Capítulo XIII – O mau desperta

Sophie

Lille, França – 1881

09/04/1881

As aulas não eram fixas, pois todas as damas que estavam a ser ensinadas naquela instituição, deveriam conhecer tudo o que circulava pelo mundo feminino. Indo de música até literatura, elas tinham aulas de diferentes conteúdos.

Naquele exato momento, Sophie se encontrava na aula de culinária. Junto com outro grupo de alunos, que por um toque do destino, juntou as três amigas na mesma sala que a garota sonolenta.

Todas estavam apreensivas com o que poderia acontecer. Amelie viu que tudo poderia piorar de uma maneira inacreditável, agora com acesso a instrumentos como facas, garfos e outros utensílios, seria uma situação onde não poderiam hesitar.

A aula se iniciou sem maiores incidentes, a menina cujo o cansaço a consumia, já começava a cambalear mesmo acordada. Talvez ela estivesse sendo perseguida mais que o normal, mas não havia como confirmar. Tudo o que intuíam era que a boneca parecia dar pistas do próximo passo no “jogo” sádico em que as tinha envolvido. 

Dada a necessidade de se focarem em suas tarefas, as amigas se distraíam com o preparo da comida, mas nada parecia fora do normal. Se tudo ocorresse bem, a menina voltaria para o dormitório e Louise e Amelie estariam preparadas para segurá-la. Sophie confiava que tudo daria certo!

Porém, como se os pensamentos de Sophie conspirassem para que o desastre acontecesse, a monitora encarregada de observá-las se ausentou da sala, ao ser chamada para auxiliar outro grupo.

Dando a ordem para que as meninas continuassem seus devidos pratos para o final das aulas, onde a própria Coordenadora desfrutaria e avaliaria os biscoitos e os bolos que elas preparavam, a monitora saiu.

Ao ouvir a ordem, Sophie olhou para a garota sonolenta, e chocada, a assistiu dormindo de pé. Sua cabeça estava inteiramente inclinada para trás, e uma grande quantidade de saliva escorria de sua boca. Bastou um segundo para que ela despertasse. Aflita, Sophie respirou fundo. Estava aliviada, ela estava sendo forte.

Porém, olhando para o lado, a garota agarrou o braço de uma aluna próxima. 

— Estou cansada de tudo isso...! – Sua voz estava trêmula, como se estivesse chorando. Nesse momento, chamando a atenção de todas na sala, a garota conseguiu se tornar o foco.

— Me solta! Está me machucando! – A garota exigiu, tentando puxar seu braço do aperto da colega. Mas, ela parecia não se importar. Dê cabeça baixa, sequer olhava para a garota ao seu lado.

— Estou cansada de tudo isso! Vocês só querem se aproveitar dos outros! ENQUANTO EU ESTOU AQUI, PRESA E SEM CONSEGUIR APROVEITAR NADA! – Seu grito ecoou na sala, assustando a todas. A garota serrava os dentes, como um animal raivoso.

Ninguém naquela sala entendeu as palavras dela. Na verdade, era algo que só fazia sentido para ela mesma. Sophie e Amelie, vendo que as coisas tinham escalonado de forma abrupta, se mobilizaram.

Indo até a garota, Sophie tentou puxar o braço da menina que ela segurava, mas ela a segurava com muita força. Do outro lado, Amelie tentou fazê-la acordar.

Louise, assistia tudo do mesmo lugar, não tinha conseguido se mexer.  

— Sei que está cansada, mas por que ela tem culpa? – Amelie tentou argumentar. Começando a chorar, a menina, olhou para ela. Seus olhos estavam nublados, sem vida. 

— Ela sempre teve tudo, eu nunca podia sair... Nem mesmo podia comer ou dormir! As roupas brilhantes e coloridas... TUDO É CULPA DE VOCÊS!

A garota em transe apertou ainda mais forte o braço da colega, e de forma estranha seu rosto mudava de expressões. Sophie tentou puxar a menina mais uma vez, enquanto Amelie tentava abrir a mão da garota que agora, se questionava se ainda estava viva.

Sem saber em que momento Louise havia se aproximado, Sophie viu a amiga olhar para a garota.

— Louise... – Sophie sussurrou.

— Senhorita Louise, não se aproxime! É perigoso! – Amelie tentou alertar, mas Louise a ignorou por completo.

— Me desculpe... Eu... Não sabia o que você estava passando... – Louise sussurrou para ela, e ao ouvir suas palavras, a garota conseguiu despertar.

Um breve silêncio cobriu a sala. Soltando o braço daquela que antes era seu alvo, a garota olhou em volta, confusa. Puxando a outra garota, Sophie se colocou a frente dela. Não confiaria que tudo tivesse acabado de forma tão rápida.  

Ela estava certa. Com a respiração desregulada, a garota encarou Louise.

O movimento seguinte foi rápido. Pegando uma das facas sobre a bancada, ela empurrou Amelie, que caiu sentada no chão, e avançou na direção de Louise. Seu objetivo era o pescoço, mas Sophie conseguiu segurar a lâmina com a mão direita antes que ela tocasse na amiga.

Em choque, Louise, estava paralisada.

Por fim despertando, a menina encarou Sophie assustada. Percebendo o que fazia, ela se afastou, soltando a faca.  

— Eu... Sinto Muito... Me desculpe... Me desculpe...

Caindo de joelhos no chão, a garota começou a chorar. Os sussurros de medo e julgamento inundaram a sala e o corredor, chamando atenção das demais salas. Retornando, a monitora paralisou na porta. 

— Que bagunça é essa?! O que está acontecendo aqui?!

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Comments

Cecilia geralda Geralda ramos

Cecilia geralda Geralda ramos

creio que este fantasma, na verdade quer chamar a atenção da própria mãe.

2024-07-28

1

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Capítulos
1 Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2 Capítulo II — Uma estrela sem nome
3 Capítulo III - Em busca da estrela
4 Capítulo IV – Mente nublada
5 Capítulo V – A figura misteriosa
6 Capítulo VI – Fora de si
7 Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8 Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9 Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10 Capítulo X – A força na união
11 Capítulo XI – Efeito dominó
12 Capítulo XII – Desgraça eminente
13 Capítulo XIII – O mau desperta
14 Capítulo XIV – A culpa corrói
15 Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16 Capítulo XVI – Mente quebrada
17 Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18 Capítulo XVII – Mal invisível
19 Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20 Capítulo XX – Coração cruel
21 Capítulo XXI – Hipocrisia
22 Capítulo XXII – Encurraladas
23 Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24 Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25 Capítulo XXV – Estaca Zero
26 Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27 Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28 Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29 Capítulo XXIX – Entidade maligna
30 Capítulo XXX – Indisciplinada
31 Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32 Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33 Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34 Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35 Capítulo XXXV – Abismo
36 Capítulo XXXVI – Sem volta
37 Capítulo XXXVII – Indo a caça
38 Capítulo XXXVIII – O porão
39 Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40 Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41 Capítulo XLI – Contra o tempo
42 Capítulo XLII – Perdidas
43 Capítulo XLIII – Não é justo!
44 Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45 Capítulo XLV – Irmãs de alma
46 Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47 Epílogo
Capítulos

Atualizado até capítulo 47

1
Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2
Capítulo II — Uma estrela sem nome
3
Capítulo III - Em busca da estrela
4
Capítulo IV – Mente nublada
5
Capítulo V – A figura misteriosa
6
Capítulo VI – Fora de si
7
Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8
Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9
Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10
Capítulo X – A força na união
11
Capítulo XI – Efeito dominó
12
Capítulo XII – Desgraça eminente
13
Capítulo XIII – O mau desperta
14
Capítulo XIV – A culpa corrói
15
Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16
Capítulo XVI – Mente quebrada
17
Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18
Capítulo XVII – Mal invisível
19
Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20
Capítulo XX – Coração cruel
21
Capítulo XXI – Hipocrisia
22
Capítulo XXII – Encurraladas
23
Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24
Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25
Capítulo XXV – Estaca Zero
26
Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27
Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28
Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29
Capítulo XXIX – Entidade maligna
30
Capítulo XXX – Indisciplinada
31
Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32
Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33
Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34
Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35
Capítulo XXXV – Abismo
36
Capítulo XXXVI – Sem volta
37
Capítulo XXXVII – Indo a caça
38
Capítulo XXXVIII – O porão
39
Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40
Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41
Capítulo XLI – Contra o tempo
42
Capítulo XLII – Perdidas
43
Capítulo XLIII – Não é justo!
44
Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45
Capítulo XLV – Irmãs de alma
46
Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47
Epílogo

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