Capítulo 13

HANK OLHOU PARA O TETO. Sabia que existe um duto de ventilação. Franziu a testa, concluindo:

— Deve ser um rato passando.

— Olá, chefe… — Irina entreabriu a porta. — Então está confirmado que Ruy e eu voltaremos ao Brasil dentro de alguns dias.

— Recebeu a passagem por e-mail?

— Claro.

— Quando foi a última dedetização feita neste lugar?

— Oi? — Irina franziu a testa. — Não tem muito tempo… Por quê?

— Tem rato andando pelo duto de ventilação — a voz de Hank era um pouco mais dura. — Você sabe o quanto isso é nojento, não sabe? Então chama de novo a equipe para dedetizar esse local, pelo menos a parte de cima.

— Sim, senhor.

— Vou indo. Preciso dormir.

Irina e Hank deixam o escritório.

...****************...

ASSIM QUE JANINE saiu do duto, respirou aliviada. Não queria experimentar a sensação horrorosa que era de quase ser pega pelo chefão — ela havia deduzido que era ele e assim acreditava em estar certa. Por um milésimo de segundo, Janine pensou que não escaparia com vida — se eles tivessem a visto dentro do duto, tentando escapar, a matariam.

Ainda sentada no chão, depois de colocar a grade, ela pegou um caderninho e uma caneta que conseguiu capturar do salão de costura até o seu alojamento. Começou a desenhar o que seria um duto, com a fresta que dá a visão para o gabinete de Hank. Depois desenhou uma outra linha e um ponto de interrogação.

— Preciso saber o que vem depois daqui… — Janine falou baixinho, pensativa.

...****************...

NOVE HORAS DA MANHÃ. Pedro Henrique estava na sala de embarque internacional. O embarque começa em quarenta minutos. Provavelmente o voo estará lotado, pensou Pedro Henrique, soltando o ar. Nisso é o que dá quando se compra passagem de última hora. Mas era o necessário a ser feito. Tinha pistas a seguir. Como estava cansado de andar divagando para os lados, sentou-se na cadeira de espera a fim de fazer uma ligação.

— Alex? — Ele disse assim que a sua chamada foi atendida no outro lado. — Tô aqui na sala de embarque.

— Tô ligado — No outro lado da linha, Alex usava o telefone no viva voz enquanto digitava algo no computador. — A propósito, você vai ficar em algum hotel ou hostel… Como vai ser a sua estadia por aí?

— Arranjei um hotel quatro estrelas — Pedro Henrique olhava para a pista de pouso e decolagem, onde tinha várias aeronaves. — Muito bom, por sinal. Não gosto muito de luxo ou algo do tipo, para não chamar atenção.

— Fez bem — aprovou Alex. — E suponho que seja bem localizado.

— É muito bem localizado, sim. Fica na parte central da cidade. Pode ter sido por ali mesmo que Janine tenha ido pela última vez.

— Bom garoto. Você vai me atualizar cada progresso que fizer por aí, né?

— Mas é claro — Pedro deu de ombros. — Vou mandar mensagem no WhatsApp. Não liga pro acúmulo de informações.

— Beleza. Teu embarque tá perto?

— Faltam menos de trinta e cinco minutos, agora. Aviso assim que chegar lá. Vou fazer conexão em Lisboa.

— Entendi — Alex fez uma pausa e continuou: — Só tome cuidado na hora de seguir a pista por lá. Barcelona pode ser o ponto de partida para emboscar a vítima de trabalho escravo, seguindo essa linha de raciocínio.

— Eu sei — Pedro disse. — Primeiro preciso saber quem pegou Janine no aeroporto e para onde ela foi. E qual hotel foi levada até buscarem depois para outro traslado.

— Tenta seguir até o hotel onde ela provavelmente estava pela última vez — Alex instruiu. — Assim que você tiver o nome do hotel e a próxima pista em mãos, você volta pra cá. Não vai dar para continuar essa investigação sozinho.

— Tudo bem, então — Pedro franziu a testa. — Você pretende montar uma força-tarefa, então…

— Dependendo do que você achar no meio do caminho…

— Ok — Pedro assentiu com a cabeça. — Vou tomar o cuidado para descobrir uma pista-chave, que faça o caso progredir.

— E evitar andar em círculos — concordou Alex.

...****************...

PRATICAMENTE TUDO ESTAVA indo para o caminhão de mudança, que estava parado em frente ao condomínio de Hugo. Ele sentia uma pontada de satisfação — por tudo estar dando certo — e ansiedade também, por ter pouca ou nenhuma ideia do que pode acontecer na função nova e na cidade de São Paulo. Enquanto se mantinha pensativo, uma mão pousou-lhe no ombro.

— Chiara! — Hugo se virou. — Você por aqui…

— Sim! — Eles se abraçaram em forma de cumprimento. Ela completou: — Vi um caminhão, vi você aqui fora e fiquei curiosa.

— É a etapa final da mudança — Hugo viu o último caixote sair da entrada. Os dois rapazes colocaram dentro do caminhão. — Só falta entregar o apartamento. Vamos subir?

— Claro!

HUGO ESTAVA PARADO na janela, pensativo. Lembrou-se da movimentação estranha na rua, ontem à noite. Chiara deu uma volta pelo apartamento vazio.

— Aqui fica tão estranho, sem vida… — ela comentou, olhando cada compartimento. — O próximo inquilino que vier pra cá, vai querer mudar alguma coisa. A cor… Acho que não. A cor é linda, eu acho.

Ela finalizou o comentário colocando as mãos na cintura, e observava o lustre clássico que pendia pelo teto da sala.

— Acho lindo, isso aqui.

Até que seu olhar pousou em Hugo, ainda pensativo.

— Que foi, amigo? — Foi se aproximando. — Aconteceu alguma coisa?

— Aconteceu. Ontem à noite.

Chiara recostou-se na janela, o olhar dela na mesma altura que o dele.

— Fala.

— Ontem vi um carro parado, de forma paralela, na minha janela — começou ele. — Pensei que fosse um carro comum, estacionado ali. Mas depois de um tempo, fui na janela e ele ainda estava ali. Fiquei observando, como quem não quer nada. Uns dez minutos. O cara ligou o carro e saiu. Não vi ninguém entrar. Acho que ninguém fica mais de dez minutos dentro do carro desligado e o vidro fumê fechado. Pode ser impressão minha… Mas só tinha aquele carro na rua.

— Você decorou bem o carro? A placa?

— Um corola preto. A placa não deu pra ver muito bem.

— Bizarro — Chiara franziu a testa.

— Mas deixa pra lá — Hugo gesticulou com a mão. — Deve ser uma cisma minha. Aron não é doido de tentar fazer alguma coisa contra mim.

— Você tem certeza que ele não sabe nada sobre a sua mudança para São Paulo, né?

— Acredito que não. David não teria coragem de falar com ele sobre isso.

Hugo se lembrou da última conversa que teve com o rapaz, no parque. Talvez não o encontraria tão cedo.

— Quero tomar um cafezinho no bistrô — Hugo deu ideia. — Vem comigo?

— Só se for agora…

...****************...

JANINE CONTOU A CONVERSA que ouviu para Valquíria. A mulher ficou horrorizada. As duas partilhavam dessa informação na arquibancada de concreto, enquanto tomavam banho de sol numa tarde fresca no complexo.

— Essa rede de tráfico humano não pretende parar tão cedo — Valquíria olhava para o nada. — Enquanto obtiverem lucro às custas do nosso sofrimento, eles vão atraindo mais gente nessa emboscada.

— A gente precisa acabar com isso — Janine falou com convicção, chamando a atenção de Valquíria.

— Você tome cuidado, garota — a mulher cochichou, um pouco apática. — Quase foi pega de madrugada…

— Me escuta — interrompeu Janine, com calma. — Me escuta pelo menos só agora. Por favor.

Ela pegou nas mãos da nova amiga.

— Fiquei à noite toda pensando num plano de fuga — começou. — Aquele duto de ventilação foi um achado. Eu vou descobrir até onde ele vai — ela fez uma pausa e concluiu: — A gente vai sair daqui.

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Comments

Terezinha Gouveia

Terezinha Gouveia

espero que a valquíria seja confiável

2024-08-28

1

Cleide Almeida

Cleide Almeida

O Hugo deveria tomar mais cuidado ex louco e psicopata ñ é bom ficar descansado ñ 😔☹😩
A Janine tem q fazer uma boa fuga pq se der errado mts serão mortas

2023-10-08

1

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