— Não é o que a minha consciência diz.
— Dan, consciência é algo formado por meio de experiências e de tudo que você ouve. Ou seja, se você cresceu ouvindo alguém te acusar pela morte da sua mãe, naturalmente sua consciência vai se desenvolver segundo essa acredita. Seu pai a culpa?
— Eu não quero falar sobre o meu pai.
— Está bem. Vamos falar sobre a sua infância?
— Não tem muito o que dizer. Minha avó ajudou meu pai a cuidar de mim e da minha irmã nos primeiros anos. Eu tenho um vizinho ótimo, o seu João, ele tinha uma esposa que se chamava Carmem e eu a amei muito. Eles me deram meu cavalo no meu aniversário de 12 anos, foi o próprio seu João quem me ensinou a montar ainda criança.
A dona Carmem gostava de pentear os meus cabelos, mas no fim da sua vida, eu é quem penteava os dela. Conversamos bastante e ela foi como a minha mãe. Quando ela se foi, eu sofri demais, mas como já trabalhava com meu pai e com o seu João na fazenda, não pude sofrer numa cama, de certa forma foi o melhor, eu não sei se teria me conseguido me reerguer da cama caso caísse nela.
— Isso faz quanto tempo?
— Mais de 3 anos. E tem dias que ainda ouço a voz dela me dando conselhos, como se ainda estivesse aqui.
Dan deu um risinho ao lembrar disso.
— Eu imagino. Esse sentimento de perda é natural do ser humano, nenhum de nós está preparado para perder quem ama.
— É.
— E o período de escola, como foi?
— Terrível, eu não gosto de ficar perto de muita gente, além disso, meus colegas sabiam da minha história e espalharam que matei a minha mãe.
— Que horrível, Dan. Mas você fez amizades, não fez?
— Nenhuma. Eu não eu dou bem com gente.
— E como conheceu o seu noivo? Estou curioso pra saber a história de vocês.
— É difícil acreditar que alguém como eu, conseguiu um noivo, não é mesmo?
— Não, em momento Algum pensei assim, Dan. Com eu disse, só quero te conhecer bem. Se não quiser falar sobre, pode me contar das outras pessoas que fazem parte da sua vida.
— Eu estou sufocada, angustiada, por isso falei mais do que jamais falei com um estranho antes, mas acho que já basta.
— Muito bem, Dan… Você diz que sente uma dor muito forte, correto?
— Sim.
— Olhando para essa dor, de quem você acha que é a culpa?
— Minha.
— Por que, Dan?
“Por que carrego um grande pecado? Por que aceitei ser o saco de pancadas do meu pai achando que tudo passaria? Por que guardei tudo só para mim?”
— Como faço para mim libertar disso?
Perguntou com os olhos cheios de lágrimas.
— Se conhecendo, Dan e se amando mais do que a qualquer outra pessoa.
— Me... conhecer?
— Sim. É uma jornada cheia de espinhos, mas no fim, você se tornará uma mulher forte e bem resolvida, livre de todos os paradigmas que te prendem nessa dor. Você quer isso, Dan?
— Quero.
— Pois bem, nós vamos conseguir isso juntos.
Apertaram as mãos. Dan agradeceu e saiu do consultório.
As lágrimas que ela não derramou lá dentro, derramou no banheiro.
Otilo chegou uns 20 minutos depois.
— Como foi?
— Suportável.
— Marcou o retorno?
— Sim. Daqui a 8 dias.
— Perfeito. Vamos almoçar?
— Vamos.
Após o almoço, foram ao shopping.
— Eu soube que as coisas aqui são muito caras.
— Nem tanto. A vantagem aqui é que não precisamos percorrer vários lugares, tem tudo aqui é só procurar de loja em loja.
— Não preciso de muito.
Otilo a ajudou a escolher algumas calças jeans.
— Não vão servir!
Reclamava antes de provar, mas quando vestia se surpreendia. Nunca teve calças femininas e se achava meio estranha exibindo as curvas do corpo e o formato da bunda.
— Ficou perfeito, querida. Vamos levar.
— São muito justas, como vou cavalgar com isso?
— Temos calças exclusivas para montaria.
Disse a vendedora.
Otilo a fez comprar alguns vestidos também, mas ela não aceitou experimentar.
— Está gastando dinheiro atoa, eu não vou usar isso.
Ele pegou alguns maiôs também. Dan não queria ficar discutindo com ele na frente dos outros e só observava. Compraram alguns tênis e uma bota indicada pela vendedora para ela usar com suas novas calças de montaria.
Foi obrigada a escolher uma dúzia de lingeries, mesmo avisando que não usa sutiãs.
— Já chega, Otilo. Se não parar, vou embora.
— Está bem, bravinha.
Depois da terceira loja de roupas e calçados, entrou numa loja de cosméticos e perfumaria.
Dan ficou tonta de tanto experimentei perfumes e acabei sendo guiada pelas escolhas de Otilo. Levou cremes de pele, sabonetes e linhas de creme de cabelo.
— E maquiagem?
Ofereceu a vendedora.
— Eu estou bem assim.
Respondeu Dan.
— Otilo, quero ir embora, estou cansado e com sono.
— Está bem.
Otilo pagou pelos produtos e pegaram um táxi pro hotel.
— Vou te deixar aqui e me encontrar com o Otto, a noite te levo pra jantar, está bem?
— Sim.
Dan ficou no belíssimo quarto de hotel sem saber o que fazer com tanta sacola de compras. Estava cansada, mas acabou abrindo cada uma das sacolas e conferindo suas coisas. Nem um ano inteiro de trabalho poderia pagar por tudo aquilo.
Admirou cada um dos vestidos com atenção especial. Tirou sua roupa e experimentou um de cor verde esmeralda. Ele tem decote fechado e manga longa soltinha com elástico no punho. Seu comprimento cobriu levemente seus joelhos.
O vestido ficou bonito, mas quando olhou para os seus cabelos curtos, mal cortados, desanimou.
A cama parecia muito macia e Dan preferiu se jogar nela e esquecer todo o resto.
Já era noite quando Otilo entrou no quarto. As sacolas estavam todas reviradas e Dan dormia relaxada sobre a imensa cama vestida em seu vestido verde.
Otilo trouxe um jogo de malas para ela e também uma bolsa preta. O mais especial estava embrulhado num papel de presente.
— Dan?
— Oi?
Ela se sentou rápido.
— Dormi demais?
— Está tudo bem, acabei de chegar.
Otilo foi até ela e entregou o embrulho.
— Obrigada.
Ela abriu com cuidado e encontrou um caderno tamanho A5 de capa dura na cor rosa, lindíssimo.
— É lindo, obrigada.
— Você disse que gosta de escrever, imaginei que seria o presente perfeito.
— Acertou. Gostei muito.
— Você está muito linda nesse vestido.
— Eu só estava experimentando…
— Usa ele hoje a noite, marquei um jantar apenas para nós dois.
— Eu nunca usei vestido antes. Não vou me sentir bem.
— Eu vou garantir que fique bem.
— Eu vou tentar.
Otilo tomou banho e se arrumou antes dela. Vestiu uma camisa branca com as mangas dobradas até o antebraço, uma calça preta esporte fino e sapatos pretos. Ele usa dois anéis muito bonitos, um deles deve ser coisa de família, porque Otto também tem um igual. Colocou uma corrente de ouro que ficou a mostra ao abrir alguns botões da camisa. Esses detalhes o deixaram muito sexy e pronto pro seu primeiro jantar romântico.
Dan colocou o vestido novamente após o banho e ficou se olhando no espelho. Não conseguia ver nada além do seu cabelo desalinhado e as cicatrizes em seu rosto.
— Eu não consigo.
Deixou o quarto disposta a procurar outra roupa. Se deparou com Otilo que vendo seus cabelos penteados se aproximou e os bagunçou carinhosamente.
— Você está maravilhosa!
— Não me sinto maravilhosa.
Otilo a abraçou.
— E como você se sente?
— Indigna de estar aqui.
Otilo a apertou um pouco mais.
— Não se sinta assim, eu amo ter você nos meus braços.
Dan suspirou profundamente.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Cristiane F silva
Uma menina cheia de traumas mora na alma. Dela espero que ela se cure psicólogicamente e de ao pai e irmã um belo pé na brunda
2025-01-29
0
Janndiacira De Fatima Ferreira
Ela tem razão de ser a sim arrisca, neo teve amor do pai.
2025-02-26
0
Alice Miesse
Eu ela deveria, sentir _se no céu, com um homem assim.
2025-01-23
0