A única questão que estava na cabeça de Sol, sem as outras fáceis e menos humilhante, era como e o que ele queria com toda aquela mentira, como ele iria resolver um fim para um começo que nunca existiu? Era assustador demais para ela ter que imaginar passar por isso, ainda mais tendo que expor o seu filho numa vida que ele jamais teria.
Observar diante dos seus olhos uma cena que demonstrava uma felicidade que não existe era ainda mais assustador. Os amigos se Hales, os 3 três em específico, amaram a ideia de que ele tinha um filho longe. Beijaram Caio, mimaram com carinho, fizeram perguntas que ele jamais saberia a resposta e como ele se sentia sobre ter um pai tão irresponsável como Hales.
O que Caio diria, afinal? Era apenas uma pequena criança, vítima de uma grande mentira.
Sol se sentia uma péssima mãe.
Após os amigos de Hales irem embora, Sol sentou-se na cadeira e esperou que o seu filho parasse de perturbar o seu falso pai com perguntas inadequadas, repetitivas e brincalhonas. Ele parecia gostar, mas não sabia realmente quais os sentimentos verdadeiros daquele homem, se ele mentiu o tempo inteiro ou se as suas verdades fossem realmente dolorosas e ocultas.
Ela queria saber mais sobre Hales.
Quando percebeu que Caio voltou a se sentar na poltrona ao lado do seu brinquedo, Sol virou-se para Hales e segurou as pontas dos próprios dedos, sentindo as unhas arranharem a pele, percebendo o frio incomum nas suas partículas. Não saberia identificar aquele vasto sentimento inoportuno e vago.
— Planejei esse dia para saber como se sairia. — Hales falou, olhando-na. Ela não gostava que ele olhava-lhe daquela maneira. — Deveria se soltar mais, pareceu tensa quando a toquei.
Sol estremeceu, lembrando-se das suas mãos em suas costas.
— O contrato relata bem um certo distanciamento de nós dois. — Ela respondeu, autêntica.
— Haverá alguns casos em que terei que tocar nas suas mãos ou qualquer indício de carinho, nada que seja muito íntimo. — Bradou, calmo. — Sinto muito, caso tenha se sentido tão incomodada com o meu toque.
“De forma alguma”, ela pensou, mas não disse.
— Não queria expor o meu filho dessa maneira. — Ela olhou para o menino, abstraído e areado com o brinquedo novo. — Ele é tudo o que eu tenho.
— É tarde demais para isso. — Hales falou e Sol virou o rosto para ele.
Sobre a mesa, havia um jornal, Hales rastejou ele na direção de Sol e ela estreitou os olhos, curiosa.
— O que foi?
— Olhe a primeira página. — Ele pediu, ela segurou o jornal com as duas mãos e virou-o na direção da sua visão.
Hales, Estava com as duas mãos sobre o rosto de Sol, com os olhos vidrados na sua pele insinuando um carinho imenso diante da sua pupila aparentemente dilatada. Do outro lado, não muito distante, estava Caio brincando com Mário, na outra foto ele estava brincando com Hales.
Os olhos de Sol cambalearam para os dois novamente, como um casal vislumbrando o dia a dia. As suas sobrancelhas juntaram-se em confusão, medo, receosa e aflita. Boa parte dela queria poder dizer estar num relacionamento de verdade, como sempre desejou, e agora estava em um por um maldito contrato, que já tinha em mente uma grande ilusão.
Uma pergunta estava na sua cabeça: Elisa havia visto aquela foto? Se ela viu, por que ainda não ligou? Como iria explicar ela aquela tarde que nem mesmo Sol tinha compreensão?
“O empresário mais jovem de São Paulo tem um novo affair. Quem é a criança com Hales Alexandre?”
A notícia era clara, São Paulo sabia dos dois e agora um embrulho cercou todo o corpo de Solare. Não havia pensando por aquela forma, de que o seu filho estava exposto para todos, até mesmo para aquele que havia dado a vida para ele.
Ergueu o olhar e colocou o jornal sobre a mesa novamente sentindo o peito latejar em euforia, Hales prestou atenção e ela tentou não se importar aquilo.
— Algum problema? — Ele perguntou e Sol negou. — A foto não ficou péssima.
— Irá nos proteger, Hales? — Sol perguntou e ele ajeitou-se na cadeira.
— Precisará de proteção?
— Eu sei que não faz parte do contrato, ou algo assim... mas...
— Vou proteger vocês, Solare. — Ele interrompeu-a. — Você é minha por um ano e nesse meio-tempo, nada irá acontecer. Eu prometo.
— "Sua". — Ela cochichou olhando para baixo e ele estreitou os olhos.
— Do que tem medo, Solare?
Ela sorriu de lado, desajeitada. Por um momento ele parecia estar gostando daquela situação quando o Sol percebeu o sorriso torto.
— Isso vai acontecer com muita frequência? — Sol perguntou, preocupada, rastejando os olhos para o jornal.
— Até eles cansarem.
— O que dirá a eles? — Inquiriu.
— Nada. Não costumo responder perguntas inadequadas sobre mim, que descubram sozinhos.
— É sempre assim? Egocêntrico? — Sol passou as mãos sobre o papel.
— Pensa que sou “Egocêntrico”?
Ela ergueu os olhos.
— Na maioria das vezes, sim.
— Você é teimosa e inconveniente. — Ele berrou, se levantando da cadeira. — Mário irá levá-la para comprar roupas novas, em três dias será o aniversário dos meus pais e quero que esteja adequada.
— Eu não sou "adequada" o suficiente para você?
— Não foi o que eu disse...
— Foi exatamente o que você disse. — Ela levantou-se. — Pode deixar, Sr. Alexandre, eu irei fazer o que manda. — Retrucou abalada. — Estarei “adequada” para o senhor.
— Me chame de Hales, Solare. — Ordenou.
— Não estamos sendo gravados ou observados. — Ela caminhou na direção do filho. — Irei tratá-lo como meu futuro marido quando estivermos com companhia.
— No seja teimosa!
— Não estou sendo. — Ela disse. — Tenha uma ótima manhã, esse mês volto para a faculdade e tenho muito o que fazer.
— Irei com você para fazer as compras.
Ela não disse mais nada, apenas pegou o filho no colo e saiu pela porta.
“Adequada”, o que ele queria dizer com isso? Sol queria saber como funcionava a mente daquele homem que a irritava tanto, como teria que suportar ele por doze meses.
Passou pelo corredor, segurando a mão do filho e caminhando rumo ao elevador, que se abriu no mesmo segundo. O seu peito encadeou numa sensação estranha no mesmo segundo, percorrendo cada traço da sua pele.
Heitor saiu de dentro do elevador e bateu os olhos em Sol, parando de caminhar rapidamente e fixando a sua atenção nela. Ao contrário dele, com todo a indiferença, ela tremia agarrada na mão do seu filho. Os olhos verdes do homem abaixaram-se para a criança, que ergueu a cabeça para ele.
No primeiro segundo, o homem levantou a sobrancelha como se estivesse visto um fantasma, enquanto Sol de mantinha sorrateiramente assustada e eufórica.
— Você tem um belo filho. — Heitor falou, agarrado no jornal que só agora Sol percebeu nas suas mãos.
Ela segurou a mão do menino com mais força e caminhou rapidamente para o elevador, entrando e virando-se para Heitor que já estava de frente para ela, com o mesmo olhar exuberantemente inexato e volúvel.
Antes que o elevador se fechasse, observou Heitor dando um passo para frente, na sua direção, e ela fez o mesmo para trás e as portas e fecharam.
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Atualizado até capítulo 69
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