— Você não parece feliz. Sabe que quase todas as mulheres daqui sonham em se torna a fiel do meu irmão? Ele manda em tudo. Ser fiel dele significa ser intocável. Ter poder. Bem, por aí. Normalmente, mulher aqui é lixo. Os caras não respeitam, mas ser mulher do chefe é outra coisa. — Jade explicou. Será que por isso ele falou que seria para minha proteção? Porque o título me deixava segura na proteção da sua sombra. Chega a ser ridículo pensar assim. Como se eu não pudesse me defender.
— Não é de verdade, né? Só para os outros. Entre eu e ele, não... — Eu nem sabia como explicar. Será que ele estava esperando que eu me tornasse esposa dele porque larguei meu marido?
— Meu irmão não espera nada de você. Por conta de Beatriz, ele não quer uma mulher fixa na vida dele. Tem medo que possa influenciar negativamente a menina. — Jade explicou, o que fazia sentido. Ele deve ser um bom pai.
— Mas quando cheguei aqui tu quase deu em mim pensando que eu estava com ele. Quer dizer que ele vez ou outra acaba trazendo? — Perguntei na curiosidade. Queria entender mais sobre ele.
— Não, na verdade, as marmitas que tentam, aproveitam quando ele está bêbado e tentam entrar. Achando que vão conseguir algo, mas nunca passam do portão. Meu irmão pode está loucão, mas eu sei exatamente da vontade dele, não deixo ninguém entrar nessa casa. — Jade parecia irritada, acho que não gostava mesmo das mulheres daqui.
— E a mãe de Beatriz? — Sou curiosa. Admito.
— Fora da minha jurisdição falar sobre o assunto, mas ela não será um problema para você, se é isso que quer saber. Vou te mostrar seu quarto. — Jade mudou logo de assunto. O que quer dizer que o irmão dela não gostava do assunto vindo a tona. Isso me deixou ainda mais curiosa.
Segui Jade escada acima, ela me mostrou seu quarto, o do eu irmão, de Beatriz, que ficava entre eles dois e por fim, o meu. Ele era ao lado do Thanatos, o que não vou negar, me deixou um pouco nervosa, mas ele não parecia ser perigoso, né? Pelo menos, não comigo. Parecia até mais seguro ficar aqui, do que na minha própria casa. Só de pensar em voltar, meu corpo tremeu.
— Vou te pegar umas roupas do meu irmão, as minhas não vão caber em você. Tu é gostosa, sou magrela. Volto já. — Jade disse antes de entrar no quarto do irmão.
Não demorou muito, Jade saiu do quarto com um moletom e me entregou. Me mostrou onde era o banheiro, antes de se despedir e me deixar sozinha naquela casa enorme, desconhecia e assustadora. Durante o banho, eu só pensava se eu tinha batido com a cabeça em algum momento, por está aceitando tudo isso tão facilmente ou na verdade, eu apenas queria sair daquela vida infernal de trabalhar em algo que não me deixava realizada e apanhar todos os dias do Félix. Algo em mim sempre pediu por isso. Eu odiava voltar para casa. Nada na minha vida me fazia exatamente feliz. Nem mesmo era autorizada a visitar meus pais. Talvez realmente fosse um recomeço, embora um pouco exagerado, mas é o que tinha para hoje. Vou deixar para pensar um passo de cada vez. Boa minha vida não estava, será que acabei fazendo uma escolha ainda pior?
Sai do banheiro com a cabeça longe, pensando no que podia dar errado aqui. Ouvi falar muito sobre o morro ser assutador, mas eu vivia em uma casa onde todos os dias pensava que poderia acaba morta, nunca ninguém me contou que seria assim. Na verdade, pensei que um casamento era companheirismo. E eu estava errada, talvez o que falam do morro não seja exatamente a verdade. Ou eu estou apenas me iludindo.
— Parece está com em outra sintonia. — Thanatos falou rindo, encostado na parede do meu quarto.
— Como você consegue falar em dois idiomas, um português tão bom e o outro que não entendo nenhuma palavra. — Perguntei, estava surpresa com ele.
— Tem gente que fala português e outra línguas. Para viver no morro, comandar ele, precisava aprender a língua deles. Não é só ter o poder, mas também ter aliados. Ninguém vai ficar ao seu lado se você fala com eles de uma forma arrogante, com uma língua culta, feita para favorecer os privilegiados. Aqui boa parte nem termina o ensino médio. Muitos nem ao menos sabem ler direito. Meu conselho, aprenda a falar como nós. Será mais fácil para sobreviver aqui. — Thanatos explicou, fazia sentido.
— Sobre ser a fiel ... Eu não sabia o que significava — Falei sem jeito.
— Eu sei, mas não se preocupe. É apenas um título. Me faz a lista e me manda. Amanhã cedo vou mandar comprar tudo. Anota seu número aqui no meu celular, que te mando mensagem para salvar meu número. — Thanatos sugeriu.
— Que celular? Você esqueceu que sai de casa arrastada? Tinha acabado de sair do banho quando toda loucura aconteceu. Acha que tive tempo de pegar um celular, documentos, roupas. Absolutamente nada. — Não sei onde esse homem estava com a cabeça.
— Amanhã trarei tudo para você. Não se preocupe. Então, que tal fazer da moda antiga? Em uma folha de papel. Anota tudo e mando os parceiros comprarem. Aliás, tu não pode sair sem alguém contigo. Tu não conhece nada e algo me diz que vai arrumar confusão. Então, só sai comigo ou com um dos meus de confiança. — Thanatos explicava.
— Onde encontro papel e caneta? — perguntei. Não ia questionar sobre sair ou não. Eu não sabia exatamente o que fazer ainda. Por enquanto, vou seguir as regras dele e entender em que me meti.
— Vem comigo. Tem no escritório. — Thanatos falou e eu segui. Seus olhos estavam focados no quarto da filha, parecia pensativo.
— Quantos anos tem sua filha? — eu sei, sou curiosa mesmo.
— Beatriz tem cinco. — Thanatos respondeu sem me olhar. Acho que não gosta de falar da sua filha, talvez por isso não me apresentou ela.
Não fiz mais perguntas, entramos no escritório, ele me entregou papel e caneta, começou a conversar na língua daqui com alguém no celular. Parecia irritado com alguma coisa.
— Quando terminar, coloque o papel em cima da mesa. Tenho que sair para resolver umas coisas. — Thanatos disse quase saindo.
— Não sei o que tu vai fazer, mas na verdade, tu deveria está na cama, de repouso. Nem sequer tá tomando antiflamatorio. Você pode acabar com problemas. Esse pontos podem romper com facilidade. Lembre que fiz tudo provisório. Para manter você vivo. Não deveria exagerar.— Alertei ele. Talvez estivesse esquecendo que foi baleado. Me pergunto como ele está tão bem. Deveria está minimamente fraco, depois de todo sangue que perdeu.
— Eu não tenho problema, Sarah. Eu sou o problema. Não se preocupe. Nunca viu aquela? Vaso ruim não quebra. — Thanatos brincou antes de sair. — E se algo der errado, você está aqui para resolver isso. Não tenho com o que me preocupar.
Eu decidi ignorar o homem que estava rindo da cara da morte sem qualquer medo. Terminei a lista, coloquei na mesa dele. Tinham alguns porta-retratos, ele com a irmã, uma menininha também, suponho que seja a filha, já que tem por volta dos cinco anos na imagem. Em um deles tinha Jade, ele, uma mulher mais velha que eles e alguém que estava com eles teve seu rosto riscado. Não pensei muito naquilo, estava cansada, com as costas doendo do cinto que Félix bateu. Eu só precisava dormir.
Deitei na cama, não demorou muito para adormecer. Acordei com batidas fortes na minha porta. Levantei desnorteada e abri. Era Jade. Ela estava chorando. Me puxou pela mão escada a baixo sem me dar nem tempo de perguntar alguma coisa.
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Atualizado até capítulo 74
Comments
Katia Lannes
estou adorando esse livro
2024-09-15
0
Karla Barbosa Marinho
que será
2024-06-03
2
Jacqueline Santos
E pq não se defendia do marido?kkkkk piada né.
Não gosto de personagem assim toda coitada e de repente fica soberba.
2023-12-06
4