Otilo desfez seus
planos para o dia, a fim de se dedicar a Dan. João e Artur foram embora logo após o almoço.
— Dan, já que você não saiu para almoçar eu trouxe um prato para você.
— Obrigada, Otilo. Estou com muito sono ainda, mas com fome também.
Ela se sentou na cama e recebeu o prato.
— Eu estou muito feliz por ter você aqui.
Dan o olhou sem dizer nada.
— O que eu posso fazer pra você dar um sorriso?
Ele perguntou tocando o rosto dela com carinho.
“O que eu faço?”
Ela se sentiu embaraçada por um momento e então se recompôs.
— Quando vamos nos casar?
Perguntou com naturalidade, porém com seu semblante fechado. Otilo assistiu à pergunta de sua noiva com certa incredulidade. Não havia emoção ou desejo na sua pergunta, apenas a urgência.
— Se preocupe com a sua saúde primeiro, é a prioridade agora.
Otilo não se conteve e saiu imediatamente, sem dizer mais nada a ela.
Estava resolvido a, ainda que apaixonado, não se casar com ela. Sua experiência diz que
nada de bom poderá sair de um relacionamento assim. Ela só podia estar fugindo do seu pai, colocando o destino da sua vida nas mãos de um desconhecido por quem ela não sentia nada.
Mas ele a compreendia, momentos desesperados pedem medidas desesperadas.
Voltou a trabalhar, mas veio no meio da tarde trazer um lanche e a noite, o jantar. Não a direcionou nenhum gesto de carinho como antes, apenas a tratou bem e perguntou como estava se sentindo.
Dan sentiu algo diferente nele, observado seus olhos e ele parecia abatido. Devia ser as noites em claro, ela pensou.
Na madrugada, os pesadelos voltaram e dessa vez, ela via seu pai se enforcar e sua
irmã a acusava por isso. Acordou aos gritos e tremia bastante. Otilo entrou em 10 segundos e a consolou.
— Me conta com o que sonhou?
Ela estava muito agitada e chorava bastante, mas contou a ele todo o sonho, inclusive
a parte em que Artur a lança do cavalo. Ela estava bastante transtornada e não se deu conta desse detalhe.
Otilo a abraçou apertado para que se sentisse segura e aos poucos foi voltando a dormir.
“Cá estou de novo!”
Para ele, dormir abraçado a ela nesses últimos dias foi muito difícil, pensou ter passado, mas ela estava ainda pior agora e ele não a deixaria desamparada.
“Então o Artur a derrubou do cavalo, só pode ter sido! Isso explica muita coisa…”
“O que vou fazer com ele? Como me livrarei desse maldito sem ferir a Dan?”
Otilo acabou adormecendo também.
Quando Dan acordou estava literalmente deitada sobre Otilo. Seu corpo descansava entre as
pernas dele e sua cabeça em seu peito. Otilo a envolvia com os dois braços de forma bem confortável.
“Meu Deus!”
Ela queria sair dali no mesmo instante, mas sua mente se concentra nas batidas do coração
dele e ela se envolveu.
Ele estava sem camisa, apenas num short, era a primeira vez que Dan o encontrava dessa maneira, já havia notado antes, mas agora contemplava uma carreira retilínea de pelos em seu peito. Nem percebeu quando seus dedos percorreram por eles. Foi então que sentiu algo rígido em sua barriga e se tocou de que havia provocado o corpo de Otilo. Encolheu a mão rapidamente com o punho fechado.
Otilo sorriu silenciosamente.
Dan movimentou suas pernas para fora do seu “ninho” e em seguida virou-se de costas para ele. Realinhou sua respiração com cuidado, a seguir foi ao banheiro.
Quando retornou, Otilo não estava mais na cama, nem no quarto.
— Eu preciso acabar de uma vez com esses pesadelos, o que eu faço?!
Perguntou a si mesmo. Pelos olhos inchados ela sabia que havia chorado mais do que
se recordava.
A noite, Otilo decidiu que dormiria num colchonete dentro do quarto dela, para garantir que a ajudaria caso começasse a ter um pesadelo outra vez.
Dan ficou surpresa por ele não insistir outra vez para que ela conversasse com um psicologo.
— Não precisa dormir no chão, tem espaço aqui na cama.
Dan estava nervosa, mas parecia rude demais deixar o seu protetor dormindo no chão.
— Não quero incomodar.
— Não vai.
A verdade é que ela nunca dormiu com ninguém antes e era um tanto incomodo saber que dividiria a cama com alguém, por maior que fosse. Pensou que em breves dias seria para valer, já que estava prestes a se casar.
Otilo aceitou o seu gesto de bondade e mudou-se para a cama.
— Obrigado, Dan.
— Hum...
Embora dormiram cada um numa ponta, não demorou muito e ela começou a se espalhar, quando ele menos esperava, ela o alcançou e passou braço e perna sobre ele, refazendo o seu “ninho”
— Dan?
Ela já estava dormindo.
Nessa noite não teve pesadelo, e nem na próxima.
— Acho que já estou bem. Não precisa mais dormir comigo.
Disse Dan na terceira noite.
— Está bem. Tenha uma boa noite.
Otilo estava muito nos confusos últimos 3 dias. De dia, Dan continuou fria e impenetrável, a noite se aninhava em seus braços e dormia tranquilamente.
“O que isso quer dizer? Não quero despertar falsas esperanças!”
Na manhã seguinte, João chegou bem cedinho, acompanhado de Artur. Dan já se sentiu melhor e saia do quarto para todas as refeições.
— Bom Dia, Dan! Que bom te ver de pé, já está até mais corada!
— Bom dia, seu João! Bom te ver também.
— Bom dia, filha.
— Bom dia, pai.
Artur um abraçou.
Foram para a mesa tomar café da manhã. Conversavam normalmente enquanto comiam, mas Dan estava retraída na sua cadeira e comia migalhas de pão enquanto parecia estar em outra dimensão.
— Pronta para voltar para casa, querida?
Artur perguntou a ela.
— Ela não retornará, Artur.
Otilo foi frio.
Dan o olhou assustada. Artur mais ainda.
— Eu não suporto mentiras ou fingimentos, por isso, vou direto ao ponto…
— Otilo!
Dan se desesperou e o interrompeu.
— Dan, fique calma.
Pediu João vendo a aflição dela.
Otilo sentiu uma pontada no peito ao ver o sofrimento de Dan, ela já começava a chorar e as lágrimas eram pesadas. Ele se lembrou do conselho de João, para nunca ir contra Artur ou perderia Dan.
Ele já não sabia se queria se casar com ela. Todos os dias mudava de opinião a esse respeito, mas não poderia deixar Dan cair nas garras do seu cruel pai outra vez.
— Eu e Dan decidimos antecipar o nosso casamento. Era isso que eu ia dizer.
Otilo não viu outra saída a não ser inventar isso.
— Como assim?
Perguntou Artur.
— Nós já estamos juntos, só falta oficializar os papeis.
Respondeu Otilo abraçando Dan pelo ombro.
Dan ficou vermelha feito tomate.
— Verdade isso, Dan?
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Atualizado até capítulo 95
Comments
ROSIMEIRE DA CONCEIÇAO FRANÇA
Realmente se livrou do pai canalha
2025-02-27
0
ARMINDA
PRONTO DAN . TA LIVRE DESTE BASTARDO
2024-06-26
1
Carleuza Almeida
🤔🤔🤔🤔 esperando a resposta da Dan
2024-01-08
9