...POV Kris...
Fiquei chateada, não sei por qual motivo exatamente, mas fiquei P da vida quando entrei no dormitório e percebi que a beata já tinha saído para a festa. Estava louca pra ver o modelito que ela usaria, quando nem eu mesma sabia o que usar para encarar aquelas cobras.
Estava tentada a usar saia, mas não era uma de minhas peças de roupa preferidas, então peguei uma de minhas várias calças pretas e uma blusa qualquer. Meu cabelo até ficou bonitinho após algumas horas tentando arruma-lo. Calcei minhas botas de cano curto e assim que terminei de fazer a maquiagem — dispensando o batom — e saí, antes que me arrependesse.
Quando coloquei os pés para fora da casa encontrei Candice que estava parada na porta batendo o pé no chão, impaciente.
— Oi gata — falei me aproximando dela que sorriu de orelha a orelha.
— Finalmente meu amor! Vai para a festa, não é? — Confirmei. — Minha carona então.
Fomos as duas enquanto ela tagarelava sobre ter um encontro naquela noite. Eu não entendo a graça de ir a uma festa e já ter algo programado, sempre prefiro a dúvida, a incerteza, aquela pergunta que não quer calar: Será que vou pegar alguém? Quem? Para mais tarde me jogar na cama ao telefone com Paul contando sobre as novidades e as merdas que rolou.
Ok, daquela vez eu tinha algo programado, mas estava mesmo era curiosa sobre o fato de Ellie ter aceitado aquilo.
Quando estacionei na mansão de Charlotte, que todos sabiam onde ficava por não ser uma de suas primeiras festas, saí do carro e observei a quantidade de veículos que também estavam estacionados ali, anunciando que o lugar estava lotado. Enquanto caminhavamos para a entrada alguns idiotas passaram quase nos levando junto e eu tive certeza que precisava de uma bebida para aturar aquele bando de pé no saco.
— Nossa, isso ta uma zona — falou Cand ao pararmos na porta de entrada.
A sala, que era imensa, estava cheia e mal dava para andar, todos bebiam dançavam e pelos cantos dava para notar que alguns se drogavam. Olhei em direção a escada e no mesmo momento descia Ellie. A garota baixa de olhos claros, sorriu ao me ver e voltou para cima quase correndo. Não entendi sua reação, mas também não estava interessada, sinceramente não estava afim de ficar com ela.
Passando entre as pessoas me aproximei da área da piscina e lá dava para respirar. Havia um DJ, muito bom por sinal, e no outro lado da piscina, um pouco distante, um bar improvisado. Cand segurou em minha mão e fomos até lá, onde pedi uma cerveja.
— Nossa, nem sei como encontrar o Vitor — disse a loira olhando os cantos.
— E nem eu o Paul. — O barmen nos entregou nossas bebidas e tomei um pouco enquanto caminhavamos de volta ao interior da casa.
Comecei a me animar, pois a musica que tocava era realmente boa. Paramos entre a imensa porta de vidro que dava acesso a área da piscina enquanto bebia e tentava encontrar Paul, quando de repente a musica parou e a voz do DJ soou no microfone anunciando que Charlotte ia descer. Imediatamente eu e todos olhamos na direção da escada onde desciam Charlotte e Ashley, usando micro vestidos tomara que caia, bem parecidos até. Logo depois das duas desceu Ellie e olhando bem ela tinha um jeitinho meio fofo, totalmente diferente das outras duas, mas a surpresa veio a seguir, nada havia me preparado para ver quem veio depois da loira. Para minha total e imensa surpresa, lá estava a beata, mas não era a beata usando uma daquelas roupas horrorosas.
Victoria usava uma saia curta, cintura alta e uma blusa com decote destacando o busto, os cabelos dela estavam bem arrumados moldando o rosto incrivelmente maquiado, destacando seus olhos que até então eu nem havia notado a cor clara que tinham.
Não preciso dizer que a galera movida a testosterona encheu o lugar com assobios e gritos, desde elogios a idiotices tipo, delicia e gostosa.
— Fecha essa boquinha — disse Paul que aproximou-se de repente, batendo em meu queixo.
— Aquela é a Vic? — perguntou Candice, tão embasbacada quanto eu.
— Não sei mais de nada. — Engoli a saliva me sentindo estranhamente abobalhada.
— Lá vem ela! — disse Paul batendo em meu braço.
De inicio pensei que fosse a beata e fiquei assustada, mas meus olhos logo encontraram os de Ellie que se aproximava.
— Oi Kris. — Ela sorriu, visivelmente jogando charme.
— Oi. — A garota pegou meu corpo e levou até a boca, sem tirar os olhos de mim. Como eu digo que não estou afim? Me perguntei.
— Você queria me falar comigo? — Sua frase me fez perceber que aquela era a minha deixa.
— Na verdade não. — Franzi o cenho me fazendo de desentendida.
Eu não ia ficar me agarrando com ela enquanto perdia a chance de ficar com uma garota legal e neutra, que não tivesse ligação com a Ashley.
— Ah... Er... Eu pensei que... — Ela estava completamente desconsertada, me deu até dó. E sabe, eu não aguento ver uma garota fofa e sem jeito, então meus instintos falaram mais alto, me inclinei aproximando o rosto e com a mão em seu queixo colei meus lábios aos dela.
Não ia perder nada mesmo então beijei sua boca sem receio. Nossas línguas exploraram a boca uma da outra sem pressa e ela mordiscou meu lábio, trazendo as mãos para minha nuca. O beijo começou a ficar mais intenso, mas decidi parar e me afastei. Ela parecia ofegante e sorriu, com o rosto vermelho.
— Depois a gente se fala — falei e ela pareceu entender, confirmando saiu caminhando entre as pessoas.
— Uau. — Assustei-me ao perceber que Candice ainda estava por perto. — Você hein... — Deu uma risada.
— Onde está a beata? — perguntei curiosa, olhando entre as pessoas. Paul naquela altura já estava bem longe atrás de algum boy.
— Uns carinhas cercaram ela bem ali no meio — falou apontando na direção, mas não vi nada.
Tomei todo o resto de minha bebida e coloquei o copo em um móvel dentro da casa enquanto me enfiava em meio as pessoas. Eu precisava ver de perto aquele milagre divino que caiu sobre a esquisitona.
— Kris? — Ouvi a voz de Charlotte gritando meu nome e logo ela estava ao meu lado.— Preciso te mostrar uma coisa. — Mal acabou de falar já agarrou em meu braço e me arrastou entre as pessoas.
— O que você quer? — perguntei, mas ela não falou nada, continuou me puxando até uma sala onde me empurrou para dentro, quando virei ela fechou a porta trancando a mesma por fora. — Ei, Charlotte, sua louca! — gritei batendo na porta. — Abre essa droga!
— Calma. — Ouvi a voz de Ashley e quando virei ela estava parada com uma mão na cintura enquanto a outra girava uma chave. — Eu tenho uma cópia. — A maluca enfiou a chave entre os seios e caminhou até mim.
— O que você tá tramando, Ashley?
— Está com medo? — Ela mordeu o lábio e me empurrou contra a porta. — Eu vi você aos beijos com a Ellie. — Sorriu sombriamente. — Quem ela pensa que é?
— Do quê esta falando? Abre essa porta, eu quero sair daqui agora! — falei séria, mas ela ignorou, trazendo as mãos para meus ombros, deixando seu corpo bem próximo ao meu.
— Ellie vai se arrepender amargamente por ter provado desses lábios antes de mim — disse contornando meus lábios com um dedo.
Só então entendi qual era a dela. Parecia piada, porque eu sempre acreditei fielmente que Ashley me odiava, no entanto, lá estava ela armando toda uma palhaçada para me dar uns pegas. A não ser que tivesse algo a mais por trás daquilo. Mesmo assim eu ri daquela situação.
— Se você contar a alguém o que vai acontecer hoje, eu posso até não te matar, mas com certeza vai se arrepender muito — ameaçou.
— E o quê exatamente vai acontecer? — Arqueei uma sobrancelha e ela sem dizer nada deslizou uma mão para minha nuca, logo seus lábios estavam junto aos meus.
De início fiquei de olhos abertos,sem corresponder ao beijo, ainda surpresa por sua ação, mas logo relaxei e retribui, levando as mãos para sua cintura, onde apertei. Sua boca praticamente devorou a minha, eu podia sentir o fogo e desejo que vinha de seu corpo. Girei fazendo-a encostar na porta e ela sorriu em meus lábios. Deslizei as mãos por suas coxas levantando o vestido até praticamente a sua cintura e puxei seu corpo deslizando as mãos para a bunda onde apertei. Ela manteve as mãos em minha nuca e puxou levemente meus cabelos. Subi minhas mãos por seu corpo até chegar a meu real destino, apertei os seios fartos com as duas mãos enquanto descia o rosto para beijar o pescoço onde suguei, arrancando um gemido baixinho. Enfiei a mão dentro o vestido e ao tocar sua pele ela arfou, brinquei com o mamilo que já estava rígido enquanto pegava a chave com a outra mão.
Me afastei e ela me olhou confusa, nem se dando conta que peguei a chave. Estava tão convencida de que eu tinha caído em seus braços. Acabei rindo, voltando a colar meu corpo ao dela, aproximei minha boca de sua orelha e mordi o lóbulo, ela suspirou enquanto eu encaixava a chave na fechadura e ao abrir, sussurrei em seu ouvido:
— Você é patética. — Segurei no braço dela e puxei seu corpo afastando-a da porta.
Saí da sala deixando a mesma aberta, ouvindo o grito de Ashley. Olhei para trás e vi que ela ameaçou me seguir, mas não o fez, pois não teria coragem de sair correndo atrás de alguém.
Desci para o primeiro andar onde caminhei entre as pessoas e vi um burburinho na área da piscina, não vi do quê se tratava e até tentei chegar lá, mas não consegui. Fui até o bar decidida a pelo menos encher a cara, não ia sair correndo, afinal não estava devendo nada a ninguém. Se ela me queria que tivesse agido com uma mulher e não como uma idiota controladora.
Sorri lembrando a cena de minutos antes, mas meu sorriso sumiu quando avistei Victoria próximo a piscina, sorrindo enquanto Matt falava alguma coisa em seu ouvido. Me aproximei do bar e pedi mais uma cerveja, sem tirar os olhos deles, constatando que ela estava realmente bonita. Suas pernas eram tão grossas. Nossa, de onde elas saíram? Tinha coxas muito sexys. Que mudança foi aquela? Me perguntava sem tirar os olhos dela.
Peguei minha bebida notando que os dois saiam, tomei um grande gole antes de seguir eles para ver onde aquilo ia dar e para minha surpresa os dois subiram, o que significava que iam para algum dos quartos. assim como outros vários casais.
Ela ia transar com aquele idiota?
— Ei, eu estava te procurando — disse Amy que se aproximou ofegante, como se tivesse corrido uma maratona. — Tem um... Um cara imenso querendo matar o Paul.
— Onde? — Ela saiu praticamente correndo entre as pessoas e fui atrás.
Quando chegamos lá, no meio da roda de curiosos vi o cara chacoalhando Paul, segurando-o pela gola da blusa.
— Você ta pensando o quê, viadinho? Eu sou macho! — Meu amigo mantinha os olhos fechados e parecia estar rezando para todos os santos.
— Ei, façam alguma coisa! — gritei olhando todos ao redor que apenas riam da situação.
Bufei de raiva.
O cara levantou a mão fechada em punho, se preparando para socar a cara do Paul e imaginei o estrago que faria, pois ele era muito grande e sua mão era quase do tamanho do rosto do meu amigo.
— Ai caralho! — Em um ato de desespero tomei uma garrafa da mão de um cara ao meu lado, corri até o grandalhão e dei um pulinho para bater ela em sua cabeça.
A garrafa se espatifou e eu escutei uma poção de "ooooh".
O cara virou para me olhar, parecendo que mal fez cosquinha, apesar de que claramente vi sangue pingar no chão, mas ele estava ainda mais irado.
— O que é seu ta guardado — disse ele e arregalei os olhos. Daquela vez ele ia mesmo socar a cara do Paul.
— Não! — gritei pulando nas costas do cara, agarrei em seus cabelos, ele soltou meu amigo que caiu estatelado no chão e lá mesmo ficou, gritando para eu sair de cima do cara que logo segurou em meus braços com força, gitando vários palavrões. Agarrei mais forte em seus cabelos com uma mão e com a outra fiquei passando pelo rosto do animal, tentando fazer com que me soltasse. Ele cambaleou e quando deu mais um passo para o lado ambos caímos na piscina.
De início pensei que havia morrido, mas quando notei que estava na água e vi a carranca do mal encarado me olhando lá embaixo, logo emergi e nadei para o lado oposto, fugindo do grandalhão que ainda me seguia. Todos gritavam feito loucos ao redor da piscina e quando sai da mesma, empurrei uma garota lá dentro para retarda-lo. Sai correndo em meio as pessoas, no caminho esbarrei em Ashley e Chaelot. Enquanto eu olhava para trás vi que foram atropeladas pelo mal encarado todo encharcado, assim como eu. No caminho peguei um jarro que estava ao lado da porta e joguei na direção dele e assim que atravessei fechei a porta e corri para o estacionamento onde me escondi atrás dos carros até encontrar o meu e me enfiar dentro dele.
Liguei o carro e sai dalí, Paul que se virasse, eu já tinha feito minha parte. Era sempre assim, nós planejavamos ir a uma festa, mas acabávamos nos encontrando apenas duas ou três vezes e em uma delas acontecia algum desastre.
Eu ainda estava tentando me acalmar, meu coração batia acelerado quando peguei a estrada de volta ao campus. Dirigindo, relembrei as cenas daquela noite que mal começou e já chegou ao fim e ri sozinha. Quanta babaquice.
As ruas estavam parcialmente movimentadas, mas apenas por carros, o que me fez observar que a distância alguém caminhava no acostamento. Aumentei a luz do farol e percebi ser a beata, ou melhor, a ex beata, que andava descalça abraçando o próprio corpo. Ao me aproximar diminui a velocidade e baixei o vidro do lado do passageiro.
— Victoria? — A garota me olhou com o rosto banhado em lágrimas.
Percebi que a festa não tinha sido uma droga apenas para mim.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Mary Lima
Inocente nestes lugares sofrem para aprender...Mas o canalha ainda vai rasteja /Curse//Curse//Curse//Curse//Curse//Curse/
2024-08-07
0
Vanda Oliveira
isso é o que dá se meter com mal caráter
2023-03-01
8
Vanda Oliveira
isso é o que da se meter com mal carater
2023-03-01
1