...JAVIER SALAZAR ...
Entrei na sala de interrogatório puxando uma cadeira para me acomodar diante do garoto. Antes de começar, mirei meus olhos nele, intimidando-o, demonstrando total falta de paciência para a negação que estava por vir.
— Sua mãe acabou de sair desesperada daqui. — ele susteve os olhos em mim, mas em total silêncio. Fazia questão de mantê-lo algemado aqui, suas mãos trancadas sob a mesa como se fosse um meliante perigoso. — Você foi pego, garoto. Eu disse que na próxima vez estaria f0dido, e esse dia chegou. — segurei o meu celular e abri na foto daquela sala cheia de dr0gas, depois, virei na direção do seu rosto. — Abra o bico e me fale, quem está por trás disso?
— Eu não sei.
Quando ele resmungou, já soquei a mesa, assustando até mesmo o oficial que estava de pé na porta.
— Você é um irresponsável, a sua irmã acabou de fazer 18 anos, o que ela estava fazendo no meio daquela d*sgraça toda, hein?
— Ela já é maior, faz o que bem entende. — cada frase, cada palavra que saia da boca desse m3rda, me fazia sucumbir num sentimento de raiva e, ao mesmo tempo, impotência, por não fazê-lo falar, mesmo tendo a certeza que ele sabe quem está por trás disso.
Eu estou mais bravo que o habitual, tem algo tirando a minha serenidade, se é que fui sereno em algum momento da vida, a minha cabeça tá a mil por hora, sei que tem algo acontecendo na cidade e está bem embaixo do meu nariz, e eu só penso naquela atirada da Zara, como se nada mais importasse para mim, a não ser aquela bebezinha safada do caramba.
E saber que ela estava no meio daquela p0rra toda, se envolvendo com o perigo só para atiçar a minha raiva, provocando a conseguir o que quer, me causa um enfurecimento tamanho. Entro em frenesi só de pensar que ela seria capaz de tudo para ter o que deseja, aquele cão de menina.
Eu tenho total certeza que ele pôs a garota lá dentro, e isso me abespinhava mais ainda. Por fim, respirei adotando o meu método de persuasão.
— Nathan, deixa eu te ajudar. Você sabe perfeitamente para onde isso tudo vai te levar, levar os seus amigos. Você tem uma vida excelente, uma mãe que te ama. Isso só traz infelicidade e preocupação para todo mundo, rapaz. Sabe qual será o fim disso?
— Sei e tenho plena consciência de tudo, xerife.
— Não tem, Nathan. — alterei a voz. — Você não tem plena consciência, vocês garotos tem m3rda na cabeça.
— Senhor. — o policial que está em pé na porta chama a minha atenção ao me ver tempestuar em raiva.
— Você quer f0der comigo e com os meus amigos, senhor Xerife.
— Esse é o meu trabalho, Nathan, eu não tenho nada contra vocês, apenas contra o que consomem e praticam. Eu vou te dizer uma coisa, vou acabar com isso na minha cidade, ou não me chamo Javier Salazar.
— Sua cidade. — resmungou sorrindo para si.
— Tudo bem, eu sei que você não dirá nada para mim. Vai ficar preso até decidir abrir o bico e contar o que sabe.
— O quê? — levantou de uma vez.
— Senhor Anderson, sente-se. — o oficial obrigou a sentá-lo.
— Vou deixar claro uma coisa para você. Está metendo a Zara nessas p0rras e eu não vou aceitar. Se quer se ferrar, ferre sozinho, mas não meta a sua irmã nisso.
— Ela passou anos estudando, trancada num colégio, agora quer se divertir, conhecer pessoas, vai pagar de pai? Por que não cuida da sua vida, Salazar? — comecei a fechar as minhas mãos com força. — Aliás, está com a minha mãe, por quê? Acho que eu não conheço gente como você? Ganha quanto por ano, xerife, uns 7 mil dólares por ano? — já poderia sentir o sangue juntar nos meus dedos com a força do meu aperto. — Está com a minha mãe por que gosta dela ou pelo dinheiro que nós temos, pobretão?
Dessa vez o filho de uma p*ta foi longe demais. Levantei e podia sentir o suor escorrer no meu rosto, estiquei o braço levado por uma raiva desmedida, acertei o rosto do garoto e pude vê-lo gritar, agonizando e com as mãos algemadas a segurar o nariz. Três policiais entraram na sala me segurando. Agora eu fui longe demais, caí em mim rapidamente vendo a besteira que fiz.
Saí daquela sala como um furacão prestes a destruir tudo que passa pela frente:
— Chamem um médico e liberem esse p0rra.
— Senhor, antecedentes criminais?
— Não, por enquanto não inclua o nome dele em nada, nenhuma investigação.
— Sim, senhor.
Infelizmente, não dava para prendê-lo, e resolvi liberá-lo sem haver antecedentes criminais e passagem pela polícia. Ainda não temos nada que comprove de fato, que esse garoto está envolvido nisso.
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— Senhor Xerife, você precisa relaxar um pouco. — sentia aquelas mãos pequenas massagearem os meus ombros.
— Zara, sua pestinha, o que está fazendo? — perguntava com os olhos fechados, a sua voz falava baixo ao pé do meu ouvido, o seu cheiro de morango entrando nos meus sentidos.
— O que acha que estou fazendo, xerife? Quero que se sinta bem.
Um estrondo na porta faz com que eu abrisse os olhos, assustado, a Zara já não estava mais ali, e sim, o m3rda do Nathan segurando um trambolho na minha direção.
— Vai pagar pelo que fez comigo, xerife. — destravou a arma e atirou.
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Despertei com o meu telefone na sala tocando sem parar, vi que dormi com a minha farda, duas garrafas de cerveja vazias sob a mesa de centro da sala, ainda usava meu sapato de couro, a TV ligada, e pelas horas que verifiquei no relógio de parede, dormi por apenas duas horas, já era manhã de domingo. Levantei e uma dor de cabeça f*dida me atingiu.
— Pronto. — atendi com os olhos fechados e fazendo uma careta para tentar amenizar a dor.
— Javier. — era o Jonh. — Fudeu tudo, o Prefeito está esperando o senhor na prefeitura da cidade, assunto urgente.
O Prefeito trabalhando num domingo, realmente a coisa tá feia para o meu lado.
— Era só o que me faltava. — suspirei pesadamente.
— Fala que não bebeu.
— Vou tomar um banho e irei direto pra lá, Jonh.
— Quer que eu vá junto?
— Deixa comigo que eu dou conta. Tem quantos de plantão na delegacia?
— Eu e mais três.
— Certo, está de bom tamanho. E o garoto?
— Já liberamos.
Em tempo recorde, tomei um banho e deixei o meu uniforme de polícia de lado. Peguei o meu carro e dirigi até a prefeitura da cidade. Chegando lá, me guiaram até o gabinete do Prefeito. O velho estava sentado atrás de uma mesa com uma carranca na cara que já era de se esperar. Ele apontou para a cadeira e quando me acomodei, calado jogou o jornal da cidade na minha frente.
"Mansão do Prefeito, Russell, foi interditada nessa madrugada por uma ação da polícia".
Era esse o informativo em destaque no jornal.
— Senhor Salazar, pode me explicar isso? Essa merda, xerife, vai destruir a minha reeleição em cinco meses.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Vitorya T.
mas ele respondeu certo🤨
2024-08-13
3
Selma Ribeiro Moura
Se bobear este prefeito está envolvido junto com a vádia! 🤨
2024-07-18
3
Denise
O netinho do prefeito faz a merda envolvendo drogas e o Xerife Javier vai pagar a conta, é?
2024-07-07
1