03 • Pombo Correio

...POV Kris...

Estava sentada no banco do carro com a porta aberta, segurando um copo de milkshake enquanto digitava uma mensagem de texto com a outra mão. Ouvia a risada de Paul que estava um pouco mais a frente, sentado em uma rodinha com os caras no gramado. A única desvantagem de ter um melhor amigo gay era que ele sempre estava no meio dos machos.

— Matt! — Ouvi um dos caras gritar.

Desviei o olhar do telefone percebendo que o idiota se aproximava e para minha surpresa era justamente de mim.

— E aí! — Deixei o celular de lado e virei no banco para encarar ele que estava de pé, apoiando uma mão em meu carro.

— O que você quer? — perguntei sendo direta, afinal ele quase nunca falava comigo.

— Quero que converse com a Cand, não estou aguentando mais aquela garota querendo empatar minha vida.

Sorri sem humor.

— Como se você não estivesse justamente provocando ela.

— Não quero mais nada com aquela doida!

Levantei saindo do carro.

— Me deixa fora desse lance, ok? — Fechei a porta e fui sentar com Paul e os outros.

— O que ele queria? — perguntou meu amigo e apenas dei de ombros, não querendo tocar no assunto por acha-lo muito insignificante. — Ei, aquela não é sua nova coleguinha de quarto? — Olhei na direção que ele apontava e lá estava a beata rodeada de patricinhas.

— Devem estar zoando ela — comentei desviando o olhar.

— Aquela garota é uma comédia — disse Leonard, o cara que Paul é caidinho. — A galera zoa ela o tempo todo durante o almoço.

— Imbecis — murmurei voltando a tomar meu milkshake.

Tudo bem que eu vivia dizendo umas bobagens a ela, mas era diferente.

— Só a Kris pode falar mal dela! — Paul falou com um sorrisinho sacana nos lábios.

— Para de besteira. — Levantei, decidindo ir para a casa.

Estávamos quase na terceira semana de aula e eu já tinha um belo projeto para começar a encarar. Maldita hora que escolhi administração.

Como não tinha mesmo nada melhor para fazer naquele dia em que todo mundo decidiu me encher o saco, ao chegar joguei todo o material sobre a cama e dei início às minhas atividades.

Passaram-se algumas horas até que a novata chegasse parecendo toda animadinha, com um sorriso que sumiu quando seu olhar cruzou com o meu. Ignorei sua presença e continuei o que fazia.

— Isso está errado. — Escutei a voz dela e levantei a cabeça para olhar seu rosto. Ela estava de pé, bem na fronteira que dividia nossos territórios.

— E daí? — Voltei minha atenção para o caderno.

— Daí que se você não sabe fazer isso, muito menos vai conseguir fazer o resto. — explicou.

— Ok, então me diz como é, sua sabe tudo. — Ela revirou os olhos.

— Posso? — perguntou se referindo a fita.

— Não — falei, me arrastando na cama indo sentar no chão. — Pronto, agora cada uma pode ficar do seu lado.

— Que bobagem — disse e vi um sorriso surgir em seus lábios enquanto sentava à minha frente.

Nas duas semanas que estávamos naquele bendito dormitório a beata parecia ter se acostumado com a forma que eu tratava ela. Até achei bom, pois nada iria mudar, eu tratava as pessoas com apelidos e ofensas independente de serem amigos ou desconhecidos. Mas quanto a mim, não tinha me acostumado com ela, parecia impossível me acostumar a dividir o quarto com outra pessoa e ainda por cima alguém tão diferente de mim, alguém que eu batia o olho e desejava mudar simplesmente tudo, principalmente sua idiotice dando cabimento ao Matt.

Ela começou a me explicar  e eu tentei acompanhar com meu lento raciocínio. Ficamos focadas naquilo durante quase uma hora até que finalmente terminei.

— Ufa! — Fechei o caderno ficando de pé, sentindo minha bunda dolorida. — Obrigada.

— Nunca pensei que um dia me agradeceria por algo — disse ela, também levantando.

— Posso ser muitas coisas, mas não sou mal agradecida — falei enquanto juntava as coisas sobre minha cama. — Você... não tem andado muito com a Candice ultimamente, não é?

— Ela tem ciúmes do Mattr, não posso fazer nada. Ah, olha... — Virei para ela que me entregava um papel cor de rosa. — Charlotte Sullivan pediu para te entregar.

Vi que se tratava do convite para a festa de aniversário que aconteceria em dois dias.

— As patricinhas estavam zoando você, não era?  — Amassei o papel e joguei em um cesto no canto do quarto.— Fica andando por aí com essas roupas...

— Não! Elas, ao contrário de você, são educadas. — A garota me deu as costas e foi para o banheiro.

...(...)...

— Deixa eu ver se entendi. Amanhã tem uma festa do caramba e você não quer ir, é isso mesmo? — Paul estava revoltado. — Com quem vou comentar sobre aquela droga?

— Para com esse blá blá blá — reclamei enquanto caminhavamos pelo campus, ao fim das aulas daquele dia.

— Sua periguete de quinta, você vai nessa festa nem que seja amarrada pelos pés e eu te arrastando! — ameaçou me fazendo dar uma risada.

— Ok, eu vou com uma condição. — Ele parou, sorrindo todo contente. — Que você consiga que eu fique com Ellie Smith.

— What?? Ellie é a segunda melhor amiga da Ashley. Depois da Charlotte, ela é tipo o bracinho esquerdo cor de rosa da patricinha maléfica. Pirou? — Eu apenas sorri voltando a caminhar, pois sabia que era impossível ele conseguir tal proeza.

— Se vira! — Paul ficou parado roendo as unhas. — Tem até uma hora antes da tal festa. — Segui para meu carro e entrei, vendo pelo retrovisor que a bixa louca voltou para o prédio saltitando como se tivesse uma brilhante idéia. — Porra, o que ele vai aprontar?

...POV Victoria...

Minha primeira semana foi bem estranha, apesar de que não sei se estranho era a palavra correta para descrever tudo o que aconteceu naqueles dias. A forma como as pessoas agiam ao meu redor era como se fossem ET's, percebi que pensar sobre aquele ser o meu mundo estava completamente errado, pois eu ficava cada vez mais deslocada com aquelas pessoas.

Cand foi a primeira e única que me fez sentir bem, mas depois de seu surto por causa do Matt, nós acabamos nos afastando. Minha amizade com ele estava indo muito bem, era uma boa companhia, apesar de seus constantes elogios que me deixavam constrangida.

Quanto aquela tal Kris, eu tinha um certo receio de me aproximar, afinal para mim era uma imensa incógnita, as vezes parecia que no fundo, bem lá no fundo, era uma pessoa legal, mas bastava abrir a boca e puf! Notava-se a grossa que realmente é. Sem contar no fato de ser lésbica, algo que me fazia sentir ainda mais desconfortável. Cheguei a pensar em pedir para trocar de dormitório, mas decidi dar um tempo para quem sabe me adaptar.

Na segunda semana eu estava bem mais amiga das garotas da Beta, que todos julgavam como patricinhas fúteis e metidas.

— Victoria, você precisa convidar de novo Kristine para a festa, quero ver ela lá e fica a seu critério convencê-la! — dizia Ashley, sentada à minha frente.

Estavamos na lanchonete do campus.

Eu não entendia porquê vez ou outra elas estarem falando sobre a Kris, mas nem procurei saber o motivo de tanto interesse na lésbica louca.

— Eu nem falo muito com ela — expliquei. — Na ultima vez amassou o convite.

— Se você quer ser uma de nós, tem que nos ajudar. — Olhei Charlotte, que falava aquilo. — Kris é uma peça fundamental para nossa festa.

— Por quê? — perguntei curiosa.

— Não faça perguntas difíceis, pois essa nem eu sei responder — disse Ellie, que tinha no rosto um sorriso amigável.

— Tudo bem, mas não garanto nada — falei por fim e Ashley sorriu olhando para Charlotte.

— Você e o Matt se dão muito bem, não é mesmo? — comentou Charlotte e segui seu olhar.

Matt entrava na lanchonete e deu tchau para mim que sorri ficando sem jeito.

— Ele é bem legal. — Voltei a olhar para elas que por algum motivo começaram a rir.

...POV Kris...

No sábado acordei com a esquisita revirando tudo, parecia estar fazendo faxina. Murmurei o quanto estava sendo inconveniente e fui para o banheiro onde quase cochilei sentada no vaso, até levantar e ir tomar um banho para despertar.

— Ei, as meninas querem muito que você vá a festa. — Escutei a voz de Victoria próximo a porta do banheiro.

— Beata, você foi promovida a pombo correio das patricinhas? — Enrolada na toalha abri a porta e ela me olhou assustada. — Foda-se a festa! — Passei indo pegar uma roupa na cômoda, retirei a toalha do corpo e coloquei nos cabelos, ficando totalmente nua. Peguei uma calcinha e vesti, quando voltei a olhar para a beata ela estava me olhando com aquela cara vermelha. — O que foi? — perguntei franzindo o cenho e ela percebeu que estava bancando a estranha de novo, então voltou a arrumar a cama. — Andando com as patricinha e com o Matt... você tem noção de onde está se metendo?

— É da sua conta? — Arqueei as sobrancelhas, surpresa pela forma que falou.

— Foda-se também! — Rosnei dando as costas a ela.

Terminava de me vestir quando meu telefone tocou, me joguei na cama pegando o aparelho no móvel ao lado e vi que era Paul.

— Fala bixa!

— Não sabe o que consegui. —Seu tom de voz animado me fez egolir em seco, temendo o que ele diria.

— Não me enrola nem me engana, seu cretino! — Fiquei sentada na cama me preparando para sua mentira.

— Ela vai ficar com você hoje a noite!

— Impossível! — gritei batendo na cama.

Aquela garota não ficava com ninguém. Pelo menos eu nunca vi ela com ninguém, vivia sempre correndo de um lado para o outro com a Ashley e Charlotte.

— Prepare sua melhor roupa, compareça a casa da Sullivan às nove e verá! — disse ele antes do tu, tu, tu...

Era só o que me faltava!

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Comments

Mary Lima

Mary Lima

Isso vai dar kooooooo,o que as patricinhas querem aprontar com a grossa /Curse//Curse//Curse//Curse/

2024-08-07

0

Cleidiane Oliveira

Cleidiane Oliveira

MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS

2022-12-23

7

Marilene Almeida de Jesus

Marilene Almeida de Jesus

autora vooltaaa aqui continuar antes q eu fique paranoica kkk

2022-12-23

4

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