Parecia um milagre, Gabriela dormiu a noite inteira e acordou ao mesmo tempo que Jéssica e o pai. Ela não chorou ou reclamou, já conseguia se virar e ficar de bruços com os bracinhos esticados e assim viu os dois deitados e começou a dar seus gritinhos, feliz.
Jéssica acordou desorientada, sentindo um peso sobre seus braços e pernas e ao ouvir os gritinhos de Gabriela, sorriu, mas depois tentou se levantar, totalmente atônita.
— Não acredito que dormi aqui?
Miguel soltou-a com pesar, estava tão bom.
— Deita de novo, está tão quentinho.
Ela estava sentada e virou para olhá-lo.
— Safado, você se aproveitou de mim.
— Estava tão bom. — disse ele se espreguiçando de olhos fechados.
Ela não aguentou e riu. No fundo, gostou de acordar com eles, olhou em volta e sentiu como se fossem uma família. Realmente, era uma situação muito boa. Mas não podia continuar ali parada, levantou-se e foi ao banheiro, se aliviou e lavou o rosto, passando as mãos molhadas no cabelo, para abaixar o volume.
Enquanto ela fazia isso, Miguel olhou Gabriela e viu que a fralda não vazou, mas estava cheia, trocou-a, passando um lenço umedecido para que não ficasse desconfortável e com cheiro de xixi. Depois de vesti-la, pegou-a no colo e ela estendeu a mãozinha para a porta do banheiro e Jéssica saiu, recebendo um sorriso lindo e o pedido de colo.
Ela pegou a menina e Miguel correu para o banheiro de seu quarto, se aliviou, escovou os dentes e lavou o rosto, passou o pente no cabelo e foi rápido para a cozinha, preparar a mamadeira, mas Jéssica já estava preparando e Gabriela, sentadinha no bebe conforto, esperava.
— Tudo certo aí? — perguntou ele e quando ela se virou para olhar para ele, ele beijou sua boca, rapidamente e se afastou, fazendo parecer algo natural.
Jéssica não estava entendendo nada, mas sentia que estava caindo em uma armadilha e se deixava cair. Na verdade, Miguel causava um sentimento de pertencimento nela, como se seu lugar fosse ali e não tinha nada de errado nisso. Terminou de fazer a mamadeira e foi dar para Miguel que estava com a filha na sala.
— Aqui a mamadeira, vou embora.
— Obrigado, Jéssica, foi muito bom ter você aqui.
— Não disponha, tentarei manter distância.
Ela foi em direção a porta, pelas costas deles, para que Gabriela não a visse, voltou para a cozinha e saiu pela entrada de serviço e finalmente entrou em sua casa. Tomou um bom banho, lavou os cabelos, escovou os dentes e sentiu-se bem, limpa e fresca. Foi para a cozinha e fez um bom café da manhã, levou para a varanda da sala, onde havia uma mesa específica para aquele momento.
Dali conseguia ver as montanhas que rodeavam a cidade e as árvores e telhados das casas vizinhas. Escolheu aquele lugar a dedo, para poder ficar sozinha e em paz, ter momentos como aquele e relaxar. O trauma da violência que sofreu, a fazia querer estar sempre só.
Tinha dezoito anos quando começou a sentir dores no ventre e era apaixonada por seu namorado, estava no terceiro semestre de faculdade e ele terminando e na época, insistia em querer transar com ela. Ela foi ao médico para se prevenir e os exames detectaram um pequeno nódulo em seu ovário esquerdo. Precisou fazer uma biópsia e em seguida um tratamento.
Seu namorado se irritou com a demora e não se conformava com a falta de interesse dela, foi quando começou a ser chamada de frígida e o apelido pegou entre seus colegas de faculdade. Ele a humilhou diante de todos e quando o tratamento não adiantou e precisou fazer uma cirurgia, retirando o ovário e a trompa, precisou ficar internada, ele foi ao hospital e terminou o namoro, dizendo que além de frígida, agora ela era estéril e ninguém iria querê-la, muito menos ele.
Ela estava muito fragilizada na época, o que tornou as acusações que ouviu, mais fatídicas e pesadas do que eram realmente. Seus pais estavam fazendo uma especialização no exterior e nunca souberam o que aconteceu e ela precisou vencer tudo aquilo sozinha. Parou a faculdade por um semestre e voltou assim que pode, terminando o tratamento, estudando.
Nunca mais quis namorar a sério, até tentou, mas todos achavam que era frígida, por não demonstrar seus sentimentos. Seu maior erro, foi namorar um dos médicos do hospital, que não aceitou bem a rejeição e espalhou o apelido e era por isso que Carlos a chamava assim, querendo ofendê-la em sua feminilidade.
Não queria se expor, seria como cutucar velhas feridas, não tinha certeza de era frígida, mas a médica foi taxativa, era quase impossível que ela engravidasse e como teria uma família? Os homens não queriam uma mulher frígida e estéril como esposa.
Por isso ficava ali sozinha, naquele apartamento grande, com só um vizinho e com cores bem claras, era para manter sua cabeça tranquila e seus nervos relaxados. Tomar aquele café da manhã na varanda, olhando a natureza, ouvindo só o som dos passarinhos e respirar o ar puro, era tudo que precisava para continuar a viver.
Uma lágrima rolou solitária por seu rosto, ao lembrar daquela menininha se jogando em seu colo, tão linda e cheia de amor para dar. Um amor puro, sem cobranças, só amor. Queria ela para si, queria ser a mãe daquela menininha, mas era impossível. Miguel é um homem viril, que gosta de sexo, viu o entra e sai de mulhetes daquele apartamento, não se satisfaria com uma mulher como ela.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Tânia Principe Dos Santos
Jéssica nunca teve relações íntimas pelos vistos pois na altura teve o problema e as pessoas foram cruéis com ela. Ela sofre sozinha e lamento.
espero que Miguel consiga a ajudar
2025-03-20
6
Alexsandra Sousa
(Na verdade são raros os homens na vida real que se satisfazem com uma mulher só?
2025-03-19
1
Rosa Hosana Santos
você nunca se permitiu ser amada tente você vai amar o resultado
2025-03-22
0