16 • Almoço de Domingo

...POV Kris ...

Meu celular tocava de maneira incessante. Ouvindo aquele barulho, movi o corpo na cama e isso me fez cair no chão. Soltei um gemido de dor, só então abrindi o olhos enquanto ficava sentada. Olhei para a cama e Vic dormia como um anjo, tomando todo o espaço. Meu braço direito estava dormente e as costas doíam. O celular parou, mas logo voltou a tocar, me inclinei e peguei o mesmo sobre o móvel.

— Hm — murmurei.

Não existe coisa pior que atender telefone quando acordo e pior, quando acordo toda dolorida.

— Kristine, venha almoçar em casa. — Era minha mãe. Retirei o aparelho do ouvido e olhei as horas, passava das nove. — Você quase não vem em casa e ontem saiu daquela forma, venha recompensar a péssima educação que te dei. — Revirei os olhos.

— Mãe... — Minha voz saiu em forma de gemido e encostei a testa no colchão. — Sabe aquela amiga que estava com problema? Então, não quero deixa-la sozinha.

— Traga ela também, a moça precisa saber que você tem família. — Franzi o cenho.

— O que tem a ver?

— Querida, não precisa esconder, sei que é uma namorada e está sem jeito de trazê-la, mas acredite, conhecer a família é um passo muito importante no relacionamento.

— Mãe, não é nada disso. — Suspirei.

— Sei, sei, mas traga a garota. — Passei a mão pelos cabelos e pensei sobre aquilo.

— Tudo bem — falei por fim, então ela mandou beijos e desligou.

Eu estava me sentindo um caco, levantei alongando os braços e fui para o banheiro onde tomei banho e relaxei um pouco embaixo da água morna. Quando sai do banheiro Victoria parecia acordar.

— Que horas são? — perguntou depois de se espreguiçar.

— Quase dez — respondi, indo pegar uma roupa. — Levanta, vamos almoçar com meus pais.

— C-com os seus pais?

— Sim, minha mãe convidou. — Virei para ela que tinha um olhar assustado. — Eles são legais, não precisa ter medo.

— Eles sabem sobre você?

— Sim. — Terminei de me vestir e ela ainda estava lá deitada, provavelmente pensando sobre aquilo. — Só digo uma coisa, meu irmão vai nos encher o saco.

— Você tem um irmão? — Confirmei.

Vic ainda parecia meio tensa, mas levantou, completamente nua e foi para o banheiro enquanto eu a observava.

Depois de pronta peguei o celular e enviei uma mensagem para Paul ,dizendo que precisava falar com ele, afinal tinha que saber como descobriu sobre a trama daqueles três, mas o cretino não respondeu. Nesse tempo Vic saiu do banheiro e começou a se vestir.

— Que ruguinha é essa em sua testa? — perguntou chamando minha atenção enquanto deslizava um vestido pelo corpo e suspirei olhando a calcinha rosa que logo foi coberta pelo leve tecido de cor preta, com florzinhas.

— Você acabou comigo. — Ela franziu o cenho. — Pegou toda a cama e eu fiquei na ponta de mal jeito. — Victoria riu alto. — O que uma mulher numa cama de solteiro, não faz? — Ambas rimos e fui até ela agarrando seu corpo rapidamente. Afastei os longos cabelos úmidos e rocei meus lábios por seu pescoço.

— Kris isso faz cócegas — disse tentando se afastar, mas prendi seu corpo com força.

— Estou me vingando. — Ela riu se contorcendo, tentando se soltar, mas abocanhei a pele e chupei levemente para não deixar marca, ela parou de tentar me afastar e um suspiro escapou por seus lábios.

— Que vingança gostosa.

No caminho para a casa de meus pais paramos em uma lanchonete e tomamos café. Nesse meio tempo Vic olhou bastante o celular e ficou inquieta. Quando questionei o motivo, contou que a mãe estava ligando insistentemente, mas que não queria atendê-la. Eu decidi não questionar mais e seguimos para nosso destino, chegando lá quase meio dia.

Ao abrir a porta de casa dei de cara com Christian e Claire, sua noiva, ambos no sofá, enquanto ele parecia tentar apertar o nariz dela que ria.

— Que infantilidade é essa aqui? — falei enquanto fechava a porta e ambos nos olharam.

— Kris! — Claire levantou logo vindo me abraçar.

— Vejo que seguiu meu conselho. — O patife do meu irmão piscou, em seguida olhou Victoria que parecia sem jeito.

— Gente, essa é Vic, minha amiga.

— Amiga, sei — disse Christian sorrindo malicioso, mas levou uma cotovelada da namorada.

— Pare com isso! — reclamou ela que aproximou-se de Vic.— Oi, sou Claire, noiva desse moço com cara de safado e pelo que pode ver é irmão da Kris. Não liga para a semelhança entre eles, eu também estranhei no início.

— É um prazer conhece-los — falou Vic tímidamente.

— Não assustem ela, por favor — pedi enquanto segurava na mão de Victoria para levá-la em direção a cozinha. — Esqueci de dizer que esse casal é meio maluco. — Ela riu, mas parou quando chegamos na porta da cozinha onde mamãe sorriu aos nos ver.

— Pensei que não vinham! — Ela segurou meu rosto e beijou minha a testa, me deixando sem graça.

— Mãe — murmurei em desagrado e rindo ela me soltou.

— E essa menina linda? — perguntou olhando a beldade ao meu lado.

— Victoria , essa é minha mãe...

— Prazer em conhecê-la Vic, me chamo Meghan. — Minha mãe abraçou ela e logo carregou a pobre envergonhada de volta a sala.

Eu olhei para a cozinha e vi alguns docinhos de sobre a mesa, então fui até lá pegar um,antes de seguir a duas. Quando cheguei na sala meu pai já estava lá e a família toda parecia voltada para a pobre Vic.

— Como vocês se conheceram? — perguntou minha mãe e sentei no braço do sofá, de frente para elas.

— Estamos dividindo o mesmo quarto... — respondeu e meu irmão deu uma risada, interrompendo sua fala.

— Deve ser divertido — disse ele e percebi Victoria corando, então decidi acabar com aquela situação constrangedora.

Bati palmas chamado a atenção de todos.

— Vamos parar com o interrogatório, ok?

— O que tem de mal em querermos saber um pouco mais sobre sua namorada? — falou meu pai.

— É, o que tem de mal, pirralha doida? — Christian me provocou.

— Nós não somos namoradas. — Esclareceu Vic.

— Então é verdade? — perguntou minha mãe e bufei.

A pessoas não acreditavam em mim e queriam me desencalhar a todo custo. Não que eu estivesse encalhada, mas pela visão deles, parecia.

— Eu pensei que finalmente ela tinha largado de ser cabeça dura — comentou meu pai.

— Ta vendo, todo mundo quer que você desencalhe. — Meu irmão concluiu meu pensamento.

— Vocês me envergonham! — reclamei.

— Tudo bem, vou mandar servir o almoço — falou minha mãe levantando.

Passada a parte chata da conversa, comemos enquanto eramos questionadas sobre o curso e vida na universidade. Quando o assunto chegou na família da Victoria, eu tentei desviar para outro tema. Ao final, arrastei a ex beata para os fundos e sentamos em um degrau da pequena escada no jardim Japonês que minha mãe tanto tinha zelo.

— Aqui é lindo — comentou admirada, observando tudo.

— Mamãe realizou esse pequeno sonho a pouco mais de um ano. Acho que se pudesse ninguém além dela viria aqui.

— Não olha agora, mas seu irmão e a namorada estão na janela nos espionando — disse ela me fazendo rir.

— Típico. — Dei de ombros. — Que roubada, hein? Vir passar o domingo com essa família chata.

— Eu gostei deles.

...POV Victoria ...

Sabe aquele lugar no mundo onde você se sente perfeitamente bem?

Dizem que o nosso lar está em nossa mente, mas o meu parecia estar em uma pessoa; Kristine. Nunca tive liberdade para ser eu mesma, expressar meus pensamentos e opiniões, fazer coisas que gostaria e provar novas sensações, mas com ela eu me sentia outra pessoa. No bom sentido, não como quando as patricinhas me ajudaram a mudar minha aparência. Com a Kris eu podia ser outra, mas sendo eu mesma, como jamais pude ser antes.

— No quê esta pensando? — perguntou ela.

— Em como gosto de você. — Ela sorriu brevemente.

— Eu também te gosto muito.

Nós ficamos a tarde toda na casa dos pais dela. Vi álbuns antigos e fiquei sabendo de muitas coisas sobre ela que estava furiosa por seus pais estarem expondo sua infância e adolescência. Já era quase noite quando voltamos, ela estava bem cansada devido a noite mal dormida, por isso assim que chegamos jogou-se na cama e simplesmente apagou.

Fiquei olhando-a dormir, desejando ficar ali grudada a ela.

Pensei sobre o fato dela nunca ter namorado ninguém no campus e em como parecia quase impossível escolher justo a mim, uma completa inexperiente no quesito relacionamentos e pior, sexo. Kris me levava a loucura, proporcionando sensação que jamais imaginei sentir, mas eu ainda ficava muito intimidada quando pensava em retribuir. Ela em si já me intimidava e isso unido ao medo de não fazer direito, me fazia sentir quase uma inútil na cama.

...POV Kris ...

Difícil era pouco para descrever como estava sendo a segunda-feira. As pessoa falavam sobre a Vic na maior cara de pau e a vontade de sair socando todo mundo era imensa.

Na hora do almoço ela ficou almoçando com a Cand, enquanto eu ia procurar o Paul, mas já faltava pouco para minha aula e nada dele, até me tocar que só podia estar com o peguete secreto.

Afinal, qual o melhor lugar para se esfregar com alguém do sexo masculino naquele dia e hora em específico? Vestiário! Eu tinha certeza que ele estava pegando alguém do time de basquete da universidade.

Sai correndo pelo campus, estava doida para encontrar o sacana e de quebra descobrir quem era o encubado que ele estava ficando. Entrei no vestiário pisando em ovos e nem precisei de muito para ter certeza de que estavam alí, pois escutei o som dos armários. Me posicionei escondida na fileira e coloquei apenas a cabeça no corredor.

A cena que vi me deixou chocada a ponto de minha boca se escancarar. Pisquei algumas vezes e me escondi encostando a cabeça no armário, mas precisava ver novamente para acreditar. As lembranças do dia do jogo vieram em mente e tudo fez sentido, ele sabia de tudo porque estava tendo um caso com o Matt.

Caminhei,m em choque até a saída, quando de repente parei e tive uma idéia, meio idiota, mas de qualquer forma seria uma maneira de defender Vic caso necessário. Peguei o celular em meu bolso e voltei até lá, os dois se beijavam incessantemente, então tirei uma foto e sai o mais rápido possível. Não desejava jamais usar aquilo, me parecia muito errado, mas não podia negar que Matthew merecia.

Paul sempre soube que o Matt não valia nada, ele estava comigo quando avisei a Cand e quando aconteceu aquilo com a Vic, na verdade, naquela época ele já devia estar com o Matt, afinal na manhã seguinte à festa ele passou o dia transando com o cara misterioso. A todo momento minha vontade era ir dá uns tapas nele, mas tentei me conter.

Ao fim do dia não o procurei, pois era mais importante levar a Victoria ao pub.

— Então... — Vic fazia duas tranças no cabelo enquanto seguiamos para o pub. — Estive pensando e no próximo fim de semana tenho que ir em casa. — Olhei ela que parecia não estar nada feliz com aquilo. — Hoje na hora do almoço minha mãe disse que se por acaso não fosse, ela mesma viria me buscar.

— Já faz tempo que você não os visita mesmo.

— O problema é que... Eu não tenho mais nenhum vestido ou saia longa. — Dei uma risada. — Isso é sério, ta?

— Então vamos comprar.

— Estou sem dinheiro.

— Eu compro pra você. — Ela concordou e quando terminou a trança virou para mim.

— Como estou? — Eu sorri ouvindo aquela pergunta que ela estava sempre fazendo.

— Parece uma menininha linda com essas tranças. — Sorrindo feito boba observei ela voltar a encostar-se no assento.

— Você está sempre vindo me deixar e buscar. Fica me mimando, sabia?

— Você acha? — Ambas rimos. Estacionei o carro e ela me olhou aparentemente apreensiva. — Ficarei aqui, se prepara porque vou beber. — Abri a porta e saí.

— Você não é louca! — gritou me seguindo para a entrada do pub.

Simon parecia estar vendo uma preciosidade atravessando a porta de seu bar. Os olhos do patife brilharam quando viu Victoria que também sorriu, toda simpática. Me perguntei para quê tanta simpatia.

Sentei em uma mesa evitando ficar próximo ao panaca, enquanto ela ia trocar de roupa. Quando voltou estava uma mistura de sexy e fofa. Uma fofa sexy, com aquelas trancinhas e o vestido que com certeza já esteve nas fantasias de alguns daqueles marmanjos.

...(...)...

Era um pouco mais de dez horas, Vic tinha ido ao banheiro e eu conversava animadamente com meu amigo pesqueiro. Não estava bêbada, pois precisava dirigir e não ia cometer o mesmo erro daquela noite. O homem contava sobre Rosita sempre atrapalhar em suas pescas, por ser muito gostosa e lhe tirar a concentração. Mas de repente eu vi atravessando a porta da frente nada menos que Paul e Matt juntos. Arregalei os olhos e tentei me arrastar na cadeira para que eles não me vissem.

Qual a probabilidade daqueles dois estarem alí? Alta, afinal era um lugar longe do campus, mas perto do clube. Droga!

Não seria nada bom se aquele babaca descobrisse que Vic estava trabalhando alí, por isso saí agachada por entre as mesas,até poder levantar e me enfiar na porta onde apenas funcionários eram permitidos.

— O que faz aqui? — perguntou surpresa ao me ver alí.

— Matt e Paul estão lá fora!

— O quê? — Ela já ia em direção a porta, mas segurei em seu braço.

—  Sabe que o Matt e as cobras vão usar isso contra você, não é? — Ela coçou a cabeça parecendo nervosa.

— Não quero que ninguém saiba que trabalho aqui — choramingou.

— Vamos embora! — falei enquanto olhava ao redor e notei ter uma saída de emergência.

— Não posso, mal comecei no emprego! Sábado já saí mais cedo, hoje Simon contou que conseguiu outra garçonete para ajudar, tenho medo de ser chutada. — Suspirei, me encostando na parede enquanto pensava em uma forma de resolver a situação.

— Fica aí. — Saí do interior do local e caminhei até a mesa do casal.

Paul ao me ver claramente assustou-se, pensei que ia levantar e sair correndo, mas apenas ficou de pé e colocou a mão no peito enquanto eu parava à sua frente. Já Matt estava tão branco quanto leite.

— Quer me dizer alguma coisa? — perguntei cruzando os braços.

Eu não queria ter aquela conversa em tal circunstancia e lugar, mas o momento pedia.

— Ele não quer dizer nada! — falou Matt levantando. enquanto encarava o peguete de forma ameaçadora.

— Fica na tua que meu papo é com a passiva aqui. — Percebi ele cerrando o punho e descruzei os braços.

Seria ele tão convarde a ponto de bater em uma mulher? Eu não duvidava.

— Kris, eu quero sim falar com você, mas em outra hora — disse Paul nervoso, visivelmente trêmulo.

— Eu quero falar agora. —  Encarei Matt. — Você devia dar o fora! — Ele deu um passo em minha direção.

— Quem você pensa... — Paul segurou no braço do brutamontes que parou imediatamente e após uma breve troca de olhares entre os dois ele puxou o braço de forma brusca e caminhou para a saída pisando firme.

— Agora somos eu e você. — Arrastei ele para fora do lugar.

Não havia nem sinal do babaca lá fora, eu parei apenas quando chegamos em meu carro.

— Me explica quando foi que você entrou nessa!

— Kris, estou apaixonado.

— Apaixonado? Quantas vezes você se apaixonou no ano passado? Quinze? Trinta? Infinitas vezes? E no entanto, nunca me escondeu nada, e nunca encobriu algo contra alguém inocente por causa de um panaca qualquer. Você sempre soube, não foi? E apenas no último minuto decidiu me contar!

— Eu queria contar, mas pensei que a beata não fosse tão importante. E o Matt terminaria comigo, nós estamos tendo um lance sério.

— Lance sério? — Ri sem humor. — Aquele babaca nunca vai te assumir. Ele jamais vai querer que as pessoas saibam ou sonhem que se agarra com um cara! Paul... — Passei a mão pelos cabelos, nervosa. Queria poder fazer ele se tocar, queria enfiar um pouco de sanidade na cabeça dele. — Quantas vezes os caras do time te chamaram de viadinho nojento? Quantas vezes fizeram piadinhas e chacotas e Matt estava entre eles? Você acha que isso vai mudar? Me escondeu coisas, foi cúmplice de uma palhaçada por causa de um cara que não vale o chão que você pisa. Sinceramente, eu não confio mais em você!

— Eu... Não queria que fosse assim. Kris você é minha melhor amiga. — Sua voz estava embargada. — Mas estou louco por ele.

— Faz o que quiser, só não diga que não avisei! — Sai caminhando de volta ao Pub.

— Esta tudo bem? — perguntou Vic assim que entrei.

— Pessoas apaixonadas são mesmo idiotas — falei com raiva.

— Não é bem assim...

— Vou ficar te esperando lá fora. — Dei-lhe um selinho rápido, o ato foi impensado, afinal estávamos no meio do pub. Ao nos darmos conta disso ambas ficamos sem jeito e olhamos ao redor. confirmando que ninguém nos observava. — Desculpa.

Saí de lá e fui para meu carro.

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Comments

Mary Lima

Mary Lima

Autora gosto da sinceridade da Kcris e sabedoria que ela tem/Rose//Rose//Rose//Rose/

2024-08-08

1

rafa

rafa

quero mais por favor

2023-01-06

4

👻_bia

👻_bia

eu sabia que isso ia acontecer, mas vc fez melhor.

2023-01-06

1

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