Sophie
Lille, França – 1881
09/04/1881
As aulas não eram fixas, pois todas as damas que estavam a ser ensinadas naquela instituição, deveriam conhecer tudo o que circulava pelo mundo feminino. Indo de música até literatura, elas tinham aulas de diferentes conteúdos.
Naquele exato momento, Sophie se encontrava na aula de culinária. Junto com outro grupo de alunos, que por um toque do destino, juntou as três amigas na mesma sala que a garota sonolenta.
Todas estavam apreensivas com o que poderia acontecer. Amelie viu que tudo poderia piorar de uma maneira inacreditável, agora com acesso a instrumentos como facas, garfos e outros utensílios, seria uma situação onde não poderiam hesitar.
A aula se iniciou sem maiores incidentes, a menina cujo o cansaço a consumia, já começava a cambalear mesmo acordada. Talvez ela estivesse sendo perseguida mais que o normal, mas não havia como confirmar. Tudo o que intuíam era que a boneca parecia dar pistas do próximo passo no “jogo” sádico em que as tinha envolvido.
Dada a necessidade de se focarem em suas tarefas, as amigas se distraíam com o preparo da comida, mas nada parecia fora do normal. Se tudo ocorresse bem, a menina voltaria para o dormitório e Louise e Amelie estariam preparadas para segurá-la. Sophie confiava que tudo daria certo!
Porém, como se os pensamentos de Sophie conspirassem para que o desastre acontecesse, a monitora encarregada de observá-las se ausentou da sala, ao ser chamada para auxiliar outro grupo.
Dando a ordem para que as meninas continuassem seus devidos pratos para o final das aulas, onde a própria Coordenadora desfrutaria e avaliaria os biscoitos e os bolos que elas preparavam, a monitora saiu.
Ao ouvir a ordem, Sophie olhou para a garota sonolenta, e chocada, a assistiu dormindo de pé. Sua cabeça estava inteiramente inclinada para trás, e uma grande quantidade de saliva escorria de sua boca. Bastou um segundo para que ela despertasse. Aflita, Sophie respirou fundo. Estava aliviada, ela estava sendo forte.
Porém, olhando para o lado, a garota agarrou o braço de uma aluna próxima.
— Estou cansada de tudo isso...! – Sua voz estava trêmula, como se estivesse chorando. Nesse momento, chamando a atenção de todas na sala, a garota conseguiu se tornar o foco.
— Me solta! Está me machucando! – A garota exigiu, tentando puxar seu braço do aperto da colega. Mas, ela parecia não se importar. Dê cabeça baixa, sequer olhava para a garota ao seu lado.
— Estou cansada de tudo isso! Vocês só querem se aproveitar dos outros! ENQUANTO EU ESTOU AQUI, PRESA E SEM CONSEGUIR APROVEITAR NADA! – Seu grito ecoou na sala, assustando a todas. A garota serrava os dentes, como um animal raivoso.
Ninguém naquela sala entendeu as palavras dela. Na verdade, era algo que só fazia sentido para ela mesma. Sophie e Amelie, vendo que as coisas tinham escalonado de forma abrupta, se mobilizaram.
Indo até a garota, Sophie tentou puxar o braço da menina que ela segurava, mas ela a segurava com muita força. Do outro lado, Amelie tentou fazê-la acordar.
Louise, assistia tudo do mesmo lugar, não tinha conseguido se mexer.
— Sei que está cansada, mas por que ela tem culpa? – Amelie tentou argumentar. Começando a chorar, a menina, olhou para ela. Seus olhos estavam nublados, sem vida.
— Ela sempre teve tudo, eu nunca podia sair... Nem mesmo podia comer ou dormir! As roupas brilhantes e coloridas... TUDO É CULPA DE VOCÊS!
A garota em transe apertou ainda mais forte o braço da colega, e de forma estranha seu rosto mudava de expressões. Sophie tentou puxar a menina mais uma vez, enquanto Amelie tentava abrir a mão da garota que agora, se questionava se ainda estava viva.
Sem saber em que momento Louise havia se aproximado, Sophie viu a amiga olhar para a garota.
— Louise... – Sophie sussurrou.
— Senhorita Louise, não se aproxime! É perigoso! – Amelie tentou alertar, mas Louise a ignorou por completo.
— Me desculpe... Eu... Não sabia o que você estava passando... – Louise sussurrou para ela, e ao ouvir suas palavras, a garota conseguiu despertar.
Um breve silêncio cobriu a sala. Soltando o braço daquela que antes era seu alvo, a garota olhou em volta, confusa. Puxando a outra garota, Sophie se colocou a frente dela. Não confiaria que tudo tivesse acabado de forma tão rápida.
Ela estava certa. Com a respiração desregulada, a garota encarou Louise.
O movimento seguinte foi rápido. Pegando uma das facas sobre a bancada, ela empurrou Amelie, que caiu sentada no chão, e avançou na direção de Louise. Seu objetivo era o pescoço, mas Sophie conseguiu segurar a lâmina com a mão direita antes que ela tocasse na amiga.
Em choque, Louise, estava paralisada.
Por fim despertando, a menina encarou Sophie assustada. Percebendo o que fazia, ela se afastou, soltando a faca.
— Eu... Sinto Muito... Me desculpe... Me desculpe...
Caindo de joelhos no chão, a garota começou a chorar. Os sussurros de medo e julgamento inundaram a sala e o corredor, chamando atenção das demais salas. Retornando, a monitora paralisou na porta.
— Que bagunça é essa?! O que está acontecendo aqui?!
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
creio que este fantasma, na verdade quer chamar a atenção da própria mãe.
2024-07-28
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