Capítulo XX – Coração cruel

Sophie

Lille, França – 1881

10/04/1881

O dia foi mais longo do que esperavam, e como Sophie havia deduzido, não saíram do térreo do hotel para nada. O almoço foi servido nas mesas da cozinha, e pela tarde todas foram enviadas para o teatro. Algumas das monitoras se juntaram para arrumar o salão do teatro e espalharam diversos colchões sobre o solo amadeirado, poucos pertences foram autorizados, além dos essenciais que estavam relacionado a higiene.

Sem conseguir dormir, Sophie encarava o teto do teatro pensativa. Devido a necessidade de entreter Louise, não havia se aprofundado no que Amelie tinham lhe dito mais cedo. No entanto, de forma natural tinha entendido de quem se tratava, uma vez que a procurou entre as muitas meninas e não a encontrou. Sua mente não queria acreditar. Por mais assustada que a garota estivesse no dia anterior, não parecia estar ao ponto de tirar a própria vida.

Se aquela “coisa” estava disposta a tirar vidas para se satisfazer, não podia ser a filha da Coordenadora, como Amelie havia deduzido. Uma criança não seria capaz de tal coisa, seria? A verdade era que se negava a acreditar.

Sophie suspirou e se mexeu no colchão. Tinha certeza que não dormiria naquela noite, por mais que tivesse tomado quase cinco bules de chá durante o dia.

— Sophie, por acaso em seu colchão existem formigas? – Ela arregalou os olhos ao ouvir o sussurro de Amelie. Se virando para sua direita, virou de barriga para baixo e se apoiou com os ante braços no colchão.

— Perdão Lie, te acordei? – Perguntou, igualmente sussurrando. Abrindo os olhos, Amelie virou o rosto para ela e sorriu.

— Não estava dormindo, não se preocupe, senhorita.

— Isso é um alívio. – Afirmou. – Minha mente não consegue parar... – Continuou. Amelie se virou para o lado em que Sophie estava, tinha os olhos castanhos grudados nos dela, apesar da pouca luz emitida pelas janelas.

— Sinto-me da mesma forma.

— Acredito que agora, as coisas fiquem mais complicadas. Estou preocupada com Ise, ela parecia tão afetada...

— De fato. – Amelie respondeu pensativa. – Alias, gostaria de agradecê-la por conseguir tirar o foco dela dessa situação.

— Não precisa me agradecer, a verdade é que também queria pensar em outra coisa naquele momento. Esse dia inteiro foi aterrorizante. Quanto tempo acha que vamos dormir no teatro?

— Creio que até os pais da garota chegarem, e levarem consigo seu corpo.

— Ainda não consigo acreditar... Ela parecia assustada, mas não me parecia disposta a tirar a própria vida. – Sophie desviou o olhar para suas próprias mãos. Amelie a encarou em silêncio por alguns segundos.

— No desespero, deixamos de ser nós mesmas, senhorita.

— Ainda assim... Eu lutaria por minha vida. – Deixou escapar. Surpresa com suas próprias palavras, voltou a olhar para Amelie, recebendo dela um sorriso acolhedor.

Ouvindo um som vindo da porta dupla do teatro, Sophie se deitou e fechou os olhos.

— Fico aliviada que elas não tenham presenciado aquela cena terrível, veja como dormem tranquilas. – Uma monitora comentou em tom baixo.

— Nem mesmo consigo fechar os olhos, a imagem não sai de minha mente. – Mencionou outra.

— Pobre garota. A coordenadora Delphine se recusa a pensar que as aulas estão sendo muito para elas, mas como pensar o contrário? Olhe o que a aquela pobre menina fez a si mesma?

— Não me admira aquela criança ter tido um fim trágico, ouvi dizer que ela conseguia ser ainda pior com ela.

Criança? Elas estavam falando da filha da coordenadora?

— É um absurdo!

— Os pais da senhorita Stasiak chegam amanhã, imagine o choque que terão com a notícia.

— Senhor, como alguém pode ser tão cruel? Colocar a culpa na mente da garota, quando “ela” parece mais um general de guerra?

— Prepare-se, pois, a instituição receberá muitos ataques após isso.

— Acha que ela pode vir a fechar? – a monitora questionou a outra, seu tom apresentava apreensão.

— Tudo dependerá do resultado da perícia. Ainda assim, creio que o mais provável seja a saída de Delphine.

— Justiça seja feita, pois preciso deste emprego para manter minha família.

— É certo como o dia que também seremos interrogadas.

— Deus, isso tudo parece um pesadelo!

Sophie ouvia a tudo estupefata. Como a Coordenadora podia culpar a vítima daquela maneira? Essa atitude dela só pioraria as coisas dali em diante.

Capítulos
1 Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2 Capítulo II — Uma estrela sem nome
3 Capítulo III - Em busca da estrela
4 Capítulo IV – Mente nublada
5 Capítulo V – A figura misteriosa
6 Capítulo VI – Fora de si
7 Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8 Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9 Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10 Capítulo X – A força na união
11 Capítulo XI – Efeito dominó
12 Capítulo XII – Desgraça eminente
13 Capítulo XIII – O mau desperta
14 Capítulo XIV – A culpa corrói
15 Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16 Capítulo XVI – Mente quebrada
17 Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18 Capítulo XVII – Mal invisível
19 Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20 Capítulo XX – Coração cruel
21 Capítulo XXI – Hipocrisia
22 Capítulo XXII – Encurraladas
23 Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24 Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25 Capítulo XXV – Estaca Zero
26 Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27 Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28 Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29 Capítulo XXIX – Entidade maligna
30 Capítulo XXX – Indisciplinada
31 Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32 Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33 Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34 Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35 Capítulo XXXV – Abismo
36 Capítulo XXXVI – Sem volta
37 Capítulo XXXVII – Indo a caça
38 Capítulo XXXVIII – O porão
39 Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40 Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41 Capítulo XLI – Contra o tempo
42 Capítulo XLII – Perdidas
43 Capítulo XLIII – Não é justo!
44 Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45 Capítulo XLV – Irmãs de alma
46 Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47 Epílogo
Capítulos

Atualizado até capítulo 47

1
Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2
Capítulo II — Uma estrela sem nome
3
Capítulo III - Em busca da estrela
4
Capítulo IV – Mente nublada
5
Capítulo V – A figura misteriosa
6
Capítulo VI – Fora de si
7
Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8
Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9
Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10
Capítulo X – A força na união
11
Capítulo XI – Efeito dominó
12
Capítulo XII – Desgraça eminente
13
Capítulo XIII – O mau desperta
14
Capítulo XIV – A culpa corrói
15
Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16
Capítulo XVI – Mente quebrada
17
Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18
Capítulo XVII – Mal invisível
19
Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20
Capítulo XX – Coração cruel
21
Capítulo XXI – Hipocrisia
22
Capítulo XXII – Encurraladas
23
Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24
Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25
Capítulo XXV – Estaca Zero
26
Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27
Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28
Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29
Capítulo XXIX – Entidade maligna
30
Capítulo XXX – Indisciplinada
31
Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32
Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33
Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34
Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35
Capítulo XXXV – Abismo
36
Capítulo XXXVI – Sem volta
37
Capítulo XXXVII – Indo a caça
38
Capítulo XXXVIII – O porão
39
Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40
Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41
Capítulo XLI – Contra o tempo
42
Capítulo XLII – Perdidas
43
Capítulo XLIII – Não é justo!
44
Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45
Capítulo XLV – Irmãs de alma
46
Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47
Epílogo

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