O café da manhã era tranquilo. Nada fora do normal. Eu sei. Soa até preconceituoso, mas todo lugar que visitei, as pessoas tem hábitos diferentes daqueles que eu estou acostumada. Comi bem. Logo já estávamos saindo para conhecer o lugar. Assim que coloquei os pés para fora do portão, o choque de realidade veio. Quando cheguei estava b escuro, eu não vi muita coisa. Agora, posso ver todo o cenário. Sabia pelo tamanho que a casa de Thanatos se destacava das demais. Só não imaginei o tanto. Enquanto as casas ao redor pareciam frágeis, a dele estava mais para uma enorme fortaleza. Parece que a injustiça estava até mesmo nas camadas mais humildes. Uns com tão pouco e outro com tanto.
— Assustou tão rápido. O que te deixou assim, as pessoas passado? As casas? — Jade me perguntou.
— Tudo. As casas são realmente seguras? O amontoado de fios não vai pegar fogo? Tenho certeza que isso é contra lei. E elas não são frágeis demais? Uma chuva forte pode derrubar? Estamos em um morro, não tem como ter um deslizamento de terra? — Quando estava falando, um motoqueiro passo por nós, na sua garupa vinha outro homem segurando uma arma enorme. — Ele está andando armado, a amostra no meio da rua? Não tem medo da polícia? E pior, porque as pessoas da rua não parecem surpresas com isso?
— Da polícia? Estamos no morro. A polícia só sobe aqui se meu irmão autorizar. Sem contar que ele tem os seus infiltrados. Acho que você não compreendeu ainda. Aqui não funciona como no asfalto. O dono do morro é a lei. — Jade explicou.
Não consegui dizer nada, parecia tão errado. Como uma espécie de ditadura? Não sei dizer, mas me parecia. Me pergunto quem colocou Thanatos no poder. Algo me diz que não se trata de uma democracia, sim, poder e força. E o que diabos significa asfalto que eles falam tanto? São as pessoas de fora do morro?
— Meu irmão disse que será aqui seu consultório. Até de noite tudo será organizado. A ideia dele é você começar amanhã já. Ele escolheu em um dos lugares mais acessível do morro. Queria que todos tivessem acesso sem grande dificuldade. — Jade explicou.
— Seu irmão parece um cara legal. — Tinha a visão de dono do morro totalmente diferente. Não encaixava naquela que Thanatos havia me mostrado. Pensei que ele apenas mandava e maltratava as pessoas. Nunca imaginei que pensava nos outros dessa forma.
— Não se engane, ele não é um cara legal. Se você pisar na bola, vai se arrepender. Então fique com isso em mente. Para meu irmão não tem essa de criança, mulheres ou família. Se errou, vai pagar do mesmo jeito. Pense bem antes de agir. Sei que parece ser afoita, mas pense bem. Ah! Vamos no supermercado, preciso comprar uns lanches para Beatriz. — Jade me alertou, mas eu não conseguia ver naquele homem um ser tão perverso. Será que estou olhando errado? Eu olhei bem, ele é um pecado. Não deveria pensar nisso. Sou casada, mas quando fecho os olhos, consigo ver aquele corpo negro, totalmente definido na minha frente. Eu devo está louca.
— Aliás, ainda não vi a tal da Beatriz. — Queria mudar de assunto, pensar no Thanatos me deixava um pouco "agitada". Melhor direcionar o pensamento para outro lugar. Houve tanto falar dessa Beatriz, mas não sei nem como ela é.
— Talvez nunca veja. Meu irmão cuida da filha como uma princesa. Ela é presa no castelo, só sai comigo ou meu irmão. Dentro de carro blindado. Nem mesmo estuda aqui. Meu irmão matriculou ela em uma escola do asfalto em tempo integral. Beatriz passa o dia todo lá. Se der bobeira, nunca andou pelo morro. — Jade parecia triste ao falar sobre isso.
— Você não gosta da forma que seu irmão está fazendo? — perguntei tentando entender a reação dela.
— Não, eu sei que ele está certo, mas Beatriz só tem contato comigo e com ele. Na escola, tem certa dificuldade de fazer amigos. E acho que ela está sofrendo bullying. É complicado. Eu não sei o que fazer. Não ensinaram como lidar com isso na escola. — Jade parecia se importar muito com a sobrinha.
— Hey! Paty, que papo é esse que Thanatos tá com fiel, porr@? — uma loira oxigenada, de barriga de fora, piercing na barriga, com short curto, tão apertado, que não fazia ideia de como ela conseguiu entrar naquilo gritou.
— Deixa de ladainha. Pega logo a visão. Se tu ciscar demais, vai acabar caindo de bigode — Jade disse, não entendi muita coisa.
— É essa vadia, porr#? — A mulher apontou para mim.
— Se tu gastar ela, vai acabar careca. — Jade falou.
— Seu irmão tá louco de pegar uma vadia dessa? Claramente ela nunca pisou no morro. — A loira continuava brava — Olhando bem para ele, eu não preciso me preocupar, você é apenas um brinquedo dele. No fim, ele é meu homem. Ele brinca, brinca com as outras, mas no fim volta para minha cama.
— Tanto faz. Pode sair da frente? Está atrapalhando nosso caminho. — Eu perdi a paciência. Fiz nada e estava sendo atacada. Eu nem mesmo tinha nada com Thanatos, a mulher tava me gritando por algo que nem fiz.
— Tu quer morrer? — A loira gritou.
— Não, eu quero passar. Acredito que falei simplificado suficiente até mesmo para seu cérebro sub desenvolvido compreender. Agora pode parar de me incomodar. Se tiver achando ruim alguma coisa, fala para o Thanatos. Se ele é teu homem vai ouvir o que você tem a dizer sobre mim e me mandar embora, certo? — Eu falei, dei dois passos e senti a mão dela puxando meu cabelo.
Foram segundos antes de vários homens nos cercarem armados. Todas as armas estava apontadas para loira. Que na mesma hora levantou as mãos assustada. De onde veio essa galera?
— Qualé, Laíse. Tu perdeu o juízo? Tocar na mulher do chefe, vamo vazar. — Um dos homens armados gritou com a loira. — Foi mal, Jade. Desculpa aí, patroa.
O homem alto, negro, magro, cheio de tatuagem disse olhando para Jade e depois para mim. Eu era a patroa? De novo com essa história.
— Manda o papo reto para sua irmã. Se meu irmão tivesse visto, sua irmã já era. — Jade explicou.
— Vamo, idiota. Só arruma problema. — O homem puxou a loira como se fosse um saco de batatas.
Quando pisquei, os caras armados haviam sumido. Quem diabos eram eles? Do nada. Jade pegou minha mão e me puxou para dentro do supermercado. Eu ainda olhava ao redor procurando os homens com suas armas imensas.
— São seus seguranças. Meu irmão colocou um monte de gente para te vigiar. Ele quer saber cada passo seu. Também te deixar segura. Sabe que você não entende como as coisas funcionam por aqui. Quer te manter na linha. — Jade explicou enquanto estávamos nos aproximando do caixa. Eu era prisioneira por acaso? Era o que estava parecendo.
— Saber meus passos? Isso não é demais? Ele por acaso tá desconfiando de mim? O que espera que eu faça? Sei nem sair daqui. Nem consigo me comunicar direito com ninguém. Vocês falam diferente. — Senti um nó na minha garganta. Mesmo assim. Talvez se eu voltasse para casa, Félix me mataria. Quase fui morta por menos do que isso. Talvez aqui fosse a única opção que eu tenho.
— Você é dele. Ainda não entendeu, né? Tu se tornou mulher dele. Propriedade dele. Ele não vai deixar você fazer o que quiser. Acho melhor colocar isso na cabeça logo. Você está na mão dele, querendo ou não. Melhor ser boazinha e não criar problema. Assim meu irmão será um doce com você. — Jade explicou quando já estávamos no caixa.
Eu queria gritar que não era mulher de ninguém, mas na verdade, por lei, sou mulher daquele desgraçado do Félix. Mesmo assim, essa história de fiel, mulher de alguém, não existe. Vou sair de um inferno para entrar em outro? Disse que iria me salvar, mas está me controlando tanto quanto o outro.
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Atualizado até capítulo 74
Comments
Jaqueline Morares Moraes
que situação . coitada .ele tá apaixonado por ela
2025-02-19
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Jaqueline Morares Moraes
acho que a menina é deficiente.
2025-02-19
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Nilza Maria
porém não estar apanhando
2024-09-15
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