Depois de se abraçarem, Bella olhou bem pata Lua e a convidou para entrar.
— Como você está? — perguntou Bella.
— Bem, mas confusa. Um Alfa me encontrou e marcou e me transformei em uma loba grande, dourada e cheia de poder. Não sabia que existia isso.
— Acho que é um efeito glandular, falei pra você sobre os efeitos do uso excessivo das ervas.
— Não é magia ou algum tipo de poder da lua ou coisa assim?
— Onde ouviu falar disso?
— Dos livros de histórias, romances, coisas assim.
— Fantasia, invenções, nada a ver com a realidade. Lobisomens não foram criados pela lua ou coisa assim. O que você tem, é perfeitamente explicável e vai passar com o tempo.
— Nós temos tantas regras, leis e crenças, que é difícil saber o que é e o que não é, real.
— Você tem razão, mas venha descansar, você deve estar exausta, depois conversaremos e examinarei sua loba.
Luz foi se deitar na única cama de solteiro que havia na cabana e Bella saiu para colher algumas ervas pela floresta, iria fazer uma infusão para limpar o organismo da loba, de todo excesso das toxinas acumuladas. Voltou e viu que Luz dormia tranquila, fez a infusão e expalhou erva de lobo ao redor da cabana e também colocou algumas armadilhas, para anunciar se algum lobo chegasse sem ser convidado.
Luz dormiu o restante da noite e a manhã toda. Bella deixou, preparou um cozido de coelho, com legumes cultivados por ela mesma e o cheiro acordou Luz, que não se alimentava há muito tempo. Levantou, sorriu para Bella e saiu para se lavar no riacho atrás da cabana. Depois que se lavou, entrou e comeu com vontade o ensopado. Depois de saciada a fome, bebeu o chá feito por Bella e esperou.
— Agora preciso que deixe sua loba sair, para que eu possa examiná-la.
Luzia se mostrou, linda e orgulhosa de si, Luz ria dentro de sua cabeça, ao ver a loba toda prosa.
— Venha cá, loba garbosa, vou examinar você. — disse Bella, sorrindo.
Bella se aproximou, cheirou a loba, passou as mãos em seus pelos, examinou as orelhas, o focinho, as presas e todo o corpo da loba. Ela sorriu e deu um tapinha em seu pescoço e a liberou. Luz voltou e se vestiu, esperando o diagnóstico.
— Foi exatamente o que eu disse, o excesso das ervas de camuflagem, causaram toda a luminescência e colorido da loba, deve ter alterado até o aroma dela.
— Nesse caso, seria possível o Alfa ter me reconhecido erradamente?
— Depende de quando te encontrou.
— Eu não sei, ele me caçou pela floresta e quando me encontrou, me mordeu. Desmaiei e só acordei na casa dele. Na primeira noite, ele pediu para dormir comigo, mas explicou que só acasalariamos na lua de sangue, para mostrar a todos que ele tinha uma fêmea e dormiu sentindo meu cheiro.
— Não tenho como te responder, sem saber como ele te encontrou e reconheceu seu cheiro.
— Que situação e nem te contei, o Alfa Jason e meu pai, estavam lá e tentaram me reivindicar, mas não conseguiram e o Alfa matou meu pai e foi embora.
— Pelo menos, agora, você está livre de um.
*
Wolf uivava sem parar, no alto do monte, dando esperança para o Alfa vingativo, que não se conformou em perder sua mercadoria e ouviu com gosto o uivar de lamento do Lobo. Ela não o decepcionou, fugiu do companheiro, como fugiu dele. Não perderia aquela loba dourada, por nada.
Jason, é o nome do Alfa, feroz e temido por matar indiscriminadamente. Cresceu ao lado de um pai desesperado pela perda da companheira e desde pequeno, desenvolveu a violência, para descontar o ódio que recebia do pai. Quando adulto, matou o próprio pai e o Alfa da Alcateia, tornando-se o Alfa e todo aquele que ousava desafiá-lo ou desobedecer suas ordens, morria.
Quando em uma visita a outra Alcateia, passou por uma cidade, encontrou com o pai de luz que roubava os humanos desavisados e o seguiu. Foi até onde se escondia o lobo ladrão e avistou, por acaso, a loba dourada, que se transformou em uma linda jovem, que chamou o ladrão de pai. Dali até conseguir comprar a loba, foi um instante, mas não contava com a fuga da jovem e agora por obra do acaso, encontrou-a e voltou a sorrir.
Jason precisava da loba dourada para limpá-lo de algo que seu pai lhe fez, quando nasceu e sua mãe morreu. Não sabia o que era, nem como foi feito, só que o impedia de ser feliz, como uma maldição. Precisava possuir aquela loba, já ouviu falar sobre os poderes dela e era sua esperança de mudar de vida. Por isso, voltou pelo caminho e foi atrás do rastro da loba. Graças ao seu pai, sabia dos segredos de camuflagem dela e conseguiria segui-la.
Enquanto isso, Wolf cansou de ficar se lamentando e voltou para sua casa, tentou se comunicar através da ligação de companheiros, mas ela não respondeu, chegou em casa e voltou a forma humana, vendo que seu beta o esperava, junto com seu chefe de segurança, Osnir.
— Não encontro nem rastro dela, Alfa. — disse Osnir, vendo o Alfa se vestir.
— Pedi a Alcateia que se recolhesse, para não atrapalhar a busca. — disse o beta Ray.
— Não entendo o que aconteceu, foi uma confusão tão grande, que não notei nada de errado com ela. — lamentou-se Lucius.
— Como não haveria nada de errado, Alfa. — falou Cleide, entrando, acompanhada de seu companheiro, que ficou parado na lateral da porta..
— O que faz aqui, Cleide?
— Vim pedir clemência e lhe trazer informações preciosas.
— Fale e vá embora, não estou com ânimo para desculpas. Você a tratou muito mal e ousou passar por cima de minhas ordens, ajudando aquela abusada.
— Em minha defesa, tenho a dizer que tudo que fiz foi pensando no bem da Alcateia. Por quê não contou que ela era sua companheira? Não teríamos feito tudo que fizemos, se nos tivesse apresentado sua companheira.
— Você está certa, mas tá feito, não tem como voltar atrás. — resmungou Lucius.
— Desculpe, Alfa. Encontrei meu companheiro, ou melhor, ele me encontrou. Posso entender porque ela fugiu, depois de ser tomada por ele. Ela foi maltratada por nós e foi tomada sem amor na frente de todos. Nos sentimos usadas, como se não fossemos nada além de um objeto de prazer e não é bom. — seu companheiro rosnou — Além disso, meu companheiro Zilo, é da Alcateia do Alfa Jason, que o desafiou pela fêmea.
— Que foi uma afronta, já que ela é minha destinada.
— Acontece, que o tal Jason, comprou ela de seu pai, aquele que queria me levar e morreu pelas mãos do Alfa.
— Deixe-me falar com seu companheiro, homens se entendem melhor.
Cleide não gostou, mas chamou o companheiro, que cumprimentou o Alfa e se colocou à disposição.
— Me conte o que sabe. — pediu Lucius, começando a se preocupar com a segurança de sua companheira.
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Atualizado até capítulo 58
Comments
Silvia Araújo
sei não
2024-11-15
1
Suelen Andrade
deveria ir atrás da própria companheira
2024-10-23
3
Ana Lúcia De Oliveira
não tem o direito de maltratar uma pessoa por ser feia, não usar roupa bonita, qualquer ser vivo merece respeito, cuidado
2024-05-22
21