Amelie
Lille, França – 1881
09/04/1881
— Pensando melhor... Acho que a senhorita Louise deveria ficar longe de qualquer problema. Devido ao nome importante que carrega, as consequências para ela serão maiores.
Louise abaixou a cabeça, pensativa.
— Algo realmente está acontecendo, será que vou ficar bem? E se eu acabar fazendo algo horrível novamente?!
Louise se pronunciou, os olhos arregalados. O pavor a tomava, e Amelie sentia o medo e o desespero dela atingí-la. Não podia deixa-la sozinha, não naquela situação.
— A senhorita não fará nada, sei que jamais faria mal as outras meninas. – Exclamou Amelie com firmeza.
— Ainda assim... - Sophie e Louise trocaram olhares, e Amelie soube que a palavra dela não seria suficiente para que Louise se sentisse segura.
— Sophie, perdoe-me, mas terá que conferir a boneca sozinha. Se a senhorita Louise não se sente segura, não posso deixa-la.
Sophie respirou fundo.
— Eu entendo, concordo que fique com ela. Se a boneca realmente está fazendo tudo isso com Louise, pelo breve momento em que esteve com ela, imagine o que pode fazer se vê-la novamente.
Em reação as palavras de Sophie, Louise se encolheu. Acalentando-a, Amelie esfregou suas costas com a mão esquerda.
— O melhor horário para ir à sala da Coordenadora, é pela tarde, durante o chá. Senhora Delphine faz questão de observar as garotas de um jardim particular, próximo ao que vamos todos os dias. Se der a desculpa de que precisa ir ao toalete, tenho certeza de que não será questionada. – Pontuou Amelie de forma precisa.
Sophie a olhava com a boca aberta. Todos faziam aquela expressão sempre que ela mostrava quem realmente era, afinal, esse era o propósito de um Senechal* (mordomo/governanta). Ver e ouvir tudo, mas nunca dizer nada além do necessário.
Se recompondo, Sophie afirmou com um aceno de cabeça.
— Muito bem, usarei essa desculpa! – Afirmou, segura de que tudo daria certo.
Preocupada, Louise encarou Amelie. Como se ela pudesse ler sua mente, se virou para Sophie e a alertou.
— Tenha cuidado. Ensaie uma mentira desde já, pois não podemos descartar a possibilidade de que alguma monitora ou a própria diretora possa lhe encontrar dentro da sala.
Do pouco que observara sobre Sophie, percebera que além de esperta, ela também tinha bom coração. Não era do tipo que julgava, ou abandonava uma amiga que precisava de ajuda. Ela sabia que coisas estranhas estavam a acontecer, pois, tinha sido a primeira a presenciar algo que não conseguia nomear.
Amelie percebia que a curiosidade consumia Sophie, e que assim como Louise, ela queria que aquele mistério fosse desvendado.
Voltando a olhar para Louise, Amelie assegurou:
— Não se preocupe tanto senhorita, caso o pior ocorra, Sophie já possui uma boa fama. Não será mal interpretada, tenho certeza.
Louise apertava as mãos sobre o tecido do vestido, fazendo os nós de seus dedos ficarem brancos.
— Isso mesmo! Posso não ser tão popular como você, mas tenho meus truques. – Sophie jogou o cabelo para trás usando a mão esquerda, e Louise deu um breve riso. Achava admirável a segurança de Sophie.
Logo depois do café, Sophie se despediu brevemente das outras e elas se direcionaram para suas devidas classes. Sophie permanecia imersa no mistério, em nenhum momento duvidou das palavras das amigas, tudo parecia só aumentar sua curiosidade.
Louise estava aos poucos se perdoando pelo que havia feito a Amelie, seu alto senso de justiça a fazia tomar a frente em certas situações, mas também a fazia se sentir culpada quando fazia algo errado.
Já Amelie, fazia o possível para manter o nome de Louise intacto dentro da instituição. Secretamente, nutria uma verdadeira compaixão pelo lado gentil da amiga. Havia escolhido a pessoa certa para servir.
Incertas sobre os acontecimentos, aos poucos o mistério as aproximava. Uma união verdadeira de amizade e lealdade se iniciava.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
creio que todo o mistério vai ser resolvido.
2024-07-27
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