— É ainda mais lindo.
— Continue me chamando de Dan, só contei a título de conhecimento.
— Está bem.
— Outra coisa… Eu nunca namorei ninguém, então não me deixe constrangida diante dele.
— OK.
Otilo estava a cada instante mais encantado com sua noiva.Cada vez se tornava mais evidente que ela não era ela mesma quando estava diante de seu pai.
Quando a caminhonete parou na frente da casa de João ele não quis acreditar no que via.Não podia ser verdade que sua menina estava namorando um homem mais velho, certamente Artur tinha algum envolvimento nisso já que Otilo é um milionário.Dan não se prestaria a esse papel de namorar um homem rico por interesse.
Sua recepção foi fria Dan e Otilo saíram do carro e deram as mãos enquanto caminhavam até ele.
— Seu João, esse é Otilo.
— Eu sei.
João se lembrava dele na festa de vaquejada.
— Como vai seu João?
Otilo foi cordial e estendeu a mão para ele.João foi resistente.
— Velhote, olha os modos.
Dan cochichou para ele, que cedeu em seguida e apertou a mão estendida.
— Não pode estar falando sério, Dan.
João disse apenas para ela enquanto os guiava até sua varanda de café.
Os três sentaram e foi muito estranho.
— Dan estava muito ansiosa para me trazer até sua casa, seu João.
Começou Otilo.
— Quais as suas intenções com ela?
João foi direto ao ponto e seu olhar era frio e fixo em Otilo.
— As melhores possíveis, eu garanto.Acabei de receber um sim da Dan e já estamos conversando sobre casamento.
Dan deu um leve chute em sua canela discretamente.
— Tem que idade, Otilo?
— 42.
— E não te incomoda pensar em se casar com uma menina de 19 anos que não conhece nada da vida?Vi que tem um filho jovem, o que ele pensa nesse relacionamento?
— Eu fiquei viúvo há quase um ano após ter lutado com minha esposa enferma por mais de dois anos.Nunca me interessei por nenhuma outra mulher desde que me casei, nem mesmo nesse período de tratamento, mas quando conheci a Daniela, senti meu coração aquecer novamente, pode parecer luxúria de um velho que anda a procura de novinhas para satisfazer seus desejos, mas não é esse o meu caso, eu estou mesmo apaixonado por ela e a repeitarei assim com respeitei a minha falecida.Quanto ao meu filho, seria mentira dizer que ela está contente com isso, mas é compreensível que sinta ciúmes, já que nunca estive com outra mulher antes e mesmo a idade dela pode deixar as coisas mais difíceis, mas eu acredito que o que sentimos um pelo outro desde o primeiro instante em que nos vimos, irá prevalecer sobre todas as coisas. Dan assistiu ao discurso de Otilo boquiaberta.Como ele lida bem com as palavras e as situações.
— Você também pensa assim, Dan?
— Sim.
Dan sentiu que não foi firme o suficiente, então reformulou.
— Eu ainda não entendo o que estou sentindo, mas estou disposta a descobrir.
— O que você viu nele, Dan?
— O senhor.
Ela respondeu sem titubear.
Os dois homens ficaram confusos.
— O senhor é muito cuidadoso comigo, sempre me trata com zelo e gosta de me fazer lanches.Quando o Otilo fez um misto quente para mim, lembrei do senhor no mesmo instante.
Otilo ficou feliz ao saber disso, não viu como um grande gesto quando ele o fez.
— Vamos comer, senão vai esfriar a comida.João não estava satisfeito, mas sabia que no dia seguinte arrancaria de Dan toda a verdade.
Durante o jantar, Otilo descobriu que Dan trabalhava para João e não foi difícil para ele perceber que João usava desse artifício para ter ela sempre por perto e assim cuidar dela.
— Melhor irmos embora, Otilo.
— Está bem.
Se despediram de João e fizeram o percurso em silêncio até a cancela de João.
— O que achou dele?
Dan expôs o que estava em sua mente.
— É uma boa pessoa.
Foi o melhor que Otilo conseguiu dizer.Não sabia o que ela queria ouvir.
— Você foi muito bem, Dan.Uma namorada perfeita.
Dan corou.
Após passar da sua cancela, Otilo pediu para ela estacionar.
— O que foi?
— Agora que deu 9 horas, dissemos ao seu pai que iríamos à cidade, tudo bem se ele souber onde estava?
— Não.Mas, também não quero ser pega aqui.
— Não seremos pegos.Vamos conversar um pouco.
Otilo pegou na mão dela, Dan puxou no mesmo instante.
— Está tudo bem, não vou te desrespeitar, embora eu queira muito te beijar agora.
Dan, inconscientemente, se inclina para trás.
— Me faça uma pergunta.
Ela pediu.
— Como?
— Disse que tem uma lista de perguntas.
— Ah, você pode começar.
— Eu não tenho perguntas.
— Tem certeza?
— Sim.
— O que você mais gosta de fazer?
— Trabalhar.
— Além de trabalhar?
— Gosto de escrever.
— Ah é mesmo?E o que você escreve?
— Nada de mais.
Não contaria que mantém um diário.
— Me conta um sonho seu, algo que deseja muito realizar.
— Não tenho tempo para sonhar.
— Você é feliz?
— O senhor foi feliz com a sua esposa?
— Disse que não tinha perguntas.
— Não tinha.
— Para mim está fugindo da minha pergunta.
— Penso o mesmo do senhor.
— Eu fui feliz, sim, pena que não valorizei como deveria. Eu tinha que ter me dedicado mais ao nosso casamento.
— Onde morava antes de se mudar para cá?
— Eu sou do Rio Grande do Sul, mas tenho residência em São Paulo atualmente.
— Tão longe...
— Sim, bastante.
— Quando diz que mantém residência em São Paulo, quer dizer que pretende retornar para lá?
— Sim, tão logo eu coloque todos os negócios em ordem nesta fazenda, retornarei para cuidar de outros negócios.
Dan ficou pensativa por alguns instantes.
— Não fique preocupada. Você vai gostar de viver lá e estaremos sempre visitando as fazendas.
E não imaginou, em nenhum momento, que teria de se mudar de sua terra natal. O quão longe seu pai é capaz de ir por dinheiro? Ela até estava disposta a aceitar o casamento e criar um laço com Otilo, mas depois disso, não estava mais com ânimo para servir cegamente as vontades de seu pai.
Lembrou-se de sua carta na manga, a qual guardava para a pior das situações: seu João. Sabia que se as coisas ficassem insustentáveis, poderia contar com ele para se livrar das garras de seu pai.
Girou a chave do carro sem nenhum aviso e dirigiu de volta para casa.
Otilo percebeu sua chateação. Não devia ter dito nada sobre se mudar, ainda não havia chegado nem perto do seu coração. Algumas verdades deviam ser evitadas.
— Dan, eu gostei muito de passar um tempo com você. Vamos sair no domingo? Ainda temos muitas coisas para conversar.
— Sinceramente? Não gostaria de ter que te ver outra vez.
— Dan?
A voz dela saiu embargada. Otilo se sentiu profundamente triste ao ouvir tais palavras.
— Caso não tenha notado, eu sequer sou uma menina. Eu não saberei te dar essa tal felicidade que você deseja e não faço ideia do que é ser uma esposa, especialmente de um homem mais velho e com um filho!
Chegaram na garagem nesse momento.
— Eu entendo, mas não desistirei de te conquistar.
Dan desce do carro sem dizer nada. Seu pai os aguardava na varanda e ela precisou fingir cordialidade por alguns minutos antes que Otilo de fato fosse embora.
— Como foi o encontro?
Artur perguntou assim que entraram em casa.
"Péssimo, por mim não haverá segunda vez!"
Dan desejava falar como se sente, mas não funcionaria com seu pai.
— Bom. Boa noite, pai.
Diário
Eu nem sei por onde começar, minha cabeça está uma bagunça. Ao que tudo indica o seu Otilo está mesmo planejando se casar comigo. Me chamou para sair e o levei até o seu João, mas estou arrependida. Fiz a maior cena diante do velhote para que acreditasse que gosto do seu Otilo, mas tudo que mais quero agora é me livrar desse compromisso.
Prometi ser leal ao meu pai e fazer tudo por ele, mas dessa vez é demais para mim. A casa do seu Otilo é em São Paulo e ele pretende me levar para lá se nos casarmos. Eu não tenho condições de sair daqui, deixar esse lugar não está nos meus planos.
Estou pensando em pedir ajuda ao seu João, mas isso mataria o meu pai de desgosto. Não sei o que fazer para me livrar dessa situação.
A cada ano que passa a minha dor se torna mais profunda e agora tenho a impressão de que esse ano vai ser pior do que tudo que já vivi.
Ainda penso se uma corda não seria a solução ideal para os meus problemas, mas tenho medo de deixar meu pai sozinho, por mais que ele ame a Ávila com devoção e gaste mais do que ganha todos os meses com ela, sei que ela não deixaria sua vida para cuidar dele, ela pensa só em si.
Enfim, preciso pensar muito nos meus próximos passos.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Maria Ida Duarte
já tá ficando chato ela se preocupar tanto com esse escroto do pai dela que só agride e humilha wla tem que tomar uma atitude e logo
2025-01-28
3
Beth Silva
autora muda um pouco a história está ficando muito monótono, essa memice de Dan com o Otília já deu o que tinha que dar
2025-02-05
0
Zuriel Portella
eu também, estou achando ela muito sem noção, parece que gosta de apanhar ,e sofrer
2025-02-10
0