Capítulo VIII – Medo do desconhecido

Louise

Lille, França – 1881

09/04/1881

Louise e Amelie sentaram na mesma mesa de antes, esperando Sophie chegar. Louise vez ou outra olhava para a colega e desviava o olhar sempre que Amelie olhava em sua direção. A apreensão sobre a situação lhe fazia se questionar se ela realmente tinha entendido o que havia feito na noite anterior.

Assim que Sophie se juntou a elas na mesa, Louise respirou fundo. Ponderava se devia ou não contar a ela sobre o ocorrido. Mas, e se não contasse e algo acontecesse a ela? Sophie também tinha tido contato com a boneca, e embora tivesse motivos para questionar sua sanidade, Louise não tinha dúvidas. Pensou muito sobre a voz que escutara, e a certeza de que pertencia a boneca lhe deixara, de início, descrente. Mas aquela voz abafada não podia ser confundida!

Limpando a garganta, Louise chamou a atenção das colegas na mesa. De forma nervosa, discorreu para Sophie sobre o acontecido, a culpa lhe corroendo desde que não pôde contar a monitora sobre o que tinha acontecido na noite anterior. Amelie apenas afirmava com a cabeça, como o fato de sentir muito sono, de ter pesadelos onde a cada vez que sonhava, era atacada por alguém que queria machucá-la.

Tomada pelo choque, Sophie nada pôde dizer. Como tanta coisa poderia ter acontecido em poucos dias? Seria a figura dos pesadelos de Louise, a mesma que vagava do lado de fora da janela?

Se pronunciando, Amelie foi enfática.

— Mas entenda que nada disso é culpa da senhorita Louise, ela estava cansada demais e passou o dia inteiro da mesma maneira. A cada vez que despertava, parecia assustada e desamparada.

Ainda relutante, Louise contou sobre a forma como estava por cima de Amelie, com suas mãos no pescoço da colega. Recebendo o olhar horrorizado de Sophie, Amelie mostrou apenas um pouco do vermelho do seu pescoço, temendo que as outras garotas percebessem.

Notando a gravidade da situação, Sophie quis tranquilizar Louise:

— Não contarei a ninguém, sei que você não faria nada de ruim a alguém. Isso tudo é muito estranho.

Sophie estava tomada pela intrigante histórias. Nada fazia muito sentido, e até se assemelhava aos contos de ficção que lia escondido. Mas, era impossível... Certo?

Mais tranquila e confiante, Louise viu um espaço para confessar o que ouvira logo depois de perceber o que fazia a Amelie.

— Nunca passei por algo parecido antes. Quando ficava doente, meus pais chamavam médicos que faziam de tudo para descobrir o que eu tinha. Então... Não acho que eu tenha algo de errado. – O medo de estar perdendo a sanidade era visível.

Sophie encarou a colega pensativa. A situação era grave, era a primeira vez via Louise tão vulnerável daquela forma. Uma garota da alta sociedade, com um sobrenome renomado, jamais mostraria tal atitude em público. Isso só lhe confirmava o quão temerosa Louise estava.

— Lembra do tom da voz que ouviu? – Quis investigar.

— Era uma voz infantil, estava abafada. E... Lembro bem que já a ouvimos antes. – Ambas se olharam, Louise trocando um olhar cúmplice. De súbito, os olhos verdes de Sophie se arregalaram. Ela tinha entendido onde Louise queria chegar.

— Isso... É impossível...

Sophie tentava convencer mais a si mesma do que a colega, mas o olhar de Louise mostrava certeza no que dizia.

— É... Eu sei que parece. Mas sei bem o que ouvi! — Louise se exaltou, trombando com uma das mãos na xícara de chá. Os seus nervos estavam a flor da pele, aquele assunto deixava-lhe nervosa. Odiava se sentir daquela maneira, fora do controle. Precisava ser forte.

Percebendo que a amiga podia ser advertida novamente, Amelie a acalmou.

— Senhorita Louise jamais mentiria. Se ela diz que ouviu, é porque ouviu. – Afirmou em sussurro.

— Perdoe-me, não estou duvidando. Só... Me sinto surpresa. – Sophie se explicou.

Não sabia o que pensar. Como era possível que uma simples boneca estivesse relacionada a tudo aquilo?

Não havia outra forma, elas teriam que averiguar.

— Se o que diz é real, não temos outra escolha... Precisamos confirmar.

— O que?! – Louise levou ambas as mãos ao peito.

— Precisamos saber o que está acontecendo com essa boneca!

Louise piscou, desviando do olhar de Sophie para um canto qualquer.

— Isso não me parece bom. – Alertou. 

— Não se preocupe senhorita, estarei a seu lado. – Amelie a confortou. No entanto, Amelie estar junto só deixava Louise ainda mais apreensiva. Temia que algo pior acontecesse a ela. Não sabia dizer quando tinha se apegado a ela daquela forma, mas tinha certeza que não queria perdê-la. Das muitas meninas que a cercavam, ela fora a única a perceber seu verdadeiro coração.

— Meus pesadelos se foram, precisamos mesmo fazer isso? – Questionou apreensiva. Amelie levou ambas as mãos até as de Louise e as segurou. Fitando seus olhos de forma profunda, assegurou:

— E se eles voltarem? Não quero que a senhorita corra riscos. Sophie tem razão, precisamos descobrir o que acontece com essa boneca. Mas não deixarei a senhorita, não se preocupe.

Amelie se mostrava como uma grande muralha perante Louise, como alguém disposto a qualquer coisa por ela, e isso a deixava com mais medo. Não podia deixa-la sozinha, afinal, ela tinha criado todo aquele tumulto.

— Vocês duas vão acabar me expulsando daqui. É melhor terem uma boa desculpa se formos pegas. – Afirmou, fazendo uma careta. Tinha certeza, se arrependeria de sua decisão.

Capítulos
1 Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2 Capítulo II — Uma estrela sem nome
3 Capítulo III - Em busca da estrela
4 Capítulo IV – Mente nublada
5 Capítulo V – A figura misteriosa
6 Capítulo VI – Fora de si
7 Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8 Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9 Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10 Capítulo X – A força na união
11 Capítulo XI – Efeito dominó
12 Capítulo XII – Desgraça eminente
13 Capítulo XIII – O mau desperta
14 Capítulo XIV – A culpa corrói
15 Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16 Capítulo XVI – Mente quebrada
17 Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18 Capítulo XVII – Mal invisível
19 Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20 Capítulo XX – Coração cruel
21 Capítulo XXI – Hipocrisia
22 Capítulo XXII – Encurraladas
23 Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24 Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25 Capítulo XXV – Estaca Zero
26 Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27 Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28 Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29 Capítulo XXIX – Entidade maligna
30 Capítulo XXX – Indisciplinada
31 Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32 Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33 Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34 Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35 Capítulo XXXV – Abismo
36 Capítulo XXXVI – Sem volta
37 Capítulo XXXVII – Indo a caça
38 Capítulo XXXVIII – O porão
39 Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40 Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41 Capítulo XLI – Contra o tempo
42 Capítulo XLII – Perdidas
43 Capítulo XLIII – Não é justo!
44 Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45 Capítulo XLV – Irmãs de alma
46 Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47 Epílogo
Capítulos

Atualizado até capítulo 47

1
Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2
Capítulo II — Uma estrela sem nome
3
Capítulo III - Em busca da estrela
4
Capítulo IV – Mente nublada
5
Capítulo V – A figura misteriosa
6
Capítulo VI – Fora de si
7
Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8
Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9
Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10
Capítulo X – A força na união
11
Capítulo XI – Efeito dominó
12
Capítulo XII – Desgraça eminente
13
Capítulo XIII – O mau desperta
14
Capítulo XIV – A culpa corrói
15
Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16
Capítulo XVI – Mente quebrada
17
Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18
Capítulo XVII – Mal invisível
19
Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20
Capítulo XX – Coração cruel
21
Capítulo XXI – Hipocrisia
22
Capítulo XXII – Encurraladas
23
Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24
Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25
Capítulo XXV – Estaca Zero
26
Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27
Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28
Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29
Capítulo XXIX – Entidade maligna
30
Capítulo XXX – Indisciplinada
31
Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32
Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33
Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34
Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35
Capítulo XXXV – Abismo
36
Capítulo XXXVI – Sem volta
37
Capítulo XXXVII – Indo a caça
38
Capítulo XXXVIII – O porão
39
Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40
Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41
Capítulo XLI – Contra o tempo
42
Capítulo XLII – Perdidas
43
Capítulo XLIII – Não é justo!
44
Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45
Capítulo XLV – Irmãs de alma
46
Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47
Epílogo

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