Louise
Lille, França – 1881
08/04/1881
Quando todas as alunas do dormitório de Louise se levantam, e começam a preparar suas camas, elas percebem Louise sentada na cama. De vez em quando pendia para os lados, parecia que estava naquela posição por algum tempo.
Uma delas se aproximou e chamou por Louise, de forma tão sutil que as outras se questionaram se ela havia ouvido ou não. Despertando assustada, Louise olhou a sua volta e com uma expressão de cansaço, se pronunciou:
— Ah, já é manhã... Eu tenho essa prática de meditar, segundo estudiosos, isso ajuda na concentração...
Nenhuma das meninas disse nada, mas por dentro pensavam que Louise estava ficando cada vez mais excêntrica.
Uma de suas colegas, a mesma que a tinha despertado, soltou um pequeno riso enquanto tampava a boca. Amelie era da família Laviolette, eles eram conhecidos por serem uma família de mordomos e governantas, sempre fiéis a casa que serviam.
— Você é muito versada nas tendências, não é mesmo, senhorita? – Amelie a elogiou com uma indagação.
— Mas é lógico! Com quem acha que está falando? Eu sou uma Delyon! – Louise colocou as mãos sobre a cintura, exibindo o orgulho por seus esforços. As vezes estudava tanto que nem mesmo tinha tempo de se alimentar direito, mas ver o reconhecimento lhe satisfazia.
— É realmente admirador, mas sugiro que descanse mais senhorita, seu rosto deixa aparente o cansaço. – Afirmou Amelie, deixando escapar um tom de preocupação.
Louise ficou surpresa com o cuidado de Amelie. Poucas pessoas se preocupavam com a saúde dela, nem mesmo sua mãe. A única preocupação dela estava em Louise ficar dias na cama, perdendo oportunidade de aprender mais. Agradecendo, Louise colocou as pernas para fora da cama e levantou.
— Você tem bons modos, isso é muito admirável. Nossa instituição realmente recebe os melhores entre os melhores. – Apontou Louise. Juntas, depois de organizarem o dormitório, elas seguiram para o refeitório.
Chegando ao local, Louise se encontrou com Sophie. Sem saber o que dizer, tentou não olhar na direção dela.
Porém, se aproximando, Sophie chamou sua atenção.
— Louise, sinto muito por toda a confusão que lhe causei. Realmente não sabia que a boneca era sua.
Surpresa com tal pedido de desculpas, Louise a encarou. Precisava contar a verdade sobre aquela situação, pois já estava em problemas o suficiente.
- Ahh... A boneca não é minha. – Confessou.
— Então... Você não saiu do dormitório naquela noite?
— Claro que não! Achei que sua história fosse algo para acobertar um ato ruim que tivesse feito. Pensei que se mostrasse isso para a Coordenadora, você seria punida e aprenderia a lição. Temos uma imagem a zelar aqui dentro! – Louise finalizou enfática.
Sophie se recordou das palavras de sua mãe de imediato. Segundo ela, essa seria a melhor chance de ela mostrar o nome da família e espalha-lo pelo mundo. Nome esse carregado de várias responsabilidades, que ela sequer conseguia compreender todos.
Trocando olhares com Louise, ela percebeu que, no fundo não eram tão diferentes quanto imaginava. Ambas carregavam a responsabilidade de seus ancestrais nas costas.
— Eu realmente sinto muito, apenas vi uma garota perto do lago naquela noite. Acreditei que se tivesse algo que pertencesse a ela, descobriria quem ela era. Foi quando encontrei a boneca.
Já sentadas a mesa e tomando o café da manhã, Louise esquece um pouco os modos e se curva um pouco sobre a mesa, chamando a atenção de Sophie e Amelie.
— Essa boneca é importante. Não sei o motivo, mas a coordenadora deixou isso bem claro. – Sussurrou, enquanto tomava seu chá de forma delicada.
— Ela sabe a quem pertence a boneca? – Sophie perguntou curiosa.
Sem conseguir conter, Louise deixou escapar um grande bocejo.
— Não xei*... Mas estou cansada demais agora pra pensar nisso, vamos tomar nosso café.
Sophie não podia descordar, pois logo iniciariam as aulas. Assim que terminaram o desjejum, as meninas se despediram e seguiram para suas salas. Louise adormeceu algumas vezes durante as aulas, e na maioria que atingiu o ponto de sonhar, teve o mesmo pesadelo: Uma figura a perseguia e a machucava.
Amelie sempre a ajudava, fosse acordando-a ou dando uma desculpa para as monitoras, afirmando que Louise estava estudando muito durante a noite, e por isso estava mais cansada.
No final da tarde, Louise estava esgotada. Tinha tido os mais terríveis pesadelos e já estava uma pilha de nervos. Amelie apenas a observava, e mesmo sem ouvir nada de Louise, percebia que algo fora do comum acontecia. Tentando acalentá-la, passava as mãos ajeitando o cabelo de Louise, para que nenhum comentário negativo fosse feito sobre seu estado. Sabia que isso iria afetá-la muito.
Contudo, foi no cair da noite que o pior aconteceu.
Enquanto todas as meninas dormiam, Louise já cansada por não poder dormir, entrou em um estranho estado de transe. Levantando de sua cama, foi em direção ao beliche de Amelie. Subiu encima da garota, e antes que pudesse se parar, começou a estrangulá-la.
Pêga de surpresa, Amelie abriu os olhos e se deparou com Louise em cima dela. As olheiras deixavam grandes manchas escurecidas embaixo de seus olhos, e estes por sua vez, não apresentavam mais o lindo brilho azul como de costume. Estavam nublados, vazios.
Sentindo Louise apertar cada vez mais forte seu pescoço, Amelie pensou em gritar, mas o que diriam se vissem Louise daquela forma? Não! Ela precisava encontrar uma forma de acordá-la, Louise não era uma menina ruim!
Então, tirando forças de seu âmago, Amelie sussurrou:
-Vai...fi...car... tudo bem...
Louise afrouxou os dedos por alguns segundos, e lágrimas começam a cair de seus olhos, pingando sobre o rosto de Amelie. Os olhos de Louise se arregalam, percebendo por fim o que fazia, ela tirou rapidamente as mãos do pescoço da garota.
Arfando muito, segurou as próprias mãos, que tremiam descontroladamente. Chocada, permaneceu sentada sobre a amiga, encarando-a sem conseguir dizer nada. O choro eminente já criava um nó em sua garganta, que a fazia arder. As lágrimas rolavam de seus olhos totalmente fora de seu controle, e Louise foi surpreendida recebendo um abraço de Amelie.
Conseguindo por fim soltar o choro que estava preso, ela fechou os olhos. Contudo, os abriu novamente ao ouvir uma voz infantil tomar sua mente.
- VoCê... Me aChOu....
Louise afastou Amelie de si e olhou para os lados, mas não encontrou ninguém. Fora ela e Amelie, as demais meninas dormiam totalmente alheias ao que acontecia. Voltando a olhar para Amelie, se deparou com a colega de dormitório a observando. Uma mistura de medo e curiosidade inundava os olhos castanhos de Amelie.
- Me desculpa... Eu juro que não queria fazer isso...Eu...Eu... – Com a voz embargada, Louise ameaçava chorar novamente.
Limpando um pouco a garganta, Amelie lhe assegurou.
— Senhorita, tudo ficará bem.
Tentando se manter no controle de suas próprias emoções, Louise fungou e respirou fundo algumas vezes. Balançando a cabeça em afirmação, ela permitiu que as palavras de Amelie a alcançassem. Queria acreditar que Lie* não era como as outras, o pouco tempo que passou com ela naquele dia, tinha percebido que ela não era julgadora. Não sabia o que seria de si se tivesse feito aquilo com outra menina do dormitório.
Amelie conduziu Louise de volta para sua cama, e a cobriu para mantê-la aquecida.
— Ficarei aqui até que a senhorita adormeça. – Afirmou Amelie.
Buscando a mão dela, Louise a segurou forte. Depois de muitos suspiros, conseguiu se acalmar e finalmente foi tomada pelo sono.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Lala.123@ 🦋
não gostei eu adorei , que isso , o livro bom , pai degua
2024-07-07
1
SimplyTheBest
Não esperava menos, amei.
2023-11-22
2