Enquanto me trocava, pensei em uma discussão que tive na faculdade. Era um congresso sobre o direito da saúde. O tema era: Vulnerabilidade social. Uma das palestrantes debatia o privilégio. Ela começou com a definição: "Privilégio
substantivo masculino. Direito, vantagem, prerrogativa, válidos apenas para um indivíduo ou um grupo, em detrimento da maioria; apanágio, regalia". Naquele dia, ela debateu sobre as várias realidades e como alguns eram tão privilegiados, que não conseguiam ver a dor da maior parte da população. Ela estava certa. Naquele momento, eu percebi, eu vivia em uma bolha cheia de privilégios. Uma mãe quase perdeu seu filho por não ter dinheiro para comprar dipirona. Na minha vida, na primeira febre, ligavam para meu pediatra, que explicava tudo que era necessário fazer. Eu era privilegiada.
— O que está tão pensativa aí? O garoto está com algo sério? — Jade perguntou atrás de mim.
— Não, estava pensando como fui abençoado em minha vida. Mesmo que eu tenha passado alguns sufocos, eu não posso reclamar, ainda assim, era privilegiada. Enquanto outros milhares sofrem de verdade. — Tinha percebido que todo problema que já tive em minha vida foi consequência de minhas escolhas. E eu podia facilmente resolver todos eles, mas alguns, como a Thelma, não deixou que ela escolhesse. A vida colocou ela em dificuldade sem perguntar nada.
— Então aproveite essa crise de culpa por ter sido mimada e faça a diferença aqui. Você pode salvar a vida de muitas pessoas. Médico nenhum quer subir aqui. O postinho é bem fraco. As crianças adoecem e morrem. Por falta de assistência médica, medicação ou até comida. Os adultos adoecem, mas não podem se cuidar, eles tem que trabalhar para ter a comida na mesa. É a realidade. Dura. A vida daqueles que moram aqui não é tão fácil. Tem gente que acorda quatro horas da manhã, tem que pegar três conduções para chegar no trabalho e volta para casa nove ou dez horas. — Jade jogou a real. Era isso. Todos os dias, para quem é daqui, segue uma batalha de sobrevivência.
— Eu farei meu melhor, vou tentar conversar com o pessoal do postinho também. Tentar organizar um mutirão de saúde ou até mesmo, uma triagem nas casas. Para saber quem precisa de atendimento, tratamento e a situação geral. Não tem como cuidar de todos, mas podemos melhorar o mínimo. — Eu estava realmente animada. Pela primeira vez na minha vida, eu me senti útil.
— Gostei da ideia, mas antes de tentar colocar em prática, terá que falar com meu irmão. Lembre, nada é feito sem que ele concorde, mas é um bom programa. — Jade concordou, mas alertou sobre a importância de Thanatos saber sobre tudo.
O Thanatos estava certo quando disse que eu faria uma diferença aqui. Eu não tinha ideia do quanto a realidade era diferente aqui em cima. Voltei para ao quarto para monitorar o garoto. A sua febre estava caindo rapidamente, isso é ótimo. Thelma fez um baião de dois para nosso almoço, tentei recusar, mas ela não permitiu. Fiquei com medo de comer e faltar, mas Jade disse que era capaz de Thelma me amarrar e enfiar de vez na minha boca. Então, apenas aceitei estava uma delícia. Passei praticamente o dia inteiro naquela casa, observando o garoto. Já eram quatro horas quando a febre diminuiu consideravelmente. Thelma ofereceu um café para nós. Tomei ele aliviada. O garoto já estava até falando, embora um pouco fraco. Deve ter sido uma noite difícil. Sem contar com seu corpo, deve está doendo das convulsões que teve.
— Tia Thelma! Diego está melhor? Me ligaram contando. Voltei o mais rápido que pude. — Thanatos entrou na casa com um sorriso enorme.
— Meu garoto, sua mulher é incrível. Fico feliz que encontrou esse anjo para cuidar de você. Eu não sei nem dizer como estou agradecida. E obrigada pelas medicações. Eu não sei o que seria de mim sem vocês. — Thelma disse abraçando Thanatos.
— Que isso, tia. Eu te devo minha vida. Assim como minha irmã. Fico feliz em ajudar. Minha mulher já está liberada? Vim buscar a patroa. — Thanatos disse me olhando. Quase parecia real que eu era esposa dele.
— O menino já está bem. Acho que posso ir sim. Thelma, se houver qualquer mudança, me avise. Depois precisamos fazer alguns exames para descobrir o que causou a febre. Por hoje, ele precisa comer coisas leves, repousar e muito líquido. — Orientei ela. Não sabia o que Thanatos queria comigo, mas acho que não iria me levar se não tivesse motivos.
— Sim, querida. Vou cuidar dele direitinho. — Thelma disse abraçada com o menino.
— Vou buscar Beatriz. Já já está na hora dela sair da escola. — Jade avisou e saiu em uma moto.
— Para onde estamos indo? — perguntei enquanto colocava um capacete.
— Para casa. Você não pode ficar de bobeira por aí. E também, quero te avisar como foram as coisas com sua família, Félix. Ah! Antes vamos passar na clínica, quero te mostrar como ficou, já terminaram ela. — Thanatos respondeu antes de me ajudar a subir na moto.
— Você conseguiu fazer tudo isso em um dia? Como? — Questionei surpresa.
— Fácil. Eu sou o dono dessa porr@ — Thanatos respondeu antes de acelerar a moto.
Eu tive uma crise de riso que tenho certeza que o morro todo ouviu. Antes que eu conseguisse parar de rir, chegamos na clínica. No mesmo lugar que Jade havia mostrado mais cedo. Thanatos me ajudou a descer da modo e jogou a chave para mim.
— Todo seu doutora confusão. — Thanatos brincou.
— Eu não arrumo confusão. — respondi enquanto abria o lugar.
— Fala isso a Laíse, que por pouco não volto para casa como uma peneira. — Thanatos realmente ficava sabendo de tudo.
Quando liguei a luz, fiquei surpresa. O lugar estava perfeito. Tinha uma pequena recepção. Com um lugar para as crianças. Havia televisão na espera. Andando um pouco, encontrei duas salas e um banheiro. A primeira sala tinha uma maca, mesinha, computador e armários. Além da minha maleta médica.
— Você foi na minha casa? — perguntei surpresa.
— Não, fui na sua antiga casa, sua casa agora é aqui. — Thanatos respondeu.
— E o Félix? — Perguntei preocupada.
— Vamos ver a sala de procedimentos. Não quero perder meu bom humor — Thanatos saiu na frente e eu o segui.
A segunda porta, lembrava uma sala de procedimentos de ortopedia. Havia uma espécie de armário de medicamentos. Tinha um pouco de tudo. O lugar também tinha duas macas, com apoios para soro do lado e uma poltrona. Ou seja, ele fez uma pequena sala caber três pacientes em recuperação. Achei fantástico a otimização do espaço.
— Estou surpresa. — Falei para ele.
— Faltou algo? — Thanatos perguntou olhando ao redor.
— Não, na verdade, ficou perfeito. Você parece que pensou em tudo. — Admiti para ele.
— Minha função é essa. Também encontrei uma técnica de enfermagem para te ajudar. Jade passa o dia sem fazer porr@ nenhuma. Vou colocar ela para ser recepcionista. O exame de sangue você faz, junta e manda alguém deixar em um laboratório de um conhecido. Fechou? — Thanatos tinha pensando bem além do que imaginei.
— Maravilhoso. Aliás, podemos começar o lance dos exames com Diego? Posso ter estabilizado ele, mas foi uma febre muito alta para apenas uma gripe qualquer ou resfriado. — Eu pedi. Estava preocupada com o garoto.
— Pega o que tu precisa. Vamos recolher o sangue e voltar para casa. Já já Beatriz chega e vai reclamar horrores se eu não estiver. Pega o que tu precisa. — Thanatos concordou.
Busquei no olhar onde estavam as seringas, algodão e o recipiente para levar a amostra para clínica. Percebi que estavam no alto. Tenho que organizar tudo depois. Sou um pouco baixinha. Tenho 1,58. Preciso do que é mais usado na parte baixa. Por sorte tinha uma escada. Outro grande detalhe sobre mim que eu esqueci de informar. Sou absurdamente desastrada. Fui tentar me esticar para pegar, acabei desequilibrando, por sorte (ou não), cai nos braços de Thanatos.
— Eu sempre soube que você ia acabar assim, pulando nos meus braços. — Thanatos brincou. O cheiro do perfume dele parecia me atiçar. Os braços dele eram forte. Toquei o peitoral dele sem nem me dar conta do que estava fazendo. O homem parecia que tinha sido desenhando. Um deus grego— Vai comer aqui ou levar para viagem?
— Quê? Engraçadinho! Me solta. — Eu estava envergonhada. Acabei me desorientando por aquele homem. Que me colocava no chão rindo sem fingir.
— Vem cá. Você foi uma boa menina hoje. Te darei uma lembrancinha. — Thanatos disse me puxando pela cintura, colando nossos corpos. Com a outra mão na minha nunca, aproximou nossas bocas. Enquanto me beijava, sua mão passeava nas minhas costas. Me separei quando já estava sem fôlego. — Então, vamos?
— Você me beijou... — Eu nem sabia o que pensar. Foi surpresa. Não pensei nem que Thanatos me visse dessa forma. Claro, não que eu não tenha achado ele interessante, mas não cheguei a pensar tão longe.
— Claro que beijei. Você é minha. Se eu não beijar você, quem irei beijar? — Thanatos perguntou olhando em meus olhos.
Algo era certo. Ainda vou acabar me perdendo nos braços desse homem. Eu tenho plena certeza. Nunca senti uma atração tão forte. Devo está louca. Nem conheço ele direito e já o desejo tanto. Na verdade, não tinha me dado conta disso, até ele me beijar. Parece ter despertado um desejo insano por ele. Eu preciso colocar minha cabeça no lugar.
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Atualizado até capítulo 74
Comments
Jaqueline Morares Moraes
eita que o nego beija bem .kkk
2025-02-19
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Marilete Buganti
cadê as fotos????
2024-12-25
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Nilza Maria
Fotos por favor
2024-09-15
1