Artur havia prometido à Avila que conseguiria pernoitar na casa de Otilo, agora eram 18 horas e ele precisava agir. Haviam acabado de chegar das terras com Otilo.
- Vamos meninas\, já está quase passando do meu horário seguro para dirigir.
- Horário seguro?
Otilo quis saber.
- Sim\, eu não enxergo muito bem para dirigir a noite.
- Eu posso dirigir\, pai.
Dan, que nada sabia dos planos de seu pai e irmã, quase atrapalha.
- Por que não ficam aqui esta noite? Percorremos a fazenda o dia inteiro\, devem estar cansados.
- Não queremos incomodar.
Respondeu Artur, Otilo já havia percebido a sua intenção de ficar e isso o agradou muito. Dan o deixava a cada instante mais curioso e já estava pensando em como fazê-los ficar mais tempo.
- Eu faço questão.
- Vamos ficar\, pai. Estou mesmo muito cansada.
Disse Ávila, a que passou boa parte do seu tempo na piscina.
- Está bem!
Artur estava perto de sua caminhonete e já estendeu a mão para apanhar a sua mochila. Ávila já estava com a dela.
Dan assistiu os dois e pela primeira vez Otilo pode ver alguma expressão em seu rosto. Era constrangimento e confusão.
Pediu a sua funcionária que os levassem ao quarto de hóspedes e se aproximou de Dan.
- Dan\, o que houve?
- Nada! Senhor.
- Não precisa me tratar de senhor\, me chame pelo meu nome\, é o bastante.
Dan não disse nada. Sequer estava focada na presença de Otilo. Como iria pernoitar nessa casa estranha e sem ter trago nada, sequer uma escova de dentes e nenhuma roupa para vestir?
Otilo assistiu seu rosto se encher de preocupação e se sentiu aliviado por saber que em algum momento ela acaba derrubando sua barreira, que não teria de passar a vida tentando descobrir o que se passa em sua mente.
- Por que não pega suas coisas? Não se sinta constrangida\, é um prazer receber você aqui.
- Eu não... trouxe nada. Meu pai não me disse que pernoitaríamos.
- Ah!
Otilo olhou na direção da casa. Estava cada vez mais certo de que Artur não valorizava Dan como uma filha. Ele e Ávila obviamente planejavam ficar, mas não avisaram a pobre garota.
- Não se preocupe com isso\, irei dar um jeito.
- Não se esforce tanto por mim\, sou de pequena importância senhor.
- Não para mim. Venha comigo.
Dan arregalou os olhos com tal fala. Por que esse homem estava lhe devotando tanta atenção? Durante todo o dia ela sentiu o seu cuidado e isso era MUITO estranho para ela, ainda mais diante dos olhares de reprovação de seu pai e irmã.
Otilo a fez esperar na sala e foi até a cozinha falar com uma de suas funcionárias e pediu uma roupa emprestada para Dan. Joana, a funcionária, mora numa das casas na vila e precisava ir até la para buscar.
- Não demore!
Retornou a sala e a levou até o seu quarto. Dan empacou na porta, não entraria assim no quarto de um homem.
- Não se preocupe\, não será desrespeitada em minha casa.
A empurrou de leve pelas costas.
Dan ficou encantada com o quarto. O exterior da casa não revelaria um quarto tão luxuoso, com uma pequena sala antecedendo os aposentos. Uma adega de vinhos, um frigobar, um aparelho de som muito chamativo e uma TV de frente para a cama que mais parecia telão de tão grande. Um jogo de sofás de cor clara com uma belíssima mesa de centro deixavam o ambiente com um estilo clássico e romântico.
A cama era a maior que já viu e Dan se pegou notando o tamanho de Otilo na intenção de entender a necessidade de uma cama tão grande.
Mas Otilo não conseguia decifrar nada do que se passava em sua mente enquanto seus olhos amarelo esverdeados percorriam o quarto até repousar nele.
- Por que você esconde suas emoções?
- Eu não faço isso.
Otilo a observou. Ela não estava mentindo, mas estava errada. Seria de forma inconsciente que ela se fechava. Estava ficando cada vez mais interessante estudar essa menina.
Otilo foi até o seu banheiro e vasculhou os armários. Encontrou escova de dentes, sabonete, xampu, toalha e roupão. Também pegou uma de suas chinelas para ela, já que ela passou o dia de botina, devia estar com os pés doendo.
- Aqui\, infelizmente não tenho xampu feminino e o roupão deve ficar grande já que é meu\, as chinelas nem se fala.
Dan não soube o que dizer diante disso e apenas recebeu tudo em seus braços.
- Vou te mostrar o seu quarto.
- Tá.
Otilo abriu a porta e saiu na frente. No mesmo instante Artur apareceu no corredor saindo do seu quarto.
- Artur!
- Otilo!
Dan chegou a encostar nas costas de Otilo, que parou de uma vez, e voltou se encolhendo na parede.
- Gostou do seu quarto?
- Sim é ótimo\, só lembrei que Dan ficou lá fora. Vou chamá-la.
- Eu já providenciei um quarto para ela\, não se preocupe. Vá tomar um banho\, o dia foi longo. Nos vemos no jantar.
- Está bem.
Artur volta ao interior do seu quarto. Tem visto Ávila investir em Otilo o dia inteiro e ele ainda continua devotando mais atenção em Dan. Isso é muito frustrante, mas não há o que possa fazer. Com sorte Ávila o fisga essa noite.
Otilo deu um passo para trás e viu Dan encolhida na parede.
"Por que está com medo?"
- Vamos?
- Sim\, senhor.
Otilo a levou até a porta do seu quarto.
- Em breve alguém vai bater na sua porta com roupas. Aguarde no roupão.
- Está bem.
O seu quarto é amplo e de paredes claros. Uma cama de casal bem arrumada com lençóis macios e travesseiros fofos. Uma guarda roupas em uma das paredes e uma porta para o banheiro logo ao lado.
A bancada do banheiro é em mármore rosê com um espelho enorme acima. Dan desvia o olhar, não gosta de se ver. Especialmente não gosta de ver suas cicatrizes.
Toma um banho longo na água quente do chuveiro, não seu hábito água quente, mas não sabe mudar a temperatura, no fim das contas até gosta.
Ao usar o xampu de Otilo consegue entender por que ele é sempre tão cheiroso. Agita a cabeça para espantar o pensamento impróprio e termina seu banho.
O roupão bege cobre até metade de suas canelas e suas mãos ficam escondidas.
Dan ri disso e sai do banheiro calçando as enormes chinelas de Otilo. Não demora e alguém bate a sua porta, imagina ser a funcionária com a roupa, mas ao abrir se depara com Otilo. Também está de banho tomado e veste uma camiseta branca e uma bermuda bege e traz uma sacola.
- O senhor?
- Trouxe as suas roupas.
- Obrigada.
Ela tira a sacola de suas mãos e fecha a porta rapidamente. Otilo ri de sua rapidez e sai em direção à sala.
Otto estava chegando do escritório.
- Filho!
- Oi pai.
Respondeu desanimado.
- Vá tomar banho e venha jantar conosco.
- Vi o carro do Artur\, continuam aqui.
- Sim\, vão pernoitar.
- Vou pro meu quarto\, por favor não me envolva nisso\, esto cansado e sem paciência.
Quando Dan tira as roupas da sacola não consegue acreditar, tem uma camiseta branca e um shorts de algodão preto. Jamais vestiria um short desses na casa alheia e a camiseta... Ao vestir constatou que mostrava uma de suas cicatrizes mais feias no braço esquerdo. Ainda podia se recordar do dia em que seu pai a acertou com um emaranhado de arame farpado. Apertou os olhos tirando o pensamento ruim.
- Não posso sair assim.
Senta no chão com as costas escoradas na cama.
"Se eu vestir minhas roupas, vão me achar nojenta já que soei bastante durante o dia com o calor que fez, estão muito empoeiradas também, devido às terras gradeadas."
Passado um tempo, já estavam todos na sala aguardado Dan para jantar.
- Eu vou ver o que aconteceu.
Se prontificou, Otilo.
- Não precisa\, deixa que eu vou ver minha irmãzinha.
Ávila se antecipou e saiu na direção do corredor. Voltou um minuto mais tarde.
- Ela disse que está com dor de barriga e não vem jantar.
- Será que comeu algo que fez mal?
Se preocupou Otilo.
- Acredito que não\, deve ter inventado isso por estar cansada. Ela dorme muito cedo lá em casa.
Inventou Artur.
Mesmo insatisfeito, Otilo foi obrigado a liberar o jantar. Um dia inteiro sendo bajulado por Artur e assediado por Ávila havia sido demais para ele, agora teria que suportar boa parte da noite. Logo que acabaram o jantar, teve a ideia de levá-los para a varanda e servir algumas bebidas. Encontrou uma brecha e os deixou. Já havia pedido secretamente à funcionária que preparasse um prato pequeno para Dan. Ele a observou o dia inteiro e percebeu que ela come bem pouco. Pegou o prato e seguiu até o quarto dela.
Bateu três vezes com os nós dos dedos.
- Quem é?
Sua voz fina, porém firme perguntou do outro lado.
- Sou eu\, Otilo.
- O que quer?
- Trouxe comida para você.
- Não quero.
- Não aceitarei recusa\, seu pai e irmã estão lá na varanda bebendo\, mas se me ouvirem aqui não ficará bem\, pode abrir de uma vez? Ou terei de usar a chave reserva?
Dan se apressou até a porta.
- Não pode fazer isso!
- Abra de uma vez.
Dan apagou a luz. Havia muitas cicatrizes em seus braços e pernas e não gostaria que a vissem. O quarto ficou sob a luz da noite que emanava da janela.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Beth Silva
caramba ter um pai é uma irmã desse tipo é melhor ir embora pra sempre de casa
2025-02-05
0
Beatrizz 🤍
MDS o quanto essa podre garota sofre com esse homem chamando de pai
2025-02-01
0
ROSIMEIRE DA CONCEIÇAO FRANÇA
qto sofrimento dessa garota
2025-02-26
0