— Tenho assuntos para resolver em Palmeiras durante o dia, mas eu gostaria de jantar com você a noite. Você pode vir comigo? Te deixo na casa de alguma amiga ou onde quiser enquanto eu trabalho e a noite saímos para jantar.
— Não tenho amigas.
— Num hotel então.
Dan olhou para ele com muita fúria nos olhos.
"O que ele pensa que eu sou? Acha que por que somos noivos pode me tocar ou fazer sabe-se lá o quê?!"
— Calma, não me olhe assim, eu não esto com segundas intenções, só quero jantar com você.
— Eu preciso trabalhar. Não posso ficar por aí fazendo nada enquanto o senhor trabalha.
— Tudo bem, eu venho te buscar no fim do dia. E não aceito não como resposta.
Dan não tinha mais o que dizer e não queria mesmo gastar saliva. Chegaram até o trator e fizeram o abastecimento.
— Não precisa fazer isso, senhor. Vai se sujar.
Dan reparou na camisa cara e branquíssima de Otilo.
— Por que seu pai não contrata gente para fazer esses trabalhos? Isso não é tarefa para uma mulher.
— Eu não sei, deve ser por falta de dinheiro.
— Se seu pai não tem dinheiro para contratar uns dois ou três funcionários como espera tocar uma lavoura para exportação?
Dan também se fazia essa pergunta, mas não queria entrar nesse mérito com Otilo.
Retornaram para casa, Artur já estava pronto e os aguardava com uma garrafa de café quentinho e pães de queijo.
— O pão de queijo do Tocantins não é famoso como o mineiro, mas eu garanto que vai gostar destes, é uma receita da minha mãe.
Contou Artur enquanto servia o café para Otilo.
— Obrigado.
Otilo pegou sua xícara e entregou a Dan.
— Obrigada, senhor.
Aquele "senhor" persistia, mas Otilo sabia bem que essa era uma forma dela o manter afastado e não se envolver emocionalmente
Dan não se lembra qual foi a última vez que comeu um pão de queijo do seu pai quentinho. No geral ela só comia quando estavam dormidos e já não eram tão gostosos.
Se pergunta mais uma vez, por que seu pai a criou por todos esses anos se não a ama?
— Preciso ir trabalhar agora, mas combinei de vir pegar a Dan para jantar comigo.
Otilo não pede, mas apenas comunica a Artur e isso o deixa internamente furioso.
"Terei que tolerar isso desse velho? Miserável! Sabe que estou em suas mãos e faz o que quer de mim."
— Está bem.
Assim que Otilo vai embora Artur se dirige a filha.
— Foi você quem teve a ideia de ir jantar com ele, não foi?
Apertou forte o braço dela.
— Não, senhor!
— Não, senhor!
A Imitou com voz fina.
— Eu te conheço o suficiente pra saber a cobra astuta que tu és. Sempre sorrateira, conseguindo tudo o que quer. Se eu tivesse outra saída... Ah, se aparecesse outra saída, eu acabaria com essa animação do Otilo e o mandava para o quinto dos infernos.
— O senhor precisa mesmo se envolver com ele? Nós já temos um trabalho, estamos até reformando as pastagens, pai.
— Desde quando te dei liberdade para se envolver nos meus assuntos? Vá trabalhar e me deixe em paz!
Dan pegou a moto e foi trabalhar no trator.
No fim do dia foi até João. Ele estranhou ela chegar meia hora mais cedo que de costume, mas não questionou a princípio.
— Seu João, preciso ir, até amanhã!
— Tão rápido?
— É, tenho um... compromisso.
— Eu fiz hoje do seu queijo favorito, entre e coma.
Dan se sentia mal por ainda não ter contado sobre Otilo.
— Seu João?
— Sim?
— Eu posso trazer uma pessoa aqui hoje?
— Pessoa?
— É, meu namorado.
— Quê?!
— Eu vou entender se não quiser, eu só queria que o senhor o conhecesse.
João respirou fundo. Essa era uma novidade pela qual ele não esperava tão cedo.
— Quando arranjou um namorado, Daniela?
Ela estremeceu ao ouvir seu nome inteiro. Pelos seus cálculos era a primeira vez que ouvia João a chamar assim.
— Velhote, não posso mesmo continuar aqui, ele já deve estar lá em casa me esperando.
— Venham jantar.
Disse João quando ela já estava a alguns metros de distância.
— Está bem.
Quando Dan chegou em casa, Artur estava fazendo sala para o recém-chegado Otilo. Já passava um pouco das 18 horas. O cumprimentou com um aperto de mãos.
— Trouxe isso para você, Dan.
Otilo entregou uma sacola de kraft de uma loja de roupas.
— Não precisava, senhor.
— Espero que use hoje.
— Verei se me serve.
Dan não estava nem um pouco interessada em vestir roupas femininas para agradar aquele velho. Sabe-se lá que imoralidade ele deve ter comprado para ela.
O pior de tudo para Dani eram essas cenas na frente do seu pai, não sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha. O consolo é que isso tudo é arrumação dele mesmo, mas ainda assim não a deixa confortável.
Tomou banho e voltou pro seu quarto. Só então abriu a sacola e encontrou um Chemise preto.
— Pelo menos parece decente.
Dan vestiu um top e um short de lycra e o vestido por cima. A roupa cobria seus joelhos e isso a deixou mais confortável. Calçou uma bota de cano curto e salto baixo, era o melhor que tinha em calçados Secou um pouco mais os cabelos na toalha e saiu.
— Dan, que cabelo bagunçado minha filha!
Artur a repreendeu assim que viu.
— Está?
Dan perguntou levando a mão ao cabelo.
Otilo se sentiu incrivelmente atraído por aquela garota, agora com olhos confusos.
— Está bem assim, vamos, já está tarde.
Otilo estendeu a mão para ela segurar.
— Por que não jantam aqui mesmo? As estradas para a cidade não estão tão boas, vão demorar muito pra chegar.
Artur não queria mesmo deixar que saíssem, mas não tinha poder para impedir Otilo.
— Numa próxima vez Artur. Chegaremos antes da meia-noite.
Dan arregalou os olhos ao ouvir o horário. Como assim, meia-noite? O que ele pretende?
Ignorou a sua mão estendida e o seguiu até a caminhonete.
— Dirige por favor, Dan?
— Não, obrigada.
— Por favor, estou cansado.
Dan olhou para ele pensando em perguntar por que ele insistia nesse encontro se estava tão cansado.
— Está bem.
- Eu tenho algo para pedir e gostaria que aceitasse.
Começou Dan.
— Diga.
— Quero que conheça uma pessoa.
— Quem?
— É alguém muito importante para mim. Contei a ele que estou namorando e ele nos convidou para ir jantar com ele.
— Hoje?
— Sim.
— Dan, eu já planejei tudo para nossa noite, por que não falou nada pela manhã quando deixei você escolher?
— O senhor está certo, mas eu não consegui contar pra ele que vou me casar e não posso fazer isso pelas costas dele.
— Por que ele é tão importante pra você?
Dan pensou um pouco antes de responder.
— No mundo inteiro, ninguém me ama como ele.
Corou ao dizer tais palavras, ainda não havia pensado sobre isso. Mas suas palavras descreveram tudo que seu coração sente. Tudo que João fez por ela até o momento só expressa amor.
Otilo não entendeu e ver suas bochechas corarem o deixou receoso.
— O senhor pode ir comigo até lá e mostrar para ele que vamos ficar bem juntos?
— Por que está me pedindo isso?
Otilo começou a se irritar.
Dan parou o carro. A essa altura não podiam mais ser vistos por seu pai. Criou coragem e segurou a mão esquerda de Otilo com suas duas mãos trêmulas e frias.
— Eu não posso decepcionar o meu pai, mas se o seu João não se convencer de que eu quero me casar com o senhor e de que estou feliz, não me deixará casar.
Otilo finalmente entendeu.
— Está bem, faremos isso juntos.
— Obrigada.
Dan deu um pequeno sorriso.
— Para começar, acha que ele vai nos ver como um casal se você me chamar de senhor?
Dan ficou vermelha novamente.
— Vou me esforçar.
— Pois comece a praticar, Dan.
— Está bem, Otilo.
— Muito bem.
— Outra coisa, eu não mencionei noivado, acho que é muita informação para um primeiro encontro com ele.
— Compreendo.
Dan voltou a estrada. Depois da cancela de entrada para sua casa, precisariam dirigir por mais 2 ou 3 minutos e já estavam na entra das terras de João.
— Estamos perto.
— Que ótimo, Dan.
— O senhor, quer dizer, você gosta muito de falar meu nome, por quê?
— Não sei, nem havia notado. Ah Dan, temos tantas coisas para conversar, eu fiz uma lista mental enorme de perguntas para te fazer, daí você muda os planos no último minuto.
Dan não sabe o que responder e fica em silêncio.
— Tenho muita pressa em te conhecer.
— Hum, o se... você sabe o meu nome?
— Seu nome?
— É.
Dan se lembrou de João ter chamado seu nome mais cedo, às vezes nem ela mesma se lembra do seu nome de tanto que está em desuso.
— Não. Pensei que fosse Dan.
— Daniela.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 95
Comments
ROSIMEIRE DA CONCEIÇAO FRANÇA
pobre garota
mas apareceu o amor
mesmo com essa diferença de idade
2025-02-26
0
Elis Alves
A outra iria seduzir e dormir com o ricaço e estava tudo certo e a Dan que é a cobra? Safado
2024-10-09
0
Elis Alves
Quem iria trabalhar era a Dan 🤷🏻♀️
2024-10-09
1