Louise
Lille, França – 1881
09/04/1881
— As informações sobre o ocorrido tiveram pouca repercussão, afinal, não se descobriu nenhum culpado... – Amelie se afastou das amigas e se aproximou de uma das janelas que davam visão para o jardim. – Ela, foi encontrada no lago da Instituição, sem ferimentos ou possíveis sinais de luta. Diante disso, os médicos disseram que foi afogamento.
— O que?... – Sophie sussurrou, abaixando a cabeça.
— Sei que pode parecer loucura, e eu sou racional demais para crer em contos de fantasia, mas, diante o que temos enfrentado... Sophie, acho que a garota que viu no lago naquela noite, foi a filha da diretora Delphine. – Emilie concluiu, se virando para encarar a amiga. Sophie ergueu o rosto, os olhos arregalados.
Em silêncio, Louise mergulhava em seu próprio mundo. Fazia sentido, e ao mesmo tempo era algo totalmente improvável. Como alguém que já estava morto poderia se manifestar de tal forma? Por outro lado, como explicar o que Sophie havia visto, sendo que era impossível alguém sair dos dormitórios?
A fantasia há muito tinha abandonado a vida de Louise, sua cruel realidade de noivado aos oito anos de idade a tinha lhe roubado qualquer possibilidade de sonhar e ou mesmo viver sua infância. De outra forma, sempre que precisava explicar para si mesma o que vivia, encarava o mundo como um monstro que se escondia nas sombras. Sempre a espreita, a fim de se aproveitar das vulnerabilidades de cada humano existente.
Os sentimentos, bons ou ruins, eram seu alimento predileto.
Louise não conseguia imaginar o que ela havia vivido antes de seu trágico fim, mas de certo o peso sobre ela fosse tanto quanto o de qualquer uma delas. Recordando o que tinha passado em seus pesadelos, e o que havia ouvido nas palavras da garota de sua sala naquele dia, tudo o que conseguia sentir era raiva e tristeza.
Pela primeira vez, não queria negar o que tinha vivenciado, ou inventar desculpas para se convencer do contrário. Negar o que tinha vivido naquele dia, seria negar a dor e o sofrimento da criança que, por mais surreal que parecesse, mesmo estando morta, ainda tentava viver.
— Como vamos fazer isso parar? – Louise perguntou para as amigas, quebrando o silêncio.
— A boneca é a ligação de tudo, teremos que vê-la novamente, para sabermos o que vai acontecer agora. – Sophie afirmou.
— Isso tudo é loucura... – comentou Louise, respirando fundo.
— Não temos outra alternativa, senhorita. Permanecerei ao seu lado, para que nada mais lhe aconteça. No entanto, precisamos encontrar uma forma de parar isso, ou tudo sairá de controle.
— Sim. Já estamos envolvidas, não podemos simplesmente fingir que não sabemos de nada! – Sophie se pronunciou, apresentava um olhar de determinação. Mais uma vez Louise se pegou a admirando, Sophie era sem dúvida uma garota muito forte e corajosa. Em seu lugar, se tivesse sido machucada como ela havia sido, estaria encolhida em sua cama. Precisava mudar, ser mais forte.
Não podia mais colocar nenhuma de suas amigas em risco por pura covardia!
— Obrigada, as ambas, por ficarem ao meu lado. – Louise agradeceu, abaixando o rosto. Queria esconder os olhos marejados.
— Vamos conseguir, ficaremos juntas até o fim! - Sophie disse, cerrando o punho machucado. O choque provocado pela dor a fez choramingar em seguida. Seu descuidou chamou a atenção de Louise, que ergueu o rosto assustada com a reclamação de dor da amiga.
Inspirando, Amelie riu, sendo seguida de Louise, que secava as lágrimas com a mão direita.
— Precisamos ser mais cuidadosas, nada de se colocar na frente do perigo uma próxima vez, ok? – Amelie advertiu Sophie.
— Sim senhora. – Ela fungou, segurando a mão envolta em bandagens.
— Bom, acho que por hoje é o suficiente, vamos descansar para continuar a semana. – Louise as lembrou.
Sophie pensativa, perguntou:
— O que acham que vai acontecer com a garota?
— Provavelmente será expulsa e irá esperar a presença dos pais dela. Como a diretora é bem rígida, não acho que ela voltará atrás com sua palavra. Provavelmente. Daqui dois dias, ela já estará em um navio de volta para sua casa.
Sophie respirou fundo.
— Sinto muito por ela, estar aqui é algo raro para muitas... Mas, acredito que seja o melhor. Tudo pode acontecer a partir de agora.
Amelie confirmou com um aceno de cabeça.
Ao fim da conversa, elas ouviram passos ecoando pelo corredor, vindo em direção a elas. Curiosas, as três se viraram. Assim que a pessoa virou o corredor, elas avistaram a garota sonolenta. Ela voltava para seu dormitório.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
que mistério pra elas resolverem
2024-07-28
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