Otilo organizou os papéis da alta enquanto aguardava o soro terminar.A levaria para Pontília imediatamente.
— Otilo!
Ouviu uma voz grave atrás de si. Era João, o vizinho de Dan.
— Seu João, o que faz aqui?
— Vim entregar queijos na cidade e fiquei sabendo que Dan foi trazida para cá, vim o mais rápido que pude.O que houve com ela? Onde ela está?
Otilo podia sentir aflição nas palavras de João. Ele realmente se importa com Dan, mas porque não a trouxe para o hospital? Esteve na casa dela antes mesmo que ele chegasse, por que não fez nada?
— O senhor a viu hoje pela manhã?-
— Não, ela já havia saído para o trabalho quando cheguei lá.
João respondeu com inocência.
— Me diga onde ela está!
João insiste.
— Está na enfermaria. Quem te disse que ela já estava trabalhando naquela hora?
— Artur. Aquele infeliz!
João esbravejou ao se dar conta de que foi enganado.
— O senhor sabe, não é mesmo?! Sabe que ela é maltratada?
— Sim.
Confessou João.
— E por que não fez nada por ela? Ela diz que você é a pessoa que mais a ama na vida. Como então, a deixa passar por isso sabe-se lá há quanto tempo?!
Otilo estava prestes a gritar.
— Eu entendo sua exaltação. Vamos conversar lá fora.
Otilo o acompanhou e sentara-se num banco de pedra. João contou a ele toda a vida de Dan e sobre sua dependência emocional em relação a Artur e Ávila.
— Antes de fazer qualquer coisa contra Artur, precisa pensar duas vezes. Enquanto Dan não for liberta dessa prisão emocional, tudo que atingir seu pai a atingirá diretamente e ela é capaz de se voltar até contra mim para defendê-lo.
— Essa é a sua desculpa para não fazer nada?
— Eu a conheço como ninguém, se queres fazer alguma coisa de cabeça quente, esteja preparado para perder a Dan. Eu particularmente não me importo com essa parte, pois para mim Dan está nesse relacionamento para agradar seu pai exclusivamente.
As palavras de João ecoaram na cabeça de Otilo. Se sentiu envergonhado por negociar Dan com Artur de forma tão baixa e ainda teve um sim sob a condição de ajudar seu pai. Agora tudo faz sentido quando se lembra das atitudes frias de Dan e sua relutância em se abrir.
— Eu estou levando ela para Pontília, o senhor quer ir junto?
— Nesse momento eu não posso, tenho que voltar na fazenda e colocar algumas coisas em ordem e comunicar meus funcionários, mas me passe seu contato que ligarei para saber onde estão e o encontro ainda hoje.
- Está bem.
Dan ainda estava sonolenta quando Otilo a pegou nos braços para levar de volta para a caminhonete.
— Estamos indo para casa?
Dan estava apavorado com essa possibilidade e Otilo conseguiu enxergar isso.
— Não. Vamos para Pontília. Você não está bem e aqui não tem atendimento adequado.
— Vamos para um hospital?
— Sim.
Otilo a ajeitou confortavelmente no banco do passageiro ao lado do seu. Com o encosto reclinado, ela estava praticamente deitada.
— Está com fome?
— Um pouco.
Otilo passou numa padaria e comprou alguns lanches para ela. Dan ficou surpresa ao ver que ele acertou em tudo que ela gosta. Quem conta essas coisas a ele?
Comeu bem e acabou adormecendo. Foi despertada na porta de um hospital particular bem-conceituado.
Otilo deu entrada e um tempo depois Dan já estava em um apartamento interno.
— Esse lugar deve ser caro, seu Otilo.
— Por favor, me chame de Otilo, eu disse que sou seu namorado.
— Ah, está… bem.
Dan ficou triste.
— Já havia esquecido que somos noivos?
Otilo brincou com ela.
Depois do que Artur fez, Dan tinha quase de certeza que Otilo tinha entrado em contato para quebrar o acordo.
E essa possibilidade ainda não saia de sua cabeça.
Otilo providenciou para ela fazer um check-up geral
— Para quê tantos exames?
— Não reclame, querida Dan. É tudo para o seu bem.
No final do dia, João chegou ao hospital.
Dan estava sentada na cama hospitalar e quando o viu passar pela porta, se emocionou. Seus olhos brilharam quando estendeu os braços para ser abraçado por ele.
— Oh minha menina, até quando vai aguentar isso?
— Eu cai, velhote.
João suspirou ainda abraçado a ela. Sempre cheia de desculpas.
— Eu trouxe algumas roupas para você, um kit de higiene e alguns lanches. Precisa se alimentar bem para se recuperar rápido.
— O senhor foi até a minha casa?
— Não, passei em algumas lojas a caminho do hospital.
João entregou as sacolas a ela. Dan deu uma espiada na primeira. Tinha escovas de dentes, creme dental, sabonete líquido, xampu e condicionador, escova de cabelo, desodorante e uma colônia de lavanda.
— Nossa! Nem precisava disso tudo, velhote.
Espiou a segunda e encontrou toalhas de banho e rosto. Na terceira encontrou um pijama de calça e camisa manga longa, outro com short e manga curta, uma calça de linho com cós de elástico, xadrez, uma blusa gola alta sem manga na cor branca e um cardigã preto. Tinha também alguns tops na cor preta, como Dan sempre usava e calcinhas de algodão confortáveis.
Dan corou.
"Como esse velhote é detalhista!"
— Gostei de tudo, muito obrigada, velhote!
— Agora coma um pouco.
João entregou uma caixa com Donut's recheados.
— O senhor é perfeito, seu João!
Otilo assiste a tudo e não pode deixar de sentir ciúmes. Ela era totalmente aberta com João, transparente e alegre, definitivamente outra Daniela!
— Otilo, você pode ir embora se quiser, eu deixei tudo organizado na fazenda e ficarei com ela o tempo que for necessário.
— Agradeço, mas faço questão de ficar com ela.
— Você deve ter muitas coisas para fazer, Otilo. Ficarei bem com o seu João.
— Dan, você é minha prioridade agora, enquanto não estiver bem, não a deixarei.
Dan olhou com tristeza para João. Queria que ele tivesse recebido, mas não poderia ignorar seu noivo, ainda mais depois de tudo que ele fez por ela hoje.
— Por que o senhor não vai para um hotel, seu João? Descansa e retorna amanhã, assim o Otilo poderá descansar um pouco também.
A solução pareceu boa para os dois e então João se despediu.
— Obrigado por me ficar deixar, Dan.
— Obrigada você, por mim ajudar. Eu pensei que aguentaria ficar em casa, mas não fazia ideia de que havia fraturado uma costela.
— Foi uma queda muito feia. O que aconteceu com o cavalo?
— Não gostaria de falar sobre isso agora.
Dan já havia notado a astúcia de Otilo e como ele sempre conversava olhando nos olhos. Devia ser perito em detectar mentiras.
- Está bem.
Otilo assanhou os cabelos dela num gesto carinhoso.
— Vou até o carro pegar umas roupas para tomar banho.
— Trouxe roupas?
— Eu sempre carrego uma pequena mochila para emergências.
— AH, tá.
Dan se sentiu sozinha e se permitiu chorar todas as lágrimas que se acumularam ao longo do dia. As memórias frescas do seu pai vindo na sua direção cheias de ódio e lançando no chão causavam uma dor excruciante que chegava a faltar o ar. Suportaria tudo isso? Talvez acelerar esse casamento com o Otilo seria a solução não desapontaria seu pai e não seria mais espancada por ele, mas... O que um casamento traria para sua vida? Que outras dificuldades enfrentariam ao lado de Otilo?
Ouviu a porta sendo aberta e se virou de lado, fingindo dormir. Otilo ouviu seu fungado choroso e percebeu a situação. Passou direto para o banho.
Quando ela estava dormindo. Ele sentou na cama ao seu lado e acariciou seus cabelos. Os braços estavam bem ralados, com algumas feridas mais profundas que outras. Seu rosto apenas um corte mais marcante na região do seu queixo. O abdômen também estava bastante machucado e com algumas feridas nas laterais.
— Eu nunca mais vou permitir que você se machuque assim, minha querida Dan!
Depositou um beijo em seu rosto e se retirou, sentando em sua poltrona de acompanhante.
Dan sentiu o toque do seu beijo e despertou. Esperava alguns minutos quietinha e então o chamou.
— Otilo?
— Sim, querida?
— Preciso ir ao banheiro.
Otilo a ajudou a se sentar na cama e depois pediu que ela segurasse com as duas mãos em volta do seu pescoço.
— Não precisa me carregar, basta me dar apoio.
— Não deixarei que caminhe, Dan. Vamos!
Ela não foi deixada no banheiro.
— Qualquer coisa, me chame e venho correndo, não tente fazer nenhum esforço, estarei atrás da porta.
— Não faça isso! Assim eu não conseguirei usar o banheiro.
Reclamou, corada.
— Está bem, estarei na minha poltrona, só me chame alto e virei correndo.
- OK.
Dan, fez xixi e ficou um pouco sentado no vaso, estava com muita dor, mesmo com a medicação.
Reuniu forças e ficou de pé. Tão logo ouviu a descarga, Otilo se aproximou.
— Dan, tudo bem ai?
— Sim, pode entrar.
Ser carregada nos braços era algo novo para Dan e, ao mesmo tempo que se sentia desconfortável, sentia-se protegida.
— Otilo, ainda quer se casar comigo?
GENTEEE! ESTOU DETECTANDO ALGUNS ERROS DE ORTOGRAFIA, EU TENTO CORRIGIR, MAS QUANDO VOU RELER, ESTÁ COM O MESMO ERRO. CREIO QUE SEJA A TRADUÇÃO. ME PERDOEM E QQR DUVIDA, POSTEM NOS COMENTÁRIOS. BEIJOOOOS
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Silvia Aparecida Ferreira Ferreira
boa tarde autora
é muita violência com uma menina de 19 anos, eu compreendo que a senhorita está relantando é o que acontece no mundo de hj e em qualquer lugar, ms é muito triste ler e não sentir pena ,dó e até raiva desse q diz pai, eu estou aqui com os olhos cheio de lágrimas ,se continuo lendo está história
autora me desculpe pelas palavras ok.
2025-02-21
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Alice Miesse
tomara que eu continue gostando, porque acabei de ler um livro, que no começo era muito boa bonito, depois ficou muito sem graça, espero que este, começou bonito é termina também bonito, erros de caligrafia todo mundo comete, não fica constrangida sobre isso, eu estou amando.
2025-01-23
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José Roberto
nunca aceitei ser espancada por ninguem fui embora de casa com 15 anos por tanto não sera que tem gente igual a ela? acho que não
2025-01-26
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