Miguel ficou encarando a doutora, que de braços cruzados, olhava direto em seus olhos, como se lançasse dardos inflamados.
— Nós somos um hospital grande e muito visado. Não podemos dar margem a nenhuma acusação e por isso, toda criança que dá entrada por maus tratos, nós precisamos informar.
Ele olhou para sua filhinha, tão indefesa e que ele fazia de tudo para que ficasse bem e franzindo a testa, perguntou:
— Como posso ser acusado de maus tratos, sempre fui tão zeloso em cuidar dela?
— Venha, vamos sentar e conversar.
Sentaram no sofá cama para os acompanhantes e ela começou a explicar:
— O senhor terá que decidir, o senhor denuncia o verdadeiro culpado ou nós denunciamos o senhor e ele.
— Como vou denunciar um amigo por causa de um engano?
— É isso que o senhor não está entendendo, não foi um engano, foi uma negligência dupla e não foi a primeira vez. A diferença entre a vida e a morte de sua filha, fui eu socorrê-la rápidamente.
— Mas ele era o pediatra dela, cuidava dela desde o primeiro mês e sempre foi correto.
— O senhor continua defendendo quem quase matou sua filha, devo considerar que o senhor ama mais o seu amigo do que sua filha?
Miguel levou um susto com a pergunta dela e parou para refletir, analisando passo a passo do que aconteceu e declarou:
— Você tem razão, ele foi totalmente irresponsável com minha filha — começou a chorar — eu deixei, confiei nele e ela quase morreu.
Ele ficou chorando e ela olhando.
— Eu até entendia o seu descaso com a bebê, pois considerava ser meramente ignorância por ser pai de primeira viagem. Mas hoje você passou dos limites, quis voltar a sua vida de bebidas e farra e negligenciou a vida que está sob sua responsabilidade.
— Você está certa, mas foi tudo tão de repente…não quero perder minha bebê. — se levantou e foi até o bercinho, tocou a perninha dela e ficou fazendo um carinho. — eu já a amo tanto.
Jéssica foi até ele e completou:
— Como o hospital é muito visado, um caso como esse, não passará despercebido a mídia, ainda mais sendo um caso de negligência infantil. O senhor é um empresário famoso, estou lhe dando a oportunidade de continuar com sua filha. O que decide?
— Darei parte do Dr. Carlos.
— Então venha comigo, por favor.
— Onde?
— A minha sala, a delegada da vara da infância está lá esperando o seu depoimento, vou lhe ajudar.
— Rápido assim?
— É registrado no momento que a criança dá entrada, é para proteção da criança.
— Está bem, vamos.
Ele acompanhou a mulher elegante e linda, mas não sabia mais o que sentir sobre ela. Ela implicava em tudo que ele fazia, mas sempre estava ajudando, mas agora se sentia usado como arma de vingança. Mas ela estava certa, sempre achou Carlos inconsequente, mas agora ele passou dos limites.
Entraram na sala e ele leu a plaquinha na porta Diretora Jéssica Bittencourt e ficou surpreso. Entendeu o respeito de todos por ela e sua autoridade ao dar ordens. Havia uma senhora esperando, que se levantou quando entraram. Jéssica sentou na cadeira por trás da mesa e nós, nas poltronas em frente, depois de nos cumprimentarmos.
— Sinto muito por passarmos por essa situação, a médica me passou a situação por alto, mas gostaria que contasse exatamente o que aconteceu.
Miguel contou para a delegada, tudo que aconteceu desde que recebeu a filha e como cuidou e que aquela foi a primeira vez que reuniu seus dois amigos para comemorar o quarto mês de vida de sua lindinha. Ele não sabia, mas seus olhos brilhavam e seu rosto se iluminava ao falar da filha.
Ao terminar de narrar, a delegada perguntou:
— Se o senhor tem convênio com este hospital, por que deu sua filha para um pediatra particular.
— Eu o conhecia desde a faculdade e confiava nele e até esta noite, ele cuidou bem dela.
— Como sabe que ele cuidou bem dela?
— Tenho uma babá e uma enfermeira, que são experientes e disseram que ele estava fazendo tudo correto, até essa noite.
— Entendi, senhor Mendes, até essa noite não tinha nada contra ele?
— Não.
— E agora?
— A negligência dele quase matou a minha filha e não posso tolerar isso. — era notável a irritação dele.
— Tudo bem senhor Mendes, cuide de sua filha e não descuide de seu bem estar, estude para saber o que um bebê precisa. Deixe o restante do caso por nossa conta.
— Obrigado, delegada. Então eu vou embora, preciso buscar algumas coisas para pernoitar no hospital. Você fica, doutora?
— Sim, obrigada.
— Eu que agradeço. Tchau.
Foi embora e chegou em casa correndo e Álvaro ainda estava lá, com Carlos, tinham convidado mulheres e a farra continuou, mesmo sem ele em casa. Ele ficou estarrecido. Como puderam fazer aquilo, quando sua filha estava no hospital, correndo risco de vida?
Ele foi até o aparelho de som e desligou-o, olhou para Álvaro, sem acreditar que o amigo o traiu daquela maneira. Mostrou a todos a porta aberta e esperou que entendessem que era para saírem, sem ter que explicar. Eles cataram as roupas e foram para a porta.
— O whisky fica.
— Ah, desculpe. — disse Carlos, colocando a garrafa na mesinha perto da porta de entrada.
Miguel foi atrás e trancou a porta, depois de ouvir o elevador descer, ligou para a portaria e avisou que estavam descendo pessoas proibidas de voltarem a sua casa. Só então preparou uma bolsa para ele e outra para sua filha e voltou ao hospital.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Tânia Principe Dos Santos
agora acordou pra merda de pessoas que se dizem seus amigos
2025-03-20
5
Rosa Hosana Santos
que tipo de amigos são esses que não se importaram com um bebê no hospital 🤬🤬🤬🤬🤬
2025-03-22
0
Expedita Oliveira
😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱😱
2025-03-20
1