— Vamos para casa?
— Ainda tenho trabalho no escritório. Pode ir na frente, Dan.
— Se importa se eu for com você?
— Claro que não.
Os dois caminharam de mãos dadas até o escritório e isso se tornava cada vez mais fácil e prazeroso para Dan, já não soava tanto as mãos e nem sentia tanto desconforto quanto antes.
Dan cumprimentou as duas mulheres que trabalhavam na recepção do escritório e continuou sendo guiada por seu noivo até a sala que ele compartilhava com Otto.
— Olá, Otto.
Dan o cumprimentou.
— Oi!
Ele sequer ergueu a cabeça dos papéis que estavam em sua mesa.
Os olhos de Dan se prenderam na belíssima cadeira por trás da mesa desocupada. Certamente de Otilo.
— Que cadeira bonita! Deve ser muito confortável.
— Ela é, sim, experimente.
Otilo a guiou segurando em seus ombros, até chegar a cadeira e a fez sentar-se.
-Estou me sentindo uma doutora agora!
Brincou Dan.
-Seriam necessários pelo menos 6 anos de estudo e alguns milhares de reais.
Disse Otto em tom de zombaria.
-Nada que eu não tenha.
Respondeu Dan, porém se arrependeu no mesmo instante. Não deveria desafiar o filho do seu noivo dessa maneira.
-Ainda nem se casou e já está contando com o dinheiro do meu pai?
-Otto!
Otilo o repreendeu na hora.
-Me desculpe por isso.
Pediu Dan de cabeça baixa, envergonhada de sua atitude.
-Não tem do que se desculpar.
Otilo deu a volta e se sentou na cadeira de frente para Dan.
-Pode vir pro seu lugar, Otilo, não quero atrapalhar o seu trabalho.
-Não está me atrapalhando em nada.
Dan olhou o computador super moderno em sua frente. Só teve contato com computador na época da escola e sequer tinha internet. Não conseguia nem se lembrar do que faziam nas aulas de informática.
-Pode usar o computador, se quiser.
Disse Otilo observando seus olhos curiosos.
-Não, obrigada.
-Não seja tímida, não vai me atrapalhar em nada.
Dan se inclinou bem para ele e disse:
-Eu não sei usar.
Se esforçou para Otto não ouvir e parece ter conseguido já que pelo canto do olho notou a frustração dele por não saber sobre o que ela falava.
Otilo riu do seu jeitinho acanhado e se levantou para ensiná-la a ligar.
-Não precisa, disse que tem muito trabalho...
Ele se posicionou atrás dela e a ensinou quais botões apertar para iniciar a máquina. Ela observou tudo com atenção. Deu uma aula rápida de Word, Google e YouTube.
— Obrigada!
Otto achou o fim da picada ela não saber ao menos ligar um computador e nesse instante ele até sentiu compaixão por ela. Era evidente a diferença entre estilo de vida dela e de sua irmã. Nem pareciam ter o mesmo pai.
Dan pesquisou algumas imagens de cavalos e se emocionou ao encontrar uma parecida com o seu cavalo, Steeve.
-Olhe, esse cavalo se parece bastante com o meu.
-É muito bonito.
-Conseguiremos ir amanhã na casa do meu pai?
-Não tenho certeza disso, Dan. Tenho muitas pendências aqui.
-Hummm...
-Talvez no finzinho do dia.
Dan ficou calada por mais alguns minutos antes de recomeçar.
-Será que eu posso... montar um dos seus cavalos?
-De jeito nenhum!
Otilo levantou os olhos rápido ao responder.
Dan pensou que ele tinha ciúmes dos seus cavalos caros e por isso a negou.
-Está bem.
Se sentiu bastante envergonhada de receber tal recusa do seu noivo na frente do Otto. Foi tal o seu constrangimento que o computador perdeu toda a graça.
-Pode me ensinar a desligar?
-Mal começou a usar, querida. Fique mais um pouco, ainda tenho uns trinta minutos aqui.
Respondeu sem tirar os olhos do que estava fazendo.
-Acho melhor eu ir embora, só estou tirando sua concentração.
-Não está não. Fica!
Finalmente olhou para ela e pegou em sua mão. Estava fria.
-Você está bem?
-Hunrum.
Dan estava com seu velho semblante impenetrável. Ele se sentiu perdido por alguns instantes, então se lembrou de ter negado o cavalo, porém não explicou o motivo.
-Está chateada por...
— Conversamos depois.
Ela o interrompeu, não bastava ter um pedido negado na frente de Otto, não começariam agora uma discussão.
Se levantou e deixou a sala, pouco se importando se o computador estava ligado.
Andou a passos largos e entrou em seu quarto muito desgostosa.
— Milionário miserável!
Sentiu uma vontade imensa de quebrar alguma coisa. Sempre que sentia essa vontade, ela quebrava casas de cupim nos pastos, agora estava num lugar desconhecido e não sairia no findar da tarde a procura de cupins.
Tomou banho e se arrumou com um pijama de calça e camiseta manga longa.
Sentiu fome e não se importou de ir comer antes dele chegar.
— Está tudo bem, Dan?
— Está sim.
— Você parece aborrecida.
Insistiu Marta. Ela apenas comeu em silêncio por um tempo.
— Você já ouviu a expressão: "Quanto mais rico, mais miserável?" É isso que o meu noivo é.
Contou de uma vez.
— Daniela!
Otilo gritou seu nome com conhecida raiva fazendo todos os pelos dela se arrepiarem. Criou coragem e olhou para trás de onde vinha a voz. Otto estava ao lado de Otilo.
Dan se colocou de pé e caminhou na direção deles, porém passando direto em direção aos quartos.
Otilo foi após ela e Otto ficou rindo.
— Do que ela estava falando?
Ele perguntou à Marta.
— Eu não faço ideia.
Dan entrou em seu quarto e sentou na cama aguardando a chegada de Otilo, ela podia ouvir seus passos logo atrás. Ele entrou e fechou a porta.
— Dan, você não pode fazer esse tipo de coisa! É muito feio sair por aí falando mal do seu noivo, especialmente com empregados. Se tem um problema comigo, resolva comigo!
— O que não é nada bonito é você me privar de montar os seus cavalos caros!
— Você entendeu tudo errado, Dan! O preço dos meus cavalos não tem nada a ver com eu não querer que você os monte.
Otilo sentou ao lado dela que se afastou imediatamente.
— Eu não quero que você monte porque tenho medo que você caia outra vez. Ainda tem cicatrizes frescas da queda, como pode querer montar?
— Isso é um absurdo! Eu monto desde criança.
— E ainda assim caiu!
— Não está querendo dizer que não vou mais montar.
— Por mim nunca mais montaria mesmo!
— Isso eu não aceito!
Ela se colocou de pé em grande fúria.
— Saia da minha frente agora ou eu não respondo por mim!
— Não me trate dessa maneira, isso é rude e infantil.
— Que se dane! E fique sabendo que ninguém pode me impedir de montar, se não for no seu cavalo será em outro!
Dan queria quebrar alguma coisa e nesse momento essa coisa era a cabeça de Otilo. Como um homem pode ser tão estúpido?
Diário
Olá, tem acontecido uma porrada de coisas nos últimos dias. Tenho sentindo muita falta de escrever, mas deixei meu antigo diário na casa do meu pai. Espero poder recuperá-lo em breve.
As coisas estavam até indo bem aqui no Otilo, mas hoje tivemos uma briga feia e acho que as coisas vão desmantelar definitivamente entre nós.
Sempre que passo muitos dias sem escrever, minha mente fica muito acelerada.
Não contei que cai do cavalo, ou melhor, o meu pai me derrubou. Foi horrível e por vários dias tive pesadelo com isso. Foi tão violento que fraturei uma costela, mas já estou praticamente recuperada. Ontem foi o meu retorno no médico.
Também foi minha primeira consulta com o psicólogo, resolvi ir porque senti que estava dando muito trabalho ao Otilo e também por que acho que comecei a gostar dele, mas agora não sei. Ele pensa que caí do cavalo de forma acidental e hoje disse que não irei mais cavalgar. Fiquei puro ódio.
Confesso que embora esteja muito brava com ele, agora que penso em tudo que disse a ele, estou com medo. Dei o meu primeiro beijo e o meu coração foi roubado, agora corro um sério risco de sofrer por amor. Que coisa ridícula! Eu jamais imaginei que passaria por isso um dia.
Também devo contar que ganhei roupas femininas, roupas muito bonitas e o meu cabelo está crescendo. Antes eu o aparava 1 vez ao mês, agora está prestes a fazer 2 meses.
Muito em breve serei uma mulher de verdade...
Obrigada por me ouvir, agora me sinto mais calma.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
ROSIMEIRE DA CONCEIÇAO FRANÇA
pobre garota
tem muito o que aprender com a vida
2025-02-27
0
ARMINDA
🤣🤣🤣😍🤣🤣 QUE BOM DAN TA REAGINDO.
2024-06-26
4
Ivanilda Santos
Ela foi criada num casulo de terror!
2024-01-22
13