Capítulo 18

— ALEX? — FOI A PRIMEIRA COISA do dia que Pedro Henrique fez: ligar para o delegado. Em Barcelona o relógio marcava onze da manhã. Pedro calculou que era tempo suficiente para o homem estar de pé.

— Opa — No outro lado da linha, Alex dirigia rumo à DPF. — É hoje que você embarca de volta, não é mesmo?

— É sim — Pedro Henrique bebeu um gole de café. — Mas antes vou ter que ir no hotel onde Janine foi vista pela última vez. Pelo menos até onde sei.

— Conseguiu o endereço com o rapaz?

— Consegui. Ele ainda se lembrava dela. Sorte a minha.

— Você vai parar nessa pista.

— Exatamente — Pedro concordou. — Acredito que eu não vá descobrir tanta coisa nessa pista.

— Não é exatamente por isso — Alex virou a esquina, franzindo a testa ao olhar para o semáforo. — Vou pedir colaboração, em total sigilo, para a Interpol. Dependendo do que você conseguir achar. Só me reúna elementos. Se conseguir algum circuito externo fora do hotel… Vai ser ótimo.

— Pode deixar.

— O embarque vai ser que horas?

— Onze da noite. Vou ao hotel daqui a pouco. Foi nesse horário que ela certamente chegou por aqui. O endereço é aqui perto.

— Muito bom… — Alex entrou na garagem localizado no subsolo da DPF. — Vou começar por aqui. Assim que desembarcar no Brasil, você terá mais 24 horas de folga.

— Entendido.

— Vou nessa.

Alex encerrou a ligação. Pousando o celular em cima da mesa, Pedro Henrique pesquisou no notebook alguns estabelecimentos próximos que possivelmente possuem câmeras de circuito externo. Ele anotava tudo no seu bloquinho de notas.

...****************...

HUGO ABRE OS OLHOS. A primeira coisa que se dá conta é a sua cabeça repousada no peitoral de Luís. Devagar, ergueu o pescoço. Olhou em volta do quarto dele, e deu de cara com uma pequena estante de livros com variados tamanhos. Sem querer acordá-lo, sentou-se na lateral da cama. Ficou parado, tentando assimilar como chegou ali.

— Bom dia… — Luís o tocou no ombro, com afago. Sentou-se na cama, atrás dele. Roçou os lábios na altura do pescoço.

— Bom dia — Hugo beijou a testa dele. — Você dormia tão bonitinho. Não quis acordar…

— Falando em dormir… — Luís agora ficou lado a lado com ele. — Você dormiu bem?

— Dormi sim. Só não me lembro muito bem de como a gente chegou até aqui — Hugo deu uma risadinha.

— Estávamos bêbados — Luís começou. — Com sorte, a gente conseguiu entrar no Uber e eu consegui destrancar a porta.

Hugo teve um lampejo de memória. Lembrou-se vagamente de estar se controlando para não ficar aos beijos com o rapaz no banco de trás. Assim que saíram do carro, Hugo o ajudou a destrancar a porta.

—… Eu te ajudei a destrancar — disse. — E em seguida, a gente já começou a se pegar. Me lembrei aqui.

— Foi isso mesmo… — Luís mordiscou a orelha dele. — E do que você se lembra mais?

Hugo ficou um pouco ruborizado.

— Foi muito bom ter você aqui — Luís pegou na mão dele, beijando-a. — De verdade.

— Você é um fofo — Hugo brincou.

— Vamos tomar banho? E café da manhã. Que tal?

— Quero.

DEBAIXO DO CHUVEIRO, HUGO e Luís estavam entrelaçados. Luís sustentava a perna de Hugo com a mão firme, para mantê-la presa em seu quadril. Hugo brincava com as mãos, ao deslizar pelas costas do rapaz — a palma aberta, os dedos… até chegar na nuca e cravá-la com seu toque. Desejava sentir mais, a ponto de querer perpetuar a sensação das línguas roçando uma na outra — em meio ao beijo quente e molhado.

Sem perda de tempo — e com o tesão fulminando em todas as suas terminações nervosas —, Luís o ergueu. Hugo prendeu-se no quadril dele, usando as pernas. Ficaram numa posição favorável, de modo que Luís se colocou dentro de Hugo com facilidade e usando a parede como apoio. Hugo soltou o ar e um gemido abafado. Entretanto, a cada vai-e-vem que o rapaz fazia, Hugo não se reprimiu mais — a ponto de ficarem numa sincronia sexual avassaladora.

Hugo mantinha os dedos cravados na nuca dele, que o envolvia com possessividade em seus braços para se manter ali dentro. Até que, chegando no ápice, se esvaziaram juntos.

ELES ESTAVAM NA MESA, agora. Hugo estava vestido com a mesma roupa da noite anterior, tomando café da manhã com Luís — que vestiu um samba-canção e uma regata. Tiveram o melhor sexo dentro do banheiro. Hugo deu uma mordida na torrada com queijo coalho e, em seguida, um gole de café.

— Que noite louca — brincou.

— Eu que o diga — Luís deu uma risadinha. — A Dragons é uma coisa de outro mundo, né?

— Demais — Hugo soltou o ar.

— Vai ficar aqui até quando?

— Em Fortaleza? Uns quinze dias, por aí. Vou voltar pra São Paulo e passar o resto das férias organizando minha nova vida por lá.

— Entendi.

Houve um longo momento de silêncio, enquanto eles finalizavam o café da manhã. Hugo reparou que Luís estava pensativo e o olhando vez por outra. Parecia que queria contar algo. Quando acabaram o café, ficaram por mais algum tempo ali em silêncio.

Até que Luís começou a olhá-lo fixamente. Por trás do olhar, havia uma sombra de resignação.

— Que foi? — Hugo deu um meio sorriso. — Aconteceu alguma coisa?

— Aconteceu — Luís pegou na mão dele, sobre a mesa. E continuou: — Aconteceu uma coisa, rápido demais.

— Que coisa?

Luís sentou-se na cadeira que estava mais próxima de Hugo. Dessa vez, não segurava mais a mão dele.

— Eu vou embora do país — contou de vez.

Mais um momento de silêncio. Hugo apenas deu de ombros.

— Onde você vai morar?

— Portugal. Ganhei uma bolsa de pós-doutorado lá.

— Sério? — Hugo ficou com os olhos arregalados, surpreso. E sorriu: — Isso é demais!

Para a surpresa de Luís, Hugo o abraçou.

— Sério… de verdade — Hugo tocou no ombro dele, concluindo: — Você merece. Parabéns!

E abraçou o rapaz de novo, rindo. Luís conseguiu retribuir o abraço. Assim que Hugo se desvencilhou para olhá-lo, viu que a expressão dele continuava um pouco distante.

— Por que você tá assim? — Hugo brincava com o colarinho da regata dele.

— É uma mudança brusca — confessou Luís. — Muito brusca. Mas quero muito seguir adiante. Na vida, a gente precisa abrir mão de muita coisa quando se faz uma escolha desse tipo.

— E tá tudo bem… — Hugo afagou o ombro dele. — Você só tem uma vida, sabe? Então, é mais do que fundamental viver as suas mudanças. — Hugo fez uma pausa e continuou: — Eu sei que o começo é tenso, porque já passei por isso e tô passando de novo! — Ele deu uma risadinha — Enfim, abrace essa mudança e viva essa nova jornada. Portugal! Arrasou muito…

Luís riu e deu um abraço em Hugo. Não imaginava a reação dele, mas se sentiu menos pior em ouvir tudo aquilo. Manteve-o em seu abraço.

— Não é só por isso que fiquei… mexido — começou ele. — As coisas estão acontecendo rápido demais, tanto para mim quanto para você. Mais uma vez, a vida nos separa — brincou.

Hugo deu uma risadinha.

— Não tem problema — disse. — A gente vai se reencontrar quando for oportuno. Quando for para ser.

— Quando for para ser — concordou ele, com um meio sorriso.

Ele se abraçaram mais uma vez.

...****************...

— CHEGUEI. CHEGUEI. CHEGUEI… — Aura cantarolava na linha para Hank, que havia ligado a fim de saber se ela chegou em São Paulo. Assim que colocou um robe, cobrindo o biquíni, ela disse: — Vou tomar um banho na piscina do hotel cinco estrelas. Vai continuar enchendo o meu saco? Já cheguei onde você queria.

— Dá pra me escutar? — O tom de voz dele era cortante. — Você vai receber uma encomenda, dentro de uma caixa preta e lacrada. Entendeu?

— Entendi a parte de receber a encomenda — Aura pousou os óculos escuros no topo da cabeça. — Mas o que vem dentro desse pacote?

— Logo você vai saber.

— Não vou perder meu tempo curiosa. Vou curtir a piscina e dar uma volta pela cidade.

— Olha lá o que vai fazer.

— Vou dar uma passadinha na Delegacia… — Aura deu de ombros.

— Falei pra você não fazer isso agora.

— Eu sei o que tô fazendo. Me deixa.

— Passa na fachada, só pra ver a movimentação — instruiu ele.

— Hank, Hank, Hank… — Aura colocou os óculos de volta no rosto. Olhava pela janela, ignorando o irmão. — O dia tá lindo lá fora…

— E vê se não some do radar.

— Vai pro inferno — rebateu ela, seca, encerrando a ligação.

...****************...

CAMILA ESTAVA PRONTA para a seleção. Olhava-se no espelho, conferindo se a roupa atendia aos padrões do processo seletivo. Pegou a pasta com alguns documentos essenciais para a entrevista, saiu do quarto. Foi até a cozinha para se despedir de Lucimar.

— Mãe, já tô indo.

— Vá, minha filha — Lucimar terminava de enxaguar a roupa. — Vá pela sombra.

— Na volta eu ajudo a senhora.

— Tá bom. Vá logo pra não se atrasar.

— Beijo… — Camila soprou um beijo no ar. E saiu.

...****************...

IRINA E RUY JÁ estavam no galpão. Ruy pediu para que uma recepcionista freelancer que eles haviam contratado fizessem a triagem inicial — recolhimento de currículos, acomodação nas cadeiras. A moça recebia as garotas, uma a uma. E o local lotava aos poucos.

— Olha isso, Ruy… — Irina espiava pela fresta da porta branca. — Muitas meninas aqui! Agora tô pensando em aprovar o dobro… — Ela esfregou as mãos uma na outra.

— Foi o que eu disse pra você ontem — Ruy deu de ombros.

— Já sei! — Ela ergueu um dedo. — Tive uma ideia. Escuta só: vou aprovar cinco, logo de cara… Não na frente de todas, enfim… Vou aprovar cinco, e deixar outras cinco em stand by. E vou apresentar a ideia pro chefão, se ele quer mais cinco.

— Eu assino em baixo — Ruy deu um meio sorriso. — Você não percebe que quanto mais meninas mais faturamento?

— Percebo, querido… — Ela andava para os lados, empolgada com a possibilidade de muita grana entrar no negócio. — E aí, vamos começar?

— O palco é todo seu.

Irina soltou o ar, indo até o espelho. Ajeitou-se, ficando mais aprumada. Contando até três, foi até a porta. Com a mão na maçaneta, ela acenou para Hank e em seguida já estava no palco diante das vinte garotas.

— Bom dia… — ela sorriu. — Tudo bem com vocês?

Todas assentiram com a cabeça.

— Meu nome é Irina Bianchi, sou Gerente de Departamento Pessoal e vou conduzir todo este processo seletivo com vocês. Estão prontas?

Ela manteve o sorriso, olhando cada uma ali.

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Comments

Carla Santos

Carla Santos

O bicho vai pegar

2023-11-22

1

Aurora Boreal

Aurora Boreal

eu também quero ver

2023-10-30

1

Cleide Almeida

Cleide Almeida

Eu doida pra ver o encontro dos protagonistas dessa história

2023-10-09

0

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