Capítulo XI – Efeito dominó

Amelie

Lille, França – 1881

09/04/1881

Durante as aulas, tudo parecia correr normalmente, como Louise e Amelie estavam em classes e dormitórios diferentes de Sophie, as duas apenas poderiam ter esperanças que tudo ocorresse bem. Louise estava focada em ajudar Sophie, olhando de tempos em tempos para o relógio, deixando a ansiedade transparecer um pouco.

Amelie então, sentada ao lado de Louise, sussurrou:

— Senhorita, vai dar tudo certo, só temos que manter a diretora no lugar para que Sophie possa procurar a boneca.

— Mas e se ela começar a ter também esses sonhos estranhos? Não sei se foi uma boa ideia a deixarmos ir sozinha. Chegar perto daquela boneca mais uma vez...

Amelie tentava tranquilizar a situação.

— Sophie é esperta, irá tomar cuidado para não ser pega, saberá o que fazer quando algum problema aparecer.

Amelie estava focada, precisava entender o ambiente, notar se algo estava diferente entre as monitoras. Mas sua atenção foi fisgada por outra estudante, que estava de olhos fechados durante a aula, pendendo para frente de vez em quando. Sempre que a monitora levantava um pouco mais a voz, ela acordava um pouco assustada, mas logo voltava a sua posição.

Estava sentada muito atrás da garota, mas uma breve conversa com a garota ao lado a ajudou a perceber algo familiar. De relance, viu cansaço estampado no rosto da menina.

Talvez o que Louise tinha passado estava se espalhando, ou ela fosse a próxima, mas segunda Louise, isso tinha lhe acontecido depois de um contato direto com a boneca... Amelie não sabia se aquela garota havia tido contato com ela, afinal o brinquedo ficava sempre na sala da diretora. Não podia afirmar, e diante da incerteza tudo o que Amelie poderia fazer era esperar.

Manteve a situação que presenciara em segredo, não seria prudente colocar mais ansiedade em Louise. 

No almoço, as três meninas se encontraram por um breve momento, prontas e ansiosas para pôr o plano em ação. O almoço ocorreu normalmente, e durante a pausa da tarde, todas se direcionaram para o jardim.

Amelie viu Sophie se levantar e ir falar com uma das monitoras. Apreensiva, Louise levou a mão até a mão da amiga.

— Senhora, eu deixei um pertence no toalete do terceiro andar, é um pequeno lenço, tudo bem eu subir e procura-lo? 

— Mocinha, normalmente não podemos deixar as alunas transitarem livremente durante a pausa.

— Entendo perfeitamente monitora, mas este lenço é um dos poucos pertences que tenho. Um presente de minha falecida avó, possui um valor inestimável, já me sinto culpada só de pensar que o esqueci. Prometo a senhora que assim que pegá-lo, voltarei imediatamente para o jardim. – Afirmou Sophie.

— Hum... Muito bem. Você tem tido um bom comportamento e parece seguir as regras à risca. Tudo bem, vá, procure e esteja de volta antes da pausa acabar, entendido?

— Sim senhora! – Sophie assentiu.

Seu comportamento anterior a tinha rendido notáveis pontos de confiança. Apesar de parecer inquieta, usava sua curiosidade para manter uma boa interação com as alunas e monitoras.

Sophie olhou pelo jardim, encontrando Louise e Amelie a alguns metros dela. Dando um sinal de positivo para as duas, ela partiu para o “toalete”.

Amelie, preocupada com a diretora e a aluna que parecia cansada, decidiu juntar mais informações.

— Senhorita, lembra dos seus sintomas quando você estava tendo aqueles pesadelos?

— Hã? Eu... lembro um pouco. Tudo parece um borrão, eu não conseguia pensar direito, não com o medo de ser perseguida e nunca ser vista ou ajudada.

— Entendo... - Amelie olhou em direção a menina que tinha visto na sala mais cedo. Ela estava em um banco, parecia aproveitar o tempo para descansar.

Talvez fosse apenas a sensação da situação, afinal, as aulas exigiam muito de cada uma delas. E dependendo do sobrenome que tivesse, as exigências eram maiores.

Estava prestes a tirar os olhos da menina, quando a viu acordar alarmada. Com os olhos arregalados, a garota respirava com dificuldade. Olhando para os lados, parecia confusa, mas aliviada. Amelie não estava errada, para sua infelicidade.

— Senhorita... – Amelie chamou por Louise. Tendo sua atenção, ela respirou fundo. 

— Felizmente, para o seu bem, posso afirmar que não voltará a sentir essas coisas.

— O que? Como po... – Louise não conseguiu terminar. Assim que Amelie se virou para ela, apontou de forma sutil para uma garota que estava sentada em um banco, não muito longe delas. 

Vendo as enormes olheiras na garota, assim como o olhar assustado, Louise levou a mão direita até a própria boca.

— Amelie...

— Sim senhorita, mas não se preocupe. Caso aconteça algo, as monitoras e a própria diretora irão intervir.

— Mas... E a garota?

Por pensar somente no bem de Louise, Amelie não havia cogitado na possibilidade da menina ser expulsa por agredir outra aluna, ou mesmo ser reeducada dentro dos portões da instituição.

Um breve momento de silencio fez Amelie lembrar que Louise, apesar de ser uma menina de alta classe e envolta de conspirações e caprichos, ainda possuía um coração, embora preso pelas correntes que sua família controlava.

Segurando as mãos de Louise, ela roubou sua atenção novamente.

— Senhorita, sei que está preocupada, mas me prometa que não irá fazer nada drástico.

— Amelie... Sei bem das responsabilidades que carrego, mas sentir o que senti naqueles pesadelos, foi algo terrível, que não desejo para ninguém...

Tomada por uma genuína compaixão, Amelie entendeu os desejos de Louise, e concordou em ajudar a menina.

— Entendido senhorita. Mas, quero que me prometa que, se a situação piorar, você não irá se envolver. O plano era saber mais sobre a boneca, ajudar essa garota pode desencadear consequências das quais não temos como prever.

— Vou tentar, mas... Vou precisar de ajuda.

 Amelie fechou os olhos e assentiu com a cabeça, como um sinal de obediência. Não tinha como negar um pedido de seu mestre.

Capítulos
1 Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2 Capítulo II — Uma estrela sem nome
3 Capítulo III - Em busca da estrela
4 Capítulo IV – Mente nublada
5 Capítulo V – A figura misteriosa
6 Capítulo VI – Fora de si
7 Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8 Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9 Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10 Capítulo X – A força na união
11 Capítulo XI – Efeito dominó
12 Capítulo XII – Desgraça eminente
13 Capítulo XIII – O mau desperta
14 Capítulo XIV – A culpa corrói
15 Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16 Capítulo XVI – Mente quebrada
17 Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18 Capítulo XVII – Mal invisível
19 Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20 Capítulo XX – Coração cruel
21 Capítulo XXI – Hipocrisia
22 Capítulo XXII – Encurraladas
23 Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24 Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25 Capítulo XXV – Estaca Zero
26 Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27 Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28 Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29 Capítulo XXIX – Entidade maligna
30 Capítulo XXX – Indisciplinada
31 Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32 Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33 Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34 Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35 Capítulo XXXV – Abismo
36 Capítulo XXXVI – Sem volta
37 Capítulo XXXVII – Indo a caça
38 Capítulo XXXVIII – O porão
39 Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40 Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41 Capítulo XLI – Contra o tempo
42 Capítulo XLII – Perdidas
43 Capítulo XLIII – Não é justo!
44 Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45 Capítulo XLV – Irmãs de alma
46 Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47 Epílogo
Capítulos

Atualizado até capítulo 47

1
Lille, França - 06 de janeiro de 1881
2
Capítulo II — Uma estrela sem nome
3
Capítulo III - Em busca da estrela
4
Capítulo IV – Mente nublada
5
Capítulo V – A figura misteriosa
6
Capítulo VI – Fora de si
7
Capítulo VII – Perdendo a sanidade?
8
Capítulo VIII – Medo do desconhecido
9
Capítulo IX – Não julgue um livro pela capa
10
Capítulo X – A força na união
11
Capítulo XI – Efeito dominó
12
Capítulo XII – Desgraça eminente
13
Capítulo XIII – O mau desperta
14
Capítulo XIV – A culpa corrói
15
Capítulo XV – A dor na vida, e mesmo depois dela
16
Capítulo XVI – Mente quebrada
17
Abertura do capítulo XVII – O pesadelo se torna realidade
18
Capítulo XVII – Mal invisível
19
Capítulo XIX – O que me falta, você completa
20
Capítulo XX – Coração cruel
21
Capítulo XXI – Hipocrisia
22
Capítulo XXII – Encurraladas
23
Capítulo XXIII – Buscando a força interior
24
Capítulo XXIV – Quero ser útil!
25
Capítulo XXV – Estaca Zero
26
Capítulo XXVI – A Chave de Ouro
27
Capítulo XXVII – O covil da bruxa
28
Capítulo XXVIII – A figura encapuzada
29
Capítulo XXIX – Entidade maligna
30
Capítulo XXX – Indisciplinada
31
Capítulo XXXI – Perda Irreparável
32
Capítulo XXXII – Descendente de bruxas
33
Capítulo XXXIII – O pesadelo da vida real de Sophie
34
Capítulo XXXIV – Dimensão Invisível
35
Capítulo XXXV – Abismo
36
Capítulo XXXVI – Sem volta
37
Capítulo XXXVII – Indo a caça
38
Capítulo XXXVIII – O porão
39
Capítulo XXXIX – Aquele que se agarra
40
Capítulo XL – Não perderei outra amiga!
41
Capítulo XLI – Contra o tempo
42
Capítulo XLII – Perdidas
43
Capítulo XLIII – Não é justo!
44
Capítulo XLIV – A única que conseguiria traduzir
45
Capítulo XLV – Irmãs de alma
46
Capítulo XLVI – Prontas para seguir
47
Epílogo

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