Posso ter reencontrado o meu ex-noivo, no entanto ele não sabe quem
eu sou. Estarei sempre em alerta de agora em diante, observando bem tudo
ao meu redor. No caminho que sempre faço até o meu trabalho, ao hospital,
não notei nada fora do comum. Para mim, foi só mais um dia normal, no
qual vesti meu uniforme azul dessa vez, uma das minhas roupas de
enfermeira.
Encontrei Tália na entrada do hospital. Antes de começarmos nossa
rotina, tomamos um café quente na cafeteria.
— Tudo pronto para a festinha do meu irmão hoje à noite. Ele nem
desconfia que iremos fazer a melhor festa de todos os tempos.
Como se ele já não soubesse. Sempre fazemos bolo para todo mundo.
— Como foi a inauguração? — pergunto, curiosa.
— Meu irmão falou que você não conseguiu ir. Oh, amiga, justo no
grande dia você teve diarreia. Mas foi tudo muito lindo.
— Diarreia?
— Foi o que Ricardo me disse.
Ele mentiu para todo mundo que eu não fui porque estava com
diarreia? Sério que ele teve capacidade para mentir? Para inventar essa
história?
— Devo ir. O doutor chega em cinco minutos, e ele gosta que todas nós
já estejamos no setor. Beijo, amiga. Até mais tarde. — Ela beija a minha
bochecha e se retira.
Suspiro, enfadada. Está na hora do Ricardo me ouvir. Não vou mais
tolerar que ele me exclua dos eventos e que esteja frio e distante. Ou nós
acertamos isso e fazemos como eu quero ou não haverá casamento.
Vou até a sala da doutora Nicole lhe levar alguns exames que
chegaram, para que ela analise tudo com atenção. Percebi que ela pediu
outro raio x para o paciente Deméter Massino, para se certificar de que
estava tudo bem. Não que ele tenha refeito o exame.
— Doutora, a senhora já não deu alta a esse paciente? — pergunto, um
pouco receosa.
— Sim. Mas o meu supervisor me disse que o homem é alguém muito
importante e que eu deveria analisar muito bem os exames dele. E está tudo
ok, pelo que já avaliei.
— Seria o caso de ele voltar ao hospital? — questiono como quem não
deseja saber nada.
— Provavelmente, não. Creio que não será necessário.
Respiro aliviada. Ele não voltará. Eu estarei segura. Poderei até me
divertir mais hoje à noite.
Caminho pelos corredores do hospital. Antes de ir para a balada,
passarei em casa para buscar o presente que comprei para o meu noivo: seu
perfume importado favorito, que me rendeu cinco parcelas no cartão de
crédito. Neste ano investi em um presente mais caro, devido à sua expressão
nada contente de quando recebeu uma cesta romântica que fiz no ano
passado, com fotos nossas, cartões de amor e cartinhas com “eu te amo”
escrito. Doeu vê-lo reagir como se o meu presente não fosse nada, enquanto
os de suas amigas da faculdade pareceram incríveis, por terem sido um
relógio caríssimo e camisetas de grife.
Ultimamente, para Ricardo, o que está valendo mais é o valor material
do que o valor sentimental.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
MARIA LUZINETE DIAS SILVA
Cadê o amor próprio de Beatrice
2025-01-12
0
Germana Gomes
essa irmã dele parece mas amiga da onça que dela
2024-11-18
0
Edeilnisol Varela
tomara que ela termine com ele nessa festa
2024-07-25
0