...POV Victoria ...
Olhei para ela mais uma vez, seu rosto carregava uma expressão suave, não parecia brava ou triste, era penas a Kris de sempre enquanto escrevia em seu caderno. Parecia que eu quem estava afetada. Como ela conseguia?
— Você está bem? — perguntei pela centésima vez naquele dia e ela me olhou.
— Vic, para com isso.
— É que... — Era difícil acreditar que depois de tudo ela não estava nenhum pouco afetada. —Paul não era seu melhor amigo?
— Olha, se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que não se pode confiar plenamente em ninguém. Claro, existem exceções, mas nem mesmo elas estão livres de falhar, então é melhor se conformar e seguir em frente. — Eu fiquei parada olhando ela que se calou e permaneceu me olhando, então sorri confirmando. — Não significa que não sofro diante de certas coisas, apenas sei medir o tamanho da importância que os problemas devem ter em minha vida.
— Realmente Srta Blake, é um boa forma de encarar certos fatos, mas que tal refletir e conversar sobre isso após minha aula? Afinal já não foi suficiente ser reprovada nessa matéria no último semestre? — disse o professor e baixei a cabeça prendendo o riso.
— Obrigada por refrescar minha memória, senhor Gomez — respondeu ela.
Durante o almoço Kris foi à biblioteca e eu para a lanchonete procurar Candice, notando que pelo caminho várias garotas me olhavam estranho, não que fosse novidade desde aquele dia do jogo.
— Algumas garotas estão te odiando — comentou Candice sentando na mesma mesa que eu. — Todos estão comentando sobre você e a Kris estar namorando e as garotas que ela ficou e depois dispensou evitando algo sério não se conformam que justo você tenha amarrado a gostosa. — Ela riu.
— Nós não estamos namorando — expliquei.
— Nessa altura do campeonato ainda tem porquê negar?
— Nós temos algo, mas que não é um namoro. — Apoiei o queixo com a mão. — Fofoqueiros chatos...
Me assustei quando Kris de repente sentou na cadeira ao lado, com uma carranca.
— O que foi?
— Essa gente tá me enchendo o saco. Agora estão tendo a cara de pau de vir diretamente perguntar sobre meu status de relacionamento e ainda por cima criticar.
— As garotas gostam de você. — Candice deu uma risadinha.
— Você partiu o coração delas — falei.
— Vou sapatear no coração de quem anda inventando historias sobre mim, isso sim!
Fiquei em silêncio, não sabendo exatamente o que dizer. Era ruim assim que as pessoas pensassem que estávamos namorando? Era só um status.
— Deveriam aproveitar e assumir logo algo sério. A Vic é uma garota para ser levada a sério, sabia Kris? — Arqueei as sobrancelhas ao ouvir Candice.
Ok, eu gostei daquilo, mas se era para acontecer que fosse sem pressão.
— Não enche! — Kris levantou e saiu.
Percebi que nem sempre ela conseguia manter aquela filosofia de vida que mede a importância de certas coisas. Ela estava se importando demais com algo e parecendo dar pouco valor a outras coisas. Nós, por exemplo.
...(...)...
Aquela semana foi péssima, eu e Kris não tivemos grandes momentos, ficamos enroladas com trabalhos e meu emprego, ela estava empolgada resolvendo algumas coisas sobre a casa junto a Mary e me deixando morrendo de ciúmes por passar mais tempo com a líder do quê comigo. Para fechar com chave de ouro eu ainda tive que ir comprar minha roupa sozinha na sexta-feira porque ela estava ocupada.
No sábado eu estava uma pilha de nervos. Parei em pé de frente ao espelho observando o vestido preto que ficava um pouco abaixo do joelho, com manga. Não era tão mal, mas também não era lindo. De repente Kris atravessou a porta do quarto rindo, mas parou ao me ver.
— Já vai? — perguntou e eu apenas confirmei com a cabeça, mantendo os olhos no espelho. — Quer que eu vá te deixar?
— Claro que não, pode ir fazer suas coisas com as meninas. — Eu não conseguia esconder a ponta de raiva que sentia.
— Tudo bem — disse. Virei e vi ela se jogando na cama. — Amanhã faremos um lava rápido aqui no campus, para arrecadar dinheiro pra reforma da nossa área externa.
— Isso vai ser como?
— Garotas lindas, gostosas e molhadas se esfregando nos carros dos marmanjos e faturando uma boa grana — explicou.
— Você vai fazer parte disso?
— Vou cuidar da grana. — Ela piscou para mim e mesmo assim eu não estava gostando nada daquilo.
Imagina só ela secando as garotas. Aquele sentimento ruim e já bem conhecido nos últimos dias começava a se apossar de mim; ciúmes.
— Eu já vou — falei e ela levantou se aproximando de mim, então selou nossos lábios.
Eu fiquei até surpresa, já que nos últimos dias quase não tivemos contato, mas foi tão rápido que mal senti o toque de seus lábios nos meus.
Estava na cara que ela já tinha se cansado de mim. Depois de toda a fofoca sobre estarmos namorando ela pareceu ficar com medo de realmente ter que me pedir em namoro e estava se afastando.
— Tchau, bom fim de semana — disse, antes de ir para o banheiro.
Eu fui para casa, mas metade de mim ficou naquele quarto a espera dela notar o quanto era importante, o quanto eu queria estar com ela.
Meu pai estava viajando, então minha mãe me recebeu sozinha, com aquela cara fechada e uma infinidade de reclamações à respeito da dívida no cartão, só parou porque teríamos visita para o almoço.
Quando a campanha tocou, ela voltou-se para mim com uma ameaça no olhar.
— Essa é a hora de recompensar a bobagem que fez — disse, enquanto a empregada ia abrir a porta. — Se quer continuar estudando, seja simpática com o filho deles.
Eu não entendi o que ela quis dizer com aquilo, mas fomos interrompidas por um casal, junto a um rapaz de cabelos claros e olhos que me causaram a sensação de já tê-los visto antes.
— É um prazer reencontra-los. — O sorriso no rosto de minha mãe era completamente diferente de quando fui recebida. — Essa é minha filha, Victoria.
— Muito bonita — falou a mulher.
— Bela, assim como a mãe — comentou o homem.
— Victoria, este é Michael, meu filho mais novo. — Apresentou a mulher e olhei o rapaz que me encarou.
— Nós já nos conhecemos — comentou ele me fazendo franzir o cenho. — Ela faz administração, não é mesmo? — Estremeci da cabeça aos pés.
— É verdade. — Sorriu minha mãe enquanto eu mantive os olhos no rapaz tentando lembrar quando o vi. — Já se falaram? Que coincidência.
— Não, nunca nos apresentamos, apenas a vi de longe no campus.
— Michael faz arquitetura... — Começou contar a mãe dele e eu não ouvi mais nada.
Todos sentaram e conversaram enquanto eu estava mergulhada em meu medo e constrangimento. Que péssimo dia para vir em casa.
O almoço foi servido e mamãe continuou tagarelando com os pais do rapaz enquanto eu fiquei quieta sentindo o olhar fixo dele que estava à minha frente, do outro lado da mesa. Pareceu uma tortura. Assim que acabamos a sobremesa agradeci mentalmente por aquele momento estar chegando ao fim.
— Querida, vá com Michael tomar um ar na varanda do último andar. — Ouvi minha mãe dizer aquilo e quase sai correndo para me trancar no quarto, mas o máximo que consegui fazer foi confirmar com a cabeça.
Levantei e segui para a escada, ciente de que ele vinha logo atrás de mim. Chegando no segundo andar minhas pernas quase não se moviam de tanto nervosismo por ficar sozinha com aquele estranho que parecia saber mais sobre mim do que eu gostaria.
— Não precisa ter medo, não vou contar sobre seu namoro — falou de repente, me fazendo paralisar no último degrau e ele parou ao meu lado.
— Não existe namoro. — Me obriguei a esclarecer.
— Todos estão comentando...
— É mentira! — Passei a mão na testa, estava me sentindo mal.
— Tudo bem, então eu não vou contar sobre suas saias minúsculas, nem que foi para a cama com meu irmão. Tá bom pra você querida noiva?
— O-o que disse? — questionei, arregalando os olhos.
— Nossos pais querem que...
— Espera, eu não fui pra cama com ninguém! — Ele estava se referindo ao Matt? — E que história é essa de noiva?
— Acabamos de dar início a fase de nos conhecer melhor para que possamos futuramente casar. — Ele riu como se contasse uma piada. — É uma coisa meio arcaica entre famílias.
— Meio? — Eu estava suando. Não podia ser real, eu ia desmaiar com certeza. — Não, meus pais não são assim.
— Você que pensa — comentou com um sorriso.
— E o que você pensa sobre isso?
— Claro que não quero casar, mas também não quero ficar como meu irmão que está ferrado com nossos pais. Se for para garantir meu lugar de bom moço na família e dinheiro, faço qualquer coisa.
— Só pode estar brincando.
— Se eles te escolheram, não vou permitir que estrague meus planos futuros.
— Você quer dizer...
— Que é melhor se conformar com nosso relacionamento porque muito dinheiro está em jogo.
Aquilo só podia ser um terrível pesadelo.
...POV Kris...
As garotas usavam seus shorts mais curtos e na parte de cima biquíni, estavam dando um show de sensualidade e não faltavam carros chegando naquele lugar. Eu estava embaixo de um guarda sol, sentada observando através do óculos escuro, os caras babando enquanto Mary esfregava os peitos no pára-brisa.
— Kris?— chamou Candice se aproximando e virou de costas mostrando as notas que algum sacana enfiou no cós de seu short, peguei as mesmas e guardei na caixa onde estava depositando toda a renda. — É uma pena que a Vic não esteja aqui.
— Ela não está perdendo nada — afirmei e Cand riu.
— Por que não? Seria legal ela lavando os carros com a gente. — Bufei e empurrei ela com o pé.
— Vai trabalhar! — Rindo ela saiu caminhando e eu suspirei me perguntando como estava a ex beata.
Não estivemos muito próximas na última semana, fiquei me dedicando a outras coisas, pois percebi que estava deixando tudo de lado enquanto passava todo meu tempo com ela.
Meus pensamentos foram interrompidos ao ver Paul se aproximando.
— Quero falar com você — disse ele parando ao meu lado, mas fingi não ligar. — Kristine você não pode fingir que não existo. Nós somos amigos, poxa! — Ele agachou-se ao meu lado. — Já falei que não sabia que a garota era importante pra você.
— Não interessa se ela é ou não importante para mim, ninguém merece passar por uma situação daquelas!
— Kris, me desculpa... — O grito de uma das garotas chamou a atenção de todos que olharam na direção dela.
Eu rapidamente fiquei de pé e fui até lá saber o quê tinha acontecido.
— Esse grosso apertou e bateu forte em minha bunda! — Apontou para o motorista do carro que me fez retirar o óculos para ter certeza de que era o mesmo gigante que tentou me matar na festa da Charlotte.
— Você! — dissemos em uníssono, ao nos encarar.
— Não pode ficar apalpando as garotas — falei séria, voltando a botar o óculos no rosto.
— E quem vai me impedir? — O homem abriu a porta do carro e saiu.
Na luz do dia parecia mais alto que antes, me fazendo engolir em seco.
Olhei para um lado e estava Mary, com mais medo que eu. Olhei para o outro e vi Paul, então sem pensar em mais nada puxei o braço do viado e coloquei ele entre eu e o brutamontes.
— Conversa com o Paul, aí!
— What? — gritou, mas virei puxando Mary e a outra pelo braço para cairmos fora dalí.
— Acabou a lavagem garotas! — anunciei correndo para pegar toda a grana e irmos para nossa casa antes que aquilo desse merda e sobrasse pra mim.
As garotas passaram toda a manhã de domingo lavando carros e nós arrecadamos uma boa grana, por sorte o incidente com o mal encarado só aconteceu quando já íamos encerrar e como eu saí antes de todas, apenas fiquei sabendo que Paul levou um soco, antes que elas chamassem alguns caras para espantar o brutamontes. Achei bem mais que merecido e ri enquanto contavam como ele chorou me chingando de todos os palavrões possíveis.
Durante a tarde aproveitei para dormir um pouco e quando acordei ouvi o fungar de alguém, abri os olhos e Vic estava encolhida na cama, chorando.
— Ei, o que aconteceu? — Sentei, meio confusa.
— Foi o pior fim de semana da minha vida. — Levantei da cama e fui até a dela onde sentei ao lado, passando a mão por seus cabelos.
— O que aconteceu? — repeti e ela suspirou antes de virar na cama para me olhar.
— Meus pais querem que eu fique noiva. — Fiquei encarando ela, então sorri não acreditando. — É sério!
— Como assim? Esse tipo de coisa é da época dos meus avós. — Ela colocou as mãos no rosto. — Não acredito. Isso é serio?
— Sim, eu o conheci no sábado e hoje meu pai contou que era tudo por causa dos negócios que não vão nada bem. As famílias fizeram uma aliança e estou sendo usada como moeda de troca.
— Mas você não vai fazer isso, não é? — perguntei o que para mim era óbvio.
— O que eu faço? Vivo com meu salário no Pub? Eu ia acabar tendo que trancar a faculdade e viver por conta própria, não saberia nem por onde começar. Na verdade... Eu não sei nada Kris, fui criada para ser a esposa de alguém. Nem sei como estou conseguindo lidar com o assédio no pub diariamente. Você tem me salvado muitas vezes, mas até quando vou depender disso?
— Então...
— Eu não sei... Acho que vou ter que aceitar. — Eu ouvi, mas teria sido melhor não ter ouvido aquilo.
— Está louca? — Praticamente gritei.
— Você nem ouviu tudo. — Arregalei os olhos, temendo o resto. — Meu pretendente é Michael McKean. Eu nem imaginava que o Matt tinha um irmão e que ele estuda aqui. Ou seja, sabe tudo sobre mim!
— Mais um motivo para você não entrar nessa.
— Não sei o que fazer.
— Nós vamos dar um jeito, eu vou te ajudar, faremos qualquer coisa, mas você não vai entrar nessa palhaçada dos teus pais. — Puxei ela e abracei forte.
— Não se afasta de mim — murmurou deitando a cabeça em meu ombro.
— Ei, não farei isso.
— Você ficou tão estranha durante a semana. — Ela fungou e afastou-se secando as lágrimas no rosto.
— Desculpa, eu precisava de um tempo... — falei meio sem jeito, me sentindo uma idiota.
— Eu não quero mais que faça isso, é difícil te sentir indiferente.
— Não farei mais, prometo — afirmei baixinho colocando as mãos em seu rosto, secando suas lágrimas, mas afastou de repente.
— Tem algo que vem me sufocando durante esses dias. Por mais que não seja a hora certa para falar e eu... — Ela baixou a cabeça, mas logo voltou a me olhar. — Tenho medo que mude comigo e o pouco que tenho de você se torne nada devido essa tua clara dificuldade em manter relacionamentos com pessoas. Mas preciso dizer de uma vez que estou completamente apaixonada e não é suficiente para mim ser apenas a amiga que te beija e vai para a cama com você.
Meu cérebro travou diante daquelas palavras.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Mary Lima
Uauuuuuuuu segura esta Kris/Tongue//Tongue//Tongue//Tongue//Tongue//Tongue//Tongue/
2024-08-08
0
Nath❤️🤞🏻
Estou amandoooooo
2024-06-11
4
Raffa Almeida
isso ai Vic solta o verbo garota
2023-04-05
4