...ZARA ANDERSON ...
— Zara, o professor está falando com você. — Pietra me cutucou, olhei para frente e vi vários olhos me encarar, inclusive o professor de braços cruzados.
— Eu acabei de explicar, mas posso apostar que a Zara não sabe me responder, já que estava dormindo acordada. — alguns alunos riram. — Isso vai cair no teste, senhorita Zara. Você disse que adorava essa matéria, mas pelo visto.
— Se o senhor puder me perguntar, talvez eu possa responder. — ouvi burburinho.
— Muito bem, todos sabem que ransomware é um tipo de malware, mas o que torna ele tão especial, Zara?
— Geralmente, hackers usam ele como uma forma de extorsão, um sequestro de dados, feito por meio da criptografia, um software poderoso que bloqueia o seu computador e pedem resgate para desbloqueá-lo.
— Ela escutou professor. — um aluno no fundo, gritou.
— Parabéns, Zara. Eu expliquei, mas não com tanta precisão. É por isso, Rick, por ele ser tão poderosos, que os senhores vão aprender somente no último ano.
— Ah, não, professor.
— Soube que você chegou da Flórida, Zara, de um dos melhores colégios internos do mundo. — os olhares curiosos se mantém em mim.
Todos já me olhavam com curiosidade, pois descobriram que sou irmã do Nathan, agora geral sabe que fiquei internada numa escola por anos.
— Sim, a minha mãe decidiu me trancar numa escola noutro estado.
— Você deve se sentir grata, sei que a palavra "internato" podem assustar vocês jovens, mas o ensino é comparado ao superior.
— E aqui estou eu, cursando uma Universidade "novamente". — após a minha ironia, finalmente o professor voltou a sua atenção para a lousa branca no qual tanto escreve com o seu canetão. Alguns alunos ainda mantiveram seus olhos em mim, por sorte o sinal tocou, hora tão esperada do intervalo entre as aulas.
Mesmo após aquele arrogante me dizer aquelas palavras, ainda me sentia ansiosa para vê-lo, faz alguns dias que o Xerife Salazar não aparece por aqui, piorou na nossa casa. Evito perguntar dele para a minha mãe, na verdade, evito falar com ela. Ainda sou uma estranha dentro daquela casa, e Donna quer porque quer, me manter longe do namorado. Coitada, até parece. Ela também anda muito irritada, não sei se é por minha causa ou outra coisa, mas vou descobrir.
Tive ódio daquele homem, ele tá se achando a última bolacha do pacote. Aquele fútil ainda vai implorar por mim, "mimadinha", "dondoquinha", tudo no diminutivo para me embravecer, e conseguiu. Pelo visto a Donna já fez a minha caveira para o "namoradinho". Pior de tudo é que a minha raiva não me faz sentir menos exciitada, é como se fosse o combustível que eu precisava.
— Amanhã a noite tem festinha, você vai, né, Zara?
— Não estou sabendo de nada.
— Como não? Os amigos do seu irmão não te convidaram?
— Parece que o Nathan não quer que eu vá, afinal.
— Eu sempre quis ir naquelas festas, dizem que é de arromba, rola todo tipo de coisa lá dentro.
— Fala sério? — assustei.
— Super sério. Arruma um convite pra gente, Zara, quebra essa.
Nesses quatro dias que passaram, tive muito tempo para enturmar com alguns alunos na faculdade, inclusive Pietra e Adele, que se tornaram grandes amigas. Também reparei bastante no Nathan, pensava nas palavras do Javier para ele, "viciadinho". O grupo do meu irmão é os caras mais descolados, aquela classe de riquinhos barra pesada, e agora acabei de saber pela Adele que eles vão dar uma festinha amanhã, sábado à noite.
— Zara, eles nunca convidam os nerds, essa é a nossa chance.— continuaram a insistir.
— Tá, eu vou falar com o Nathan, mas não garanto nada, ele mal dorme em casa.
— Deve dormir na casa da Jessy.
— Jessy?
— A namorada dele.
— Nathan tem uma namorada?
— Você é irmã e não sabe? — Adele virou para a Pietra. — Duvido que ela vai conseguir um ingresso pra gente, Zara parece mais uma desconhecida.
— Já sei, vocês fizeram amizade comigo pelo meu irmão e as festinhas. — brinquei.
— Não, boba. Fizemos amizade com você porque é nerd.
Começamos a rir, elas parecem querer muito ir nessa festa.
— Cheguei há uma semana, meninas. E como eu disse, Nathan não para em casa, mas fiquem tranquilas, nós vamos nessa festa. — as duas abraçaram-me em felicidade.
Era isso que eu estava precisando para ver o xerife, a desculpa perfeita.
— Olha quem está ali. — Adele apontou o dedo para o pátio. Vi um homem fardado conversar com alguns rapazes. — É a segunda vez que o Jonh aparece sem o Salazar.
— Quem é Jonh? — perguntei curiosa.
— O Jonh é o braço direito do Javier Salazar, eles parecem bem amigos. Será que aconteceu alguma coisa com o gostosão do namorado da sua mãe? Ele nunca ficou tanto tempo sem vir para dar esporro nos amigos do Nathan.
Aconteceu, posso jurar que ele está me evitando. Acho que assustei aquele homem, ou talvez ele tenha se sentido tão atraído por mim, acho que abalei o grandalhão um pouco. Aquelas palavras de baixo calão só me deu a confirmação, eu mexo com aquele homem.
— Vou lá, falar com o Jonh. — levantei do banco.
— Vai fazer o quê?
— Perguntar sobre o Xerife.
— Você é louca! — Adele gritou.
— Só um pouquinho, já volto. — fui até o Jonh, ele conversava com alguns alunos, porém, não era da mesma forma que o Xerife, Jonh parecia ser mais flexível com eles, já o Salazar era bem bravo e grosso.
— Jonh. — chamei por ele, o oficial virou para me olhar no mesmo instante.
— Posso ajudar?
— Pode. Eu não entendo, o Salazar namora a minha mãe, que é dona e diretora dessa Universidade, por que vocês simplesmente não sentam com ela e arrumam um jeito de proibir a entrada de dr0gas aqui?
Ele olhou para os rapazes, depois olhou para mim:
— Vem aqui. — afastou um pouco dos garotos, eu o segui. — Você é quem?
— Zara.
— Zara Anderson, filha da Donna e irmã do Nathan?
— Eu mesma.
— Essa Universidade é o ponto mais atrativo da cidade de San Vitorio, não acha que podemos chamar a atenção dos jornais se colocar policiais revistando os filhos dos empresários?
— Vocês querem tampar o sol com uma peneira.
— O buraco é mais embaixo.
— Como assim?
— Isso não é assunto para você. — ele começou a andar.
— Espera, eu te dou uma informação, em troca você me conta que buraco é esse.
— Informação? Tem que ser muito boa.
— Amanhã a noite, os amigos do Nathan vão dar uma festa.
— Que m&rda! — resmungou.
Sorri por dentro, pois só pelo jeito que Jonh ficou, boa coisa não acontece nessas festas.
— Eu vou entrar lá.
— Anderson, não é uma boa ideia.
— Por quê? Eles são barra pesada, né? — Jonh ficou me olhando. — Você já deve saber que voltei a poucos dias da Flórida, pode me dizer, não vou contar para ninguém.
— Eu tenho certeza que seu irmão está metido em coisa errada.
— Eu vou descobrir o que acontece de fato naquelas festas.
— Você aparenta ser uma menina boa, não interaja com esses rapazes.
— Eu sei me cuidar, oficial.
— Pode me chamar de Detetive Jonh.
— Certo, o que ia me dizer? — ele sorriu.
— É muito esperta, Anderson. Mas a sua informação nao é tão boa assim.
— Quebra essa, Detetive Jonh.
— Olha para esses alunos. — juntamente com o Jonh, olhei ao redor. — Sabe quanto cada pai paga nas mensalidades?
— Não, mas deve ser muito.
— Exatamente, e uma porcentagem vai direto para o cofre da cidade.
— Para o prefeito? — o seu silêncio me confirmou.
— Você entende por que o buraco é fundo agora?
Caramba, essa informação é valiosíssima.
— Obrigada, Jonh. Fica tranquilo, não vou falar sobre isso com ninguém.
— Se o Xerife souber que abri a boca, sou um homem desempregado.
— Você é bem diferente dele. Por falar nisso, as meninas estavam reclamando que faz alguns dias que Javier não vem na Universidade.
— Muito trabalho.
— Sei, você pode me passar o número dele?
— O número do Xerife? — riu.
— Eu quero falar sobre a minha mãe.
Dessa vez não consegui convencer o Jonh, ele não quis me passar o número de telefone do Xerife. Ainda, sim, senti que Jonh é o cara quem vai me dar as informações que preciso. Ele parece ser um homem legal, diferente do bruto e arrogante, xerife.
Voltei para as meninas e fiquei pensando no que ele me disse. Nunca vi uma Universidade privada dar uma "ajuda de custo" para a cidade. Será que o Xerife sabe disso? Mas é claro que ele sabe, e namora a minha mãe mesmo tendo conhecimento dessas coisas. Talvez, Xerife Javier Salazar não seja tão certinho como eu pensava.
Já me sentia apreensiva e eufórica, a minha mente a mil pensando em como eu ia fazer para vê-lo de novo, e dessa vez para valer, eu não vou deixar ele me abalar com suas palavras chulas. Ele não vai ter para onde correr, e depois que eu mostrar uma coisinha para ele, já posso vê-lo pirar a cabeça.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Elaine Steinkopf
eita 🔥🔥
2025-03-31
0
Fernanda Braga
vai amostrar uma coisinha.. Se for oq eu tô pensando ele realmente vai pirar..
Se cuida seu Xerife
2024-11-04
2
Denise
Achei o Detetive John meio estranho... Será que ele está metido com as drogas e por isso pega leve com os garotos? Fui com a cara do Xerife Javier e percebi que é um homem da lei, um homem de valor, que exige dos moradores da cidade o cumprimento rigoroso das leis e jamais iria contra seus próprios valores.
2024-07-07
6