aberta em
meu braço.
Inferno!
Durante o percurso até o hospital, tentamos entender como isso foi
acontecer. Todo o meu pessoal estava no clube de tiros. Eu mesmo espionei
as armas e as carreguei com balas de borracha. Não entendo como uma bala
de verdade foi parar na arma do Rossi. Alguém naquele recinto tentou me
matar, e não foi o meu secretário, o homem que sempre me acompanha e
que é de minha extrema confiança.
— Um momento, senhor. Já será atendido — a voz da mulher na
recepção me irrita.
Italiano de sangue quente, defino-me como alguém impaciente, que
detesta quando as coisas não saem como planejo. Por mim, eu teria enviado
alguém no meu lugar para vir até o Brasil para a inauguração da minha marca de carros de luxo, porém devo manter minha boa imagem como
empresário de sucesso renomado, que possui uma ficha limpa perante a
sociedade. O que mostro durante o dia são sorrisos e boas ações, porém, o
que fica para a escuridão da noite, é a minha verdadeira identidade: o chefe
de uma grande organização mafiosa.
O grande legado do meu pai e do meu avô, hoje é meu. Mesmo que o
meu pai tenha falecido há dois anos, continuo firme e forte como o chefe da
máfia siciliana. O meu avô permanece saudável, com seus 80 anos e uma
personalidade do cão, porém aposentado de suas funções há mais de 15
anos, quando passou o legado para o meu pai, devido a problemas de saúde
que enfrentava na época.
O câncer não o matou, mas matou o meu pai, um grande homem que
soube me ensinar tudo que eu precisava para ser este chefe temido e
respeitado por todos à minha volta.
Deméter, o ceifador. Não preciso especificar por que sou chamado
assim. Digamos que possuo um gosto particular pelas cabeças dos meus
inimigos e costumo pendurá-las como um sinal de vitória para aqueles que
ousam me desafiar.
Particularmente, gosto de um desafio, entretanto não costumo começar
uma guerra se não existir realmente um motivo sólido para isso.
Quando dei entrada no hospital mais conceituado do Rio de Janeiro,
imaginei tudo, menos que seria atendido por uma bela enfermeira, a mais
linda que já vi em toda a minha vida. Os seus olhos são de jabuticaba,
castanho-claros, com um tom puxado para o esverdeado. Ela é baixinha, de
seios fartos, cintura larga e quadril avantajado. Em um primeiro instante, eu
me vi duro dentro de sua bocetinha, que aposto ser rosadinha, mas logo
notei o anel em seu dedo. Ela é noiva.
Percebi que a garota não se encontra bem, pois parecia estar chorando.
Notei também que sua pele ficou mais pálida repentinamente. Ela se virou
de costas antes mesmo que eu pudesse constatar se ela estava realmente
chorando, porém pude captar a bela imagem do seu rosto de anjo.
Ela é uma ninfeta e tem uma beleza extraordinária e rara. Suas
bochechas são cheinhas e avermelhadas. Seu tom natural. Talvez seja isso
que me encantou nessa mulher: sua beleza é natural, não é manipulada por
meio de cirurgias plásticas.
O que diabos está acontecendo comigo?
Mesmo com o ferimento queimando a minha pele, como se mil
agulhas aquecidas estivessem comendo meus tecidos, e sentindo uma dor
intensa, sei conter minhas emoções. Eu diria que já senti dores piores, que
exigiram mais das minhas emoções. Um tiro queima e machuca, mas não é
nada comparado a outros tipos de dores que já senti.
Mesmo assim, tomado pela dor, sinto meu membro ficar duro apenas
com a bela imagem da mulher de costas. Que quadril dos deuses. Ela é
perfeita e cada curva sua é delirante e apaixonante. Com esse corpo de
princesa, ela seria capaz de levar qualquer homem à loucura. Estou me
vendo completamente obcecado por uma ninfeta que acabei de conhecer.
Como a porra de um adolescente controlando os seus hormônios. É
assim que me sinto ao ver a bela imagem da mulher vestida de branco,
trajando um jaleco que a deixa ainda mais sensual, como uma profissional
do sexo que vem atender o paciente no consultório e o deixa louco com sua
sentada.
Sou um homem experiente e tenho as mais belas mulheres aos meus
pés, de joelhos, no entanto nunca senti tanto desejo por alguma delas, como
sinto agora por essa enfermeira baixinha e sensual.
O sexo, para mim, é algo crucial. Necessito sempre ter uma linda
mulher em minha cama, e talvez duas ou três, como a foda que tive ontem à
noite. Meu cacete estava duro pra caralho com as três puttane (putas) que
comi na noite passada. Contudo, o rebolado da loirinha não se compara em
nada com o desejo sexual que sinto neste momento por essa moça. Mesmo
ela estando de costas para mim, posso admirar o seu lindo corpo.
Confesso que as magrinhas não me chamam muito a atenção. Gosto de
carne. De muita, para poder me saciar. Eu me deleitaria com os seios fartos
dessa bella donna.
Não importa quem ela é. Se eu a desejo, irei tê-la em minha cama.
Eu comento com Rossi que ela não está muito bem. Também vou
perdendo a paciência, por ela não se virar para mim. Quero ter a bela visão
do seu olhar fixo somente no meu.
Surpreendo-me quando ela demonstra saber falar italiano. E depois de
tudo, ela tenta me convencer de que não é fluente.
Há algo de errado com essa moça. Ela não parece estar em um bom
dia. Por ser enfermeira, possivelmente, está chegando ao fim de um plantão
e está cansada. Entretanto, isso não é motivo para ela estar tremendo. Isso
não é cansaço, é medo. Ela está apavorada.
Quando seus olhos cruzaram com os meus pela primeira vez, eu soube
que tinha algo de errado, pela sua postura e pelo seu modo de tentar
esconder que estava chorando. Não foi um cisco no olho, como ela disse.
Ela está temerosa, olhando-me como se eu fosse o seu pior pesadelo. É o
mesmo olhar que as minhas vítimas me dão quando eu as mato e quando
elas estão sob meu domínio, sendo torturadas, ou quando percebem que a
casa caiu.
No crachá da moça está escrito “Esposito”. Esse sobrenome não me é
estranho. Na Itália, costuma ser comum. Mas os traços da mulher não são
de uma italiana. Ela tem muito a fisionomia das brasileiras gostosas, com o
corpo cheio de curvas. Contudo, existem também casos em que um dos pais
é brasileiro, e o outro italiano. Pode ser o caso dela.
Eu não diria que ela é uma puttana. Não é como a maioria das
mulheres, que percebem, pelas minhas roupas e relógios caríssimos, que eu
tenho dinheiro. Ela não se oferece em nenhum momento, até porque está
tremendo na maior parte do tempo. É como se soubesse quem eu sou e
conhecesse a minha fama de ceifador de algum lugar. Não é possível. Ela
não tem ligação com a minha máfia. Caso contrário, eu já saberia antes
mesmo de ter vindo ao hospital.
Algo nela me intriga, e eu vou descobrir o que pode ser. Não é normal
que ela se mostre apavorada com minha presença. Decidi provocá-la ao
duvidar da sua capacidade como enfermeira, e ela me surpreendeu ainda
mais ao se rebelar e ao me falar coisas que a maioria das pessoas jamais me
diria, por saber quem sou e pelos meu status financeiro.
A bella donna demonstrou ser linguaruda. O que odeio em uma
mulher. As mulheres devem ser obedientes, gentis, sempre delicadas e
comportadas, nunca o oposto disso.
Eu irei me casar, o mais tardar, até o próximo ano. Meu avô já está
providenciando isso para mim. Eu deveria estar casado há cinco anos,
quando minha noiva completou 18 anos, porém ela e a puttana de sua mãe
fugiram da Itália após a morte do melhor amigo do meu pai, que chegaria a
ser meu sogro se não tivesse ocorrido aquela fatalidade. Ele morreu
protegendo o meu pai. Sua lealdade jamais será esquecida.
No entanto, sua esposa levou a única filha do casal, minha noiva,
embora. Desde então, nenhum outro acordo foi firmado com nenhuma outra
família. A garotinha tinha 9 anos quando foi embora do meu país. Sonho
com o dia em que a encontrarei e a farei pagar por cada segundo da
humilhação que passei. Virei motivo de piada por alguns anos, por minha
noiva ter fugido, mesmo ela sendo uma criança na época.
Quero fazer sua mãe e ela pagarem caro por isso, nem que seja a
última coisa que eu faça nesta vida.
Concordei que o meu avô pode escolher a minha esposa. Ela precisa
ser da máfia, educada, fina e obediente. São as quatro coisas que exijo. Ela
não precisa ser bonita, pois sua única função será me dar herdeiros, e nada
mais. Continuarei a ter minhas amantes, mesmo que seja errado eu me
deitar com outras mulheres, devido a um lema que diz que um homem
confiável não deve trair a confiança da mulher que dorme ao seu lado. Isso
não me importa, pois nunca irei me apaixonar por nenhuma vadia. Mesmo
que eu derrame seu sangue virgem no meu pau, isso não a fará especial, ela
será apenas mais uma puttana para mim, apesar de carregar o meu
sobrenome e uma aliança em seu dedo.
A moça se recompôs. Ao cuidar da minha ferida, ela se mostra ser
eficaz. A doutora continua com o procedimento, e a limpeza ficará por
conta da enfermeira bonita que eu quero na minha cama.
Acredito que Rossi já tenha entendido o meu recado, por isso saiu para
nos deixar sozinhos. É quando conversamos mais. Ela me fala que está
noiva e que se casará em pouco tempo. Também me pergunta se estou
comprometido. O mais engraçado é ela dizer que, um dia, o amor chegará
para mim.
Quanto mais ela fala, mais excitado me vejo. Contenho minha ereção
graças ao meu casaco, que está em cima do meu membro duro e rígido
como uma pedra. Não me importa se ela não é mais virgem, eu a quero por
uma noite.
Depois que ela se retira, Rossi volta.
— Beatrice Esposito — ele diz. — Esse nome não lhe é familiar?
Sim, esse nome me é familiar. Quando a doutora a chamou assim,
prestei bastante atenção e quis me lembrar de já ter conhecido alguma
Beatrice. Esse era o nome da minha noiva, que fugiu ainda menina. Porém,
há muitas Beatrices no mundo.
— O que quer dizer, Rossi?
— Esposito é o sobrenome da mãe dela. Ou seja, Beatrice Esposito
Bianchi é o nome da enfermeira que o atendeu, senhor.
Não pode ser. Seria muita coincidência ser ela. Seu pai usava o
poderoso sobrenome Bianchi, e com o casamento, a sua esposa passou a
usá-lo também. Porém, agora que ela é viúva, pode usar seu sobrenome de
solteira. E para não chamar muita atenção, a filha dela, minha jovem noiva
que fugiu, também o usa.
— Investigue, Rossi — ordeno.
Se ela realmente for minha noiva, está muito perto de mim. Não posso
perdê-la de vista. Essa será a minha grande chance de me vingar.
Já pensou se realmente for ela? Vejo-me satisfeito com a ideia de que
aquela gostosa traidora é minha noiva. E caso isso se confirme, ela será
minha por direito. Nada nem ninguém me impedirá de tê-la.
Rossi continuou com a investigação. A noite caiu serena, e com ela a
confirmação que tanto esperei: Beatrice, a enfermeira, é minha noiva.
Rossi a seguiu até em casa e constatou que a mãe dela mora no mesmo
prédio. Ele a viu chegar do serviço e se informou com os vizinhos, que
confirmaram a identidade da mulher.
Analisa Esposito. Ela não mudou praticamente nada e os anos lhe
caíram muito bem. Já a minha noivinha não tem mais aquele rostinho de
criança. Os olhos dela não estão mais verdes e os cabelos, antes loiros,
agora estão castanho-escuros. Mas, ainda assim, é ela naquele corpo que me
levou ao delírio.
No entanto, preciso pensar com a cabeça, e não com o pau. Agora, que
sei quem ela é, colocarei o meu plano em ação. Pretendo me divertir com a
minha noivinha antes de levá-la comigo para a Itália e aplicar sua sentença
por ter fugido de mim. Ela e sua mãe pagarão caro.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Jucelia Oliveira
autora está maravilhosa sua história só falta as fotos deles
2024-03-22
1
Ana Lúcia Marinho
estou amando essa história, atualiza logo por favor
2023-12-06
7