Capítulo XII – Desgraça eminente

Sophie

Lille, França – 1881

09/04/1881

Sophie adentrou na sala da diretora de forma sorrateira. Vários objetos diferentes decoravam a sala, de quadros, estátuas a até mesmo joias. Contudo, seus olhos ligeiros não demoraram para notar que, na mesa da diretora, havia uma gaveta grande trancada. Porém, para sua sorte, ou azar, a chave ainda estava na fechadura.

Tomada pela curiosidade, Sophie girou a chave, e com um clique, abriu lentamente a porta da gaveta. Para sua surpresa, lá estava a boneca.

Tinha sido muito fácil.

Rapidamente, ela apanhou a boneca em mãos. Levando os olhos em direção da porta por um breve momento, ela os voltou ao brinquedo. Precisava ser rápida. Respirando fundo, levou a mão a corda que havia atrás da boneca e a puxou. 

— Você me achou... Está comigo agora...

Como poderia ser? Claramente aquilo não tinha sido dito pela boneca da última vez. Tinha sido gravada de novo?  

Confusa, Sophie puxou a corda novamente.

— Acho que achei alguém... HeehEE...

Sentindo um arrepio em sua espinha, Sophie jogou a boneca em cima da mesa. Seu coração parecia querer sair por sua boca. A voz da boneca tinha ficado mais grossa, aquilo não era bom. O que estava acontecendo com aquele brinquedo, afinal?!

Sophie sentia suas mãos tremerem, mas precisava entender o que estava acontecendo. Então, respirando fundo, levou as mãos a corda da boneca uma terceira vez. Contudo, não se atreveu a segurá-la mais uma vez. 

— PoDe CorrEr... HiHIhi...

Afastando as mãos, a garota as levou até seu peito. Além de tremer elas agora suavam. Sophie não tinha mais curiosidade de saber as próximas palavras da boneca, só queria sair correndo daquela sala. No entanto, suas pernas não se moviam. Ela estava paralisada, e só sentia que estava viva por que sentia seu coração disparar.

Ela voltou a si somente após ouvir uma voz vindo do corredor. Parecia uma monitora. Fazendo uma cara de choro, ela rapidamente apanhou a boneca da mesa e a arremessou dentro da gaveta. Com as mãos trêmulas, teve dificuldade em fecha-la.

Vamos lá, Sophie! Você precisava se recompor! Gritou para si mesma em sua mente. Colocando um pouco mais de força, por fim conseguiu fechar a gaveta. Passando as mãos sobre seu uniforme, tentou alinhá-lo como pôde, e saiu da sala.  

No corredor, encontrou a monitora a quem havia pedido permissão para sair da hora do chá. Percebendo que Sophie saia da sala da Coordenadora, ela estreitou os olhos.

— O que está fazendo aqui? O banheiro fica para o outro lado.

— Encontrei meu lenço! – Sophie ergueu a mão direita, mostrando a monitora o pedaço de tecido.

— Eu estava à procura da diretora, onde ela está?

— Ela não fica por aqui no horário do chá da tarde, mas foi melhor que não a tenha encontrado... – A monitora olhou para trás por um breve momento.  

— Caso contrário, ambas estaríamos em apuros. O que gostaria de perguntar a coordenadora?

— Queria saber se meus pais enviaram alguma carta, mas posso deixar isso para outra hora. – Sophie sorriu. Tentava disfarçar o medo que a fazia molhar seu lenço de suor.

— Certo, vamos voltar... Não se atreva a dizer nada a diretora Delphine sobre hoje, entendeu? Ou ela arrancaria nossas cabeças.

— Sim senhora. – Concordou acenando com a cabeça.

Chegando ao jardim, Sophie avistou as amigas, que estavam conversando em um banco. Em passos apressados, ela foi até elas. Um tanto quanto inquieta, informou o que havia ouvido da boneca. Vez ou outra escondia suas mãos, pois elas ainda tremiam.

— Da última vez achei ter sido apenas minha imaginação, mas então ela realmente disse coisas diferente.

— Sim... Eu puxei a corda três vezes, e em todas ela disse algo diferente. Mas, isso não foi tudo. 

Encarando Sophie, Amelie lhe perguntou:

— O que mais aconteceu?

— Ela... Estava rindo. Começou logo após dizer que havia encontrado alguém. É como se...  

— Estivesse brincando. – Amelie terminou a frase por Sophie.

Inquieta, Louise se mexeu no banco.

— Isso é impossível! É uma boneca! Não pode mudar uma voz gravada. Não é assim que gravadores funcionam!

— Eu gostaria de ter certeza sobre isso, mas... Aquilo que ouvi, não acho que tenha sido gravado. 

— O que?! Como...

Algumas meninas que estavam próximas percebem o tom de voz de Louise, e olhando em sua direção, começaram a sussurrar umas para as outras. Levantando do banco, Louise pediu perdão por atrapalhar, e voltou a se sentar.

Com o silêncio, Sophie começou a pensar sobre os eventos que haviam acontecido até aquele momento. Desde seu primeiro dia na instituição, algo estranho pairava sobre aquele lugar. Por ser um lugar de ensino, não deveria ser tão recluso, afinal, o que elas aprendiam dentro daquelas salas era para ser usado único e exclusivamente na sociedade.

Viver daquela forma, não poderia formar ninguém bom.

— Sophie, acho que sabemos quem é esse “alguém” a quem a boneca se referiu. – Amelie informou, encarando as próprias mãos. Surpresa, Sophie olhou para ela.

— Observei uma menina com os mesmos sintomas que os da senhorita Louise, daquele lado do jardim. – Amelie ergueu a cabeça e apontou a direção com o olhar. A garota ainda estava lá, visivelmente exausta.

— Ela também está tendo pesadelos? – Apreensiva, Sophie quis saber.

Amelie esclareceu:

— Não posso afirmar, mas ela está muito cansada. Desde que chegou na sala está com muito sono, não está conseguindo manter a concentração nas aulas, acorda muito assustada quando finalmente tem a possibilidade de cochilar... Coincide com os sintomas da senhorita Louise.

— Se esse é o caso, precisamos ajuda-la. – Sophie concluiu com firmeza.

— Sim. Não podemos deixar isso continuar, alguém pode acabar se machucando. – Amelie comentou, olhando para a garota.

O aviso para o retorno das aulas foi acionado. Chamando as garotas, as monitoras mencionavam seus nomes a fim de conferir a presença de cada uma. As três garotas tinham concordado em continuar a observar a menina para que nada de ruim viesse a acontecer, e mesmo que elas não pudessem estar presentes ao mesmo tempo, ainda assim se esforçariam para tentar ajudá-la.

Capítulos
1 Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2 Capítulo II — Uma estrela sem nome
3 Capítulo III - Em busca da estrela
4 Capítulo IV – Mente nublada
5 Capítulo V – A figura misteriosa
6 Capítulo VI – Fora de si
7 Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8 Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9 Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10 Capítulo X – A força na união
11 Capítulo XI – Efeito dominó
12 Capítulo XII – Desgraça eminente
13 Capítulo XIII – O mau desperta
14 Capítulo XIV – A culpa corrói
15 Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16 Capítulo XVI – Mente quebrada
17 Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18 Capítulo XVII – Mal invisível
19 Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20 Capítulo XX – Coração cruel
21 Capítulo XXI – Hipocrisia
22 Capítulo XXII – Encurraladas
23 Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24 Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25 Capítulo XXV – Estaca Zero
26 Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27 Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28 Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29 Capítulo XXIX – Entidade maligna
30 Capítulo XXX – Indisciplinada
31 Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32 Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33 Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34 Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35 Capítulo XXXV – Abismo
36 Capítulo XXXVI – Sem volta
37 Capítulo XXXVII – Indo a caça
38 Capítulo XXXVIII – O porão
39 Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40 Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41 Capítulo XLI – Contra o tempo
42 Capítulo XLII – Perdidas
43 Capítulo XLIII – Não é justo!
44 Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45 Capítulo XLV – Irmãs de alma
46 Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47 Epílogo
Capítulos

Atualizado até capítulo 47

1
Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2
Capítulo II — Uma estrela sem nome
3
Capítulo III - Em busca da estrela
4
Capítulo IV – Mente nublada
5
Capítulo V – A figura misteriosa
6
Capítulo VI – Fora de si
7
Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8
Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9
Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10
Capítulo X – A força na união
11
Capítulo XI – Efeito dominó
12
Capítulo XII – Desgraça eminente
13
Capítulo XIII – O mau desperta
14
Capítulo XIV – A culpa corrói
15
Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16
Capítulo XVI – Mente quebrada
17
Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18
Capítulo XVII – Mal invisível
19
Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20
Capítulo XX – Coração cruel
21
Capítulo XXI – Hipocrisia
22
Capítulo XXII – Encurraladas
23
Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24
Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25
Capítulo XXV – Estaca Zero
26
Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27
Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28
Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29
Capítulo XXIX – Entidade maligna
30
Capítulo XXX – Indisciplinada
31
Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32
Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33
Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34
Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35
Capítulo XXXV – Abismo
36
Capítulo XXXVI – Sem volta
37
Capítulo XXXVII – Indo a caça
38
Capítulo XXXVIII – O porão
39
Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40
Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41
Capítulo XLI – Contra o tempo
42
Capítulo XLII – Perdidas
43
Capítulo XLIII – Não é justo!
44
Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45
Capítulo XLV – Irmãs de alma
46
Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47
Epílogo

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