— FOI MAL, AMIGA. — Hugo e Chiara alugaram uma barraca em Ipanema. Chiara bebeu um gole da caipiroska de limão.
— Relaxa, amigo. Eu sei que tu ficou desconfortável em ver aquele dito-cujo lá. Inominável.
— Pois é — ele soltou o ar.
— Ele fica sempre por ali?
— Se ficar, nunca mais piso por lá.
— Credo… — Chiara se apressou em completar: — Não pelo que você disse, mas… Ele falou que não ia embora daqui?
— Era pra ele estar longe daqui. Bem longe.
— Quando vocês terminaram… — ela tomava cuidado ao escolher as palavras, abordar o assunto. — Quando cada um seguiu a própria vida, a outra criatura não tinha viajado dias depois…?
— Realmente pensei que tivesse viajado. Talvez tenha viajado. — Hugo fez uma pausa. — Até que aconteceu o que aconteceu hoje.
— Não queria ter recomendado o Leblon como primeira opção.
— Você não tem culpa — Hugo olhou Chiara nos olhos. — Não precisa se sentir assim. Isso foge do nosso controle.
— Verdade. Mas ficou um clima pesado… Não ficou?
Hugo bebeu um longo gole da caipiroska.
— Não — sorriu, colocando o copo quase vazio na mesinha. — Não ficou. Agora vamos falar um pouco mais de você, que tal? Quero saber como anda a senhora…
— Senhora? — Chiara levantou uma sobrancelha.
— Sim, senhora! — Hugo riu. — Eu sei que você foi pedida em casamento pela Vanessa…
— Foi do nada, sabia?
— Eu sabia. Vanessa é a última romântica do mundo — Hugo brincou.
— Nisso eu preciso concordar… — Chiara riu.
Eles continuaram conversando sobre o pós noivado.
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— ELE ME PAGA. — Aron jogava vôlei com mais três rapazes. Um deles era seu amigo e sua dupla: David. Antes de defender a bola, o rapaz comenta:
— Por que insiste nisso, cara?
Aron parou, encarando-o. Nisso, ele perdeu a bola. Os dois rapazes do outro lado fizeram um sinal, encerrando a partida.
— Você acha que vou deixar barato aquele dia? Fez a polícia me escoltar do apartamento dele…
— Mas aí você fez besteira — David deu de ombros. — Não quis aceitar o término da relação e jogou um vaso que quase acertou na cabeça dele.
— Se tivesse acertado…
— Cê tá brincando, né?
— Não.
Houve um breve momento de silêncio constrangedor.
— Seria bem pior se tivesse acertado — David disse.
— Quem garante… Eu acertaria um vaso. Depois outro… Daí eu fugiria. Quem ia me achar?
— Eu realmente não acredito que você não esteja brincando — David deu uma risadinha nervosa.
— Nunca falei tão sério.
A frieza na voz de Aron — e a naturalidade de como falava todo esse absurdo — deixou David sem reação. Os dois mal se viam e aquela partida de vôlei na praia foi só uma oportunidade aleatória. David se lembrou e entendeu o motivo de não conviver tanto com ele.
— Vou indo nessa.
— Cansou? — Aron riu, com escárnio.
— Cansei.
— Então vai, fracote.
David retribuiu apenas um soquinho com a mão e seguiu andando. Tentou não seguir a passos rápidos. Não reconhecia mais o cara que um dia já foi seu amigo. Ou será que não o conhecia de verdade?
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— BOM DIA, P. H. — cumprimentou Alex, que sentou-se na quina da sua mesa e segurava uma caneca cheia de café. Esse era o apelido de Pedro dentro da delegacia.
— Bom dia… — Pedro só olhou para o homem ali uma vez, enquanto digitava com ritmo no computador. — Tô aqui arquivando algumas coisas….
— Deixa esse trabalho pro escrivão.
— Que nada. Coisa boba. Eu mesmo faço.
— Hum — Alex deu de ombros.
— Mas me conta…
— Contar o quê? — Alex pousou a caneca na mesa de Pedro, franzindo a testa pra ele.
— Alguma novidade sobre o caso?
— As testemunhas devem dar o depoimento hoje. Com isso, a gente consegue algum progresso nesse caso.
— Tomara — Pedro soltou o ar. — Me parece um negócio complicado de ser resolvido.
— Tomara que apenas se pareça mesmo. — Alex ficou em pé. — Daqui a pouco chega a hora de alguém vir aqui prestar depoimento.
— Tá bom.
— Tem café fresquinho na copa. Cuida em pegar.
Com isso, Alex saiu.
— Tá.
...****************...
HUGO VOLTOU DO MAR. Sentou-se na espreguiçadeira, com os óculos escuros. Tinha pedido só mais um drink, bebendo o primeiro gole.
— O mar tá uma delícia — comentou.
Chiara olhava o horizonte.
— Tá mesmo.
Houve um momento de silêncio. Chiara bebeu mais um gole da caipiroska. Colocou o chapéu na cabeça e, soltando o ar, começou a tocar no assunto:
— Amigo.
— Diga.
— Pode me responder uma pergunta?
— Posso. Só não garanto se a resposta será satisfatória — brincou Hugo.
— Mas é sério, garoto.
Hugo soltou o ar.
— Tá bom. Pergunte-me o que se passa nessa mente de titânio…
— Você tá bem? De verdade.
Ele ficou em silêncio. Franziu o cenho.
— Amiga… — ele se ajeitou na espreguiçadeira — Eu tô aprendendo a administrar esse trauma. Você está sozinho em casa de boa e, do nada, seu ex-namorado invade o seu espaço e diz que vai te matar. Esse mesmo ex-namorado joga um vaso grande de porcelana no seu espelho, quase acertando a sua cabeça… Enfim. Você, do nada, vai vendo a vida passando como um filme diante dos seus olhos enquanto ele continua te perseguindo com um objeto cortante… Insistindo em colocar um fim na tua vida… Enfim. — Hugo soltou o ar e concluiu: — É babado. Pesado, até.
Chiara ficou em silêncio. Mesmo ela tendo vivido aquele dia fatídico com Hugo — ela o acompanhou para registrar queixa na delegacia —, ainda fica chocada.
— Você voltou pra terapia?
— Não. Ainda não.
— Eu também tô em falta… — Chiara decidiu mudar de assunto. Não queria transformar aquela conversa numa sessão. Muito menos Hugo, claro. Completou: — Enquanto não tiver um dia marcado na agenda da minha psicóloga… Vou esquecer meus problemas com mais um drink.
— Então somos dois — Bruno levantou o copo de caipiroska vazio. Acenou para o rapaz do quiosque — Aê, meu querido, me vê mais dois desses aqui.
— Um dia de folga regado a álcool não faz mal a ninguém — Chiara bebeu o resto do drink.
— Eu que o diga.
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ELE JÁ OUVIU a primeira testemunha. Foi uma das amigas mais próximas de Janine, a moça que desapareceu no exterior. A moça disse que Janine havia recebido uma proposta para trabalhar fora, para receber em euro e poder mandar pra família. Essa moça julgava que não tinha nada de errado e que Janine de fato se daria bem.
Pedro perguntou se a moça já tinha visto a pessoa que fez essa proposta de trabalho para Janine. Como era esperado, a resposta foi negativa.
Como ele não ia conseguir muita coisa, a jovem foi dispensada. Em seguida, a mãe veio prestar depoimento.
— Sua filha não mostrou foto ou conversa dessa pessoa que fez a oferta de emprego?
— Não — a senhora respondeu. — Ela não me mostrou quem era. Me mostrou somente o que era: a proposta. Eu li. Parecia ser muito boa e verídica. Só não conheci quem estava por trás disso. Acreditei que era alguém confiável. Eu poderia ter insistido em conhecer de fato essa pessoa… Ter olhado um retrato só por via das dúvidas…
— Pois é, senhora — Pedro fez muxoxo. — Uma situação bem complicada, mas… Me responde uma coisa: além da moça que veio aqui, ela tinha alguém ainda mais próximo?
— Tem sim, claro. No lugar onde ela trabalhava. Uma tal de Eliza. As duas se conhecem há muito tempo e com certeza Janine deve ter falado mais coisas para ela.
— Você tem o endereço de onde eu possa achar essa Eliza?
— Claro. Vou te repassar…
— Escreve aqui, por favor — Pedro ofereceu um bloquinho com a caneta.
A senhora anotou tudo.
...****************...
O DIA NA PRAIA foi ótimo. Hugo saiu do banho, enrolado numa toalha enquanto secava o cabelo com a outra. Reparou que o relógio marcava seis e meia da tarde. Tudo o que ele quer agora é passar o resto do dia deitado na cama, maratonando uma série qualquer. Amanhã ele estava de volta.
Antes, ele resolveu dar uma olhada no e-mail para saber se estava tudo bem — se não tinha uma mensagem importante que foi ignorada durante o dia todo. Torcia que não. Até que só tinha uma mensagem não lida. Hugo foi pego de surpresa só de ler o assunto:
...OFÍCIO DE TRANSFERÊNCIA...
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Cleide Almeida
coitado passando esse aperrei cm um embuste d ex psicopata 😔😩
2023-10-06
10
Eliane Pereira
ex é uma barra, muito pisicologico pra lidar
2023-06-19
1