Dan entrou em seu quarto muito feliz, fez as pazes com seu amor e de quebra conseguiria ver seu amado Steve ainda hoje.
Tirou sua roupa e tomou uma chuveirada rápida, vestiu outra calça jeans e uma camisa verde. Colocou uma bota e penteou os cabelos, se olhou no espelho e lembrei que Otilo gostava deles bagunçados, então despenteou tudo e saiu sorrindo.
— Marta, ainda tem algo do café da manhã? Estou morrendo de fome.
— Tem, sim, mas por onde você andou, criatura?
— Estava caminhando por aí e encontrei um lugar lindo!
-Não sabe que essa fazenda é cheia de onças-pintadas?
-Nem pensei nisso na hora.
-Precisa ser mais cuidadosa!
Marta lhe serviu um prato de bolo e biscoitos de queijo e um copo de leite.
-Mas me conta, que sorriso é esse? Fez as pazes com o seu Otilo?
-Sim! E estou muito aliviada por isso. Pensei que tudo estava acabado.
-Briguinhas bobas assim fazem parte do relacionamento de qualquer um Dan.
-Eu nunca briguei, então me desesperei. Como ele consegue me deixar furiosa!
Marta riu.
-A propósito, eu preciso de uns conselhos seus…
-Ai está você, estou pronto!
Era Otilo entrando na cozinha. Ele veste uma camiseta polo na cor verde e uma calça jeans.
-Ei, parece até que combinamos de usar verde!
Comentou Dan.
-É a nossa conexão que é boa.
Ele sentou ao seu lado e pegou um dos seus biscoitos.
Marta sentiu uma aura de amor no ar e se retirou.
Otilo beijou a bochecha de Dan e fez ficar corada.
-Já me arrependi de deixar para a noite.
Falou em tom provocador. Dan sentiu queimar entre suas pernas.
-A gente vai rapidinho.
Dan apoiou sua cabeça no ombro dele durante todo o percurso.
Chegando em sua antiga casa, Dan sentiu um frio na espinha. Seu pai não estava em casa naquele momento, Dan sabia onde ficava a chave e entrou. Seu quarto agora estava cheio de caixas e galões. Dan sentiu vergonha por Otilo ver o local.
-Era aqui que voce dormia?
-Era.
Respondeu procurando suas coisas. Seu diário costumava ficar numa caixa de madeira onde guardava cobertores antigos e algumas velharias. Revirou os lençóis e finalmente o encontrou.
Otilo estava horrorizado, tudo o que via era um colchão velho e um guarda-roupas caindo aos pedaços. Além de todas as caixas e velharias.
Dan pegou uma mochila velha em seu guarda-roupas e colocou os objetos que queria. Pegou também alguns pacotes de absorventes que tinha na gaveta. Nesse momento se lembrou de que seus dias estavam chegando.
-É isso. Vamos na cozinha tomar uma água antes de ir procurar o Steeve.
-Está bem. o rapaz que virá pega-lo deve chegar mais tarde, estava fazendo outro
serviço quando liguei.
Assim que saiu do quarto, Artur entrou pela porta da cozinha.
-Dan! Otilo!que surpresa!
-Oi pai, como vai?
Dan se aproximou e apertou sua mão.
-Estou bem.
Otilo fez o mesmo mas não era tão cordial quanto antes.
Foram para a varanda onde Artur ofereceu água e café.
-Pai, nós viemos buscar o Steve.
-Buscar?
Os olhos de Artur fulminaram nesse momento.
-Sim, senhor.
-Isso não será possível.
-Porque não? O cavalo é dela.
Otilo interferiu.
-Era.
-Como assim pai?
-Ah Dan!
Seu pai fingiu sofrimento ao começar a contar.
-Eu não consegui me controlar depois de te ver tão machucada por conta daquele cavalo, então eu o matei.
-O quê?!
Dan ficou de pé estarrecida.
-Veja bem, qualquer pai faria o mesmo em meu lugar, por causa dele quase a perdi.
-Pai, o Steve está comigo há 7 anos, como pode ser tão cruel?
-Eu sei disso minha filha, me desculpe se deixei meu coração falar mais alto.
Dan saiu da presença dele com o peito rasgando de dor. Caminhou até a cerca que limitava a campina onde os cavalos costumavam ficar. Assoviou como de costume por várias vezes, mas só os outros vieram.
-Steve!
Ela caiu sobre os joelhos enfraquecida e chorou bastante. Otilo tentou confortá-la, mas era inútil agora. O choro foi tanto que chegou a engasgar, ele a ajudou a se recompor.
-Otilo, me leva daqui.
Ele a ajudou a ficar de pé e levou até o carro.
-Você vai pagar por isso!
Otilo ameaçou seu sogro antes de entrar na caminhonete e partir.
-Meu amor, tente ficar calma!
-Eu não consigo, está doendo muito! Como ele foi capaz de fazer isso?!
-Deita aqui.
A inclinou até o seu colo.
-Leve-me até o seu João.
-Está bem.
Dirigiu o mais rápido que pode.
Chegado lá, João estava preparando o almoço. Dan entrou sem se anunciar e já foi perguntando:
-Me dá a chave, por Favor.
-Dan, o que aconteceu?
-A chave, por favor!
João tirou um colar do pescoço com uma chave pendente. Dan entrou pelo corredor e foi até a porta do antigo quarto de João e Carmem.
João o mantinha trancado para que ninguém viole.
Ela se jogou na cama levemente empoeirada e chorou bastante. O choro era alto e deixou João e Otilo em aflição.
-O que aconteceu?
-Estamos vindo da casa do Artur, ela veio na intenção de levar o cavalo dela, mas o
cretino disse que o sacrificou.
-O quê?!
-Foi o que ele disse, mas eu vi que ele estava mentido.
-Claro que está! O Artur é louco por dinheiro, jamais mataria um cavalo saudável pelo
qual ele conseguiria tranquilamente uns 15 mil reais.
-Acha que ele o vendeu?
— Acho. Mas não vamos dizer isso a ela, não sabemos do seu paredeiro e ela vai sofrer ainda mais se tiver esperanças alimentadas.
— Eu concordo, mas o que vamos fazer com ela agora?
— Nesse momento deixe ela chorar.
— Ela sempre faz isso? Pede a sua chave?
— Quando a dor é grande, sim.
— É muito doloroso ouvir ela chorar tanto.
— É sim.
— Como vamos fazer para encontrar o cavalo?
— Eu tenho uns conhecidos que podem me ajudar.
— Deixarei isso em suas mãos, então.
— Certo.
Passado algum tempo, João deixou Otilo cuidando das panelas e foi até ela.
— Dan, eu sinto muito.
Ela se sentou e o abraçou forte
— Eu não desvio ter deixado ele para trás
— Você estava no hospital minha filha!
— Ele não teve culpa seu João, não teve culpa de nada!
— Eu sei, filha.
Ela não quis almoçar e ficou no quarto chorando por horas até dormir.
— Se estiver ocupado, pode deixar ela aqui, a levarei de volta quando ela quiser.
Ofertou João vendo Otilo confere as horas em seu relógio de pulso.
— Não posso, não conseguiria trabalhar sabendo que a deixei nessa situação. Me empreste o seu telefone, meu celular descarregou.
Assim, ele avisou Otto de que não voltaria tão logo e cancelou alguns assuntos que dependiam dele.
A noite já estava caindo quando Dan despertou. Foi até o banheiro e então encontrou Otilo na varanda. O abraçou pelas costas enlaçando seu pescoço com os braços. Ele a cariciou e puxou de leve para o seu colo.
— Acho que atrapalhei o seu dia inteiro, né?
— Não pense nisso. Eu já te falei antes, você é minha prioridade.
— Vamos para casa?
— Vamos. Seu João está no banho, vamos aguardá-lo para nos despedir.
Ela assentiu e colou seu rosto no dele.
Após as despedidas, voltaram abatidos. Dan não quis jantar, mas aceitou uma tigela de queijo picado para comer na estrada.
A cada instante se lembrava do seu velho amigo Steeve e as lágrimas tornavam a cair.
Já em casa, tomou um banho e se enfiou debaixo do edredom. Otilo veio com uma tigelinha de lámem para ela.
— Não precisava se incomodar.
— Cuidar de você não é um incômodo.
Comeu tudo e se deitou nos braços de Otilo, onde adormeceu e esteve até a manhã.
— Eu preciso ir pro escritório, quer ir comigo?
— Não, estou sem Ânimo.
— Eu virei daqui a pouco pra te ver e vou pedir a marta pra ficar de olho, qualquer coisa, pede pra ela me chamar, está bem?
— Sim, pode ir, ficarei bem.
Dan pegou seu diário e começou a escrever.
Diário
Não acredito que meu pai conseguiu ser ainda mais cruel.
Acho que não Escrevi aqui, mas da última vez que o vi, o desafiei. Foi a primeira vez na vida e acredito que foi por isso que ele matou o meu Steeve.
É tudo culpa minha que ele está morto agora, se eu não tivesse dito aquilo ao meu pai, ah! Meu querido Steve!
Como me sinto miserável, ainda que eu tente me livrar das garras do meu pai, ele sempre encontra uma forma de me atingir e dessa vez foi bem profundo.
Esses dias comentei com o Otilo a dor de perder a dona Carmem e agora estou passando por isso. Ele é só um cavalo, mas foi meu parceiro por 7 anos! Quantas coisas fizemos juntos e quanto ainda podíamos fazer se a maldade do meu pai não fosse tão grande!
Meu pai não pode saber que estou apaixonada, senão o próximo alvo dele poderá ser o Otilo.
Ah, meu Deus! Será que o meu pai está enlouquecendo?
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Beatrizz 🤍
É tudo tão difícil para ela, Esse monstro quê ela chama de pai com certeza vendeu o cavalo 🐎 dela . O choro de partir o coração.
2025-02-02
1
Beth Silva
o que se diz pai dela é bem provável que ele vendeu o cavalo pra satisfazer a querinha da outra filha.
2025-02-05
0
Elizabete Santos Silva
pobrezinha... tô chorando por isso. como Artur pode fazer ela sofrer tanto?
2025-01-24
1