...JAVIER SALAZAR ...
Toquei a campainha da casa e escorei a mão na parede esperando alguém atender aquela porta. Estava apreensivo e execrando a mim mesmo, pois não esquecia o corpo daquela atrevida, e piorava tudo a forma como ela falava comigo. Isso tem que parar por aqui, preciso cortá-la já no começo antes que Zara sinta-se confiante demais e comece com achismos sem cabimento. Esperava vê-la torcendo os punhos para que a garota agisse naturalmente, pelo menos na frente da mãe.
Quando a porta se abriu, deixei de encarar o chão e levantei a cabeça, Donna sorria para mim, atrás estava Nathan, fechei a cara assim que bati os olhos nele, o garoto estava com um braço por cima do ombro da irmã, o que me assustou foi ver os olhos dela avermelhados, Zara parecia estar chorando, ou talvez emocionada. Creio que acabei de interromper um momento de família.
— Interrompo algo? — perguntei-lhe entrando.
— Imagina, chegou na hora certa.
Ela disse, mesmo assim pude perceber a intensidade do clima rolando ali, ficamos por um instante olhando um para o outro em completo silêncio.
— Filha, acredito que vocês ainda não se viram. Esse é o Xerife Salazar.
Pelas palavras, suponho que Zara tenha mentido para a mãe, dizendo que ainda não tínhamos nos visto. Zara se desvencilhou do irmão e aproximou, estendendo uma mão para mim. Pensei novamente em não segurar, mas ia dar muita bandeira.
— Satisfação conhecê-la, senhorita. — fechei os meus dedos abraçando sua pequena mão de modo firme, ela não recuou devolvendo o aperto.
— O prazer é tudo meu, Xerife Salazar. — mesmo tom de voz da Universidade, ela está fazendo na frente da mãe, não vai dar bom, não tem como dar bom.
— Zara.
Caímos em si, quando Donna chamou pela filha. Acho que ficamos tempo demais olhando um para outro. Donna manda a filha subir para o quarto, o que me assustou um pouco, confesso. Olhei para Donna, depois para Zara. Ela subiu com o rabo entre as pernas sem dizer mais palavras, o seu rosto mudou completamente, não era mais ousada, parecia que algo tirou o brilho daquela menina.
— Você fez o jantar, Donna? — perguntei curioso, pois foram pouquíssimas às vezes que Donna cozinhou.
— Ah, não. Foi a Zara. Mas estava pensando em juntarmos fora.
— A sua filha fez o jantar e você quer comer fora? O cheiro está excelente, Donna. — olhei para o Nathan e encarei, o garoto estava parado nos olhando.
— Tô vazando. — ele disse, imediatamente.
— Você não está com fome, Nathan?
— Eu perdi, mãe. — o moleque saiu para rua nos deixando sozinhos ali.
— O que acontece com vocês dois? Ainda é sobre aquela...? — não terminou a frase.
— É, sim, Donna. Ainda sobre aquelas dr0gas. — tentei amenizar, ela não sabe que encontrei mais dessas m3rdas com ele e os amigos.
— Meninos, Javier, coisas de adolescentes.
— Espera aí, Donna, seu filho tem 21 anos. — Donna sempre passando a mão na cabeça dele. Eu quero só mais um deslize para f0der com aquele garoto e dane-se ser o filho dela.
Ótimo! Estávamos sozinhos, queria entender porque Donna nunca me falou que tinha uma filha, e como namoramos há quase 2 anos, acho que mereço uma explicação.
— Você quer um vinho? Deguste enquanto eu me banho, exceto caso você queira ir comigo. — sorriu sugestivamente.
— Eu não bebo vinhos, Donna, você sabe disso. Na verdade... — sentei no sofá e chamei para que ela sentasse ao meu lado. — Por que eu nunca soube que você tinha uma filha? — Donna assustou, acredito que não esperava que eu perguntasse dessa forma. Porém, se ela assustou, está escondendo algo.
— Bem... é uma situação complicada.
— Eu quero saber. Um filho não é algo que se oculta dessa forma. — ela parecia não saber o que dizer diante da minha fala.
— Não tínhamos uma convivência muito boa.
Franzi o cenho sem querer, isso não é motivo para internar a garota num colégio.
— Como assim, Donna, me explica.
— Promete que não vai me repreender? — segurou a minha mão.
— Prometo.
— Ela era uma menina muito difícil, era doce, mas quando o pai se foi... — percebi Donna querendo se emocionar.
— Se for difícil para você, podemos falar sobre isso outra hora.
— Não, está tudo bem. Só prometa que esquecerá esse assunto, e não fale sobre isso com ninguém, nem mesmo com a Zara?
— É claro, você pode confiar em mim, sabe disso.
Comecei a ficar preocupado, ela estava prestes a chorar, que diabos aconteceu com essas duas?
— Zara viu o Samuel morrer. E eu acho que... não, eu tenho total culpa disso. Deixei a minha filha sozinha num parque e fui atrás do Samuel, ele estava doente, coração fraco, o meu receio é que tivesse acontecido algo com ele. Eu fui imprudente e me arrependo por isso.
— Não estou entendendo, Donna.
— A minha filha correu para atravessar uma rua movimentada, Samuel vendo que ela seria atropelada, não aguentou. Ele se foi ali, Javier, e ela viu. A coitada tinha só 4 anos e nunca se perdoou por isso.
— Você não ficou ao lado dela, preferiu levá-la para outro estado? — Donna olhou-me com muita atenção. — Me perdoa, não queria que as minhas palavras tivessem soado dessa forma, tão grosseiro.
— Acontece que a Zara se transformou, Javier. Ela não era mais doce. Samuel era muito apegado a menina. Zara foi ficando mocinha e a nossa convivência péssima, só piorando. Então fiz o que achava melhor, coloquei ela num dos melhores colégios. Hoje Zara é uma menina linda e inteligente. Eu... eu tive que fazer isso. Eu errei, Javier? Errei como mãe?
— Calma, Donna, calma. — abracei tentando confortá-la, nunca vi essa mulher chorar.
— Por isso não falava com ninguém, é dolorido para mim, um sentimento de abandono, mas não tinha o que fazer.
— Eu te entendo. — deslizava as mãos no cabelo dela.
— Tudo bem, agora ela voltou. Mesmo que eu ame a minha filha, penso que essa cidade não é para ela, Flórida dará um futuro brilhante a Zara.
— Veio para ficar? — separei o nosso abraço. — Tenta recuperar esse tempo perdido, Donna. Se ela voltou, significa algo. A sua Universidade é excelente no ensino, ela também terá um futuro aqui.
Estou eu aqui, dando um de consolador e conselheiro. Família problemática do c*ralho! Donna secou as lágrimas e levantou, subiu para tomar um banho rápido, eu fiquei segurando a minha cabeça sentado no sofá da sala e pensando em tudo que ela havia me dito, que passava por dificuldades com a filha. Zara parece ser bem cabeça dura mesmo, mas decidida. Tem um temperamento difícil de deter, já pude perceber em pouquíssimo tempo isso.
— Xerife. — ouvi a sua voz na minha orelha, enviando um certo desespero para os meus sentidos, levantei disparado do sofá, abalado só pela voz dessa menina. Estava tão ligado nos meus pensamentos que não ouvi ela se aproximar.
A filha da mãe havia trocado de roupa e usava uma blusa fina, sem sutiã e de saia jeans. "A p0rra está sem sutiã!!" Queria gritar em voz alta, mas deixei o grito preso na garganta. C*cete, vou agir naturalmente com ela.
— Toma. — tirou a mão das costas e deu-me uma garrafa de 1 litro de cerveja.
— Como você... — ia perguntar onde ela arrumou uma cerva, mas sua voz macia e ousada interrompeu-me.
— O senhor não disse que uma cerveja bem gelada te ajudaria a relaxar? — a devassa abriu a tampa da minha garrafa com o abridor, depois abriu a dela e virou na boca.
Eu fiquei estagnado olhando essa menina. Ela saiu com os olhos vermelhos de choro e voltou com a p0rra toda. Como se tivesse sofrido uma transformação diabólica naquele quarto.
— Não vai beber? — perguntou, virei na boca e inevitavelmente os meus olhos desceram para os seus seiios avantajados, mamilos durinhos e pontudos. Já sentindo uma fisgada no p@u, virei de costas e sentei no sofá.
Como se não fosse o bastante para ela, Zara rodeou o sofá e sentou ao meu lado.
— Tá um pouco quente. — reclamei, botando a culpa na cerveja, na verdade, eu que estava fervendo por dentro.
— Você é bem do grosso, não agradeceu e ainda reclama.
Zara é muito pequena ao meu lado, um corpo frágil e delicado. Tenho medo de segurá-la e se desmanchar ao meio, mesmo assim quer dar uma de marrenta.
— Sua mãe não gosta de cerveja.
— Eu comprei só para nós dois, xerife. — não consegui e virei o rosto para encará-la. Desci os olhos e vi sua perna nua numa saia curtíssima quase roçando a minha.
Eu lembrei do que disse a mim mesmo, quando ainda estava na porta dessa casa, devo cortar esse mal chamado Zara pela raiz antes que cresça e eu tenha que ficar podando, e essa m3rda de podar dá um trabalho do caramba. A minha idade e posição na cidade não permite tanto descabimento.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
😘"GabyyJardyylla"❤
seu xerife, ela é a diaba do pecado! 🤭🤭👀
2024-11-20
2
Fernanda Braga
Ela também é terrível. kkkkkkkkk
vamos ver até quando ele vai aguentar as investidas dela. kk
2024-11-04
2
Pati 🎀
que cínica, mas ele vai descobrir a verdade Donna
2024-10-24
2