...ZARA ANDERSON ...
Eu fiquei parada no lugar, olhando o grandalhão sair completamente irritado vestindo um suspensório preto e o seu chapéu. Cafona, mas extremamente delicioso e com uma vibe de cabra-macho. Ele entrou no seu carro batendo a porta e acelerou, cantando pneus sumiu da universidade. Quase dois metros de pura selvageria e bravio. Apesar disso, parece ser muito certinho com as coisas, não esperava menos de um policial, mas ouvi-lo chamar o Nathan de "viciadinho de m&rda" assustou-me um pouco. Ele namora a minha mãe e detesta o Nathan por encontrá-lo com dr0gas e julgar que é um viciado. Parece que coisas acontecem nessa família, ele passa pano para o meu irmão devido à Donna e aparenta estar perdendo a cabeça.
No internato estudávamos muitas matérias, ia de culinária a ciência da computação, defesa cibernética. Eu me interessei por isso bem nova e posso dizer com toda certeza que é muito fácil invadir um celular alheio, só basta tê-lo em mãos e conectar num computador com Internet. Existem outras formas também, mas para isso exige um estudo mais avançado.
— Como você fez aquilo? — duas meninas agarraram meu ombro como se fossemos melhores amigas, percebi que ainda encarava o horizonte onde ele saíra acelerando.
— Fiz o quê?
— Ele sorriu, um sorriso irônico, mas ainda é um sorriso. Nunca vimos o Xerife Salazar tão sem rumo.
Interessei-me pelo assunto, elas se apresentaram como Adele e Pietra. Perguntaram porque nunca me viram na cidade e ficaram pasmas quando eu disse que era irmã do Nathan, parece que eles fizeram questão de me excluírem de suas vidas, até mesmo o meu irmão. Nathan é o popular por ser filho do dono. A universidade era do meu pai e tem o nosso sobrenome, Anderson's, minha mãe é atualmente a diretora, e o próprio namorado estava dando esporro nos alunos.
Enturmei com alguns estudantes no propósito de puxar assunto referente ao xerife. Eu cheguei ontem e não estou sabendo de nada que acontece aqui, Javier Salazar segurava um comprimido branco, acho que era anfetamina ou algo do tipo, pois Salazar estava muito bravo com aqueles meninos.
— Esse xerife tá chato, novata. Tá pegando muito no pé.
— O que tá acontecendo aqui para ele estar tão bravo com aquele grupo? — dei uma de João-sem-braço.
— Parece que alguns alunos estão fumando aqui dentro, mas quer saber, acho que são os da cidade vizinha.
— Aí, gente. Zara é filha da Donna, irmã do Nathan. — Pietra puxou outro assunto me deixando um pouquinho brava, eu queria continuar a conversa que estávamos.
O pessoal já começou a perguntar da minha vida querendo saber porque nunca me viu antes, a minha família é conhecida em San Vitorio, os mais velhos, todos conheciam o meu pai, Samuel Anderson.
No fim do dia, estava apreensiva por trocar nem que seja algumas palavras com a Donna, ontem depois que Javier foi embora, ela se trancou no quarto e disse não estar bem. Isso é ridículo, após 6 anos sem ver a filha, qualquer mãe ia querer abraçar e fazer perguntas de como passou durante todo aquele tempo sozinha em outro estado, Donna simplesmente não quis saber de mim. Eu já esperava por aquilo, pois quando disse que voltaria, ela enviou dinheiro para eu alugar um apê na Flórida.
Eu não deixei me abater por isso, acho que já sofri tudo que tinha para sofrer, e mesmo sabendo, lá, no fundo, ainda tenho esperanças que ela nutra um pouquinho de amor por mim, que tenha sentido a minha falta. Eu estou disposta a tudo, a perdoá-la ou não, só depende da Donna.
Eu queria começar bem e agradá-la. Cheguei, tomei o meu banho e por volta das 19h resolvi cozinhar, nessa casa só tinha comida enlatada, Donna e Nathan parece nem morar aqui. Quando ela entrou pela porta, respirei fundo e abordei, como se quisesse fazer as pazes com uma inimiga de escola, era essa a minha sensação.
— Precisamos conversar, Donna.
— Estou cansada, Zara. — jogou a bolsa no sofá.
— Nossa... — resmunguei com total desânimo, ela olhou-me fundo nos olhos.
— Por que voltou? — Donna perguntou, a primeira pergunta que me fez, minha garganta aperta e um desânimo me assola.
— Porque eu tenho uma mãe e um irmão, tenho avós, eu tenho uma família.
Donna colocou as mãos na cintura, segurando os dois lados do quadril, minha mãe ainda é jovem e bonita, os anos fizeram bem para ela, ou talvez o dinheiro que o meu pai deixou.
— Você não sentiu minha falta? Ligou no meu aniversário quando fiz 13 anos, depois, nunca mais. — continuei a falar enquanto ela me olhava. Não queria discutir, não agora, mas as circunstâncias fizeram com que eu desabafasse, eu preciso falar cara a cara tudo que guardei dentro de mim. — Não se importou, me trancou naquele internato e nunca quis saber de mim.
— Você teve os melhores estudos, aquele lugar é considerado um dos melhores colégios do mundo.
— Obrigada? Acho que devo te agradecer por isso, enfim, lá eu descobri o que mais amo fazer. — usei da ironia.
— Você está sendo ingrata, Zara. Eu pensei no seu bem, no futuro que você poderia ter, mas não, resolveu voltar para esse fim de mundo. — abriu os braços, gesticulando.
— Sabe o que mais me doeu? Foi ver as minhas amigas e colegas de quarto sair nos finais de semana para casa de suas famílias. Eu, Donna, ficava sozinha naquele quarto. Passei natais e réveillons sozinha, ano ou outro ia na casa das amigas que fiz por lá. E sabe o que eu respondia quando os pais delas perguntavam de você? — ela continua me olhar, sem demonstrar nenhum sentimento nos olhos. — Eu dizia que vocês tinham morrido, porque não tinha coragem de dizer que você, "mamãe", me abandonou.
— Resolveu voltar para recuperar o tempo perdido ou para jogar na minha cara o seu "sofrimento"? — fiquei calada, pois acabei de ver que nada mudou, ela é a mesma, talvez pior. — Você ainda pode voltar, Zara, depositei bastante dinheiro para você.
— Dinheiro do meu pai, que é meu e do Nathan por direito, enviava misérias para mim, sua usurpadora.
— Cala sua boca, Zara. — aproximou, segurou o meu braco com força e sacudiu. — Sou sua mãe e exijo respeito.
— Mãe? — abri um sorriso irônico, dessa vez as lágrimas desceram. Eu não queria demonstrar fraqueza, ainda mais na frente dela. Pensei que estava pronta para tudo, mas vejo que estava errada. — Mãe é quem dá amor, e você só me dava carinho na frente do papai, nunca me deu colo. Eu tinha 4 anos, mas lembro de tudo. — Donna soltou-me de uma vez.
— Olha só, Zara. Acho melhor você ficar na casa dos seus avós.
— O quê? — passei a mão no rosto secando as lágrimas. — Eu não vou sair daqui, essa casa também é minha. — ela me ignorou, pegou a sua bolsa no sofá e começou a sair dali. — Por que me odeia? Só me diz isso, apenas isso, mãe.
— Eu vou tomar o meu banho, Javier está vindo. — parou e olhou para trás. — Aliás, o que aconteceu aqui ontem?
— Não aconteceu nada, Donna. Eu nem cheguei a vê-lo. — menti por pura raiva, eu estava a ponto de explodir de tristeza.
— Quando entrei por aquela porta, ele saiu depressa inventando desculpas, parecia assustado.
— Por que não pergunta para ele? — quando respondi, Donna aproximou de mim com o rosto bem próximo ao meu, parecíamos duas estranhas, inimigas.
— Eu não quero você perto do Javier Salazar, ouviu?
Soltei um grunhido em desdenho:
— E se o xerife souber o que você fazia comigo, se ele souber que você...
— Não ousaria, Zara Anderson. Nunca mais fale sobre isso.
— Fica tranquila, mamãe. Eu não vou dizer nada, ele vai enxergar sozinho a pessoa que você é.
— Por que está falando assim? — afastou de mim e abaixou as orelhas. — Você disse que não tinha visto ele, e agora parece que o conhece.
— Vi ele nas suas redes sociais. — o que não era totalmente mentira.
— Pois você ouviu, não se aproxime dele, ou...
— Já não sou mais criança para a senhora me bater e colocar de castigo, Donna. Além do mais, ele é o seu namorado, isso vai ser inevitável.
— O que tá acontecendo aqui? — Nathan chegou.
— Nada, meu filho. — ela foi até ele e deu um beijo na sua testa. Nathan andou até mim e abraçou-me.
— Estou feliz que tenha voltado. Me desculpa por não falar com você na Universidade, meus amigos são meio vida loca, entende?
A minha convivência com o Nathan sempre foi boa. Ele é três anos mais velho que eu, brincávamos bastante na infância e sofremos juntos pela morte do papai, mas assim como Donna, ele também não me ligou enquanto estive no internato, nenhuma vez. E ao contrário de mim, Donna adora o filho.
Nathan olha para os meus olhos e desliza o dedo no meu rosto, na certa percebeu que eu estava chorando, mas decidiu ignorar.
— Tudo bem, fiz amizades hoje.
— Eu vi, Zara já está fazendo amigos, mãe. — ela forçou um sorriso para nós.
Nathan era muito novo para perceber o tratamento diferenciado que Donna me dava, ele nunca presenciou nada, nem às vezes que ela me batia. Então deduzo que ele não saiba de nada, mas que desconfia, e agora comigo aqui, isso ficará mais visível.
Meu irmão fungou cheirando o ar:
— Fez comida, mãe? Que milagre, tô cansadão desses sanduíches.
Nesse momento a campainha toca.
— É o Javier, ele chegou. — Donna soltou a bolsa e saltitante foi correndo até a porta. Antes de abrir, se virou para mim e encarou. Ela realmente não me quer perto dele, eu nunca vou entender, por que a minha mãe me odeia tanto?
Contudo, ela parece gostar bastante do namorado. Isso é ótimo!
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Ritielen Fernandes
acho que ela matou o marido, acho que só estava com ele por dinheiro, tbm acho que ela tem essa raiva da Zara pq ela deve ser filha verdadeira do falecido e o menino deve ser filho de outro que ela amava kkkk só acho, comecei a ler hj , bora ver como vai ficar as coisas com o decorrer do livro, kkk já estou amando 💞
2025-02-17
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Ritielen Fernandes
acho que ela matou o marido, acho que só estava com ele por dinheiro, tbm acho que ela tem essa raiva da Zara pq ela deve ser filha verdadeira do falecido e o menino deve ser filho de outro que ela amava kkkk só acho, comecei a ler hj , bora ver como vai ficar as coisas com o decorrer do livro, kkk já estou amando 💞
2025-02-17
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Mariane
eu acho que ela não é a mãe verdadeira da Zara, talvez a Zara fosse filha de outra mulher com o Samuel! e ela só está como mãe da Zara por causa do dinheiro.
2025-02-17
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