Estava totalmente confusa, nem sequer tinha feito o download da minha alma ainda. Já estava no fim da escada quando finalmente consegui perguntar algo. Meu cérebro demora um pouco para ligar depois que acordo
— O que está acontecendo? — perguntei totalmente confusa e bocejando, enquanto era puxada por Jade.
— O idiota do meu irmão. Ele está sangrando sem parar. Ontem se meteu em um B.O, resolveu tudo, mas agora está com problemas. Você é médica de verdade, né? Ajuda ele. Não posso perder meu irmão. Ele não parece nada bem. — Jade pediu em meio as lágrimas.
— Onde ele está? — perguntei. Jade apontou para o escritório. Será que ele é de ferro? Me questionei. Ele nem ao menos deveria tá conseguindo andar depois do sangue que perdeu. Sem contar a dor que deveria está sentindo. E mesmo assim, ainda está aprontando por aí.
Corri na mesma hora. Tenho certeza que ele havia quebrado os pontos com a falta de noção dele. Todo procedimento que fiz ontem foi fraco. Não tinha tudo que era necessário. Ele deveria está de repouso, não aprontando. Pode acabar morto mesmo nessa brincadeira. Onde ele está com a cabeça?
— Sério? Você está falando realmente sério? Você só pode ser maluco mesmo. Olha seu estado? — perguntei vendo a roupa dele encharcada de sangue.
— Rala peito. Deixa tudo com a patroa aí. — Thanatos falou olhando para os homens que estavam ao seu redor.
Os homens apenas concordaram e saíram me olhando surpresos com o que Thanatos havia falado. Parecia que eu era um ser raro ou um fantasma vai saber. O olhar deles era tudo, menos normal.
— Eu sou a patroa? Deixar o quê comigo, seu idiota. Acha que posso fazer o quê sem material nenhum. Faço milagres não. Sou médica, não santa. Se já estava ruim lá em casa, sem tudo que precisava, imagina aqui. Não tenho absolutamente nada. Seus pontos com toda certeza quebraram. Eu disse que você deveria ficar de repouso. Agora pode acabar morrendo por conta da teimosia. — Eu gritava irritada com ele. Me sentia de mãos atadas. Era frustante.
— Escrever aqui o que precisa, vão trazer para você. Fala menos e faz mais. Tu é muito barulhenta, porr@. — Thanatos gritou, tomei o celular da mão dele. Como ele ainda ousa me gritar. Quem grita com alguém que vai salvar sua vida?
— Olha como fala comigo. Não sou uma das tuas. Respeito. Tenho paciência para moleque marrento não. Se fizer cara feia, fico te assistindo morrer sem fazer nada. Melhor não me irritar. Não devo nada a tu.— Falei irritada enquanto anotava o que precisava. Passei o que passei com Félix porque dependia dele a vida dos meus pais, mas não vou aguentar mais abuso de ninguém mais nada minha vida.
— Tu realmente não tem noção do perigo que corre. Tanto faz. Terminou de escrever isso? Parece uma idosa. Demora demais para digitar. — Thanatos questionou.
— Toma! E você parece uma criança — entreguei o celular.
Thanatos mandou uma mensagem para só deus sabe quem, não demorou muito, cinco minutos, alguém bateu na porta. Eu estava já examinando o estragos de Thanatos. Os pontos estavam mesmo quebrados. Como ele perde tanto sangue e nem desmaia. O homem só pode ter super poder. Bem, ele é bem forte. O corpo dele parece que é bem malhado. Gostosinho até, pena que quando ele fala estraga tudo.
— Vai abrir. Ninguém vai entrar nesse lugar sem autorização. — Thanatos disse. Eu estava tão focada nele, que tinha ignorado a porta.
— A encomenda do chefe — Um homem alto me entregou. Olhava de um jeito que me fez querer fechar a porta. Senti que eu era um pedaço de carne. Que sensação horrível.
Peguei o pacote e fechei a porta. Meu coração estava acelerado. Aquele homem me deu muito medo. Não quero jamais ficar perto dele sozinha. Meu corpo inteiro me avisava que ele não era coisa boa.
— O que foi? — Thanatos perguntou.
— Não gosto como seus amigos me olham. Me sinto um pedaço de carne ou um animal raro em amostra no zoológico. — Expliquei e Thanatos gargalhou alto, depois fez careta. Deve ter doido. — Você é um idiota mesmo. Fica quieto.
— Você é diferente. Não entendo como se meteu naquela situação. Não parece o tipo de mulher que deixa alguém gritar ou levantar a mão para você. Parece o tipo que esfaqueia alguém sem pensar duas vezes. — Thanatos falou enquanto eu começava a limpar o sangue para refazer os pontos.
— Eu faria tudo por minha família, mesmo que fosse algo que acabasse me destruindo. Meus pais me adotaram quando eu era bem nova. Fui deixada na porta deles. Em momento algum, eles me trataram diferente, me negaram algo. Para meus pais, sempre fui a filha deles. Quando precisaram de ajuda, pessoas tão boas como eles, deveriam ter milhares de pessoas estendendo a mão, mas na realidade, ninguém quis ajudar. E quem ofereceu, apareceu com condições. Eu não podia deixar pessoas que me deram tanto amor, desamparadas. Como eu iria viver sabendo que o egoísmo meu acabou com a vida dos meus pais? Não acha que é um motivo para ignorar o que acreditamos? Não faria algo assim por Jade ou Beatriz? — Eu pensei várias vezes em fugir de Félix, não vou mentir, mas sempre que pensava nos meus pais, eu desistia. Eu sei. Parece absurdo, mas eu me sentia devendo a eles minha vida.
— Não sei. É fácil falar sem está realmente passando por isso. Parece difícil, qualquer decisão. Qualquer opção que você escolhesse, teria que abrir mão de algo. — Thanatos disse pensativo.
— Sim... — Eu não podia negar. Eu podia ser egoísta, mas minha mãe não teria tratamento e a empresa iria para o ralo. Eu me destruía naquele casamento, mas mantinha quem eu amava seguro.
Ficamos em silêncio depois disso, refiz os pontos, agora com anestesia suficiente. Não parecia que estava inflamado, mas achei melhor aplicar uma antiinflamatório venoso. Só por via das dúvidas. Thanatos não parece ser do tipo que vai ficar quieto e esperar recuperar. Depois deixaria ele tomando em comprimido.
— Terminei, mas você precisa de descanso. Perdeu muito sangue hoje e ontem. Sem falar que se ficar aprontando, vai acabar se ferindo de verdade ou morto mesmo — Expliquei enquanto ele levantava.
— Vou apenas fazer coisas fáceis hoje. Não se preocupe. Cadê sua lista? — Thanatos pediu.
— Aqui. — Respondi pegando a folha que estava na mesa e entregando para ele.
— Vou providenciar tudo. Resolver o lance dos seus pais e pegar suas coisas. Vou pedir a Jade para te levar para dar uma volta na área. — Thanatos disse antes de se virar — Não esqueça que você é minha mulher. Tome cuidado no que fala e como age por aí.
Thanatos saiu, eu fiquei organizando toda sujeira feita no escritório. Eu ficava naquela clínica, nunca aparecia nada realmente interessante. Já aqui, parece que será sempre caótico. Será que a minha vida é definida do oito ou oitenta? Meio termo não existe?
— Hey! Sarah, né? Tinha esquecido de perguntar seu nome. Meu irmão acabou de me dizer. Vem, vamos tomar café da manhã. Depois vou te mostrar o lugar. — Jade disse da porta — E Obrigada por ajudar meu irmão. De verdade. Você realmente é necessária aqui. Fico feliz que estava conosco.
Eu era necessária. O sentimento era bom. Eu não sei vocês, mas eu de tanto ouvir que fazia tudo errado, que nunca acertava nada, comecei a desacreditar de mim. Eu era uma mulher forte, determinada, sem medo. Félix destruiu tudo que eu era. Por fim, por conta dele, acabei encontrando no morro, uma forma de me refazer. Espero está fazendo a escolha certa.
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Atualizado até capítulo 74
Comments
Aninha Lobato
Abriu a boca,o encanto acaba 🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2024-11-18
2
Thaliaa Vieira
Era pra agir assim enquanto ainda estava lá com o Félix, não agora com alguém que te salvou também dá surra que estava tomando 🙄
2024-10-23
1
Marta Hedwig Schley
verdade ela e uma grande e forte mulher, q irá ajudar o povo do morro
2024-09-15
2