Termino de resolver o último assunto pendente da manhã. Rossi foi
fazer um pequeno acerto de contas para mim. Os malditos ladrõezinhos de
quinta categoria, que ousaram invadir um dos meus depósitos de tabaco em
Catânia, uma antiga cidade portuária na Costa Oeste da Sicília, tiveram suas
cabeças decapitadas. No final, descobrimos que eles eram amadores, não
eram paus mandados de nenhuma outra organização rival à minha.
Sempre mantenho uma boa aliança, até mesmo com os meus inimigos.
Assim é mais seguro para ambas as partes. Travar guerras sem necessidade é
como investir em uma bolsa de valores sem nenhuma credibilidade.
Perdemos homens, soldados, e, no final, não resolvemos nada.
No entanto, se decidirem me atacar por poder, sou capaz de ir até o
inferno para dilacerar as almas dos infelizes.
Já estou pronto para sair da empresa, quando minha secretária me
informa que Agostino Bianchi está aqui. Posso imaginar o que ele pretende
com essa visita não tão inesperada.
Cheguei ontem à Itália e trouxe comigo minha noiva fujona. Precisei
vir às pressas até uma de nossas bases resolver outros assuntos pendentes
que requeriam minha total atenção. Ausentei-me durante toda a noite e
madrugada, ficando longe de casa, da nossa fortaleza mais segura.
Eu já imaginava que, em algum momento, Agostino me procuraria.
Tenho algo em minhas mãos que lhe interessa bastante: sua cunhadinha, a
viúva. A bela viúva Analisa. O tempo foi generoso com a mãe da minha
noivinha. O meu avô mesmo ficou muito surpreso ao revê-la por meio da
câmera de segurança que coloquei no quarto onde a deixei trancada.
Ainda estou pensando seriamente em seu castigo. Não posso deixá-la
impune. A mulher levou embora a minha prometida e destruiu uma
importante aliança entre minha família e a família Bianchi. O que ela fez é considerado uma traição. Ela ainda me fez sofrer uma séria humilhação
perante todos. A infeliz me fez de bobo da corte para outras pessoas e
inimigos, que fizeram chacota por eu não ter conseguido segurar a minha
noiva.
A punição para a Analisa e sua filha só pode ser a morte. Por isso eu as
trouxe para a Itália.
Contudo, não foi somente por vingança, apesar de eu tentar me
convencer disso insistentemente. Não posso negar o quão bonita Beatrice é
nem o quanto ela me faz parecer um adolescente aprendendo a controlar os
seus hormônios.
Puttana safada!
Não. Nem ao menos posso xingá-la de puta safada, pois ela não é uma.
Ela não é uma vadia oferecida, mesmo que estivesse noiva daquele imbecil
que não a valorizava como mulher, que vivia metendo chifres nela. Ela se
manteve virgem, pura, intocada. Meu pau vibra com a ideia de que serei o
seu primeiro e o único homem que desvendará os mistérios do seu lindo
corpo gostoso.
Beatrice, bella donna... Seu doce olhar me deixa em chamas. Desde
que a vi naquele hospital, meu pau vibrou por sua boceta. Mesmo antes de
saber que ela era a minha noiva prometida, que fugiu de mim com a sua
mãe, eu queria, ao menos por uma noite, tê-la em meus braços. Não me
importava se ela era casta ou não, se era comprometida ou não, eu a teria em
minha cama por uma noite. Aquela diaba me deixou completamente
obcecado pelo seu perfume. Eu necessitava saborear o doce gosto da suaboceta.
Quando soube quem ela realmente era, pensei que o ódio e o rancor
fossem me fazer perder a excitação. Mas isso não aconteceu. Não perdi o
desejo ardente por aquela maldita garota que eu deveria ter matado assim que soube quem ela era, jogando o seu corpo no mar, livrando-me da sua
existência.
Cá estou eu, de pau duro, prestes a receber o seu tio.
Agostino não é como o seu irmão era. Sua lealdade pode ser
considerada falha em alguns momentos, devido ao fato de ele sempre ter
sentido muita inveja de Ezio. Dizem as más línguas que toda a sua raiva foi
porque o seu irmão se casou com a mulher que ele amava. Uma infeliz
história de amor que, durante anos, fez dois irmãos serem quase rivais.
Em nome de todo o desejo que sinto pelo lindo corpo de Beatrice, não a
joguei na masmorra, deixei-a em uma das nossas melhores acomodações,
assim como fiz com a infeliz da sua mãe. Preciso pensar bem no que farei,
mas com a cabeça de cima, não com a de baixo.
Porra, Deméter! Não pense com o pau. Você pode ter a puta que
desejar ou a mais bela filha de um grande aliado, pura e obediente.
Mas por que diabos o meu pau só deseja uma menina plus size com
lindas curvas de tirar o fôlego?
O pior de tudo é saber que ela não se sente bela e que não se acha
especial e linda, por se considerar acima do peso. Pode ser que ela realmente
esteja, porém isso não é nenhum problema para mim, e acredito que para
nenhum homem em sã consciência.
Maldito Ricardo! Como ele pôde trair sua doce noiva tão
covardemente? Não foi difícil para o Rossi hackear o aparelho celular dele e
descobrir um milhão de mensagens que ele trocou com muitas vadias.
Encontrei fotos e vídeos íntimos dele, que expus na internet como uma
maneira de me vingar por ele ter sido infiel com sua bela noiva, que agora
será minha, como sempre deveria ter sido.
Ninguém, em sã consciência, trai uma mulher como Beatrice. Nem
mesmo um maluco seria capaz disso.
Foi fácil armar para destruir o coração da bela enfermeira. Ela ficou
destroçada, e essa era a minha intenção. Consegui arquitetar uma armadilha
quando aquele infeliz foi ao banheiro. As duas garotas foram orientadas a
seduzi-lo e a levá-lo para o quarto onde Beatrice os flagrou. Tudo saiu como
o planejado. Eu queria que ela visse quem realmente era o noivo antes de
trazê-la para a Itália. Eu não poderia deixá-la chorando, com saudade dele,
por saber que nunca mais o veria. No que depender de mim, farei todo o
possível para que os dois não se vejam nunca mais.
Por mim, eu teria matado o infeliz do Ricardo, no entanto Rossi me
convenceu a pegar Beatrice e deixar o desgraçado para trás. Foi o que fiz.
No entanto, eu deveria tê-lo matado por ter sido desleal com a bella donna.
Na máfia, uma aliança feita não pode ser desfeita e um casamento dura
para toda a vida. Isso eu respeito e sempre irei respeitar. Leis são leis, e
sempre serão. A esposa de um chefe deve ser bem tratada, ter direito a todos
os privilégios do nosso mundo, ser respeitada acima de qualquer outra coisa
e ter a proteção constante do seu marido. Sempre irei proteger a minha
esposa. Mesmo que eu não a ame nunca, é o dever de um homem proteger a
sua esposa.
Quando eu retornar para casa, resolverei esse problema. Irei castigar
Beatrice, como deve ser feito. É o que todos esperam.
Recebo Agostino em minha sala. Não vejo a hora de mandá-lo embora
e voltar para casa.
— Agostino Bianchi, o que deseja? — Aponto para a cadeira vazia,
indicando o lugar para que ele se sente.
Os seus cabelos estão ficando mais grisalhos a cada dia e as suas rugas
também aparecem mais em sua fisionomia. Seus olhos verdes estão
vermelhos, como quem acabou de tragar um tabaco na sala de recepção
enquanto me aguardava. Esse vício reina nessa família, e de outras
substâncias também.
— Don Massino. — Cumprimenta-me com um aperto de mão, o qual
não nego.
Ele possui um cargo importante com o meu avô, mas, por mim, estaria
na sarjeta.
— Sou todo ouvidos, Agostino. Peço que seja breve, pois tenho um
compromisso de suma importância.
Sua doce sobrinha me espera. Também estou sem notícias dela desde
que ela desmaiou. Não sei se ela já se alimentou. Dei ordens para que a
alimentassem com a melhor sopa do cardápio, feita pela nossa cozinheira de
primeira. Autorizei que fizessem o mesmo com sua mãe. Não as quero
desmaiando de fraqueza antes de decidir o que farei com elas. As duas não
podem morrer de fome.
— Serei breve e direto, como deseja. — Estou ouvindo. — Entregueme Analisa Esposito. Nós a queremos — a voz de melancolia do maldito
filho da puta me causa ranço.
— Quer que eu lhe entregue Analisa?
O maldito teve mesmo a ousadia de vir me pedir Analisa?
— Minha mãe deseja fazer vingança com as próprias mãos, senhor
Massino. Sabemos que pretende matá-la, e nós queremos nos vingar por
tudo que essa mulher causou à nossa família. Se permitir...
Faço um sinal de “basta” com minha mão direita. Quando eu disse à
Beatrice que entregaria a mãe dela para a família de seu pai, que quer fazer justiça com as próprias mãos, foi porque isso era algo que eu cogitava muito
antes de imaginar que, algum dia, iria encontrá-las. Eu não tinha mais
esperança de achá-las e esse era um assunto que, dia após dia, ficava no
esquecimento.
Encontrar duas mulheres entre oito bilhões de pessoas não seria uma
tarefa fácil, até mesmo para mim, Deméter Massino. Entretanto, quis o
destino que eu as encontrasse por acaso, após levar um tiro e precisar de
atendimento. A bela enfermeira com curvas maravilhosas era a mulher que
eu havia procurado por anos.
No momento, estou estudando o que farei com as duas. A morte já é
certa, porém estou cogitando não agir tão apressadamente e me divertir um
pouco mais com a minha noiva.
Será que realmente desejo matá-la? Ou o desejo que sinto por ela
poderá salvá-la?
Nada poderá salvá-la.
Se é assim, por que não vejo a hora de retornar para casa?
Droga! Estou discutindo com meu próprio subconsciente.
— Não pretendo entregar a mulher à sua família — sou curto e grosso.
— Senhor, por quê? Posso perguntar?
O homem não se mostra muito satisfeito com minha resposta, todavia
sabe que não poderá fazer nada. Ninguém é maluco de ir contra as minhas
vontades, minhas ordens. Nem mesmo o meu avô seria capaz disso. Ele me
respeita como chefe, o cargo que já foi seu um dia.
— Não pode. Se não tem mais nada a me dizer...
— Na verdade, eu tenho sim. Prometo ser breve. — Assinto para que
ele continue. — Minha mãe gostaria de rever a sua neta por alguns instantes.
Se for possível, podemos vê-la?
— Pensarei sobre o assunto.
— Don Massino, também pretende matar a minha sobrinha? Ou apenas
a mãe dela? Pergunto apenas porque a garota também tem o meu sangue. Por
respeito à memória do meu saudoso irmão, demonstro algum tipo de
interesse no assunto.
— O que farei não é da sua conta, apenas saiba que decidirei tudo, e no
momento que eu considerar adequado, todos saberão a minha decisão.
Agora, pode se retirar.
Agostino sai sem dizer mais nenhuma palavra. Infeliz! Quem ele pensa
que é, para vir até mim por curiosidade? Como se eu não soubesse que o seu
interesse em Analisa é somente por desejo sexual. Sei muito bem o que ele
andou falando por aí: que não via a hora de enterrar o pau na sua excunhada. Ele não respeita nem a si mesmo, quanto mais sua família.
Um verme de quem faço questão de manter distância. Até mesmo o
meu pai não lhe deu o cargo de seu irmão, por não confiar plenamente na sua
índole. A última coisa que farei é entregar Analisa para esse devasso, que
arruinaria o próprio nome somente por uma transa com a mãe da sua
sobrinha.
Quanto à Trice, como ela gosta de ser chamada, pelo que notei nas
raras oportunidades em que estivemos juntos, pois as pessoas se referiam a
ela dessa maneira, não considero apropriado que ela tenha contato com
ninguém, mesmo que seja com seus parentes interesseiros por alguma
vantagem.
Volto de carro para casa o mais depressa possível, louco para saber da
piccola atrevida.
Quando passo pela entrada, Rossi me informa o que meu avô fez. O
velho Fabrizio mandou colocar Trice e sua mãe em uma masmorra no subterrâneo, a pão e água, e exigiu uma audiência com Trice, que, neste
momento, ainda está com ele.
Vou o mais rápido possível ao seu encontro.
— Rossi, o que o meu avô está planejando? — questiono, praticamente
correndo pelos corredores subterrâneos.
— Senhor, saberemos assim que o virmos.
Meu avô é um homem cruel. Ele nunca toma nenhuma decisão sem
antes me consultar, mas dessa vez decidiu agir por impulso, levando as duas
para a masmorra. Temo que ele possa tê-las envenenado. Ele seria capaz
disso e de muito mais.
Por um instante, quase perco o fôlego ao correr mais rápido,
imaginando que, a esta altura, ele já pode ter cumprido a sentença e matado
as garotas. O que seria um grande desperdício à linda beleza da piccola.
Ao entrar na sala, vejo Trice desmaiada nos braços de um dos soldados.
Maldito! Tocando na minha mulher? Como se atreve?
Meu avô está acomodado em uma cadeira de couro.
— Maldito! Como se atreve a tocar nela?
Rossi segura Beatrice enquanto acerto o rosto do infeliz.
— Senhor, apenas a segurei. Ela desmaiou.
Fui tomado pela raiva. Outro homem a segurando?
Rossi é quase como um pai para mim, confiável, leal e meu braço
direito, porém logo tomo minha noiva dos seus braços. Ela está pálida e
desmaiada. Não se alimentou bem, como ordenei.
— Meu neto, o que está fazendo?
— O que deve ser feito, meu avô. Depois conversaremos somente nós dois.
Levo Beatrice, depressa, para um quarto quente e confortável. Ela
necessita de um médico e deve se alimentar bem.
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Atualizado até capítulo 36
Comments
Cida Mendes
Como eu disse ele gosta dela só não quer aceitar eu disse nem todos os mafiosos são iguais,olha o avô dele e ruim é bom ela saber que foi o velho que colocou ela naquele lugar
2025-01-08
0
Paula Santana
bom, ao que parece ele deu ordens para que ela e a mãe fossem bem tratadas. o que não tá acontecendo obviamente
2024-02-14
3
Maria Joana Cunha Costa
velho nojento
praga 😡😡
2024-01-31
1