...ZARA ANDERSON...
— Mamãe, posso ir no parquinho?
— Claro, minha filha.
— Eu vou com você, Zara.
— Não, eu quero te levar no museu, Samuel.
— Ela só tem 4 anos, Donna. Que mãe deixa uma criança brincar sozinha num parque de diversões?
— Ela é esperta, não é Zarinha? — minha mãe abaixou, fixou seus olhos nos meus e perguntou.
Eu tinha 4 anos, e mesmo com aquela idade sentia algo diferente nela. Ainda não sabia identificar o que realmente era, mas vivenciava no meu pai, algo que nunca tive com a Donna, o afeto, pena que foi por pouco tempo.
— Donna, vá nesse bendito museu sozinha, eu vou levar a Zara no parque. É raro eles virem para cidade.
Senti os olhos da minha mãe em mim, ela me olhava com muita raiva.
— Tudo bem, papai. — eu concordei em ir ao museu, toda vez que os dois brigavam e o papai ia trabalhar, ela descontava em mim. Eu não queria sentir a sua fúria, por isso, apenas aceitei.
— Não, Zara não para quieta, pode quebrar alguma coisa, lá não é lugar para criança, Samuel.
Fiquei intrigada quando ela aceitou em ir no parquinho conosco, até brincou comigo por um longo tempo. Eu lembro que estava feliz, mamãe beijava o meu rosto e alisava os meus cabelos. Eu ainda lembro do cheiro do seu perfume doce, eu guardei aquele momento na memória, foi o pior dia da minha vida, só que ainda não sabia. Donna era carinhosa com o meu irmão mais velho, o Nathan, esses momentos comigo eram raros. Vi o meu pai tontear e Donna segurá-lo para não cair.
— Não estou muito bem ultimamente, Donna. Deve ser o calor, vou comprar um sorvete para nós, você quer Zara? — balancei a cabeça feliz e abri um imenso sorriso. — Fique com a sua mãe, eu não demoro, tá?
Vi o meu pai se afastar, atravessou a rua atrás de um carrinho de sorvete, e por fim, sumiu no meio da multidão. Acontece que ele está demorando muito, passaram-se alguns minutos e nada do papai voltar.
— Mamãe, cadê o papai?
— Não sei, Zara. Fique aí, vou procurá-lo.
— Não, mamãe. — ela saiu sem olhar para trás e também atravessou a rua correndo, talvez estivesse preocupada com ele, pela demora.
Um grupo de crianças maiores quase passaram por cima de mim no escorregador, eu fiquei em pânico, olhava por todos os lados e só ouvia gritos de crianças, não encontrava o meu pai ou minha mãe. Chamei por eles e vi as meninas rirem apontando o dedo para mim. Engoli as lágrimas, pois estava envergonhada por estarem todos me olhando. Olhei para direção que a mamãe correu, visualizei os lados e não vi carro algum, pisei na rua para atravessar e nesse momento escutei a voz do meu pai.
— Zara!! — ele estava na minha frente do outro lado da rua segurando o próprio peiito e fazendo uma careta, papai tentou correr na minha direção e suas pernas fraquejaram, nunca vi o meu pai daquele jeito, parecia muito fraco, ele sempre foi um homem forte apesar de estar reclamando de dores nos últimos dias.
Eu ouvi gritos das outras pessoas, olhei para o lado e uma moto buzinava na minha direção.
— Zara! — mais uma vez o meu pai gritou, tentou correr na minha direção, mas a mamãe segurou ele pela camisa.
Um homem puxou o meu vestido para trás me salvando da morte certa, com os olhos cheios de lágrimas, vi o meu pai me olhar, seu rosto parecia aliviado, mas ele caiu no chão. Foi a última vez que a vi. Ele morreu por minha causa? Samuel partiu de infarto, e acho que a Donna nunca me perdoou por isso. O que era ruim, piorou. Depois desse dia eu vivi um inferno, a melhor coisa que ela fez por mim nesses 18 anos, foi me levar para um colégio interno na Flórida.
Quando cheguei no Texas, senti o meu estômago revirar, lembrei de tudo, todos os momentos. No táxi tentava esquecer tudo que vivi até os meus 12 anos, foi quando ele decidiu me abandonar naquele lugar. Seis anos que nunca mais falei com a Donna, e esses foram os melhores anos da minha após o Samuel ter morrido.
Seis anos alimentando um sentimento de rejeição e 14 anos tendo pesadelos, com a minha própria mãe. Hoje eu tenho 18 e preciso ser forte, não sou mais aquela criança, ela não pode mais me tocar. E mesmo após tudo isso eu sinto a falta dela, talvez nem seja dela, falta de uma mãe de um pai. Eu espero que depois de todo esse tempo, Donna tenha mudado. Anseio muito por isso.
Donna disse que deixou as chaves em algum lugar aqui fora, tinha uns jarros de plantas falsas, levantei e encontrei as chaves, ela estava no trabalho como havia dito, deixei a minha mala no meu antigo quarto, fiquei um tempo na cama navegando na Internet, no internato tinha horário certo até para usar as redes sociais. Lá era tudo controlado, hora para dormir e acordar, o ensino é excelente, sobre isso não tenho o que reclamar.
Tirei as minhas roupas e entrei para o banheiro, ansiava por uma ducha bem quente, finalmente sozinha, privacidade, compartilhávamos até mesmo o banheiro para tomar banho com as meninas. Liguei o som no meu celular e banhando comecei a cantarolar. Quando ouvi uma voz masculina bem grave dentro do banheiro, eu logo lembrei: é o Xerife, namorado da minha mãe.
Duvido muito que a voz do Nathan, meu irmão, seja tão grave e grossa como essa. Pesquisei sobre a vida da Donna por uma semana antes de voltar para o Texas e descobri que ela namora há quase 2 anos com esse tal Xerife. Sua maior fonte de renda é a universidade que ela passou a ser dona após o papai morrer, sua vida estava ótima, não era justo eu viver trancada e ela usufruir de tudo sozinha. Foi por isso que decidi voltar.
Um lapso fez com que eu abrisse a porta do box, meus olhos deram de cara com um urso, ou melhor, um homem muito grande e com barbas. Ele já estava sem a camisa, os braços gigantes, o peito largo e inchado com alguns pelos, os olhos azuis ciano, não dava para identificar ao certo, azul ou verde, usava um chapéu preto, muito brega por sinal. Parecia um homem das cavernas, só que o mais lindo que meus olhos poderiam contemplar. A minha pele ardia em chamas sob aquele céu na sua íris.
Ele tragava o meu corpo nu enquanto eu devorava aquele peito gigantesco e peludo sem camisa. Vi nos olhos dele a surpresa por ver-me ali, nua e desinibida. Ele deve estar pensando que sou maluca, mas era tão acostumada ficar assim na frente das meninas, e ver aquele homem me olhar com uma expressão de susto, mas com apetite, fez-me sentir algo novo, algo muito exciitante. Os segundos passaram e ambos não sabiam o que dizer, ele estava tão chocado quanto eu.
Esse urso selvagem perguntou quem eu era, e nem para cobrir os olhos, vendo-me daquela forma, gravava na cabeça cada curva do meu corpo molhado. Foi ele quem entrou, então deveria sair pedindo mil desculpas, mas não. Comecei a gritar pela Donna, mesmo sabendo que ela ainda não tinha chegado. Quando o coitado saiu assustado com a minha gritaria, enxaguei-me rapidamente e peguei meu óculos de grau, ainda molhada enrolei uma toalha no corpo e desci atrás dele.
— Você é um petulante! — aproximei repreendendo-o, ele estava na cozinha suado, a sua camisa molhada na região daquele peitoral grande, eu ficava minúscula perto dele. O homem mesmo sem dizer uma palavra, sob o seu olhar me sentia coagida, deve ter no mínimo 1,95 de altura. Como um xerife da cidade, ele passa bastante medo, exala um ar de autoridade inexplicável, emana respeito, coragem e bravura.
— Olha, mocinha, eu não sabia que a Donna tinha uma filha.
— Você poderia ter chamado antes de entrar.
Esse selvagem tirou o chapéu com uma mão, com a outra deslizou seus cabelos castanhos para trás e disse meia dúzia de palavrões:
— Eu chamei, você não escutou. Agora vá vestir uma roupa.
Cruzei os meus braços enfrentando-o, ele me olhava com uma cara de incredulidade. Inexplicável, mas me sentia exciitada.
— Vamos começar de novo? — estendi uma mão para cumprimentá-lo. — Meu nome é Zara Anderson, filha da Donna Anderson e irmã do Nathan.
Ele olhou para minha mão, olhou para os meus olhos e acenou com a cabeça.
— Xerife, Javier Salazar.
Eu puxei a mão de volta, minha cara queimando pelo vácuo que me dera. Javier pegou as suas chaves e começou a sair da cozinha.
— Aonde vai? — virei para encarar suas costas largas.
— Embora.
— Espera! — pedi. — Não precisa ir embora, a Donna deve estar prestes a chegar. — ele virou para mim e encarou-me.
— É por isso que eu vou embora, o que ela vai pensar quando... quando te ver assim?
— Não estou nua. No internato era acostumada a tomar banho com outras meninas.
— Olha para mim, eu sou uma menina? — fiz cara de confusa irritando-o mais ainda.
— Parece um animal.
— Um animal? — aproximou intimidando-me. — O que você tem de incivilidade falta no tamanho, baixinha. Precisa ter mais cuidado e se fosse outro homem naquele banheiro?
— Eu estou na minha casa, a qual tranquei a porta quando entrei, estava no meu banheiro, o senhor xerife entrou e ficou me olhando. Acho que você deve desculpas a mim. — ele sorriu desdenhando, que sorriso lindo.
— Desculpas... — resmungou de forma irônica.
Javier parece ser um homem muito difícil de lidar, arredio e pouco sociável. Se ele nasceu nessa cidade e nunca saiu daqui, provavelmente é um caipira bruto e grosso, e isso não é só um achismo, qualquer homem de boa índole, em sã consciência, pediria perdão por entrar naquele banheiro, mas ele não, além de não pedir desculpas ainda desdenhou. Javier estava totalmente decidido a sair da casa, que, mais uma vez, deu as costas para mim e começou a andar. Não ia mais insistir para que ele ficasse, deixaria ir, porém, um barulho na porta fez com que parasse.
É ela, a minha mãe. Já senti um calafrio, não por estar molhada, mas por vê-la novamente após tantos anos. O Xerife olhou para trás me visualizando paralisada e aproximou sussurrando:
— Eu não quero ser mal-educado, mas seria legal você vestir a p0rra de uma roupa.
Tá certo, ele tem razão. Ainda mais porque não sei qual os sentimentos dela pela filha rejeitada. Não seria bom após tantos anos a minha "mamãe" ver-me de toalha na frente do namorado xerife grosseirão.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Maria Pinheiro
Tô achando que essa namorada dele é quem ele procura pela distribuição das drigas na cidade , e também acho que a morte do pai dela não foi natural ainda mais que ele era o dono da Universidade e Dona ficou com tudo quando ele morreu . Mas cadê o filho mais velho o irmão dela? o Xerife nem sabia que ela tinha uma filha será que sabe do filho ?
2025-01-13
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Pati 🎀
sei não, mas tô achando que o pai dela foi é assassinado 🤯🤔
2024-10-24
2
Tânia Silva
tô amando a história!
2024-08-21
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