Eu não sabia o que fazer, vi alguns filmes e livros, nunca acabava bem para amante. E eu nem mesmo era uma, mas não parecia que aquela mulher iria querer ouvir nada de mim. Para onde eu corro. O portão. Será que consigo fugir? Posso pedir ajuda a alguém para me levar até em casa ou me mostrar o caminho. É isso. Vou fugir!
— Tu assustou a doutora. — Thanatos disse rindo enquanto eu corria para o portão.
— Doutora? Médica? Tu sequestrou uma médica? Ela tá desesperada, seu idiota. O que tu aprontou agora. Hey, doutora, precisa correr não. Pensei que você era uma das marmitas que vivem correndo atrás dele, querendo se tornar fiel. Não tenho paciência para quenga. Eu me chamo Jade, sou irmã desse mané. Você está segura. O idiota não vai fazer nada com você enquanto eu estiver por aqui. — Jade explicou, eu já estava tentando pular o portão desesperada quando ela falava.
— Mo treta. Fiz nada. Tava devendo uma parada para ela. Não gosto de ficar devendo. Fica de olho nela. — Thanatos respondeu andando até a porta.
— Ela vai ficar aqui em casa? Sabe que vão infernizar ela, pensando que é um dos seus brinquedos. Se realmente quer ajudar ela, deveria pensar em um plano melhor que esse. Não colocar uma patricinha como ela aqui. Ela vai ser massacrada. — Jade gritou irritada.
— Tô castelando. Por enquanto, ela é minha fiel. Resolve aí. Vou falar com Beatriz. — Thanatos falou entrando dentro de casa. Ouvi um grito de criança, me virei preocupada, será que ele havia ferido alguém? Depois uma gargalhada. Acho que é a tal da Beatriz. Deve ser filha dele.
— Eu sei, ele é um idiota. Não sei em que problema meu irmão meteu você, mesmo que não pareça muito ele é gente boa. Vem comigo. Vou te mostrar seu quarto. Pelo que conheço do meu irmão, não vai te deixar sair do morro tão cedo. — Jade parecia falar normal. Na realidade, eu entendia bem mais ela que o Thanatos. Ele oscilava na língua.
— Eu não posso ficar. Sou casada. Preciso voltar para casa. Ou terei muitos problemas. Meu marido não é fácil de lidar. Quanto mais tempo eu passar aqui, mais problemas eu terei. — Expliquei a ela, quando estávamos já uma do lado da outra.
— Para sua segurança, não conte isso para mais ninguém aqui dentro. E algo me diz que tem mais nessa história, meu irmão não se mete com mulher casada e nem precisa sequestrar. Normalmente, elas se jogam ao pé dele. Se ele te pegou a força, tem as razões dele. Não vou questionar. — Jade me olhava como se tivesse me analisando.
— Eu.. bem.. ajudei ele que estava ferido, quando voltou para me agradecer, me pegou... Em uma briga... Com meu marido. Depois disso não entendi muito o que ele falou. Só me colocou no carro e atirou no Félix. Quando me dei conta já estava no meio do morro. Ele não me perguntou nada. Apenas decidiu e me trouxe. Eu não posso ficar aqui. — Eu estava envergonhada, era ridículo, assim que me sentia. Não se enganem, eu não amo o Félix. Também tenho plena certeza que não é amor o que ele sente por mim, sim, posse. Entretanto meus pais estão nas mãos dele. Tento juntar dinheiro para sair desse problema, mas nunca consigo.
— Venha. Entendi tudo. Meu irmão não vai te deixar daqui enquanto seu marido tiver vivo ou estiver interessado em você. Ele podia ter matado seu marido e te deixado lá. Pagaria a divida. Se ele te trouxe para cá, ele quer algo de você. E não se preocupe, se meu irmão disse que deve algo a você, vai fazer de tudo para te proteger, ainda mais, se tratando disso. Não sei como ele não o matou. Eu teria feito isso sem pensar duas vezes. Homens como seu marido não deveriam existir. — Jade respondeu segurando minha mão e me puxando. — Não tenha medo. Apenas me conte tudo. Vou te ajudar a resolver isso. Não é tão ruim quanto parece está aqui.
Jade me levou até a cozinha, fiquei calada enquanto ela preparava um chá. Eu só notei quando me sentei que minhas mãos estavam tremendo. Como poderia ser diferente? Eu estava no meio de um morro depois de ser sequestrada enquanto apanhava do meu marido. A noite tinha sido caótico.
— Me conta, você aceita que ele machuque você porque o ama? — Jade perguntou me entregando o chá. Ela foi tão direta que me assustou.
— Não, não é isso. Eu nunca amei o Félix. Nunca nem ao menos quis ficar com ele, mas ele é sócio do meu pai, pelo menos, se tornou com a condição que eu me casasse com ele. Ajudaria minha família e a empresa, mas somente enquanto tivéssemos casados. Meus pais de início foram totalmente contra, Félix é bem mais velho que eu, mas as coisas começaram a piorar quando minha mãe ficou doente, sabe? A empresa em falência, minha mãe com câncer. Eu não tive outra opção além de aceitar. Não podia deixar meus pais naquela situação se eu podia ajudar. — Não sabia nem o motivo do interesse dela por minha história, mas fui sincera. Enquanto falava minhas lágrimas rolavam. Eu estava cansada daquela situação. Nunca fui o tipo de pessoa que aceitava abuso de ninguém, entretanto, o que eu podia fazer? Eu queria ajudar minha família. Era um pequeno preço a pagar para tudo ficar bem. Pelo menos, para meus pais. Eu podia sobreviver aquela situação.
— Acha mesmo que seus pais estão felizes de terem vendido sua filha? Me poupe. Isso é tudo terrível. Anota o nome dos seus pais e a empresa. Meu irmão vai resolver tudo isso. Amanhã mesmo você estará livre do idiota. — Jade falava com bastante ódio.
— Porque seu irmão faria algo assim por mim? As pessoas não fazem nada de graça. Tudo na vida tem um preço. E normal, quanto maior se ganha, mais se é cobrado. — Eu sabia disso. Aprendi de uma forma terrível. Quanto maior for ajuda, maior será o preço a se pagar por ela.
— Não faço ideia, meu irmão não é o tipo que faz algo sem benefício próprio, mas no seu caso, não sei o que rolou exatamente, mas ele tá te devendo uma, isso é certo. Só não sei ainda porque ele te trouxe para cá. Qual é o interesse dele. Ele é um idiota, mas não faz nada sem um plano. — Jade explicou.
— Fazendo minha caveira? Deixa de ladainha aí. Papo reto, anota aí os nomes do seus pais, a empresa e o nome do otário. — Thanatos falou apontando para um papel que estava na mesa. Jade havia me passado com uma caneta.
— Sabe que para me salvar dele, você terá que comprar a parte dele na empresa dos meus pais e ainda bancar o tratamento da minha mãe. Vai fazer tudo isso só porque salvei sua vida? Sabe que eu teria que fazer isso querendo ou não. Faz parte da minha profissão. Algo me diz que não vai ser só isso que vai me pedir. — Eu não sou inocente. A vida me ensinou exatamente como os seres humanos são. Todos são absurdamente egoístas. Ninguém faz nada só por fazer. Sempre tem uma razão oculta.
— Eu gosto dela. Ela fala mesmo. Curti. Aceito ela como sua fiel. Algo me diz que será quem te colocará direitinho na coleira. Está precisando. — Jade disse rindo.
— Se cala, Jade. Fala demais, caralho. Na boa...— Thanatos estava falando, mas eu interrompi. Precisava que ele falasse direito para eu realmente entender.
— De uma forma que eu compreenda, por favor. Não consigo entender nada que sai da sua boca. Parece falar em uma língua desconhecida. — Estava irritada já.
— Mete o louco mesmo. Isso que eu quero. A comunidade não tem médicos bons, saco? Ninguém quer vir trabalhar na favela, mas não muda o fato que temos doentes e pessoas precisando de ajuda. Além do que, não é raro que eu e os meus acabamos feridos, quero alguém a disposição para resolver quando surgir um B.O. Até tem um postinho aqui, mas nunca tem médico e os enfermeiros fazem mágica para ajudar a todos com a pouca estrutura e medicamentos. Quero que você se torne minha médica e também dos meus. Vou montar um consultório para você. Só precisa me dizer o que precisa. É Basicamente isso que terá que fazer. Nada além do que você ia faz. — Thanatos falou em um português quase que perfeito. Ele me confundia com a pose de malandro e depois todo certinho. Quem é esse cara?
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Atualizado até capítulo 74
Comments
Renata Rosa Oliveira
cadê as fotos a história estar ótima mas precisa de fotos
2024-10-09
3
Marta Hedwig Schley
kkkkkkkk gostei
KD as fotos dos personagens?????
2024-09-15
0
Karla Barbosa Marinho
que nome em amigo jkk
2024-06-03
1