No dia seguinte, Dan não conseguiu usar a sua carta com João. Como ele mesmo disse, ela é emocionalmente presa às vontades de seu pai. Não importa o quão mal era tratada por ele, ainda sentia piedade.
João inquiriu dela a verdade, mas Dan foi firme em manifestar seu desejo de conhecer Otilo e ver no que daria.
Seu pai ficou a cada dia mais arisco.
O domingo chegou mais rápido do que Dan gostaria e ela ficou apreensiva se receberia mesmo a visita de Otilo.
Seu pai não sabia dessa conversa e a colocou para ir trabalhar normalmente, isso ajudou a dissipar os pensamentos.
Por fim ele não veio.
Nem nos dias seguintes.
"Deve ter desistido, agora só me resta enfrentar o meu pai."
diário
Olá, estou me sentindo muito ansiosa esses dias.
Meu pai sempre me tratou com frieza, mas desde que fui pedida em casamento, ele está muito mais frio e distante.
Fico me perguntando se é tristeza por pensar que em breve não estarei mais aqui ao seu lado. Será que ele sentirá a minha falta e por isso já está sofrendo antecipadamente?
Otilo disse que não desistiria de mim fácil, mas já tem uma semana que ele não dá nem sinal de vida. Me dá um frio na barriga pensando na possibilidade de ter que enfrentar a fúria do meu pai caso esse negócio seja desfeito. Independente das desculpas que Otilo der, ele vai me culpar por tudo e vai descontar todo o seu desgosto em mim.
Eu preciso ver o Otilo e dizer a ele que, caso desista de se casar comigo, precisarei ser a primeira a saber, pois assim poderei usar a minha carta.
Não sei se seria conveniente ir até ele. Esse silêncio está me deixando nervosa e com medo.
Eu não sei o que aquele senhor viu em mim, se soubesse poderia me dissipar disso e acabar de vez com seu encantamento, e com os sonhos do meu pai de se tornar um agricultor. Ai, minha cabeça! Estou muito confusa, muito mesmo.
— Dan!
Seu pai a chamou assim que ela passou pela cozinha pela manhã, pronta para mais um dia de trabalho.
— Senhor?
— Por onde anda seu noivo?
— Não sei, pai.
— O que aconteceu naquele dia em que saímos juntos?
— Jantamos e conversamos, só isso.
— Só isso?
— Sim.
— Sua incompetente!
Artur bateu com as costas da mão em seu rosto. Foi tão forte que ela se desequilibrou e por pouco não caiu.
Dan saiu humilhada. Trabalhou até o meio da tarde na grade, pois tinha que fazer rodízio de gado.
Artur foi com ela para os pastos e fez o rodízio. Ela estava com muita fome e ainda muito assustada com seu pai. Estava montado. Dan caiu pelo pasto baixo rolando. Por sorte cobriu o rosto com os braços, pois o estrago foi muito grande.
Artur desceu do seu cavalo e caminhou em sua direção possesso.
— Pai!
— Miserável! Sempre roubando a alegria da minha casa! Eu nunca vou te tolerar sua Infeliz! E nunca vou te deixar ser feliz! Nunca!
Deu alguns chutes nas costelas dela e puxou seu cabelo fazendo ela ficar de pé para em
então arremessá-la ao chão outra vez com um tapa.
Montou seu cavalo e foi embora, deixando sua filha para trás.
Dan se contorceu por meia hora no chão.Seu cavalo, como era parceiro de longa data, não
saiu do seu lado.Estava me sentindo bastante a perna esquerda quando se pôs de pé.Caminhou até o curral com muito esforço, suas costelas doíam bastante.
Precisava apartar as vacas de João, mas não tinha a menor condição.Inventaria algo no dia seguinte.Em sua casa tem telefone, mas é complicado de usar.
Sentiu uma dor enorme ao ter que desarrear seu cavalo.Entrou direto pro seu quarto, pegou uma toalha e seu pijama e foi pro banheiro social.
Sua camisa estava toda rasgada e até a regata de malha que usava, por baixo, fez um buraco numa lateral.As lesões ardiam quando ligavam o chuveiro.
Esfregou sabonete nos cabelos e tentou retirar toda a terra que se acumula ao rolar tanto pelo chão chapiscado de moitas de capim baixas.
A noite foi quase insuportável de tanta dor que ela sentiu.Havia hematomas por toda parte e lesões nos braços, costelas e rosto.
— É um bom momento para morrer.
Disse a si vendo o dia clarear através das frestas da janela.Sabia que estava com febre e que seria impossível levantar aquela cama para trabalhar, ainda que seu pai a obrigasse.Já havia caído de cavalo antes, porém em
circunstâncias naturais, foram mais de 10 dias para a recuperação.
Passa da sua hora de levantar e seu pai ainda não veio ao seu quarto.Estava apreensiva quanto a isso.
Já eram 7 horas quando escutava a voz de João, altura pela deveria estar na cozinha com Artur.
— Onde está a Dan?
— Já deve ter ido pra grade.
Responde Artur.
— Ela não foi apartar as vacas ontem, aconteceu alguma coisa?
— Ela levou uma queda do cavalo, mas não foi grave.Sabe como é, na hora dói um
pouco.
— Caiu do cavalo e foi trabalhar no trator?
João estava incrédulo com a calma de Artur.
— Eu te disse que não foi grave.Dan é perita em montaria, não levaria uma queda
boba como naquela época.
Artur o tranquilizou.
Dan escutou o som de uma caminhonete chegando.Percebeu que João e Artur saíram de casa
e se sentiu segura para ir ao banheiro, com muita dificuldade de caminhar até lá.João seguiu Otilo e se despediu em seguida.Só veio saber de Dan e não queria se misturar com Otilo, para ele ainda não estava propenso a esse relacionamento arrependido.
— Bom Dia Otilo, seja muito bem-vindo.
Artur estava apreensivo, não conseguiu se controlar no dia anterior e agora estava em apuros com a chegada repentina de Otilo.
— Bom dia, obrigado.Como tem passado?
— Muito bem.
— E Dan, onde está?
Dan saiu do banheiro inocentemente, não sabia de quem era o carro que havia parado em sua
porta.
No momento exato em que Otilo entra na sala com Artur ela sai do banheiro.Está vestida
de camiseta e calça de pijama.Seu rosto está coberto de pânico ao ver o "seu noivo" olhando para ela.
— Dan!
Ele se adiantou até ela.
— O que houve com você?
— Ela caiu do cavalo ontem a tarde.
Respondeu Artur.
— Deixa eu te ajudar.
Tenta segurar sua mão, mas ela se recusa.
— Estou bem.
Mal podia firmar a perna esquerda no chão e seu rosto estava muito vermelho por conta da
febre. Otilo não pensou duas vezes a peguei nos braços.
— Me solte!
— Por que não levou ao hospital, Artur?
— Eu tentei, mas ela é muito teimosa!
Otilo ignora seu futuro sogro e sai de casa com ela nos braços.
— Pegue os documentos dela, depressa!
Quando Artur retorna, Dan já está deitada nos bancos de trás.Artur pensa em ir junto, precisa controlar a boca da filha.
— Não se incomoda, eu mesmo cuido dela.
Otilo o impediu e entrou rapidamente no acento do motorista.
Dan foi atendida como emergência, os médicos ficaram horrorizados com o seu estado.
— Ela está com uma costela esquerda fraturada.
Fala o médico após olhar os exames.
— E a perna?Ela está com dificuldades de caminhar.
— A musculatura está bastante machucada, mas com a medicação e repouso, permanecerá
bem.
- Graças a Deus!
— Ó senhor presenciou a queda?
— Não.Infelizmente.
— Ela tem outras cicatrizes antigas no corpo, estou a um passo de acionar a polícia.
— Eu estou com ela há poucas semanas.Não sei o suficiente para responder as suas
dúvidas, mas vou investigar, disso não tenha dúvida.
— Quando o soro acabar ela está liberada.Repouso absoluto por uma semana e retorno
em seguida.Aqui está a receita, preste atenção a todos os horários.
— Tem certeza de que já é seguro levá-la para casa?
— Infelizmente esse hospital não tem condições de manter uma internação.Aqui é tudo muito precário.
— Seria o caso de levá-la para Pontília?
— Se tiver condições de levá-la é recomendável.
Otilo foi até a enfermaria, Dan estava dormindo devido ao efeito dos remédios.Eles tinham trocado uma calça de pijama dela por um short do hospital.
Ele pôde ver algumas cicatrizes em suas pernas, além dos novos hematomas e isso o fez cegar de ódio.
Alguém torturava sua pobre noiva e tinha quase certeza de que sabia bem quem era o autor.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Alice Miesse
casa menina, não fica na mão desse carrasco, eu seu Otílio era mais velho,mas 42 anos está jovem ainda, pode te fazer muito feliz.
2025-01-23
1
Beth Silva
até que enfim Otília apareceu pra salvar Daniela do seu pai. crápula
2025-02-05
0
ROSIMEIRE DA CONCEIÇAO FRANÇA
Dan sai logo dessa casa da família
casa-se logo com Otilo
2025-02-26
0