Quando sai, olhei a recepção estava limpa como nunca. Acho que até limparam mais do que a água que derramei. Tudo parecia está perfeito. Quando coloquei os pés para fora, uma moto parou na minha frente. Dei um passo para trás.
— O chefe mandou te levar para casa. — O homem disse.
— Vou sozinha. Pode dizer a ele que eu dispensei a carona. — Falei andando. Eu que não iria subir na garupa de um cara aleatório, sem que ninguém tivesse realmente aqui para me dizer se ele era confiável ou não.
— Patroa, não faz isso. Chefe vai me jogar em uma vala. Colabora comigo. Eu tenho filhos para criar. — O homem estava agitado.
— Eu mando mensagem informando a ele. Não se preocupe. Nada vai acontecer. Avisarei que eu mesma me neguei e que você insistiu, mesmo assim eu não aceitei. — Eu disse enquanto andava. O homem me seguia na moto.
— A patroa tem certeza? — o homem insistia
— Já estou quase lá. Eu tenho certeza — Não sei vocês, mas não me parece muito normal aceitar carona de um desconhecido, que diz ter sido enviado por alguém. Tenho juízo, não muito, mas tenho.
O homem continuou me seguindo, como tivesse agindo com um guarda-costa. Não reclame. Apenas não ia subir em uma moto. Logo que cheguei em casa, o senhor acelerou a moto e foi embora. Ao entrar, enviei a mensagem. Não queria uma morte de um pai de família nas minhas costas.
Sarah: Recusei respeitosamente a carona que me mandou. Eu não vou subir em uma moto aleatória não, tá doido? Ele ainda insistiu, mas não quis. O motoqueiro ainda em acompanhou até em casa, para garantir minha segurança.
Thanatos: Alguém já disse que você é uma rebelde sem causa?
Sarah: Cuidado. Posso ficar rebelde e te fazer dormir no sofá.
Thanatos: Já disse que você é linda?
O chefe do morro mais diferenciado que eu já vi. Geral tem medo dele? Parece ser tão manso. Bem, se eu pensar bem, ele chegou cheio de armas invadindo a minha casa e praticamente me sequestrou para o morro. No mínimo, ele tem práticas claramente questionáveis.
Assim que pisei dentro da mansão, ouvi os gritos de Beatriz. Quando passei pela porta, Jade estava no sofá, com as mãos na cabeça e Beatriz gritava.
— Finalmente você chegou. Eu já tentei de tudo. Ela não quer me ouvir. Falei que compraria outra igual. Mesmo assim. Segue gritando. — Jade parecia esgotada. O erro da tia estava em pensar que a boneca era substituível. Não funcionava assim com as crianças, ainda mais, uma com autismo.
— Beatriz, o que acha de procurar a boneca comigo? Ela é especial para você, certo? — Falei sentando ao lado da menina, mantendo uma distância para não invadir o espaço pessoal dela.
— Sim. Vamos. — Beatriz parou de gritar e me olhou pela primeira vez.
— Pode me dizer a última vez que lembra de está com a boneca? — Perguntei, a menina que havia olhando para mim, logo voltou a desviar o olhar.
— Thelma — Beatriz respondeu agitada brincando com os dedos. Estava ansiosa. Era visível sua inquietação.
— Então vamos começar por lá. Tenho certeza que iremos encontrar. Vamos comigo? — Sugeri me levantando. A menina me seguiu uns passos de distância.
— Como você consegue fazer isso? Parece um dom. Fez o mesmo com meu irmão. Pinta de leão no morro, mas na sua mão parece um gato. — Jade parecia aliviada com o fato da sobrinha não está mais em crise.
— Você está exagerando. Então, você vem com a gente? — Perguntei andando na direção do portão.
— Sim, ao menos vou me sentir menos inútil. — Jade concordou.
A casa de Thelma era um pouco mais distante que a clínica, mas não era tão longe. Na verdade, eu estava até gostando de andar por aí. Estava relaxada. Jade havia coberto a cabeça de Beatriz com o gorro do casaco que a menina usava. Acho que tentam o máximo que o rosto da menina não seja visto. Logo chegamos na casa de Thelma.
— Graças a Deus vocês estão aqui. Eu já estava indo lá — Thelma disse, nos encontramos na porta da casa — Diego escondeu a boneca da menina enquando dava banho nela. Jade chegou agitada, pegou a menina e jogou no carro antes que desse conta do brinquedo. Me desculpa. Essas crianças aprontam. Beatriz está bem?
— Boneca — Beatriz esticou a mão na direção de Thelma, que sorriu entregando a boneca a menina.
— Vejo que ela está bem. Estava tão nervosa. — Thelma parecia realmente ofegante.
— Não tem mistério. Sarah é encantadora. Conseguiu domesticar meus irmão, quem dirá aclamar a filha dele. Temos um tesouro aqui, dona Thelma. — Jade brincou. Ela estava aliviada.
— Isso é maravilhoso, minha filha. Agora vão logo. Está ficando tarde. A hora de dormir da menina já está chegando. — Thelma parecia realmente boa com a rotina da menina ou sofreu um bocado para se acostumar.
Nos despedimos de Thelma, estávamos caminhando para casa, quando passamos pelo bar que almoçamos ontem, Thanatos estava escorado na moto conversando com Laíse, que estava quase se jogando no colo dele.
— Papai? — Beatriz não gostou nada do que viu.
— Viu porque não confio? Enquanto eu estava desesperada com a filha dele, o idiota estava paquerando com marmita por aí. — Jade estava irritada.
— Isso é fácil de resolver. — Sorri tirando o celular do bolso.
Sarah: Sabia que médicos são ótimos com bisturis? Não será difícil cortar seu amiguinho fora de forma que nunca mais consiga implantar ele novamente. Fica a dica, garanhão.
Na mesma hora que recebeu a mensagem, Thanatos começou a olhar ao redor. Eu continuei andando. Não vou surtar antes de ouvir uma explicação dele. E caso não goste da explicação, tenho um bisturi novo que gostaria de testar.
Quando dei conta, a moto parou na nossa frente. Jade deu um passo para trás, eu me coloquei na grande se Beatriz em reflexo. Depois que percebi que se tratava de Thanatos.
— Enlouqueceu, idiota? Quase nos matou do coração. Pensei que estava ocupado pegando marmita de qualidade ruim. Vamos, Beatriz. — Jade estava mais chateada que eu. Thanatos me olhava parecendo analisando.
— O que rolou? Porque Beatriz está andando pelo morro com vocês duas e a essa hora? — Thanatos perguntou ignorando totalmente a alfinetada da irmã.
— Boneca! — Beatriz respondeu abraçada com o brinquedo.
— Jade? — Thanatos olhou sério para irmã.
— Ela perdeu a boneca. Foi um show dentro de casa. Não consegui acalmar ela de jeito nenhum. Liguei para Sarah, quando ela chegou, falou duas palavras e a menina se acalmou. Por fim, a boneca havia sido esquecido em Thelma. Satisfeito? — Jade respondeu e apressou o passo.
— Você está bem, Beatriz? — Thanatos perguntou descendo da moto. A menina só concordou com a cabeça.
— E você? Parece cansada. E bem ameaçadora. — Thanatos nos acompanhava empurrando a moto, parecia não ter qualquer dificuldade em segurar ela, que para ser sincera, parecia bem pesada.
— O dia foi cheio. A noite estressante. E ainda tive que lidar com uma rinha de galinhas na minha recepção. Acredita que eu tive que jogar água para apartar? — Brinquei. Thanatos não tirava o olho da menina, ao mesmo tempo que olhava tudo ao nosso redor.
— Soube que você só faltou fazer com que elas lambessem o chão. Tá circulando por aí, que você depenou totalmente Laíse na frente de todos. E ainda deu maior sermão em geral. — Thanatos pareceu sorrir.
— Estava consolando ela por ter perdido penas? — Perguntei e ele gargalhou alto.
— Não, minha mulher não me deixa olhar para o lado e ela tem habilidades com bisturi. Laíse é uma espiã, parece que estão querendo invadir o morro. Como gosto muito da minha vida, achei melhor encontrar com ela na rua, na frente de todos, só que em um lugar fechado. — Thanatos era inteligente. Com toda certeza fofoca aqui rola rápido. Eu já havia percebido. Se ele encontra essa vaca em um lugar fechado, amanhã mesmo eu ficaria sabendo na recepção da clínica, certeza.
— Conseguiu fugir do bisturi. — Brinquei.
— Papai — Beatriz chamou.
— Oi, meu amor. Precisa de algo? — Thanatos perguntou.
— Cansada. — Beatriz disse ao pai, estendendo os braços para ele. A menina era bem pequena, estávamos subindo um morro depois de descer. Era esperado as pernas dela cansarem.
Thanatos parou a moto no meio do nada. E colocou a menina nos braços, continuou andando. Olhei para trás sem acreditar que ele ia deixar ali.
— Vai deixar a moto ali? Não é perigoso? — Perguntei surpresa.
— Estou com algo ainda mais valiosos nas minhas mãos. E isso aqui, Sarah, não tem preço. Depois volto para pegar a moto. — Thanatos parecia feliz com a filha no colo.
Se fosse em outra situação, eu pensaria que a menina era mimada, mas na verdade, eles apenas tentam lidar como podem com a singularidade da menina. E ela não é especificadamente mimada. Andou até muito. Sei disso porque as minhas pernas estão doendo.
Quando chegamos no portão da mansão, a menina já havia adormecido nós braços do pai. Foi tão rápido. Thanatos pareceu ter perdido que eu observava.
— Beatriz é pura rotina. Ela come na mesma hora, acorda, dorme, brinca. Se tudo for feito na rotina dela, não há qualquer problema. Chega na hora dela dormir, ela simplesmente dorme. — Thanatos explicou.
— Por falar nisso, minha amiga respondeu, ela disse que prefere que levemos Beatriz na clínica dela. Assim ela pode analisar a garota fora da zona de conforto dela, compreender seus limites e singularidades. — Expliquei enquanto entravamos.
— Pode marcar o melhor dia para ela? Me avise e iremos. Claro que você terá que ver como fará na clínica. — Thanatos respondeu. Já estava subindo com a menina para o quarto. Jade descia com uma bolsa.
— Vou dormir fora — Jade disse sem ao menos olhar para o irmão.
— Eu não vou quebrar a cabeça com isso não. Você é grandinha o suficiente para saber o que faz. Não sei o que está te deixando arrisca comigo, mas saiba que não vou ficar tentando descobrir. Quando tiver sozinha, em uma situação ruim, não venha me procurar. — Thanatos falou sem olhar, subindo a escada.
— Obrigada por me ajudar com Beatriz hoje. Eu... preciso relaxar um pouco. Te encontro amanhã na clínica. — Jade sorriu sem vontade.
— Eu não entendo o que está acontecendo entre vocês dois, mas você não parece bem, Jade. — Não queria me meter.
— Eu sei. Vou ficar. Muita coisa na minha cabeça. Me desculpa por colocar você em situações ruins. — Jade disse descendo as escadas e acenando com a mão.
Subi para o quarto, a melhor parte de ficar no quarto de Thanatos era o banheiro que tinha nele. Tirei a roupa e me coloquei debaixo do chuveiro. O dia tinha sido exaustivo. Estava com os olhos fechados, sentindo a água caindo no meu corpo, quando sinto Thanatos me abraçando por trás e beijando o meus pescoço.
— Vamos continuar o que começamos ontem? — Thanatos disse roçando seu membro no meu.
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Atualizado até capítulo 74
Comments
surtada_😝
COMO ASSIM????? KKKKKKKKK "Roçando seu membro no MEU???????? KKKKKKKKK
2025-03-02
0
Jaqueline Morares Moraes
ela deve estar apaixonada por alguém que não deveria .
2025-02-20
0
Patricia Sousa
sei lá jade parece um pouco sem noção
2023-12-01
8