Otilo avançou assim que a porta foi aberta, mas estava escuro.
Por quê?
Será que essa menina resolveu se revelar ao anoitecer e se insinuar para ele após ter se mostrado recatada o dia inteiro?
- Não entre. Só abri porque ameaçou abrir antes.
- Por que está de luz apagada?
Dan notou ele se inclinar a procura do interruptor, mas se adiantou e tirou sua mão do local.
- Não ligue!
- O que está havendo?
- Não esto vestida adequadamente\, por favor\, saia daqui!
Mesmo com a luz fraca da noite, Otilo pode ver a roupa que ela vestia e compreendeu. Para alguém que veste feito homem o dia inteiro, não seria fácil mesmo aparecer assim no jantar na casa de um estranho.
- Por isso não saiu para jantar?
Ela não respondeu.
- Você sempre se veste com roupas masculinas\, Dan? Por quê?
- Vou deixar seu prato aqui e volto mais tarde.
- Não volte. Não gosto de conversar com estranhos.
Ela pediu rapidamente.
- Eu voltarei.
Otilo foi bastante preciso na mistura de bebidas e não levou mais que uma hora e seus hóspedes estavam totalmente bêbados. Pediu alguém para levá-los aos seus quartos e foi até sua adega particular e escolheu um bom vinho e duas taças das suas favoritas. Precisava encontrar uma forma de fazer Dan falar.
Bateu novamente em sua porta, ela nem podia acreditar nisso. Foi até a porta.
- Quem é?
- Sou eu.
- Por favor\, vá embora.
- Não vou te fazer mal algum\, prometo.
Dan se viu obrigada a abrir.
Otilo entrou com a garrafa e as taças. Os colocou no aparador da cama. Dan, suspeitando que ele viria, colocou o roupão, assim, estaria mais protegida. Ele sentou em uma ponta da cama e a pediu para sentar na outra.
- Gosta de vinho\, Dan?
- Não\, senhor!
- Tenho certeza de que vai gostar desse. É um vinho exclusivo direto da minha terra. Essa garrafa foi envasada há 10 anos.
Dan não demonstra nenhuma surpresa ou interesse. O observa abrir a garrafa e servir as duas taças.
- Prove\, Dan.
Ela obedece e belisca o vinho tinto seco.
De fato, nunca tomou nada parecido, além de ser a primeira dose de bebida alcoólica.
Gostaria de rejeitar a taça, João e Carme sempre a alertaram a não tomar bebida ofertada por estranhos, mas queria provar mais um pouco desse sabor.
- Gostou\, Dan?
- Sim.
- Você já foi gorda\, Dan?
- Não\, senhor... Por quê?
- Vi como você come\, mal toca na comida\, nem as coisas mais gostosas te fazem repetir uma porção. Você tem atitudes de anoréxica.
- Ano... O quê?
- Deixa pra lá.
Otilo depositou mais vinho nas suas taças.
- Dan\, o que achou de hoje?
"Por que ele repete meu nome em cada frase?" Dan se perguntava. Também não sabia o que responder.
- Foi bom.
- Se interessou pela agricultura?
- Não.
- Por quê?
- Eu prefiro o que já fazemos.
- Seu pai está bastante empolgado.
- Sim.
- Se ele resolver tocar a lavoura\, o que vai fazer?
- Apoiá-lo.
- Mesmo não gostando?
- Faço qualquer coisa pelo meu pai.
- O ama tanto assim?
- Minha cabeça está pesada\, quero dormir.
Ele completou sua taça outra vez.
- Dan\, o que faria se não precisasse mais trabalhar?
- Surtaria.
Mesmo no escuro da noite, um fio de luz vindo da janela permitia a Otilo ver suas expressões faciais, pouco a pouco o efeito do vinho desarmava sua armadura.
Horas antes fez essa mesma pergunta à Ávila e a resposta foi bem diferente.
- Eu viajaria o mundo inteiro. Usaria as roupas mais luxuosas e teria uma mansão espetacular num dos lugares mais caros do país.
Foi a resposta de Ávila.
- Por que diz isso\, Dan?
- Eu trabalho a minha vida inteira\, desde o primeiro raiar do sol até o último\, não ter o que fazer me deixaria a merce dos meus pesadelos.
- E quais são seus pesadelos?
- A culpa é o maior deles. Nunca conseguirei me livrar da culpa de ter tirado a vida da minha mãe.
Otilo se arrepiou com essa reposta.
- Como ela morreu?
Ele se atreveu a perguntar.
- Durante o meu parto.
Otilo se recompôs, aliviado.
- Não era pra ser assim\, eu não tenho valor nenhum\, mas ela era tudo que o meu pai e a minha irmã tinham e eu tirei isso deles.
Dan começou a puxar algumas mexas do seu curto cabelo com muito força.
— Não diga isso! Você é valiosa e não tem jamais que pensar dessa forma.
— Saia daqui. Não gosto de falar com estranhos!
— Deixe-me te consolar.
— Não sou digna de consolo, saia de uma vez.
Otilo retirou a taça de sua mão e se retirou. Que descoberta dolorosa! Foi de propósito que serviu bebida a ela a fim de descobrir mais sobre seus sentimentos e emoções, mas não imaginou que o que Dan escondia tão bem era dor.
Na manhã seguinte, antes do café da manhã, Otilo levou Artur até uma mesa na área de laser e começou a negociação. Após passar a noite em claro, precisava resolver isso o mais depressa possível.
— Muito bem Artur, eu analisei bem a sua situação e sua vontade de entrar na agricultura cheguei a uma conclusão, irei te ajudar a se introduzir nesse ramo, passarei todos os conhecimentos necessários, mas tenho uma condição que não poderá ser negociada.
— Diga.
Os olhos de Artur brilhavam.
— Quero me casar com a sua filha.
Artur fica boquiaberto por alguns instantes e então aperta a mão de Otilo, fechando "o negócio".
— Tenho certeza de que ela ficará feliz em aceitar.
Diz Artur.
— Vou até o escritório e retorno em 30 minutos para tomarmos café da manhã.
Otilo se levanta e sai, deixando Artur nas nuvens. Vai imediatamente contar para Ávila o sucesso de seus esforços.
Enquanto isso, Dan acorda com a cabeça pesada como se tivesse tomado porrada. Se recorda da segunda vinda de Otilo e se sente a maior idiota por aceitar bebida de estranho. Vai até o banheiro e toma uma chuveirada longa. Olha para suas roupas penduradas e sabe que não tem outra opção a não ser vesti-las. Com sorte iriam embora pela manhã ainda.
Se reuniu com sua família na varanda indicada pela funcionária.
— Bom dia pai, bom dia Ávila.
Os dois estavam extremamente felizes e sequer dirigiram um olhar para Dan quando ela os saudou.
Pouco depois Otilo chegou e os chamou para sentar à mesa.
Como das outras vezes, Dan era a que ficava mais distante de Otilo.
Começaram a comer, Dan, preocupada em não dar vexame como no dia anterior, bebe apenas uma xícara de café puro sem açúcar.
No meio da refeição, Otilo começa a falar.
— Eu gostaria de aproveitar o momento para fazer um pedido especial.
Artur e Ávila ficam apreensivos, Dan sequer se move em sua cadeira.
Otilo se colocou de pé e caminhou até ela, contornando o seu pai, que estava entre eles.
— Dan, quero pedir que aceite ser a minha esposa.
Foi direto ao ponto exibindo uma caixinha com um anel solitário. Certamente era grande para os finos dedos de Dan, mas era uma emergência, apenas um gesto simbólico, logo trocaria por um perfeito.
Dan olhou para a cena incrédula.
— Pai!
Dan e Ávila o chamam ao mesmo tempo. As duas estavam profundamente confusas. Artur estava com o rosto aterrorizado. Quando foi que pensou que Ávila seria a escolhida? Algo em Dan atraiu o velho milionário desde o primeiro instante. A frustração era perceptível.
Pela primeira vez, Dan teve coragem de tocar o seu pai, virou-se para ele e segurou seu pulso, seus olhos estavam assustados, mas o que encontrou em seu pai foi indiferença.
— Pai.
Não adianta, não encontraria apoio em seu pai.
O que é um casamento? O que era tudo aquilo? Nunca foi uma mulher e agora seria uma esposa?
- O que me diz\, Dan? Otilo estava ansioso pela resposta.
Dan ficou de pé, suas pernas tremiam. Ávila não aguentou a cena e se retirou a passos largos.
— Vocês têm a minha benção, filha.
Artur finalmente falou. Ficou de pé e saiu para consolar sua filha querida.
— Ben...ção...?
— Dan, aceite ser a minha esposa e me faça o homem mais feliz da terra.
— Feliz...?
Dan não conseguia conectar as palavras pra falar uma frase sequer.
— Desde o primeiro momento em que a vi você me despertou especial atenção.
— Não nos conhecemos a mais de uma semana, que loucura é essa?
Dan finalmente conseguiu falar.
— Eu não sou mais um jovem e não tenho tempo para namorar, por isso quero me casar o mais rápido possível, com você aqui teremos tempo de nos conhecer.
— Por que não escolheu a minha irmã? Ela aceitaria sem pensar duas vezes.
— Porque é de você que eu gosto.
— Eu quero ir embora.
— Se não aceitar meu pedido, não tenho motivos para fazer negócios com o seu pai.
Otilo não queria usar de um golpe tão baixo, mas não a deixaria partir sem um sim.
Dan engoliu em seco. Eis o significado da benção ofertada por seu pai.
Dan respira fundo e aceita que o anel seja colocado em seu anelar direito.
— Sei que está grande, mas é provisório, logo te darei um feito especialmente pra você.
Dan caminha em direção à saída. Ávila já está organizando suas coisas no carro, não quer ficar nem mais um minuto, Dan agradece por isso, também quer ir embora.
— Eu irei visitá-los ainda esta semana.
Avisa Otilo na despedida, Dan evita sequer olhar para ele.
— É bem-vindo em qualquer momento, Otilo.
Diz Artur forçando para não mostrar o quanto se sente derrotado.
Durante o percurso de volta, Dan é ofendida de todas as maneiras possíveis por Ávila que a acusa impiedosamente de ter seduzido o velho rico de forma cínica e deliberada. Por vezes chegou a puxar os cabelos dela.
— E ainda por cima está com o cheiro dele nos cabelos, pai!
Denunciou ainda mais furiosa.
— Dormiu com ele, Dan?
Artur perguntou surpreso.
— Não, senhor! Ele me emprestou um kit com sabonete e xampu ontem, só isso.
— Mentirosa! Cínica!
— Parem com isso!
Artur estava possesso e esse escândalo de Dan não estava ajudando.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Lauany De Oliveira Gomes Null
no começo sim no comecinho eu achei que ela ia ficar com o filho dele mas ela vai ficar com ele cara ele tem uns 40 e poucos anos eu tô chocada eu tô gente eu tô passando mal e isso e não do jeito ruim do jeito bom cara isso é estranhamente p**** c****** isso amiga arrasa pega esse mais gostoso maravilhoso perfeito bom dia porque eu tava com a feminina
2025-02-13
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Alice Miesse
Dan tem que pegar essa oportunidade de casar com esse senhor, para se livrar desse pai que só maltrata, é deixa ela até passar fome, meu Deus que judiação.
2025-01-23
2
Lauany De Oliveira Gomes Null
vai passar quem tá falando da outra filha a latinha sabe a outra se mas mano era a filha que ele quer casar emocional do pai isso vai dar m**** depois mas depois eu fui abaixar quatro mas por enquanto em bebê dela vai beber que ela ficar alcoólatra
2025-02-13
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