— ALEX? — FOI A PRIMEIRA COISA do dia que Pedro Henrique fez: ligar para o delegado. Em Barcelona o relógio marcava onze da manhã. Pedro calculou que era tempo suficiente para o homem estar de pé.
— Opa — No outro lado da linha, Alex dirigia rumo à DPF. — É hoje que você embarca de volta, não é mesmo?
— É sim — Pedro Henrique bebeu um gole de café. — Mas antes vou ter que ir no hotel onde Janine foi vista pela última vez. Pelo menos até onde sei.
— Conseguiu o endereço com o rapaz?
— Consegui. Ele ainda se lembrava dela. Sorte a minha.
— Você vai parar nessa pista.
— Exatamente — Pedro concordou. — Acredito que eu não vá descobrir tanta coisa nessa pista.
— Não é exatamente por isso — Alex virou a esquina, franzindo a testa ao olhar para o semáforo. — Vou pedir colaboração, em total sigilo, para a Interpol. Dependendo do que você conseguir achar. Só me reúna elementos. Se conseguir algum circuito externo fora do hotel… Vai ser ótimo.
— Pode deixar.
— O embarque vai ser que horas?
— Onze da noite. Vou ao hotel daqui a pouco. Foi nesse horário que ela certamente chegou por aqui. O endereço é aqui perto.
— Muito bom… — Alex entrou na garagem localizado no subsolo da DPF. — Vou começar por aqui. Assim que desembarcar no Brasil, você terá mais 24 horas de folga.
— Entendido.
— Vou nessa.
Alex encerrou a ligação. Pousando o celular em cima da mesa, Pedro Henrique pesquisou no notebook alguns estabelecimentos próximos que possivelmente possuem câmeras de circuito externo. Ele anotava tudo no seu bloquinho de notas.
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HUGO ABRE OS OLHOS. A primeira coisa que se dá conta é a sua cabeça repousada no peitoral de Luís. Devagar, ergueu o pescoço. Olhou em volta do quarto dele, e deu de cara com uma pequena estante de livros com variados tamanhos. Sem querer acordá-lo, sentou-se na lateral da cama. Ficou parado, tentando assimilar como chegou ali.
— Bom dia… — Luís o tocou no ombro, com afago. Sentou-se na cama, atrás dele. Roçou os lábios na altura do pescoço.
— Bom dia — Hugo beijou a testa dele. — Você dormia tão bonitinho. Não quis acordar…
— Falando em dormir… — Luís agora ficou lado a lado com ele. — Você dormiu bem?
— Dormi sim. Só não me lembro muito bem de como a gente chegou até aqui — Hugo deu uma risadinha.
— Estávamos bêbados — Luís começou. — Com sorte, a gente conseguiu entrar no Uber e eu consegui destrancar a porta.
Hugo teve um lampejo de memória. Lembrou-se vagamente de estar se controlando para não ficar aos beijos com o rapaz no banco de trás. Assim que saíram do carro, Hugo o ajudou a destrancar a porta.
—… Eu te ajudei a destrancar — disse. — E em seguida, a gente já começou a se pegar. Me lembrei aqui.
— Foi isso mesmo… — Luís mordiscou a orelha dele. — E do que você se lembra mais?
Hugo ficou um pouco ruborizado.
— Foi muito bom ter você aqui — Luís pegou na mão dele, beijando-a. — De verdade.
— Você é um fofo — Hugo brincou.
— Vamos tomar banho? E café da manhã. Que tal?
— Quero.
DEBAIXO DO CHUVEIRO, HUGO e Luís estavam entrelaçados. Luís sustentava a perna de Hugo com a mão firme, para mantê-la presa em seu quadril. Hugo brincava com as mãos, ao deslizar pelas costas do rapaz — a palma aberta, os dedos… até chegar na nuca e cravá-la com seu toque. Desejava sentir mais, a ponto de querer perpetuar a sensação das línguas roçando uma na outra — em meio ao beijo quente e molhado.
Sem perda de tempo — e com o tesão fulminando em todas as suas terminações nervosas —, Luís o ergueu. Hugo prendeu-se no quadril dele, usando as pernas. Ficaram numa posição favorável, de modo que Luís se colocou dentro de Hugo com facilidade e usando a parede como apoio. Hugo soltou o ar e um gemido abafado. Entretanto, a cada vai-e-vem que o rapaz fazia, Hugo não se reprimiu mais — a ponto de ficarem numa sincronia sexual avassaladora.
Hugo mantinha os dedos cravados na nuca dele, que o envolvia com possessividade em seus braços para se manter ali dentro. Até que, chegando no ápice, se esvaziaram juntos.
ELES ESTAVAM NA MESA, agora. Hugo estava vestido com a mesma roupa da noite anterior, tomando café da manhã com Luís — que vestiu um samba-canção e uma regata. Tiveram o melhor sexo dentro do banheiro. Hugo deu uma mordida na torrada com queijo coalho e, em seguida, um gole de café.
— Que noite louca — brincou.
— Eu que o diga — Luís deu uma risadinha. — A Dragons é uma coisa de outro mundo, né?
— Demais — Hugo soltou o ar.
— Vai ficar aqui até quando?
— Em Fortaleza? Uns quinze dias, por aí. Vou voltar pra São Paulo e passar o resto das férias organizando minha nova vida por lá.
— Entendi.
Houve um longo momento de silêncio, enquanto eles finalizavam o café da manhã. Hugo reparou que Luís estava pensativo e o olhando vez por outra. Parecia que queria contar algo. Quando acabaram o café, ficaram por mais algum tempo ali em silêncio.
Até que Luís começou a olhá-lo fixamente. Por trás do olhar, havia uma sombra de resignação.
— Que foi? — Hugo deu um meio sorriso. — Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu — Luís pegou na mão dele, sobre a mesa. E continuou: — Aconteceu uma coisa, rápido demais.
— Que coisa?
Luís sentou-se na cadeira que estava mais próxima de Hugo. Dessa vez, não segurava mais a mão dele.
— Eu vou embora do país — contou de vez.
Mais um momento de silêncio. Hugo apenas deu de ombros.
— Onde você vai morar?
— Portugal. Ganhei uma bolsa de pós-doutorado lá.
— Sério? — Hugo ficou com os olhos arregalados, surpreso. E sorriu: — Isso é demais!
Para a surpresa de Luís, Hugo o abraçou.
— Sério… de verdade — Hugo tocou no ombro dele, concluindo: — Você merece. Parabéns!
E abraçou o rapaz de novo, rindo. Luís conseguiu retribuir o abraço. Assim que Hugo se desvencilhou para olhá-lo, viu que a expressão dele continuava um pouco distante.
— Por que você tá assim? — Hugo brincava com o colarinho da regata dele.
— É uma mudança brusca — confessou Luís. — Muito brusca. Mas quero muito seguir adiante. Na vida, a gente precisa abrir mão de muita coisa quando se faz uma escolha desse tipo.
— E tá tudo bem… — Hugo afagou o ombro dele. — Você só tem uma vida, sabe? Então, é mais do que fundamental viver as suas mudanças. — Hugo fez uma pausa e continuou: — Eu sei que o começo é tenso, porque já passei por isso e tô passando de novo! — Ele deu uma risadinha — Enfim, abrace essa mudança e viva essa nova jornada. Portugal! Arrasou muito…
Luís riu e deu um abraço em Hugo. Não imaginava a reação dele, mas se sentiu menos pior em ouvir tudo aquilo. Manteve-o em seu abraço.
— Não é só por isso que fiquei… mexido — começou ele. — As coisas estão acontecendo rápido demais, tanto para mim quanto para você. Mais uma vez, a vida nos separa — brincou.
Hugo deu uma risadinha.
— Não tem problema — disse. — A gente vai se reencontrar quando for oportuno. Quando for para ser.
— Quando for para ser — concordou ele, com um meio sorriso.
Ele se abraçaram mais uma vez.
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— CHEGUEI. CHEGUEI. CHEGUEI… — Aura cantarolava na linha para Hank, que havia ligado a fim de saber se ela chegou em São Paulo. Assim que colocou um robe, cobrindo o biquíni, ela disse: — Vou tomar um banho na piscina do hotel cinco estrelas. Vai continuar enchendo o meu saco? Já cheguei onde você queria.
— Dá pra me escutar? — O tom de voz dele era cortante. — Você vai receber uma encomenda, dentro de uma caixa preta e lacrada. Entendeu?
— Entendi a parte de receber a encomenda — Aura pousou os óculos escuros no topo da cabeça. — Mas o que vem dentro desse pacote?
— Logo você vai saber.
— Não vou perder meu tempo curiosa. Vou curtir a piscina e dar uma volta pela cidade.
— Olha lá o que vai fazer.
— Vou dar uma passadinha na Delegacia… — Aura deu de ombros.
— Falei pra você não fazer isso agora.
— Eu sei o que tô fazendo. Me deixa.
— Passa na fachada, só pra ver a movimentação — instruiu ele.
— Hank, Hank, Hank… — Aura colocou os óculos de volta no rosto. Olhava pela janela, ignorando o irmão. — O dia tá lindo lá fora…
— E vê se não some do radar.
— Vai pro inferno — rebateu ela, seca, encerrando a ligação.
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CAMILA ESTAVA PRONTA para a seleção. Olhava-se no espelho, conferindo se a roupa atendia aos padrões do processo seletivo. Pegou a pasta com alguns documentos essenciais para a entrevista, saiu do quarto. Foi até a cozinha para se despedir de Lucimar.
— Mãe, já tô indo.
— Vá, minha filha — Lucimar terminava de enxaguar a roupa. — Vá pela sombra.
— Na volta eu ajudo a senhora.
— Tá bom. Vá logo pra não se atrasar.
— Beijo… — Camila soprou um beijo no ar. E saiu.
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IRINA E RUY JÁ estavam no galpão. Ruy pediu para que uma recepcionista freelancer que eles haviam contratado fizessem a triagem inicial — recolhimento de currículos, acomodação nas cadeiras. A moça recebia as garotas, uma a uma. E o local lotava aos poucos.
— Olha isso, Ruy… — Irina espiava pela fresta da porta branca. — Muitas meninas aqui! Agora tô pensando em aprovar o dobro… — Ela esfregou as mãos uma na outra.
— Foi o que eu disse pra você ontem — Ruy deu de ombros.
— Já sei! — Ela ergueu um dedo. — Tive uma ideia. Escuta só: vou aprovar cinco, logo de cara… Não na frente de todas, enfim… Vou aprovar cinco, e deixar outras cinco em stand by. E vou apresentar a ideia pro chefão, se ele quer mais cinco.
— Eu assino em baixo — Ruy deu um meio sorriso. — Você não percebe que quanto mais meninas mais faturamento?
— Percebo, querido… — Ela andava para os lados, empolgada com a possibilidade de muita grana entrar no negócio. — E aí, vamos começar?
— O palco é todo seu.
Irina soltou o ar, indo até o espelho. Ajeitou-se, ficando mais aprumada. Contando até três, foi até a porta. Com a mão na maçaneta, ela acenou para Hank e em seguida já estava no palco diante das vinte garotas.
— Bom dia… — ela sorriu. — Tudo bem com vocês?
Todas assentiram com a cabeça.
— Meu nome é Irina Bianchi, sou Gerente de Departamento Pessoal e vou conduzir todo este processo seletivo com vocês. Estão prontas?
Ela manteve o sorriso, olhando cada uma ali.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Carla Santos
O bicho vai pegar
2023-11-22
1
Aurora Boreal
eu também quero ver
2023-10-30
1
Cleide Almeida
Eu doida pra ver o encontro dos protagonistas dessa história
2023-10-09
0