08 • Mente Poluída

...POV Victoria...

Caminhei entrando na quadra ao lado esquerdo de Ashley, onde ela mesma disse que eu deveria estar sempre. Parecia bobagem e engraçado, mas mesmo assim segui aquele ritual estranho.

Estavamos na faculdade, não era? Não devia ser a partir dalí que as pessoas amadureciam? Aquilo parecia coisa de filme adolescente. Não que eu pudesse assistir filmes assim, mamãe não permitia, mas uma vez ou outra dava meu jeito.

Conheci várias outras meninas da Beta, mas aquelas duas eram a Líder e a Vice, por isso o restante praticamente lambiam o chão para elas passar. Não entendi o motivo de Ellie não ser mais uma delas, mas sempre notei como ela ficava deslocada e por fora dos assuntos que as duas pareciam julgar importantes. Eu sinceramente estava ficando cada vez mais curiosa a respeito desses assuntos que elas faziam tanto mistério.

A partida já estava começando e elas subiram a arquibancada pisando nos pés de quem estivesse pelo caminho. Eu tentei não ser tão grossa e não pisar nos pés das pessoas enquanto seguia as duas.

Ashley parou em um determinado local onde cochichou no ouvido de uma garota de óculos, então ela e as amigas levantaram e saíram do lugar, onde logo as duas sentaram. Eu passei os olhos pela arquibancada e vi a Kris logo mais acima, sorri acenando para ela que sorriu de volta, mas meu sorriso sumiu quando vi a tal Amy me encarando, então suspirei sentando e percebi que preferia estar lá com a Kris do quê com as duas alí, mas no momento em que vi Matt na quadra, olhando diretamente para mim, coloquei minha melhor máscara e retribui com o olhar fixo e expressão séria.

— O Matt não tira os olhos de você — comentou Ashley e dei de ombros.

Eu não tinha contado a elas exatamente o que aconteceu naquela noite da festa.

— E o Theo não para de olhar para você — disse Charlotte cutucando Ashley que revirou os olhos.

— Ele é bonito — falei, tentando saber se ela estava interessada.

— Não me interessa, já tenho alguém em vista. — Ashley olhou para Charlotte e piscou.

— Quem? — Arqueei uma sobrancelha, curiosa, mas claro ela ainda não confiava em mim, assim como eu não confiava nela.

— Bem... — começou Ashley, com um sorriso no rosto.

— Você não precisa saber — interrompeu Charlotte.

— Um dia quem sabe fique sabendo e me ajude com isso — falou Ashley sorrindo e apertando minha mão sobre a coxa.

Cheguei a conclusão de que Charlotte estava atrapalhando minha relação com Ashley, que vezes parecia prestes a me contar algo, mas a outra impedia.

Quando a partida estava no meio eu decidi levantar, pois estava entediada. Definitivamente basquete não era meu esporte preferido, ainda mais quando Matt com seu metro e meio ficava correndo pela quadra e me encarando sempre que possível.

— Vou comprar um refrigerante — anunciei já saindo.

— Trás para nós também — pediu Charlotte e sorri confirmando.

A lanchonete, que ficava do lado de, fora estava lotada. Assim que consegui me aproximar do balcão pedi apenas um refrigerante porque não pretendia voltar para dentro tão cedo. Enquanto esperava peguei um canudo de papel e no mesmo momento senti um vento quente próximo a minha orelha esquerda, então virei rapidamente e não havia ninguém, mas ao virar para o outro lado lá estava Kris sorrindo e acabei sorrindo também.

— Está muito cheio, não é? — comentei pegando o refrigerante que a moça me entregou.

— Sim! Você conseguiu subir com essa sainha hein, aposto que nem se deu conta da quantidade de caras que viu sua calcinha. — Fiquei totalmente sem jeito ao ouvir aquilo. — Espero que esteja usando uma que não seja de renda.

— Estou usando um shortinho por baixo. — Saí caminhando na direção oposta a quadra, enquanto abria  colocava o canudo no refrigerante, com ela me acompanhando. —  Quer? — Ofereci e ela parou, inclinando na direção da garrafa levando o canudo a boca. — Kris?

— Oi? — Ela voltou a caminhar e fiz o mesmo.

— Por que você é lésbica? — Ela riu e acabei me achando uma idiota por ter feito a pergunta. — Espera, deixa eu reformular pergunta. Ficar com garotas é tão bom assim a ponto de só preferir garotas? Eu não entendo, parece tão estranho.

— Para mim é completamente normal. E sim é muito bom a ponto de só desejar garotas. — Observei ela colocar as mãos nos bolsos da calça, fitando o chão enquanto caminhava.

— Você tem um rolo com a Amy, não é? — Voltei a beber meu refrigerante, vendo ela negar com a cabeça.

— Apenas ficamos duas vezes, ela é apenas uma colega.

Aquilo era estranho, não entrava em minha cabeça que fosse normal. Parecia surreal duas garotas se beijando e ainda por cima se diziam colegas. Tão fora do comum.

— Você já ficou com a Candice? — Tive que perguntar, afinal ela parecia beijar qualquer boca. A essa altura eu até já sabia que beijou a Ellie na festa.

— Não, eu não beijo todas as minhas colegas. — Kris riu e parou me olhando. — Por que as perguntas? Está com medo que eu queira te pegar só porque somos próximas agora?

— Não! Bem... confesso que fiquei meio receosa sim, pois as pessoas aqui parecem muito abertas a tudo.

— Sim, são um bando de libertinos, mas sou uma moça séria. — Tive que rir e ri com gosto. — O quê? Eu não tenho cara?

— Claro que não tem! — Ela fez uma cara como se estivesse ofendida.

-— O que pensou naquele dia em que me viu beijando a Amy? — perguntou e com certeza fiquei vermelha só de lembrar.

— Hmmm — Tomei o resto do refrigerante enquanto avistava um banco e me aproximei rapidamente para sentar. Não tinha muitas pessoas naquela área, afinal quem não estava na quadrada estava na lanchonete que ficava a uma certa distância. — Fiquei muito assustada, nunca vi duas garotas se beijando. E fiquei envergonhada por ter ficado lá parada, nem sei o que deu em mim, foi muito estranho. — Sorri olhando para o chão.

...POV Kris...

Victoria estava vermelha, envergonhada. E droga, estava muito fofa. Eu fiquei feito boba olhando para ela que olhava o refrigerante em suas mãos e brincava com o canudinho. Afinal onde estava o assunto? Vasculhei em minha mente em busca de algo para dizer, mas tudo sumiu. Eu estava com medo de falar ou fazer alguma coisa que ela interpretasse mal.

— Não precisa ter medo, não mordo — falei em tom divertido.

Quase respirei fundo aliviada por finalmente ter dito algo depois de uma pausa tão longa.

— Não tenho medo, afinal se você não mordeu naqueles primeiros dias... — Ambas rimos. — Você era tão... Não sei, você ainda é... Eu nunca sei o que esperar de você.

Eu sou bem complicada mesmo.

— Sou simples, como pizza, bebo cerveja e beijo garotas. Não suporto que invadam meu espaço e...odeio aquelas garotas alí. — Ela seguiu meu olhar que esta fixado em Ashley e Charlotte que acenavam. — Ei, não vai... — perdi, pegando em seu braço e ela pareceu estremecer na mesma hora, então soltei imediatamente. — Vamos embora juntas?

De repente eu sentia necessidade de afasta-la daquelas duas.

— Não sei, acho que depois daqui elas vão a algum lugar.

Bufei com aresposta.

— Não deve ser um lugar bom para você, vamos comigo — insisti.

Não era possível que iria se jogar nas garraras daquelas duas, não era aceitável! Victoria era diferente, não tinha nada a ver com aquelas nojentas.

— Ta bom, eu vou falar com elas. — Vic levantou e foi ao encontro das duas que estavam paradas próximo a lanchonete.

Fiquei observando enquanto esperava ela falar com as duas. Ashley me fuzilava com os olhos, com certeza doida para fazer uma ceninha por causa do que aconteceu na festa, mas não me procurou porque não quer ser vista comigo. Covarde!

Quando Victoria deu as costas a elas e as vi voltando para a quadra, percebi que tinha vencido daquela vez e falei a mim mesma que iria vencer todas as outras. Elas não iam levar a garota para o lado fútil e mesquinho da vida.

— Vou com você! — anunciou sorridente, sentando ao meu lado.

— Kris? — Ouvi a voz de Amy e fechei os olhos, pedindo mentalmente que ela não viesse grudar em mim..

— Lá vem a piranha — murmurou Vic e olhei para ela.

Não sei se sempre foi daquele jeito ou se sua personalidade estava mudando junto com as mudanças exteriores. Ela estava me surpreendendo ao se mostrar completamente diferente do que eu imaginava.

— Vem, vamos para a quadra! — Amy aproximou-se e decidi levantar para que as duas não ficassem muito perto uma da outra.

— Venho já — falei para Vic. — Olha Amy, eu vou ficar aqui, pode ir!

— Nós viemos juntas, pensei que ficaríamos...

— Estou com a Vic aqui e depois de hoje a tarde não é bom que fiquem próximas, então pode ir lá — falei já impaciente.

— Você está me trocando por ela? — Seu tom alterou.

— Não existe isso de trocar, Amy.

— Não existe? Você está claramente fazendo isso agora! Essa vadia chegou agora e só porque é novidade está fazendo isso. Quero ver quando cansar dela! Acha que vou ficar aqui esperando?

— O que deu em você? A Vic é apenas minha colega. Essas suas fantasias e esperanças já estão passando dos limites. Nós duas não temos nada, assim como eu não tenho nada com ela, então por favor respeita. Ok? — Eu podia ver a raiva em seus olhos, mas ela simplesmente me deu as costas e saiu caminhando apressada.

— Que chata. — Tomei um susto ao ouvir Vic que parou ao meu lado.

— Ela costumava ser bem mais legal. — Ambas olhamos para Amy que caminhava voltando para a quadra. — Nunca mais fico com uma amiga ou colega — falei e pela visão periférica notei ela me olhando.

— Sinto-me segura agora. — Ambas rimos e encarei ela. Por que tinha que estar tão perto? Engoli em seco, novamente ficando sem assunto. — Vamos embora? Aqui tá muito chato. — Apenas confirmei e caminhamos para o estacionamento.

...(...)...

O dia havia sido aquela mesma droga de sempre. Não fiquei colada em Victoria, que saiu de casa cedo e eu tarde, como sempre. Na noite anterior ficamos conversando até tarde, eu na minha cama e ela na dela, sobre coisas tão aleatórias e insignificantes que parando para refletir acabamos não sabendo nada útil uma da outra.

Almocei com Paul, enquanto ele falava sobre não ter ido a quadra porque ficou à espera do bofe escândalo que estava pegando. No fim do dia saí com Mary e adiantamos os ingressos, também compramos vários acessórios, tintas neon e objetos de decoração. Mary contratou um buffet para cuidar dos aperitivos, compramos bebidas e contatamos um DJ.

Quando voltamos para o campus já era quase onze da noite e assim que entramos na casa me deparei com uma cena muito louca, Victoria estava em pé, diante de uma rodinha de garotas, ao redor da mesa de centro da sala, retirando a blusa. Observei ela ficar apenas de sutiã e meu queixo deve ter batido no solo de tão abismada, tanto por sua atitude quanto por seus peitos naquele sutiã de cor vermelha.

— O que estão fazendo? — perguntou Mary largando as compras em um canto da sala e indo até elas.

— Jogando strip-poker! — respondeu uma delas.

Desde quando a beata sabia jogar aquilo?

Passei a mão na testa desviando o olhar, me perguntando porquê Paul tinha que poluir minha mente.

— O que você tem aí? — Quando dei por mim Victoria já estava parada à minha frente, com as mãos na cintura, exibindo aquele busto que me fez engolir em seco e obrigar meus olhos a mais uma vez desviarem dali.

— Umas coisas para a festa. — Balancei as sacolas no ar.

— Vem Vic! — chamou uma das meninas.

— Ah não, eu vou subir. — Ela me olhou. — Vamos?

— Cadê sua blusa? — perguntei, me sentindo estranhamente desconfortável e ela foi até onde jogou a peça. — Mary vou deixar as sacolas aqui — falei colocando-as junto as outras no canto.

— Ok, obrigada e até amanhã! — Ela deu uma piscadela para mim que logo sai da sala junto a Victoria que carregava a blusa nas mãos.

— Você sempre foi assim... Desinibida? — perguntei curiosa enquanto subiamos..

— Jamais! Quero dizer, não que pudesse ser... Meus pais são religiosos e muito rígidos, eu sempre me reprimi e tentei ser a filha exemplar — riu.

Ela bebeu?

— Entendi. — Abri a porta do quarto e assim que entrei retirei os sapatos e quando virei para ela vi que estava retirando o sutiã. Meus olhos quase saltaram, então imediatamente virei.

— Vou tomar banho. Quer ir primeiro? — Neguei, sentando em minha cama. — Algum problema? — Levantei o rosto e tentei encara-la, mas meus olhos foram para seus peitos que estavam desnudos.

Eles pareciam tão... Com certeza jamais foram tocados por alguém. Ou até mesmo... Ai meu Deus, eu não devia estar pensando essas coisas.

De repente ela colocou as mãos nos seios e fiquei terrivelmente constrangida por perceber que ela notou que eu estava olhando.

— Desculpa. — Foi tudo que consegui murmurar naquele momento, baixando a cabeça.

...*...

...*...

...Vou postar o aviso sobre os dias das próximas atualizações em meu Insta @matysuii ...

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Comments

Mary Lima

Mary Lima

Que provação estar passando a grossa /Curse//Curse//Curse//Curse//Curse//Curse/

2024-08-07

1

A.G

A.G

😂😂😂😂
Nem queria rir mas fui obrigada

2024-06-13

2

Dilma Lisboa

Dilma Lisboa

😁😁😁 ela solta bem provocando

2024-03-14

1

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