Capítulo XVI – Mente quebrada

Louise

Lille, França – 1881

09/04/1881

Pensando se conversava ou deixava a garota passar, Louise decidiu se aproximar.

— A senhorita... Está bem? – A questionou. A menina que antes olhava para o chão, ergueu o rosto e avistou Louise. Desviou o olhar para as outras duas por um breve momento, e retornou o olhar para Louise.

— Eu sinto muito... Eu... Estava tão cansada... Só conseguia pensar no quanto eu estava machucada... Sem ninguém me ajudar... – Sua voz saia trêmula, e as mãos dela tremiam descontroladamente.

— Está tudo bem, não foi um corte fundo, Amelie me ajudou com o ferimento. - Sophie se pronunciou, tentando acalmar a menina.

Direcionando seu olhar para Amelie, ela a encarou sem expressar nada, e voltou a fitar o chão. Percebendo que a garota sentia vergonha, Louise deu continuidade a conversa, em uma tentativa de mudar aquele assunto. 

— O que aconteceu? Porque tem estado tão cansada?

Louise queria encontrar algum tipo de ligação no que acontecia, alguma forma de parar aquilo.

— Não consigo dormir bem há dias... – Os olhos da menina ficam arregalados, como se apenas lembrar do que tinha vivido fosse suficiente para tirar seu sono.

– Toda vez que adormeço tenho pesadelos. Sou perseguida por uma garotinha, que me ataca sem parar... 

— Uma garota?! – Louise trocou um olhar cumplice com Sophie.  

— As vestes dela estão em trapos, ela está muito machucada, mas ainda consegue encontrar forças para me atacar. – A menina se abraçou, olhando para os lados, como se algo pudesse se aproximar dela mesmo estando acordada.

– Ela grita comigo, me bate, me fere por várias vezes... Tudo parece tão... Real.

Sophie e Amelie olham para Louise, que confirma com um breve aceno positivo com a cabeça. Tinha passado pelas mesmas coisas.

— Ficará bem agora, o cansaço pode causar alucinações e ter grande influência no corpo. – Disse Amelie, na tentativa de acalmá-la. 

— Eu espero que sim... Espero não ver aquela menina novamente. Eu... Vou para o quarto que me disseram para ir, vou buscar minhas coisas, a monitora está me esperando. Obrigada por entenderem, e... Desculpe por todo o problema que eu causei.

A menina disse tudo sem conseguir erguer o rosto para elas, e continuando com o olhar no chão, se arrastou em direção ao quarto que havia mencionado.

Depois de ela já ter se distanciado, e Louise se sentir segura, mencionou:

— Isso é horrível! Sua mente parece totalmente quebrada.

— Então foi mesmo parecido com o que a senhorita passou. Os efeitos dessa boneca são assustadores. – Amelie comentou, olhando na direção para onde a garota havia seguido. 

— Sim... Nem consigo imaginar quantas vezes ela deve ter sido atacada... Humilhada... Para que no fim, começasse tudo de novo. – Lembrou Louise, levando a mão esquerda até o peito. 

— Vamos encontrar um jeito de lidar com isso Louise, estamos juntas agora. – Disse Sophie segurando sua mão. Amelie afirmou com um aceno de cabeça, indo se juntar a elas.

Nesse momento, a monitora que guiava o grupo de garotas para seus dormitórios as avistou paradas no corredor. Colocando ambas as mãos na cintura, limpou a garganta e chamou a atenção delas.

— Posso saber o que as senhoritas fazem paradas no corredor?! Já passou da hora de dormirem! 

Levando a mão direita até a boca, Sophie arregalou os olhos.

— Perdão senhora! Ficamos tão abaladas com o que aconteceu, que não percebemos que paramos aqui. – Louise quis rir. Sophie era lisa como sabão, e suas expressões eram tão autênticas, que faziam todos que a olhassem naquele momento, se sentir culpados.

Tendo pego o coração da monitora, ela se aproximou delas.

— Ah querida, como está sua mão? É inacreditável, o que deu naquela garota? – Era visível que ninguém conseguia entender bem o que tinha acontecido, mas o peso do acontecido estava sobre os ombros de todos.

— Agora estou bem senhora, só tentando entender tudo. 

— Todas nós querida, todas nós. Se precisar voltar a enfermaria, por favor, me informe.

— Irei, não se preocupe.

Respirando um pouco mais aliviada, a monitora nem mesmo percebeu que elas haviam começado a caminhar lado a lado, conversando dessa vez apenas amenidades, enquanto retornavam para os dormitórios.

— É realmente uma pena, eu queria tanto provar os biscoitos. – Sophie mencionou.

— Terá outras chances para isso, querida. – A monitora afirmou, com uma expressão de pena.

— Oh, realmente? Estava preparando várias estrelas com gotas de chocolate para a diretora!

— Estrelas? Interessante. Não conheço a diretora o suficiente, mas vez ou outra a encontro olhando para o céu pela noite. As monitoras mais próximas comentam que a pequena Francine adorava as estrelas, aliás, olhar para a senhorita me faz lembrar dela. – Louise olhou para Amelie diante o comentário inocente da monitora.

Nesse momento, sua intuição gritou. Ela lhe dizia que, por mais que desejasse manter distância da boneca, não poderia fazer isso. Além de ser a única forma de descobrir o próximo passo naquela loucura, ela era a maior ligação com a filha da coordenadora Delphine.

Sophie tinha o dom de tirar informações daqueles a sua volta, sem parecer estar fazendo isso de fato. Usariam isso para conseguir sobreviver.

Capítulos
1 Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2 Capítulo II — Uma estrela sem nome
3 Capítulo III - Em busca da estrela
4 Capítulo IV – Mente nublada
5 Capítulo V – A figura misteriosa
6 Capítulo VI – Fora de si
7 Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8 Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9 Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10 Capítulo X – A força na união
11 Capítulo XI – Efeito dominó
12 Capítulo XII – Desgraça eminente
13 Capítulo XIII – O mau desperta
14 Capítulo XIV – A culpa corrói
15 Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16 Capítulo XVI – Mente quebrada
17 Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18 Capítulo XVII – Mal invisível
19 Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20 Capítulo XX – Coração cruel
21 Capítulo XXI – Hipocrisia
22 Capítulo XXII – Encurraladas
23 Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24 Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25 Capítulo XXV – Estaca Zero
26 Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27 Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28 Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29 Capítulo XXIX – Entidade maligna
30 Capítulo XXX – Indisciplinada
31 Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32 Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33 Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34 Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35 Capítulo XXXV – Abismo
36 Capítulo XXXVI – Sem volta
37 Capítulo XXXVII – Indo a caça
38 Capítulo XXXVIII – O porão
39 Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40 Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41 Capítulo XLI – Contra o tempo
42 Capítulo XLII – Perdidas
43 Capítulo XLIII – Não é justo!
44 Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45 Capítulo XLV – Irmãs de alma
46 Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47 Epílogo
Capítulos

Atualizado até capítulo 47

1
Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2
Capítulo II — Uma estrela sem nome
3
Capítulo III - Em busca da estrela
4
Capítulo IV – Mente nublada
5
Capítulo V – A figura misteriosa
6
Capítulo VI – Fora de si
7
Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8
Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9
Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10
Capítulo X – A força na união
11
Capítulo XI – Efeito dominó
12
Capítulo XII – Desgraça eminente
13
Capítulo XIII – O mau desperta
14
Capítulo XIV – A culpa corrói
15
Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16
Capítulo XVI – Mente quebrada
17
Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18
Capítulo XVII – Mal invisível
19
Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20
Capítulo XX – Coração cruel
21
Capítulo XXI – Hipocrisia
22
Capítulo XXII – Encurraladas
23
Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24
Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25
Capítulo XXV – Estaca Zero
26
Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27
Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28
Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29
Capítulo XXIX – Entidade maligna
30
Capítulo XXX – Indisciplinada
31
Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32
Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33
Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34
Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35
Capítulo XXXV – Abismo
36
Capítulo XXXVI – Sem volta
37
Capítulo XXXVII – Indo a caça
38
Capítulo XXXVIII – O porão
39
Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40
Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41
Capítulo XLI – Contra o tempo
42
Capítulo XLII – Perdidas
43
Capítulo XLIII – Não é justo!
44
Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45
Capítulo XLV – Irmãs de alma
46
Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47
Epílogo

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